Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Sexo ou spaghetti? (reagindo às mentiras da nossa cultura)

E se você pudesse “renovar sua licença de casamento” no aniversário de 20 anos de matrimônio? Hoje em dia, os casais não esperam nem 20 dias para desfazer aquilo que mal se ajuntou...

Este delicioso episódio da “Família Dinossauro” aborda um tema deveras interessante: afinal, o que é importante numa relação? É certo que pequenas coisas, pequenos detalhes, são importantes, mas, talvez, estejamos supervalorizando-os excessivamente. 

Coisinhas como as flores prediletas dela, a bebida que ele mais aprecia, a data de aniversário (falando nisto, recentemente, certo amigo confessou que nem ele e nem a esposa lembraram-se do aniversário de 5 anos de casados deles, acredita?), todas estas coisinhas podem estar sendo hiper-valorizadas na nossa sociedade marcadamente hollywoodiana.

Fran e Dino são mais um casal estereotipado como o são a maioria dos casais de desenhos e séries televisivas (mas isto é assunto para outro post). Um belo dia, eles veem a renovação de sua licença de casamento impugnada porque não passam no “teste de intimidade”, pois Dino, o marido, consegue errar todas as 20 perguntas sobre a relação de 20 anos que ele tem com sua esposa. 

São perguntas sobre pequenas coisas, sobre detalhes da vida em comum e, evidentemente, exageradas pelo humor satírico da série. E eu sei que detalhes são importantes, mas não definem uma caminhada juntos – e esta é a ótima conclusão do episódio.

“E estar juntos nos momentos difíceis?”, pergunta Dino ao funcionário do Estado. “E o amor?”, insiste ele. “Aposto que não tem nada sobre amor aí nessa sua lista”, defende-se Dino. Dino está tentando mostrar que casamento é muito mais que detalhes. Um casamento de 20 anos sustenta-se principalmente em coisas grandes: o amor e a lealdade, por exemplo.

“Quem é você para julgar o quanto nós significamos um para o outro?”, eis a pergunta mais importante que Dino dirige ao funcionário do Estado. Primeiro, veja a invasão do Estado dentro dos nossos casamentos - nada mais atual do que isso! Mas o “Estado” aqui é muito maior, porque aquele funcionário, na verdade, representa a nossa cultura. São revistas, novelas, programas de tv, livros de best-seller, etc, há toda uma cultura invasiva, uma filosofia geral, querendo decidir o que é e o que não é importante numa vida a dois. 

A cultura superficial, materialista, egoísta, promíscua e mundana que temos ao nosso redor está tentando definir os critérios pelos quais devemos ou não nos manter casados: você goza sempre que tem relação sexual?, você inova as posições sexuais?, vocês frequentam motel?, vocês visitam sex shops?, vocês fazem sexo quantas vezes na semana?, você faz isso?, ela faz aquilo?, ele anda assim?, ela anda assado?, etc. Enfim, uma invasão pública à vida particularíssima de cada um. Uma cultura que manipula a todos sob o disfarce da liberdade pessoal: "você pode escolher livremente viver como todos nós estamos vivendo", diz o Big Brother. 

Há uma avalanche de opinadores e juízes acerca de como deve ser o casamento ideal e, se por acaso o seu não se encaixar na fórmula deles, está na hora, dirão, de você reavaliar se não vale a pena trocar de parceiro(a) – eis a grande proposta da serpente cultural. Mas quem são essas pessoas para julgar o que um marido e uma esposa dentro da intimidade de seu matrimônio significam um para o outro? 

Só você sabe o quão importante é o seu cônjuge, só você conhece as coisas grandes que os mantiveram unidos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza. A despeito dos pequenos defeitos que todos nós temos, só você sabe sobre o amor e a lealdade construídos por todos estes anos entre vocês dois. Então, já declaro logo aos juízes de plantão: eu é que não deixo ninguém meter a colher no meio do meu casamento!!!

Ah! Quase ia esquecendo: sobre o título deste post? Bem... Assista ao episódio abaixo e descubra. rsrs

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A mais bela história de amor de todos os tempos

A mais bela história de amor de todos os tempos não é nenhuma daquelas que meus professores de literatura ou filosofia indicaram para ler.
Não é a história de Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Abelardo e Heloíse, Shah Jahan e Mumtaz Mahal, Cleópatra e Marco Antônio, Rainha Vitória e Príncipe Alberto. Não, não estou referindo-me a nenhuma dessas.
A mais bela história de amor de todos os tempos começou a ser-me revelada na leitura de uma única frase que encontrei na Bíblia: “…que se baseia na esperança de recebermos a vida eterna. Deus, que não mente, nos prometeu essa vida, antes da criação do mundo…”(Tito 1:2; NTLH).
No grego, o tempo e a voz do verbo “prometer” nos dá o início necessário do enredo desta linda história de amor que se estenderá por toda a Bíblia e que atinge seu clímax na morte de Jesus na cruz: foi o próprio Deus quem realizou a ação do verbo em si mesmo, por Sua iniciativa e para Sua glória.
Deus prometeu a vida eterna antes da criação do mundo. Mas prometeu a quem? A NTLH tenta ajudar o entendimento do texto acrescentando um “nos”, mas acrescentar um “nos” implica em dizer que estávamos lá, antes da criação do mundo, quando Deus teria prometido a nós a vida eterna.
Porém nem eu e nem você estávamos lá. Então, a quem Deus fez essa promessa? Resposta: Àquele que representa os eleitos de Deus, o Cabeça da Igreja! A mais bela história de amor de todos os tempos começou na eternidade, quando o Pai prometeu ao Filho que daria a Ele uma Noiva eterna, trazida da morte pelo poder do Espírito Santo.
O Pai sabia que o gênero humano cairia num estado de pecado e miséria, rejeitando o amor de Deus, entregando-se à desobediência e à prostituição com falsos deuses. Mesmo assim, Deus ordenou que todas as coisas fossem criadas.
Por isso, era preciso que o Filho aceitasse resgatar da prostituição aquela que lhe estava sendo entregue por noiva pelo Pai. Era preciso que o Filho quisesse enfrentar a rejeição dela por Ele, humilhando-se por ela, morrendo para trazê-la da morte.
Milhares de pessoas no mundo ainda não conhecem esta maravilhosa história de amor, do noivo fiel e perseverante que invadiu as portas do Inferno para arrancar de lá sua amada noiva, a Igreja agora ornamentada com sua veste branca e sem mácula.
A mais bela história de amor de todos os tempos é o arquétipo que fecunda as culturas do mundo todo em todos os tempos e que a recontam sob as mais diversas roupagens artísticas, revelando nosso anseio universal e primordial de que o Bem vença o Mal, de que o Amor vença o Feitiço, que nos lançou, alienados, na torre mais alta de algum castelo cercado por uma densa selva de espinhos.
Naquela manhã de domingo, vimos o Noivo ressurgir do embate contra o pior de todos os inimigos. Jesus venceu! Por isso, só Jesus tem o direito de levar sua Noiva nos braços para aquela que será a mais linda festa de casamento de todos os tempos, a festa das bodas do Cordeiro.
Eu também sou a Noiva. Eu estarei lá. E você?
Publicado originalmente em GospelPrime e Morávios.

