Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A Cruz de Cristo e o meu adultério - o 6º post mais lido neste seis anos de blog!

Portanto, eu afirmo a vocês o seguinte: o homem que mandar a sua esposa embora, a não ser em caso de adultério, se tornará adúltero se casar com outra mulher.
Mateus 19: 9



A história universal dos amores humanos é quase sempre interferida por uma série de adultérios de consequências terríveis, todavia, quero tomar como centro da minha abordagem o primeiro adultério – Adão e Eva. O adultério de nossos antigos pais é o arquétipo para todos os demais casos de traição presentes na psique universal.

O adultério nunca deve ser compreendido apenas em seu aspecto sexual, mas, principalmente, devemos estender seu significado às traições ocorridas em todos os níveis de um relacionamento humano. O adultério matrimonial especifica-se na presença de um “outro”, um terceiro elemento na cena de uma relação em que a cumplicidade deveria ser apenas de ambos, o marido e a mulher. Maridos ou esposas que cultivam “melhores amigos” e com estes dividem segredos que jamais compartilhariam com seus próprios cônjuges ou que denigrem a imagem do parceiro a outros e, até mesmo, que pedem dinheiro emprestado a terceiros sem o conhecimento e o consentimento do seu par exemplificam alguns desses casos de adultérios muito comuns no dia a dia de tantos casais que se julgam fiéis um ao outro.


O adultério é sempre a traição da lealdade e não, tão somente, uma questão de infidelidade sexual. Esta, quando ocorre, pode muito bem ser explicada pelo adultério espiritual que se verifica já cometido anteriormente na vida desse casal. Jesus deixou isso explícito no sermão da montanha quando disse que o adultério não se restringe apenas em relacionar-se sexualmente com outra pessoa, mas, antes, é essa cobiça destituída de testemunhas do nosso pensamento por outro(a).


O adultério é uma falha, um rasgo, uma profunda falésia no oceano do caráter da nossa natureza humana. A dificuldade que temos em compreender essa dimensão real e profunda do adultério deve-se ao fato de que nossa sociedade é extremamente sexista e tende a esconder as origens da infidelidade no limitado ambiente freudiano de uma propalada repressão de nossos impulsos sexuais: tratamos o resultado como se este fosse a causa, quando, na verdade, é a consequência visível de uma silenciosa erosão espiritual. Por isso, quase todas as definições e abordagens acerca do adultério refletem esse espírito sexual do nosso tempo, como, por exemplo, esta de Voltaire: "Em latim, adultério quer dizer alteração, adulteração, colocar uma coisa em lugar de outra, crime de falsidade, uso de chaves falsas, contrato falso. Daí o nome adultério dado a quem profana o leito conjugal, como chave falsa introduzida em fechadura alheia." Ledo engano do filósofo que abre mão das águas assombrosas do oceano para aportar na praia tranquila da obviedade. Precisamos ir muito além dessas metáforas sexuais, ou melhor, precisamos retornar ao princípio, se quisermos entender que o problema não é o adultério sexual, mas o coração corrupto do homem do qual nascem todos os demais adultérios, inclusive o sexual.


Adão e Eva estabelecem-se como o padrão do adultério que aqui busco tratar. Apesar das inúmeras tentativas de sexualizar a história desse casal, o que de fato ocorreu no jardim do Éden foi uma deslealdade, uma desobediência, uma traição ao Deus que os criou e lhes presenteou com toda sorte de bênçãos das quais ambos usufruíam: o pecado, portanto, é a corrupção das virtudes humanas! Estas, agora, encontram-se estilhaçadas e para cultivá-las é preciso que o homem faça-o a partir da fadiga do seu trabalho, sabendo que, em meio às virtudes, nascem cardos e abrolhos também.


Desde aquela narrativa de Gênesis, o modelo vai se instaurar de tal maneira no imaginário do Povo que, sempre que este se afastar de Deus para seguir falsos deuses, as Sagradas Escrituras afirmarão que o Povo de Deus é um povo adúltero, uma prostituta, uma meretriz. Este é o ensino bíblico: somos todos adúlteros, porque traímos os preceitos, os votos, a Aliança de Deus. A Bíblia dirá que a Igreja é a noiva do Senhor, mas a noiva está em adultério e perdida no mundo apesar de todo o favor recebido da parte de Seu Noivo. Ainda no Antigo Testamento, Deus fará Oseias experimentar algo do próprio sofrimento divino e registrar em livro os tormentos do profeta com sua esposa adúltera. Todavia, Oseias é impelido por Deus a não desistir daquela com quem ele casou apesar de inúmeros casos de traição por parte dela. O profeta paga um alto preço para retirar sua esposa do mercado de escravos em que ela foi parar depois de uma vida entregue à prostituição. Oseias é o protótipo do próprio Deus, que não desistirá do seu Povo apesar da prostituição deste. A Bíblia, então, diz que para re-editar a Aliança em uma Nova Aliança, Deus envia seu Filho, o Noivo, para morrer por essa mulher adúltera, que somos cada um de nós!



Na Teologia do Pacto, há o Ser divino, Uno e Trino, e que não precisa do homem e nem de seu louvor, mas que decide livremente compartilhar conosco do amor perfeito existente na Santíssima Trindade, o amor perfeito e suficiente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esse amor a ser compartilhado com o homem fora decidido na Eternidade, todavia, por saber que o ser humano adulterará e trairá a Aliança, o Pai promete ao Filho resgatar a Sua Noiva e dar a ela a vida eterna se o Filho entregar-se por ela, se o Noivo decidir livre e espontaneamente amá-la até à morte e morte na cruz. É no Seu próprio sangue derramado na Cruz do Calvário que o Noivo compra e livra-nos deste mercado de escravos ao qual nos condenamos! O fim desta, que é a mais bela história de amor de todos os tempos, nós já conhecemos bem. A cruz é a história do amor de Deus que suplanta o adultério da Noiva! Deus decidiu amar Seu povo e ser fiel ao Seu próprio caráter santo, ainda que Ele tivesse o direito de nos repudiar e nos condenar à morte por causa de nosso adultério.


