Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A crise da fêmea - o 5º post mais lido nestes 6 anos de blog!


Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor.
Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, 
o teu pescoço com os colares.
Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata.
(Ct 1; 9-11; Fiel)


Quais significados estão contidos na metáfora desses versos? Poder, beleza, imponência, força! O amado finalmente manifesta-se no livro e nos revela sua admiração, sua estupefação diante da noiva! Oferece a ela versos e presentes. Poesia e jóias. Há muitas maneiras de se agradar, de se valorizar e de expressarmos os nossos sentimentos e desejos por uma mulher. E ela, a noiva, sabe incitar o seu homem à criatividade.

Esta comparação – "às éguas dos carros de Faraó" – era um elogio comum dos noivos às noivas naquela época.  Evidentemente, erótico. Todavia, não vulgar. Quais características femininas são referidas pelas analogias de nossa subcultura? Na era das mulheres-fruta, reduzidas à coisificação estritamente pornográfica, retornamos ao noivo de Cantares, que expressa a grandeza, a fortaleza física e a integridade moral e espiritual da majestosa noiva: a excelência feminina em sua totalidade, alma e corpo.

O que se têm dito das mulheres de nossa geração? O que aprendemos dentro de nossas casas, nas escolas, no trabalho sobre o que dizer da mulher? Mas o mais surpreendente é que há essaszinhas, as chulas, que se submetem ao menosprezo, ao ridículo, às humilhações masculinas (e, pelo que demonstram, parecem mesmo gostar). Nada contra mulher que gosta de apanhar, ser humilhada, rebaixada, cuspida... Parece que, realmente, elas existem e não são apenas criações fantasiosas do mundo pornográfico (machista). Bem, elas são livres para se tornarem escravas daquilo que bem quiserem.  Nada tenho com isso, de fato.

O problema é que a mulher-coisa é uma imagem fixada e estendida para todas representantes do sexo feminino, indiscriminadamente. Esta é a imagem repassada aos meninos, desde cedo. Há quem diga, ainda, que é só atuação, só imagem, ou fantasia... O fato é que há mulheres que se vendem (ou se dão de graça mesmo), prostitutas de plantão à disposição da humilhação. Paradoxalmente, os jovens são introduzidos ao universo feminino por elas, seja num prostíbulo (ao qual muitos pais levam seus filhos, embora, agora, já haja serviços mais cleans em motéis ou dentro de casa mesmo), seja também por filmes, revistas e o que a mídia nos oferece. Portanto, é uma cultura que molda, apresenta e define para nós, homens, o que são as mulheres, a que elas se submetem, do que elas gostam e o que podemos e devemos exigir delas. O que esperar do imaginário masculino se, desde a tenra juventude, é a isso tudo que somos doutrinados?

A crise é feminina, não é masculina. Nunca foi. A imagem primordial da mulher é a imagem da mãe – mentora que deveria, primeiramente, nos introduzir ao universo feminino. Todavia, as mães saíram de casa. A ausência dessa referência para os filhos é um abismo, um buraco aberto na formação do caráter do homem. Seremos, então, muito cedo, apresentados a outras mulheres. Perdendo, portanto, a fase do convívio e da admiração proporcionada pelo caráter bondoso, meigo, feminino da própria mãe. 

A crise, sinto muito dizer, nunca foi do macho. A crise é das mulheres que se despiram da maternidade e da responsabilidade de criarem homens de caráter,  filhos homens que respeitassem o sexo oposto, admirassem o universo feminino e que possuíssem o zelo devido às mulheres que lhe serão confiadas amanhã.

Creio que nunca a nossa cultura ocidental foi tão impregnada  por imagens de domínio sexual e abuso machista como o é agora e na qual a mulher se submete e se definha na sua sexualidade, beleza e natureza. É impossível não imaginar que houve uma armadilha cultural - uma arquitetura epistemológica - preparada pelos homens para que elas caíssem e, julgando-se livres, elas fossem, na verdade, tão oprimidas e dominadas como estão agora. Uma espécie de plano macabro planetário, que as subjugou, dando a elas a liberdade de se tornarem uma coisa, um objeto, uma fruta, um fetiche, um pedaço de carne, enfim, mas por livre e espontânea vontade delas.

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