Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 18 de março de 2015

O dia em que o príncipe beijou o dragão (ou "A última cena de novela que eu não assisti")

Gosto de histórias, tramas, personagens conflituosos, porque, desde criança, aprendi a ler e assistir a boas narrativas. Encantei-me com livros como “O Pássaro da chuva”, “Meu pé de laranja lima” e a sensacional coleção que havia na Biblioteca do meu pai chamada “O mundo da criança”. 

Aliás, foi nessa biblioteca que a magia abriu-se para mim desde cedo: lia e relia “a Barsa”, “a Delta Larousse”, os livros repletos de gravuras sobre a 2ª Guerra Mundial, outro repleto de desenhos de pássaros do mundo inteiro, a coleção que havia de histórias e lendas de todos os Estados brasileiros, enfim, foram essas as leituras da minha infância.

Lembro-me que eu tinha em minha casa um “bolachão preto” com histórias de ciranda. Eram músicas e narrativas dramatizadas que me marcaram profundamente também. Neste “bolachão”, uma das histórias que eu mais ouvia era a “O feitiço virou contra o feiticeiro”, que falava de um menino travesso que afrouxara as peças de uma bicicleta para fazer maldade com um colega, mas, no fim, foi esse mesmo menino quem terminou acidentando-se com a bicicleta que ele mesmo havia preparado para machucar o outro.

Cresci assistindo “Branca de neve”, “A Bela adormecida” e todas aquelas histórias em que o Bem sempre vencia o Mal. Histórias em que as donzelas eram salvas pelos príncipes, heróis que enfrentavam terríveis perigos por amor de suas amadas. 

As novelas também eram um mundo fascinante e misterioso. Quem ainda se lembra daquela novela com a Bruna Lombardi e Rubens de Falco em que este era um vampiro? Ou aquela com o Professor que virava lobisomem? Foram tantas personagens que marcaram o nosso universo infanto-juvenil e adolescente com ótimos atores, “gigantes” como dizia minha mãe, que carregavam nos ombros as grandes atuações que aqueles personagens exigiam.

Mas, com o tempo, a magia foi cedendo espaço à realidade e, finalmente, a desculpa era que a teledramaturgia copiasse a vida. A vida sem graça e os vícios dominaram os enredos das novelas assistidas por crianças e adolescentes: pais e mães solteiros, divórcio, traição, drogas, prostituição, fornicação, etc. 

Os heróis eram revelados como bandidos nas tramas e os bandidos foram transformados (mesmo imorais e corruptos) nos príncipes que as mocinhas desejavam. As mocinhas deixaram de ser mocinhas. Os meninos viraram meninas e as meninas viraram meninos. 

Não havia mais castelos para conquistar, perigos para enfrentar e nem a princesa deixava-se salvar pelo seu herói, porque aprendera a se virar sozinha. A imaginação, o simbolismo, o sublime, a magia foram desaparecendo até que, num triste dia, o príncipe cansado de princesas feministas salvou o dragão, dando-lhe um beijo encantado!

Quando parei de assistir às novelas? Estávamos eu e minha esposa deitados na cama diante de mais um capítulo da novela “Celebridade”, era uma quinta-feira. Terminou o episódio naquela noite, víamos os créditos subindo na tela da tv e apenas um silêncio incômodo no quarto, como se além de nós, sentado ali bem junto aos nossos pés, houvesse a presença vitoriosa do dragão que fora salvo pelo príncipe: “Você viu?”, perguntei à minha esposa. Ela acenou positivamente com a cabeça e, então, eu constatei: “No capítulo de hoje, apareceram cinco casais que foram para cama em momentos diferentes e, em cada uma das cenas de sexo, a novela mostrou que o homem e a mulher, que não eram casados, faziam sexo entre si, mas cada um pensando em outra pessoa”!  

Decididamente, não era aquela confusão que gostaríamos de ver entrando diariamente em nossa casa. Não eram aqueles pecados, aquelas ervas daninhas que gostaríamos de ver crescendo em nosso jardim. Minha primeira filha estava com apenas seis meses quando a novela estreou, portanto, ela estava deitada ao nosso lado naquela cama, inocente de tudo aquilo que acabávamos de testemunhar. 

Decidimos, então, que ensinaríamos a ela que o Bem sempre vence o Mal, que o príncipe fará de tudo, colocando a própria vida em risco, para salvar a princesa; decidimos que ensinaríamos que o Dragão precisava ser morto e não beijado pelo príncipe e que este deveria encarnar os valores que nossas filhas aprenderiam a procurar nos homens: coragem, amor sacrificial, honestidade, perseverança, bondade, fidelidade, lealdade, honra!

Desligamos a televisão naquela noite e, desde então, nunca mais assistimos a quaisquer novelas e, hoje, enquanto tantos debatem sobre os últimos escândalos da teledramaturgia, a última cena de novela que eu não assisti, felizmente, nem podemos participar dessas discussões, porque, no horário dessas novelas, estamos juntos em família no nosso culto doméstico, lendo a Bíblia e orando com nossas filhas, ensinando a elas que ainda é possível acreditar que podemos ser felizes para sempre.  

Postado originalmente em 03/02/2014

quinta-feira, 12 de março de 2015

Minha esposa é minha cúmplice!