A Paixão e a Ressurreição de Jesus é pagamento e resgate – é na história humana que vemos desenrolar o drama da redenção de nosso adultério primordial. O Espírito Santo tem chamado a Noiva de Cristo às bodas do Cordeiro. Eis que as nossas vestes sujas pela fornicação e prostituição espirituais serão trocadas pela veste alva da noiva que entra na nave da Igreja – imagem já tão desbotada da cultura decadente e descristianizada de nossa geração. Por isso, aqueles que escutarem o chamado do Noivo, ouvirem a Sua voz clamando por sua amada Sulamita, precisam responder ao Noivo: sim, eu aceito! É nesta resposta que encontraremos a paz da reconciliação com Aquele que jamais deixou de amar sua Noiva. Enfim, a Cruz e o túmulo vazio - e não o divórcio e nem a morte por apedrejamento - são a resposta de Deus ao meu adultério!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A crise da fêmea - o 5º post mais lido nestes 6 anos de blog!


Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor.
Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, 
o teu pescoço com os colares.
Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata.
(Ct 1; 9-11; Fiel)


Quais significados estão contidos na metáfora desses versos? Poder, beleza, imponência, força! O amado finalmente manifesta-se no livro e nos revela sua admiração, sua estupefação diante da noiva! Oferece a ela versos e presentes. Poesia e jóias. Há muitas maneiras de se agradar, de se valorizar e de expressarmos os nossos sentimentos e desejos por uma mulher. E ela, a noiva, sabe incitar o seu homem à criatividade.

Esta comparação – "às éguas dos carros de Faraó" – era um elogio comum dos noivos às noivas naquela época.  Evidentemente, erótico. Todavia, não vulgar. Quais características femininas são referidas pelas analogias de nossa subcultura? Na era das mulheres-fruta, reduzidas à coisificação estritamente pornográfica, retornamos ao noivo de Cantares, que expressa a grandeza, a fortaleza física e a integridade moral e espiritual da majestosa noiva: a excelência feminina em sua totalidade, alma e corpo.

O que se têm dito das mulheres de nossa geração? O que aprendemos dentro de nossas casas, nas escolas, no trabalho sobre o que dizer da mulher? Mas o mais surpreendente é que há essaszinhas, as chulas, que se submetem ao menosprezo, ao ridículo, às humilhações masculinas (e, pelo que demonstram, parecem mesmo gostar). Nada contra mulher que gosta de apanhar, ser humilhada, rebaixada, cuspida... Parece que, realmente, elas existem e não são apenas criações fantasiosas do mundo pornográfico (machista). Bem, elas são livres para se tornarem escravas daquilo que bem quiserem.  Nada tenho com isso, de fato.

O problema é que a mulher-coisa é uma imagem fixada e estendida para todas representantes do sexo feminino, indiscriminadamente. Esta é a imagem repassada aos meninos, desde cedo. Há quem diga, ainda, que é só atuação, só imagem, ou fantasia... O fato é que há mulheres que se vendem (ou se dão de graça mesmo), prostitutas de plantão à disposição da humilhação. Paradoxalmente, os jovens são introduzidos ao universo feminino por elas, seja num prostíbulo (ao qual muitos pais levam seus filhos, embora, agora, já haja serviços mais cleans em motéis ou dentro de casa mesmo), seja também por filmes, revistas e o que a mídia nos oferece. Portanto, é uma cultura que molda, apresenta e define para nós, homens, o que são as mulheres, a que elas se submetem, do que elas gostam e o que podemos e devemos exigir delas. O que esperar do imaginário masculino se, desde a tenra juventude, é a isso tudo que somos doutrinados?

A crise é feminina, não é masculina. Nunca foi. A imagem primordial da mulher é a imagem da mãe – mentora que deveria, primeiramente, nos introduzir ao universo feminino. Todavia, as mães saíram de casa. A ausência dessa referência para os filhos é um abismo, um buraco aberto na formação do caráter do homem. Seremos, então, muito cedo, apresentados a outras mulheres. Perdendo, portanto, a fase do convívio e da admiração proporcionada pelo caráter bondoso, meigo, feminino da própria mãe. 

A crise, sinto muito dizer, nunca foi do macho. A crise é das mulheres que se despiram da maternidade e da responsabilidade de criarem homens de caráter,  filhos homens que respeitassem o sexo oposto, admirassem o universo feminino e que possuíssem o zelo devido às mulheres que lhe serão confiadas amanhã.

Creio que nunca a nossa cultura ocidental foi tão impregnada  por imagens de domínio sexual e abuso machista como o é agora e na qual a mulher se submete e se definha na sua sexualidade, beleza e natureza. É impossível não imaginar que houve uma armadilha cultural - uma arquitetura epistemológica - preparada pelos homens para que elas caíssem e, julgando-se livres, elas fossem, na verdade, tão oprimidas e dominadas como estão agora. Uma espécie de plano macabro planetário, que as subjugou, dando a elas a liberdade de se tornarem uma coisa, um objeto, uma fruta, um fetiche, um pedaço de carne, enfim, mas por livre e espontânea vontade delas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Daniel na cova dos leões - o 4º post mais lido nestes 6 anos de blog!



Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.

 
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.

 
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.


O autor nos sugere pelo uso da palavra amargo, que aquela experiência homossexual específica não foi prazerosa num primeiro momento (e ele vai tratar de "resolver" isso no restante da letra). Mas, veja, há uma mudança nos versos seguintes muito semelhante à experiência com cigarro (ou à maconha, tanto que muitos pensaram que se tratasse disso a letra da música). Entretanto, o amargo daquela primeira experiência logo se torna doce e o cheiro do outro - forte e lento - sorrateiramente se fixa nos braços do autor da letra - ou do narrador.  De qualquer maneira, as características do vício e da paixão estão presentes no turbilhão de sensações que se expressam: "forte, cego e tenso", portanto o vício está estabelecido e, insaciável, pede mais do mesmo.


