Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Aos pais que perdem seus filhos...


Elegia do filho perdido (08/04/2011)

O que morre em Cristo será chorado pela sua falta,
mas nunca pelo seu fim...



Um filho que é ido antes de nascer o dia
é um eclipse na aurora dessa tua alegria.

Um filho que é ido antes de aquecido o sol
é uma elipse da palavra que nunca se disse.

Um filho que é ido antes de raiar seu riso
é arco-íris que não há, arrebol que inexiste.

Um filho que é ido antes do badalar do sino
é abraço que não se dá, afago baldado no ar.

Um filho que é ido antes de dizer-te adeus
é abrupta visita da Hora que devora os teus.

Um filho que é ido antes do tempo de agora
termina por transbordar a taça da tua elegia.

Um filho que é ido antes desse meio-dia
é a morte que aborta o viço da tua vida:

O filho perdido antes do encontro marcado
é a lâmina da lágrima neste poema enlutado.

Fábio Ribas

Publicado originalmente em 08/04/2011 aqui
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