domingo, 19 de julho de 2015

O direito de ser pai (ou “Muito além de uma simples partida de xadrez”)

Ana Lissa, minha primogênita e vigor da minha juventude, tem exigido de mim que eu cresça como pai. Sim, ela cresceu e, por causa disso, eu também preciso amadurecer nessa experiência diária da paternidade.

A verdade é que não há fórmulas prontas para ser pai, e acredito que também não haja receita de bolo para seguir nessa culinária gostosa de criar meninas. E, por tudo isso, não espero que haja um manual de fabricante sobre pré-adolescentes meninas. Como me preparar, então?

Orar, ler a Bíblia, continuar a investir no nosso culto doméstico, buscar na Palavra de Deus os princípios necessários para essa nova etapa e... jogar xadrez! Eu gosto e minhas filhas também e isso facilita muito. Preciso treinar mais as táticas e estratégias desse jogo com elas.

Entender as jogadas que posso e devo fazer; aprender melhor sobre aquelas que me levariam a perder o jogo; respeitar a natureza do movimento de cada peça; assistir as grandes partidas já realizadas pelos mestres do xadrez: sim, eu não sou o primeiro homem do mundo a ser pai de adolescentes meninas!

Prever as jogadas do adversário (mas quem são os meus adversários nesse tabuleiro da criação das minhas filhas?); montar as condições corretas para o movimento do roque, que irá proteger o meu rei; não desperdiçar o en passant sobre o peão adversário; e, quem sabe, conseguir a promoção do meu peão antes que ele seja caçado?

Mas, principalmente, saber que perder uma partida não significa perder o Grande Campeonato. E entender que o contrário disso também é uma regra de ouro, pois a vida exige de cada um de nós que se mate um leão por dia. Em outras palavras, o jogador não pode se deixar sucumbir ao orgulho da vitória de uma simples partida, pois é só no final que nos espera a coroa da glória.

Aprender a recomeçar, avaliar os próprios erros, rever os métodos faz parte da vida. E crer naquela preciosíssima promessa do Pacto de um Deus que, um dia, disse assim: “Fábio, eu quero ser o teu Deus e o Deus dos teus filhos”!

Preciso responder a pergunta feita há três parágrafos atrás: mas quem são os meus adversários nesse tabuleiro da criação das minhas filhas? Indubitavelmente, sei que boa parte da minha vitória reside em conhecer bem os meus inimigos. E estes são aquela tríade já bem famosa para todo cristão: a carne, o mundo e o diabo.

Um dos adversários que encontro do outro lado desse tabuleiro sou eu mesmo com todos os meus pecados e inconveniências a serem superados para um melhor desenvolvimento meu nesse jogo da educação das minhas meninas.

Mas não sou o único inimigo que enfrento. O mundo com suas seduções e o diabo com suas mentiras e trapaças estão sempre ali prontos para me deixar em xeque. Portanto, todo cuidado é pouco.

- Pai, posso ir à casa da Maria? Perguntou Aninha.
- Filha, preciso primeiro conhecer os pais dela. É amiga da escola? Qual o telefone para que eu possa ligar?
- Mas, pai, por que não posso simplesmente ir?
- Filhinha, você lembra daquela vez que deixamos vocês irem à casa da amiguinha da sua irmã sem antes conhecermos quem eram os pais? E descobrimos só depois que os pais não só tomavam Santo Daime, mas que foram denunciados porque davam o chá para os próprios filhos.
- Lembro...
- Mas, meninas, não é só para proteger vocês de situações de risco como aquela: eu tenho o direito dado por Deus de exercer minha paternidade! Eu quero ser para vocês o pai que eu não tive quando tinha a idade de vocês. Você e sua irmã já estão no lucro e eu agradeço a Deus por isso, pois meu pai já havia falecido na idade que vocês estão agora. Assim, eu quero que vocês aproveitem o meu direito de exercer a minha paternidade, porque sei que isso será uma benção. Uma benção para vocês que eu mesmo não tive.

Quando terminei de explicar isso, as duas vieram e me abraçaram apertadamente.

Pronto! Xeque-mate em apenas 3 movimentos! Que venha, então, o próximo adversário para uma nova partida.       
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