Qual segredo que há entre eles? E quem ousará desafiar a intimidade dos dois? O narrador está totalmente entregue à paixão e já, inconsequentemente, não tem mais medo de errar, pois a insegurança não é mais um sentimento que o atormenta. E a identificação entre os dois nessa relação sem ontem ou amanhã, na qual apenas o momento e o instante definem e regem a liberdade entre os dois amantes, pauta para nós o ritmo do ambiente criado pela música. Entretanto, dos dois personagens apenas um está livre do medo e da insegurança. O narrador revela a nós que o outro tem medo de ter medo de ter medo de se entregar com tamanha liberdade e audácia como ele mesmo faz. A convicção e a segurança expressas pelo narrador geram no outro essa perplexidade diante de tamanha força na entrega a algo tão proibido. Aqui, neste ponto, temos o verso mais revelador da relação homossexual descrita na música: "Teu corpo é meu espelho...".  E ainda que haja de um lado insegurança, medo e confusão, do narrador em 1ª pessoa há a certeza exata de se estar no controle da situação para usufruir o máximo possível de tudo o que pode ser oferecido pelo outro.


Então, porque fugir dessa atração? Por que ter medo? Por que tanta confusão? Negar o próprio desejo homossexual é ir contra a natureza (...tão certo quanto o erro de ser barco/A motor e insistir em usar os remos). Em outras palavras, se ambos foram feitos exatamente para esse fim, porque tentar insistir em viver de outra maneira? (daí, o desafio ao instinto dissonante - quem está destoando são os outros e não os dois!). A conclusão final é a de que não se entregar aos desejos homossexuais de ambos é o mesmo que morrer afogado na frente do salva-vidas, enfim, uma imensa tolice! O que temos, então, é uma letra de sedução, persuasão e convencimento homossexual. 


Naquele disco, "Legião Urbana Dois", fomos presenteados com inúmeras músicas de um Renato Russo no auge da criatividade como letrista - um disco que ainda guardava reminiscências do "Aborto Elétrico", grupo anterior que se pautava pela forte pegada punk. Contudo, o disco superava ao mesmo tempo toda essa formação original, trazendo um Renato Russo fortemente influenciado pelos simbolistas como Baudelaire, Rimbaud e Mallarmé. Pérolas preciosas para o rock nacional estão ali naquele emblemático LP que marcou toda uma geração: "Índios", "Andrea Dorea", "Acrilic on Canvas" são apenas algumas dessas músicas.


Quanto à "Daniel na cova dos leões", ela aparece assinada pelo Renato Russo e pelo Renato Rocha, que sairia da banda logo após a conclusão desse disco. A música apontava para uma proposital ambiguidade sobre o que de fato estaria sendo dito na letra da música, mas, anos depois, o próprio Renato Russo confirmou que a música tratava da homossexualidade. Naquela efervescente década de 80 em que Brasília despontava como a Capital do Rock, é claro que Renato Russo estava muito mais antenado com o movimento gay do que nossa juventude poderia supor. Tanto que a homossexualidade da letra passou desapercebida por muitos de nós. Mas, muito antes daquela década de 80, o movimento gay mundial já transformara Jesus, Davi, Jonatas, João e tantos outros personagens bíblicos em ícones eróticos da causa gayzista. Tudo isso sendo difundido pela cultura da mídia e da música, além das artes em todas as suas expressões.  


O que mostra que a cultura artística - em quaisquer de suas expressões - nunca deve ser interpretada inocentemente e sem o crivo da Bíblia. Valores, ideias, costumes, moral, re-engenharia social e formatação das mentes têm sido feito com sucesso há anos, abrindo caminho para a silenciosa revolução que já atua e que levará o nosso mundo à hegemonia de uma Nova Era pagã.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O beijo - o 3º post mais lido nestes 6 anos de blog!

"Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho. Suave é o aroma dos teus ungüentos; como o ungüento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam" (Ct 1: 2-3).

O beijo desejado pela mulher apaixonada. O verso arrancado do anseio, da espera, da ausência que não se sacia. A mulher apaixonada que expressa claramente os seus desejos, sem jogos ou subterfúgios. A mulher que fala. Nada se insinua, nada se esconde. Tão pouco, ela se coloca no papel de coagida, tímida ou distante. Ela deseja. Não há metáfora no verso, não há ainda comparação alguma. O livro é iniciado com essa lâmina cortante do desejo expresso em toda sua sinceridade. Sim, o desejo feminino pelos beijos da boca do homem amado.

A primeira fala de um ser humano na Bíblia é ocasionada pela admiração. O primeiro verso surge da boca de Adão extasiado pelo vislumbre daquela que agora era "osso dos meus ossos e carne das minhas carnes". Agora, mais uma vez, o verso da admiração. A admiração que surge do simples, do cotidiano, do comum alcançado pelos olhos de todos nós, mas que poucos, muito poucos são capazes de perceber.

Há prazer na Bíblia e o prazer aqui não é masculino, mas é expresso por uma mulher que não reprime ou esconde aquilo que sente: prazer. Qualquer beijo? O beijo fruto do amor, porque o amor dele por ela é melhor do que o vinho. A qualidade do amor que nos falta à nossa geração carente da embriaguez causada pelo verdadeiro amor. A embriaguez sublime não se encontra nem nos melhores vinhos. É no amor dele para com ela que se identifica o melhor beijo. O beijo profundo, inebriante, prazeroso do amor verdadeiro.

Há prazer sensitivo que se derrama como taça do melhor vinho da boca da mulher amada. O prazer das impressões sensoriais. O corpo dela totalmente envolvido no fato declarado de se encontrar totalmente apaixonada. Paladar, olfato e audição se misturam, agora, numa sinestesia, impulsionados pela força do amor. O perfume dele, suave e leve. O cheiro do corpo do amado que se estende ao nome dele. O nome, um perfume derramado. Que mistura de sentidos! Que celebração do corpo, criação prazerosa de Deus. O corpo, que para muitos filósofos gregos era a prisão da alma, é para Deus digno da ressurreição da carne. A carne retornará. Essa carne cantada, provada, cheirada pela mulher apaixonada não será condenada à terra e nem ao aniquilacionismo. Deus, o criador do nosso corpo, tem um plano maravilhoso para ele e os homens não podem rebaixá-lo à vulgaridade e ao animalismo e, nem tampouco, sublimá-lo à categoria dos seres celestiais que não se entregam uns aos outros em casamento.

