Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Nossas filhas estão de olho em nós!

Há muitos anos, quando ainda morávamos em São Sebastião, Brasília, e quando Aninha, nossa primogênita, tinha apenas seus 4, 5 aninhos de idade, ela nos surpreendeu dizendo no banco de trás do carro: “Quando eu crescer, eu quero ser policial e casar com um pipoqueiro”!

Evidentemente, não conseguimos segurar nossos risos diante de tão inusitado projeto de vida. Todavia, pensando bem no que aquela minha criancinha linda já julgava significar o casamento, ela estava certíssima: casamento é segurança e prazer.

Algum conservador de plantão deve estar torcendo o nariz diante do modelo familiar invertido da minha filhinha. Será que, naquela época, estaríamos passando a ideia de que segurança quem provê é a mulher e o prazer é o homem? Nem vou comentar.

Mas os anos passaram e percebemos que nossas filhas sempre estiveram de olho em nós, confirmando o bom e velho Aristóteles que dizia que a imitação é uma condição conatural ao homem, sendo isso o que nos diferencia dos animais. A imitação, dizia Aristóteles, é o meio pelo qual aprendemos, apreendemos e temos prazer nos mais diversos aspectos da vida, inclusive no casamento (embora Aristóteles não tenha feito essa aplicação matrimonial).

E de olho em nós e na nossa vocação e eleição, nossas filhas começaram a dizer que queriam casar com um pastor e serem missionárias. O que é uma vitória para nós, pois, se tivéssemos um exemplo de vida hipócrita e legalista, elas seriam as primeiras a desejarem pular fora deste barco. Ao contrário, elas se identificaram e têm prazer no que fazemos, graças à misericórdia de Deus.

O que me surpreendeu nestes dias foi minha caçula, Gisele (10 aninhos), comprar um presente para mim: um chaveiro com forma de sandália, tendo desenhado na sandália uma coruja e a palavra “filosofia”. Nunca conversei com ela diretamente sobre estes assuntos, mas dei-me conta de que ela está de olho em mim, nos meus livros e nas conversas que tenho com outras pessoas.

Mas a surpresa não para aí. Ela também comprou o mesmo chaveirinho para ela e pediu que eu o pendurasse na Bíblia dela. E ela me disse: “Pai, eu quero fazer faculdade de Filosofia”! Abri um sorriso, lembrando-me mais uma vez do Estagirita: “Aprender é o maior de todos os prazeres, não só para o filósofo, mas para toda a humanidade”!            

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