Por isso as virgens desejam o corpo do amado, por ser o corpo fonte de prazer e de experiências sensoriais inefáveis àquelas que aguardam castas a vinda do seu amado. Esta exaltação do corpo, da pele, do cheiro, do sabor nos vem inaugurando essa peça de maravilhosa beleza e nos vem dos lábios desejos de uma mulher.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O dia em que o príncipe beijou o dragão - o 2º post mais lido nestes 6 anos de blog!

Gosto de histórias, tramas, personagens conflituosos, porque, desde criança, aprendi a ler e assistir a boas narrativas. Encantei-me com livros como “O Pássaro da chuva”, “Meu pé de laranja lima” e a sensacional coleção que havia na Biblioteca do meu pai chamada “O mundo da criança”. 

Aliás, foi nessa biblioteca que a magia se abriu para mim desde cedo: lia e relia “a Barsa”, “a Delta Larousse”, os livros repletos de gravuras sobre a 2ª Guerra Mundial, outro repleto de desenhos de pássaros do mundo inteiro, a coleção que havia de histórias e lendas de todos os Estados brasileiros, enfim, foram essas as leituras da minha infância.

Lembro-me que eu tinha em minha casa um “bolachão preto” com histórias de ciranda. Eram músicas e narrativas dramatizadas que me marcaram profundamente também. Neste “bolachão”, uma das histórias que eu mais ouvia era a “O feitiço virou contra o feiticeiro”, que falava de um menino travesso que afrouxara as peças de uma bicicleta para fazer maldade com um colega, mas, no fim, foi esse mesmo menino quem terminou acidentando-se com a bicicleta que ele mesmo havia preparado para machucar o outro.

Cresci assistindo “Branca de neve”, “A Bela adormecida” e todas aquelas histórias em que o Bem sempre vencia o Mal. Histórias em que as donzelas eram salvas pelos príncipes, heróis que enfrentavam terríveis perigos por amor de suas amadas. 

As novelas também eram um mundo fascinante e misterioso. Quem ainda se lembra daquela novela com a Bruna Lombardi e Rubens de Falco em que este era um vampiro? Ou aquela com o Professor que virava lobisomem? Foram tantas personagens que marcaram o nosso universo infanto-juvenil e adolescente com ótimos atores, “gigantes” como dizia minha mãe, que carregavam nos ombros as grandes atuações que aqueles personagens exigiam.

Mas, com o tempo, a magia foi cedendo espaço à realidade e, finalmente, a desculpa era que a teledramaturgia copiasse a vida. A vida sem graça e os vícios dominaram os enredos das novelas assistidas por crianças e adolescentes: pais e mães solteiros, divórcio, traição, drogas, prostituição, fornicação, etc. 

Os heróis eram revelados como bandidos nas tramas e os bandidos foram transformados (mesmo imorais e corruptos) nos príncipes que as mocinhas desejavam. As mocinhas deixaram de ser mocinhas. Os meninos viraram meninas e as meninas viraram meninos. 

Não havia mais castelos para conquistar, perigos para enfrentar e nem a princesa deixava-se salvar pelo seu herói, porque aprendera a se virar sozinha. A imaginação, o simbolismo, o sublime, a magia foram desaparecendo até que, num triste dia, o príncipe cansado de princesas feministas salvou o dragão, dando-lhe um beijo encantado!

Quando parei de assistir às novelas? Estávamos eu e minha esposa deitados na cama diante de mais um capítulo da novela “Celebridade”, era uma quinta-feira. Terminou o episódio naquela noite, víamos os créditos subindo na tela da tv e apenas um silêncio incômodo no quarto, como se além de nós, sentado ali bem junto aos nossos pés, houvesse a presença vitoriosa do dragão que fora salvo pelo príncipe: “Você viu?”, perguntei à minha esposa. Ela acenou positivamente com a cabeça e, então, eu constatei: “No capítulo de hoje, apareceram cinco casais que foram para cama em momentos diferentes e, em cada uma das cenas de sexo, a novela mostrou que o homem e a mulher, que não eram casados, faziam sexo entre si, mas cada um pensando em outra pessoa”!  

Decididamente, não era aquela confusão que gostaríamos de ver entrando diariamente em nossa casa. Não eram aqueles pecados, aquelas ervas daninhas que gostaríamos de ver crescendo em nosso jardim. Minha primeira filha estava com apenas seis meses quando a novela estreou, portanto, ela estava deitada ao nosso lado naquela cama, inocente de tudo aquilo que acabávamos de testemunhar. 

Decidimos, então, que ensinaríamos a ela que o Bem sempre vence o Mal, que o príncipe fará de tudo, colocando a própria vida em risco, para salvar a princesa; decidimos que ensinaríamos que o Dragão precisava ser morto e não beijado pelo príncipe e que este deveria encarnar os valores que nossas filhas aprenderiam a procurar nos homens: coragem, amor sacrificial, honestidade, perseverança, bondade, fidelidade, lealdade, honra!

Desligamos a televisão naquela noite e, desde então, nunca mais assistimos a quaisquer novelas e, hoje, enquanto tantos debatem sobre os últimos escândalos da teledramaturgia, a última cena de novela que eu não assisti, felizmente, nem podemos participar dessas discussões, porque, no horário dessas novelas, estamos juntos em família no nosso culto doméstico, lendo a Bíblia e orando com nossas filhas, ensinando a elas que ainda é possível acreditar que podemos ser felizes para sempre.  

Postado originalmente em 03/02/2014

domingo, 4 de dezembro de 2016

O amor excede - o post mais lido nestes 6 anos de blog!

Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa;
os teus olhos são como os das pombas.
(Ct 1: 15)


O que vimos até aqui segundo a tradição que escolhemos para interpretar o livro? Quem até agora dominou o discurso poético e fez uso das palavras foi ela. A noiva, sem amarras e nem pudores, rasga o véu da separação entre ela e o seu amado e os une poeticamente. Os rompantes do amor dela causam até mesmo reações de inveja nas amigas, que passam a tratá-la sarcasticamente. Mas a noiva supera as intrigas das "forças" destruidoras do amor: fosse a língua alheia, fosse alguma deficiente autoestima que se pudesse verificar nela mesma. O coro das virgens chega a declarar com ironia invejosa que ela, a noiva, é a mais formosa das mulheres. E agora, neste momento, entram as palavras do noivo, que publica e expressa exatamente a mesma frase do coro, todavia, ele parte na defesa dela e segundo a sinceridade do seu próprio coração: sim, ela é formosa para ele!

O elogio, esta palavra-carícia, é a confissão do que é admirável na noiva. É preciso o elogio, o elogio público à mulher amada. Muitos homens são capazes de admirar os enfeites e ornamentos de mulheres alheias, enquanto silenciam diante dos encantos da sua própria mulher. Ainda que haja o desdém e o sarcasmo social que diminui o valor da sua noiva, o noivo assume o papel que lhe é devido: defender sua noiva, sua amada. É necessário que aprendamos a defender a formosura de nossa noiva diante dos padrões estéticos impostos culturalmente. Para tal guerra, necessitamos, principalmente, do uso das palavras. Palavras que enaltecem a amada ao mesmo tempo que demonstram que os nossos corações não se deixam intimidar pelas opiniões alheias. O amor sempre será a luta da razão contra a loucura do mundo!

Muitos dirão que não conseguem expressar o amor, o compromisso, a fidelidade em palavras, mas, veja, até agora, o noivo já demonstrou para nós que ele também não consegue. Finalmente, depois de passados 14 versos de tantas enaltações a ele por parte dela, ele é envolvido e movido pelos tantos elogios dela. 

Preste atenção: palavras são despertadas por palavras. Aqui, a iniciativa é dela. Ele pode anunciar os presentes que ofereceria a ela e, certamente, isso é uma linguagem do amor entre um homem e uma mulher: presentes. Ele oferece a ela o seu amor da forma que ele sabe traduzir o amor dele para ela, presentes. Presentes, quem não gosta? 

Entretanto, toda mulher que sabe bem o que espera do seu noivo, força-o, eleva-o, segurando-lhe a mão até o ponto em que ela deseja. Uma mulher virtuosa, uma mulher inteligente e sensível, sabe que pode despertar no seu homem o desejo dele em querer ser melhor do que ele é. Parece mesmo existir uma vocação feminina para fazer do homem um ser humano melhor, por isso a influência das mães na formação do caráter dos seus filhos é inegável e não pode ser relegada a terceiros. Eva foi criada para que o homem aprendesse a se relacionar com Deus e com um semelhante a ele: "Não é bom que o homem esteja só", foi a declaração divina. Conviver, relacionar-se com o outro é uma disciplina para o nosso próprio crescimento espiritual. Não é mera coincidência o fato de Deus comparar a Sua relação com seu povo com a figura forte do casamento! Não é de se admirar que Jesus tenha se feito carne, andado entre nós e se entregue à morte para nos reconciliar ao relacionamento com Ele.

Assim, o que uma mulher é capaz de levar seu homem a fazer? Exceder! "Você me faz querer ser melhor" será a declaração de amor dele diante dessa mulher. O amor que nos faz dar um passo de superação. Ele, o noivo, que traduzira seu amor por meio de presentes, supera-se agora por causa dela, dizendo, ou melhor, retribuindo o amor dela com declarações que a enaltecem também. Ele descobre qual a melhor maneira de expressar o seu amor a ela e não apenas se contenta em expressar o amor do modo como ele sabe.

Nada mais triste do que casais que se acomodam diante de si mesmos, que não se superam, usando desculpas como "eu sou assim mesmo", "ela sabia que eu era assim quando casou comigo", etc. O amor de Deus nos leva além. O amor do nosso cônjuge também pode nos despertar para a nossa própria superação. Experimente!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A heteronormatividade realmente é a regra para o casamento cristão?

Ao tratarmos da questão do matrimônio cristão, caímos sempre no engodo de duas situações. A primeira é a ênfase monolítica de que a regra para o casamento cristão é a heterossexualidade. A segunda é o silêncio assustador sobre o número de divórcios no meio cristão. Quero começar falando sobre esta segunda situação.
O casamento cristão deve ser defendido a partir da infância, desde casa até às igrejas. É preciso que se comece uma batalha tenaz a partir das crianças sobre o papel do que é ser um homem e do que é ser uma mulher. Por que estou insistindo nisso? Porque a principal causa dos divórcios não é, como muitos supõem, a traição conjugal, mas – pasmem – a principal causa dos divórcios é a crise financeira.
Assim, enquanto somos iludidos pela sociedade sexista e hedonista de que devemos dar uma educação sexual aos nossos filhos que garanta um casamento pleno de satisfação, o número de divórcios continua a aumentar porque temos gasto toda a munição atirando numa só e única direção.
Os pais precisam investir, desde cedo, na educação financeira dos seus filhos, principalmente ensinando a responsabilidade do homem em suprir materialmente a sua casa. Infelizmente, o que mais encontramos hoje são casais cujos maridos tornaram-se orgulhosamente dependentes financeiros de suas esposas! A tão badalada independência feminina apenas tem contribuído para que muitos homens repassem sua dependência da mãe para a esposa. Ridículo!
Infelizmente, ainda que as finanças sejam a principal responsável pelos divórcios, a Igreja não trata desse tema por não vê-lo como um “assunto espiritual”. Enquanto isso, o materialismo, a avareza e o descontrole financeiro têm sacrificado famílias inteiras no altar de Mamon.
Outra ênfase equivocada na questão do casamento tem sido a defesa conservadora da heteronormatividade como regra para o casamento cristão. E isto é um erro que quero explicar aqui, pois está custando à igreja um desvio de direção que a tem posto cada vez mais distante de fazer aquilo que deve fazer: evangelizar.
Ao lermos a famosa passagem da carta de Paulo sobre o casamento, em Efésios 5:21- 6:4, precisamos ser alertados de que estamos incorrendo em gravíssimo erro e perdendo uma preciosa chance de servirmos ao Senhor. Paulo mostra que a regra e o modelo para o casamento cristão não é a heteronormatividade, pois esta já fora estabelecida como regra para toda a humanidade em Gênesis 2: 18-25.
A regra e o modelo para o casamento cristão ultrapassam, excedem, transcendem o propósito do casamento para todos os povos, que é um homem para uma mulher e uma mulher para um homem. Paulo expõe que o casamento cristão tem como regra e modelo a própria Igreja!
Cada família cristã deve compreender que, partindo do contexto da carta de Paulo aos Efésios, nossa família deve ser um instrumento nas mãos de Deus para a proclamação do Evangelho. As outras famílias devem ser impactadas por verem a própria Igreja de Deus nos nossos lares – esta é a regra e o modelo para o casamento cristão.
Cada família cristã é uma Igreja. O marido assume a sua identidade a partir do exemplo de Jesus, que amou, cuidou e morreu pela Igreja. A esposa, confiante diante de um marido que é líder espiritual dentro de casa, que é o pastor que abre e expõe a ela e aos filhos a Palavra de Deus, terá toda a confiança de se submeter a ele. E filhos criados não para o mundo, mas para a glória de Deus.
Enfim, a comunidade da igreja local precisa se voltar para as famílias, ensinando-as a assumirem o propósito de Deus para elas. E, assim como somos chamados a gerir com responsabilidade os dízimos e ofertas para a glória de Deus nas igrejas locais, deveríamos ensinar a cada família a fazer o mesmo com suas finanças em casa.
Além disso, que cada família seja um modelo da Igreja, porque, esforçando-nos para fazer assim, estaremos evangelizando para a glória de Deus outras famílias de nosso convívio. Que assim seja sob o poder do Espírito Santo!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A ressurreição do amor

Muitas coisas me fazem chorar. Uma dessas coisas é a dor alheia. Dor de alma é algo que me faz chorar...

Às vezes, eu me sinto tão identificado com dores de outras pessoas que eu sinto uma tristeza e uma coisa muito, muito ruim mesmo, dentro de mim, mas eu sei que é porque eu me vejo sentindo exatamente aquilo que o outro está sentindo.
É pior quando a dor do outro me pega de surpresa, quando eu me deparo com a dor do outro sem ter me preparado para aquilo. E foi isso o que acabou de me acontecer hoje (de novo). Peguei-me lendo uma confissão de alguém que dizia que há 23 anos estava separado da esposa e que, até hoje, chorava por ela como se ela tivesse morrido... 23 anos?!!! Contudo, o mais surpreendente é que aquela confissão estimulou que outros também abrissem o coração e confessassem suas dores. Vários homens que, mesmo depois de 5, 10, 15 anos de separação, disseram da dor que ainda sentem pela perda de suas esposas e famílias. Muitos deles reconheceram que erraram e erraram muito e erraram tanto que não conseguiram mais reatar suas relações.

Lembrei de casamentos de pessoas próximas a mim que já acabaram. Sei também de pessoas que ainda estão casadas mas o compromisso, o respeito, a lealdade e o amor já morreram há muito tempo...

As pessoas sofrem. As pessoas lutam desesperadamente em busca da felicidade, mas elas procuram em lugares tão enganosos essas felicidades! E hoje, logo hoje, eu havia lido para meus alunos que a verdadeira alegria está na Palavra de Deus (Salmo 119). 

Por fim, sempre trago à memória aquilo que me dá esperança. Eu ajudava como voluntário no "disque-paz" toda madrugada de sexta para sábado. Numa daquelas madrugadas, uma mulher ligou aos prantos dizendo que seu marido a traíra e que havia saído de casa, mas que, depois de tanto tempo, ele se arrependera e estava pedindo para voltar. Ela me disse que eles tinham tido várias conversas e que ela sabia que ele, verdadeiramente, arrependera-se, mas que era ela quem não queria mais a volta dele. Ela me disse: "Eu não sinto mais nada por ele. Todo meu amor morreu"!

Naquele momento, o Espírito Santo trouxe ao meu coração uma palavra para ela. Eu perguntei se ela era cristã. Ela disse que sim. Perguntei se ela acreditava na Bíblia e ela confirmou que sim. Finalmente eu disse: "Você acredita que Jesus ressuscitou Lázaro que estava há 4 dias morto e até já cheirava mal?". Chorando, ela respondeu que acreditava. Então eu disse: "O que é mais fácil para Jesus? Ressuscitar mortos de 4 dias ou um sentimento em nosso coração?".

Choramos muito ao telefone naquela noite. Oramos e agradecemos a Deus, porque ela disse que acreditava que Jesus poderia ressuscitar o amor e afeto que, um dia, ela teve pelo marido. Antes de desligar o telefone, ela disse que receberia o marido de volta, porque acreditava que o homem que ressuscitou Lázaro poderia fazer o mesmo com seus sentimentos.

A morte não é definitiva nos planos de Deus. O nosso Deus é um Deus de ressurreição! Portanto, não desista do seu casamento! Jesus está indo ao seu encontro e pergunta para você: "Onde você pôs o seu amor?" (Jo 11:34). Ele aguarda que você responda: "Senhor, vem, e vê"! E o mais bonito da narrativa é que Jesus chora com você (João 11:35). Jesus sabe da sua dor, da sua perda, da ferida, da mágoa, da revolta e ele chora com você. Você deve tirar a pedra que esconde, sufoca e condena o amor à morte (Jo 11:39), porque Jesus está à porta do seu coração e está chamando o amor à vida novamente, uma nova vida. Creia!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Verdadeiramente, Lucila...

Há letras que eu gostaria de tê-las escrito para você, minha doce Lu...
Há canções que, se eu soubesse, eu as teria composto para você!
Contudo, quem sabe, não fui eu mesmo? E, por um mero descuido estúpido, fui roubado 
e vejo todo meu sentimento exposto por outro, letra e música...
Tudo isto é só para dizer, mais uma vez, que, verdadeiramente, te amo!


Lucila, diga-me apenas isso
Que eu tenho o seu coração
Pra sempre
E que você me quer ao seu lado
Sussurrando as palavras: "Eu sempre amarei você"
E que pra sempre
Eu serei o seu amado
E eu sei que se você realmente se importar
Eu sempre estarei aqui
Eu preciso te dizer isso
Não há outro amor como o seu
E eu, por toda a minha vida
Te darei toda alegria que meu coração e alma podem dar
Deixe-me abraçá-la
Eu preciso tê-la próxima a mim
E eu sinto que com você em meus braços
Este amor vai durar pra sempre
Porque eu estou mesmo
eu estou mesmo apaixonado por você, Lucila
Estou mesmo!!!
Eu perco a cabeça com o seu amor
Eu preciso de você!
E com o seu amor sou livre
E de verdade
Você sabe que ficará bem ao meu lado

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A lenda de Aristóteles e Filis - (ou A bela vence o sábio)

Fonte da história abaixo

A bela vence o sábio - Aristóteles e Filis

Uma pouco conhecida, erótica, burlesca e cômica história envolve um dos maiores filósofos de todos os tempos.

Aristóteles, como todos sabem, sempre foi um homem da razão e da sabedoria. Foi ele que, em suas reflexões, cunhou importantes conceitos da física, da metafísica, das leis da poesia e do drama, da música, da lógica, da retórica, do governo, da ética, da biologia e da zoologia. Foi ele também o tutor do maior conquistador da Macedônia, Alexandre - O Grande.

Com tanto poder e conhecimento, fica difícil imaginar que alguém possa dobrá-lo de forma tão humilhante quanto fez Filis, uma bela cortesã e amante de Alexandre, o jovem.


A história.

Alexandre, em uma de suas expedições à India, se apaixona por uma mulher, Filis, e começa a se relacionar com ela. Filis era uma mulher dotada de notável beleza, apaixonante, e Alexandre começa a se encontrar com ela incessantemente, negligenciando por diversas vezes seus deveres.

Aristóteles percebendo isso aconselha Alexandre a largar Filis, ou diminuir seus encontros com a moça, para se dedicar mais nos exercícios da virtude e as responsabilidades do governo. Alexandre, como um bom discípulo acata o conselho do mestre e se torna mais comedido. Filis, que até então gozava dos prazeres de estar do lado do homem mais poderoso da terra viu-se ameaçada. 

Alexandre respeitava Aristóteles pois este era o mais sábio dos homens. Como ela poderia dobrá-lo ? A resposta está no instinto. Filis decide seduzir Aristóteles. Não há razão superior que ache fácil combater os desejos da carne, as insinuações sensuais de Filis, com danças no jardim e cantorias começaram a perturbar Aristóteles ao ponto deste se vir completamente hipnotizado pela jovem.

Aristóteles desce de seu pedestal supra-humano e começa a observar constantemente as belas curvas de Filis, dia após dia, e até chega a se declarar. Filis, com o jogo já ganho, bola um plano diabólico para humilhar o filósofo. Ela oferecerá seu corpo, e pede apenas uma condição, que Aristóteles prove seu amor por ela, que engatinhe até ela e a deixe cavalgar em cima dele.

E foi exatamente o que ele fez. Engatinhou até Filis, e deixou-a montar em cima. Ela teria antes preparado todo o cenário para que Alexandre visse o homem que ele mais respeitava, depois de seu pai, dobrado e humilhado pela paixão.

A mensagem é clara e ela foi repassada com clareza: se um homem velho como ele foi pego nesta situação por causa do amor, acontecerá o mesmo a um fedelho como Alexandre, e o que é a razão para impedir que o desejo erótico? Não serve nem a idade, ou reputação, ou conhecimento.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O que você estava fazendo em 1986?

O que eu estava fazendo em 1986?... Eu sei que foi o ano do falecimento do escritor argentino Jorge Luis Borges e também o ano das tragédias da explosão da Challenger e de Chernobyl. Mas será que 1986 só foi notícia ruim? Pode ser considerado também o ano da vergonha nacional, pois foi o ano em que milhares de pessoas saíam como zumbis pelas ruas para serem “fiscais do Sarney”, lembra? É melhor esquecer.

Em 1986, eu estava com apenas 13 anos de idade, que é, exatamente, a mesma idade que a minha primogênita tem hoje. Vejo os 13 anos que eu tive e os 13 anos que esta geração está vivendo. O que a cultura oferece às crianças de 13 anos hoje e comparo com o que me foi oferecido naquela época. Concluo: como são mundos, universos tão drasticamente diferentes!!!

Naquele ano, filmes que me desarranjaram a cabeça foram produzidos: desde o enlouquecedor “Veludo azul” de David Linch, passando por “Eu sei que vou te amar” do Arnaldo Jabor, indo até o “Nove semanas e meia de amor” e aquele filme sobre o baixista do Sex Pistols, o “Sid e Nancy”. Mas, naquele ano, também foram produzidos “Highlander”, “O nome da Rosa”, “Peggy Sue” e “Labirinto”. Ah! E também foi o ano da passagem do cometa Halley! 

Mas o que eu lembro mesmo é de estar caminhando pelo corredor da escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Brasília, com meus amigos e todos encantados com aquela música tão diferente que vinha de mais um grupo do chamado “boom” do rock nacional. A música era “Eduardo e Mônica” e o disco era o Legião Urbana dois.

Desde o primeiro disco com "Geração coca-cola", Renato Russo mexia com a cabeça daquela garotada e o disco dois veio como uma bomba de referências à história, à arte, aos movimentos do punk e do rock, à religião, mas, principalmente, à poesia. Eram letras cheias de imagens e com uma narrativa totalmente diferente do que era feito pelas outras bandas. Do disco 2, músicas como "Índios", "Andrea Doria", "Acrilic on Canvas" e "Daniel na cova dos leões" (que eu já analisei aqui) eram de uma linguagem muito instigante e que nos fazia querer ir à biblioteca para descobrir do que, afinal, ele estava falando! 

No ano anterior, com a abertura democrática, muitos grupos jovens apareceram e marcaram aquela geração: Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, RPM (que, em 1986, lançaria o “RPM ao vivo”) e tantas outras bandas que floresceram em 1985.

No ano seguinte, em 1987, foi o ano em que eu me despediria de Brasília para morar em Belo Horizonte para ingressar como Seminarista católico na ordem dos orionitas, na Pampulha.   

Porém o que eu queria dizer mesmo é como que uma música pode ter esse poder doutrinador. Os jovens aprendem muito mais (des)valores e (des)ensinos pelas músicas que ouvem do que pelos livros que leem (se é que leem).

A música também tem esse poder de unir a melodia, o ritmo e a mensagem ao momento, ao espaço e ao tempo, fazendo com que tudo isso fique em algum lugar aqui dentro de nós por muitos e muitos anos até que o esquecimento cubra, enfim, toda essa associação e à condene ao nada. Todavia, basta a audição de uns poucos acordes (como os 3 primeiros segundos de “Eduardo e Mônica”) para que a memória reative toda a teia de associações trazendo para o presente o mais longínquo dos passados.  

E você? O que você estava fazendo em 1986?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Sexo no casamento (Paulo Júnior)

Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. 
1 Coríntios 7:5 

sábado, 3 de setembro de 2016

A maior riqueza entre duas pessoas é o que fica entre quatro paredes (André J. Gomes)

Pode vir. Faz as malas, vem. Chega contente, disposta, à vontade. A casa é sua. Entra, senta, fica. Tira os sapatos se quiser, pula na cama, descansa teus pés cansados nestas costas. Repousa tua alma na companhia da minha, encosta teu corpo neste canto do mundo. Chega aqui. Pode chegar.
Enquanto essa multidão de casais felizes passeia lá fora, lotando sessões de cinema, corredores de shopping, festas da uva, lojas de material para construção, parques cheios de luz, nós aqui nos deixamos estar sem mais, desconfiando o mundo pelos desenhos do sol e da lua no teto do quarto entre os vãos da janela, esquecidos do tempo, do vento e da chuva. Entregues a nossas questões pessoais, nossas mecânicas domésticas, nossos movimentos íntimos universais. Distantes da rua lá embaixo, da festa das vozes em grupo, das luzes acesas.
Benditos sejam os amantes afeitos a exibir seu amor ao mundo, empurrar juntos o carrinho do supermercado, beijar em público, esperar a tardinha em sorveterias de bairro. Que sejam felizes como felizes estamos nós, que escolhemos o caminho inverso. Nem piores, nem melhores. Apenas e tão somente nós. O que é nosso, amor, por escolha nossa, há de ficar aqui.
Vem, goza comigo o direito sagrado de fazer, sentir e manter nossas coisas em um paraíso secreto, restrito. Que estas quatro paredes nos guardem, protejam e preservem dos males do mundo, dos olhos alheios, das coisas da vida. Que sejamos assim, você e eu, enquanto der. Enquanto for.
Ninguém mais carece saber de nossos risos e angústias, nossas alegrias desaforadas, nossas horas lentas e silêncios longos. A quem mais interessam nossos cheiros e nossos gostos? Tem coisa que não tem jeito: ainda que se queira, não é possível dividir. Não se deve. Tem coisa que é só nossa, nascida para a intimidade. Se sair ao sol, à chuva, ao olhar dos outros, derrete, definha, desaparece. Tem coisa que nasce, cresce e fica para sempre dentro da gente, no infinito espaço íntimo de um mundo para dois.
A olhos nus, despimos nossos corpos entre quatro paredes de discrição e resguardo. Aqui, aquecidos em nossos fogos, dividimos nossas riquezas escondidas, entregamos nossos mistérios um ao outro. E assim, sem que ninguém nos ouça e nem nos veja, colhemos juntos toda a ternura do mundo.
Nossa disposição generosa para o amor merece o conforto silencioso das horas mudas. Deixa cá entre nós. Conta pra ninguém, não. O que nos é mais caro ninguém há de saber. Nosso tesouro mais valioso, nosso segredo irrevelável, nosso tempo e espaço invioláveis.
Vem. Entra, fica. Em nosso canto suspenso, repletos de alegria e pudor, guardaremos instantes de graça infinita aqui dentro. Por nada, não. Nada senão a sorte de preservar-nos em nossa riqueza de bichos simples, discretos, inteiros, amantes.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O Amor e o duplo símbolo do Mar (Pierre Grimal)

                Os gregos, em busca (como tantos outros) de um princípio motor no interior do Ser, acreditaram descobri-lo no Amor. 

No começo, havia a Noite (Nyx) e, ao seu lado, o Érebo, seu irmão. São as duas faces das Trevas do Mundo: Noite do alto e obscuridade dos Infernos. Essas duas entidades coexistem no seio do Caos, que é o Vazio: não o vazio inexistente e negativo dos físicos e dos cientistas, mas um Vazio que é inteiramente potência e “matriz” do mundo, vazio por desorganização e não por privação, vazio por ser indescritível e não por ser nada.

Paulatinamente, Nyx e Érebo separam-se nesse vazio. Érebo desce e liberta a Noite, que por sua vez se encurva, torna-se uma imensa esfera, cujas duas metades se separam como um ovo que se quebra: é o nascimento de Eros (o Amor). Enquanto isso, as duas metades da casca se convertem, uma na abóboda celeste, a outra no disco, mais achatado da Terra.

O Céu e a Terra (Urano e Gaia) possuem uma realidade material. Amor é uma força de natureza espiritual: e é ele que assegura a coesão do universo nascente. Urano se inclina para Gaia e essa união dá início às gerações divinas.

(...)

A união de Urano e de Gaia revelou-se fecunda. Dela surgiram, inicialmente, por duas vezes, seis casais de Titãs e Titanesas. Os seis Titãs eram: Oceano, Ceos, Crios, Hipérion, Japeto e Cronos. As seis Titanesas: Téia, Réia, Têmis, Mnemósine, Febe e Tétis. São seres divinos, mas, ao mesmo tempo, forças elementares, algumas das quais conservaram até o fim um caráter quase exclusivamente naturalista.

Oceano é o mais célebre de todos. É a personificação da água que envolve o Mundo, sobre a qual flutua o disco terrestre. Não é uma entidade “geográfica”, mas uma força cósmica (...). Água primordial, [o Oceano] é o pai dos rios, que são alimentados por ele graças a canais subterrâneos ou dele derivam de modo misterioso, como o Nilo, cujo segredo está guardado no fundo das areias da Etiópia.

Primogênito dos Titãs, Oceano é “casado” com Tétis, a mais jovem das Titanesas, que personifica a potência feminina do mar. Não deve surpreender a presença de um duplo símbolo do Mar: toda fecundidade é dupla. Somente uma potência feminina pode amadurecer e chamar à vida o sêmen do macho. 

Tétis mora longe, no sentido do Oeste; às vezes briga com Oceano, mas chega o momento da reconciliação e a ordem do mundo é salva, e a despeito dos caprichos inerentes à natureza da mulher.
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