  Um post para celebrar  
o nosso aniversário de casamento.

Sempre que penso em nós dois, em mim e na Lu, vem à mente a palavra cumplicidade. Esta palavra, escandalosa para algumas pessoas, traz consigo um forte aspecto cultural de ilegalidade, criminalidade, “formação de quadrilha”. Todavia, essa é apenas uma de algumas acepções possíveis.

Certamente, a primeira definição que o Houaiss nos apresenta vem do ambiente do direito penal: fala-se de alguém “...que contribui de forma secundária para a realização de crime de outrem”.

Ora, mas se o casamento entre um homem e uma mulher, esta instituição chamada família tradicional, tem sido uma pedra de tropeço para muitos que têm lutado pelo new establishment, então, evidencia-se o crime que cometemos aos olhos deles: insistir que o matrimônio é uma instituição divina, que foi planejada originalmente para firmar a aliança entre um homem e uma mulher para a glória de Deus.

Por extensão, Houaiss indica que a palavra cumplicidade pode ser aplicada, tão simplesmente, àquela pessoa que “colabora na realização de alguma coisa; sócio, parceiro”. A partir daqui, fica menos espinhoso o uso do verbete, pois é fácil perceber que o casamento visa a co-laboração, o trabalho, o labor dos dois em prol de um mesmo objetivo. Nestes termos, não há casamento sem sociedade, sem parceria.

A família é uma equipe, a sua melhor equipe! Sempre digo às minhas filhas: “Olha! Somos uma equipe, vocês fazem parte da equipe do papai”! Não podemos nos abandonar, nos dividir, pois até o diabo sabe que um reino dividido contra si mesmo cai vai à bancarrota.

A família é um time, em que todos somos verdadeiramente responsáveis pelo sucesso dessa maravilhosa empreitada de glorificar a Deus tanto nos nossos sucessos, quanto nas nossas derrotas; tanto na saúde, quanto na doença; tanto no amor, quanto na dor; tanto na alegria, quanto na tristeza.

Este foi o pacto, esta é a aliança. Casamento é um pacto e surpreendo-me quando vejo que o diabo e seus anjos conseguem compreender isso muito melhor do que a própria Igreja de Jesus. O diabo entende de pactos; muitas vezes, a Igreja não.

Há outra acepção da palavra cúmplice, segundo Houaiss, há um sentido figurado “que apresenta intenção repreensível, maliciosa ou sugestiva”. Verdade. Essa malícia ocorre toda vez que os olhares se postarem, indevidamente, para fora dos limites do matrimônio. Entretanto, quando nossos olhos se voltam sempre sobre o nosso cônjuge, veja a ironia da linguagem, podemos muito bem sugerir ideias deliciosamente calientes um ao outro e, indubitavelmente, nada disso será repreensível a Deus.

Minha esposa é minha cúmplice! Porque, ainda segundo as acepções de Houaiss, ela possibilita, favorece, concorre à favor da realização do meu ministério. Quero, portanto, respondê-la em amor: fazer sempre o mesmo por ela. Quando eu ainda estava noivo da Lu, a minha oração a Deus mais frequente era: “Senhor, faz de mim um homem de verdade para ela”.

Todos sabemos que, infelizmente, muitos casamentos são acéfalos por estarem destituídos de homens que assumam suas devidas responsabilidades como homem, marido, pai. Como dizem, não basta estar casado, tem que participar: participar da vida do cônjuge!

Enfim, na história dessa palavra cumplicidade, há lições que deveríamos trazer para dentro do nosso casamento. Veja: cumplicidade e complexidade andam juntas, como que por um charme da língua portuguesa. É necessária a complexidade dessa união ou, dizendo de outra maneira, é preciso esse estar junto na cumplicidade complexamente. Vamos brincar um pouco mais com as palavras?


Cumplicidade, complexidade, complicar... Por que não? Mas só no bom sentido dessa com-plica-ção, que é “estar junto, dobrado na mesma pele, enroscado sobre a mesma dobra”.

Então, estejamos assim bem juntinhos, bem complicadinhos, para nunca descomplicar esse cordão de três dobras e podermos curtir essa benção maravilhosa de estar casado.


terça-feira, 10 de março de 2015

Afinal, você quer casar sua filha com quem?

Sou pai de duas meninas, uma com 9 anos e outra com 11 anos de idade, e embora possa parecer cedo demais para estar preocupado com esse assunto, já me explico. É que esta semana a minha filha mais nova ouviu a seguinte pergunta de um coleguinha galanteador (mas muito educado, não posso negar) em sala de aula: “Seu pai deixa você namorar comigo”?

         Após passar o impacto do primeiro momento, ponderei com ela: “E o que você disse”? Ela me olhou e respondeu: “Pai, eu disse que não gostava dele”! A resposta da minha filha quase que me tira da posição de pai enciumado para de defensor de mais um macho rejeitado pela tirania do sentimento feminino. “Mas, filha, assim você magoa o menino. Ele vai pensar que você só não namora com ele, porque não gosta do miserável. E isso não é verdade”!

         “Então, pai, eu deveria responder o quê?” Ao ouvir esta pergunta, fiquei mais uma vez perdido sem saber se chegava logo ao ponto ou se elogiava pelo tempo verbal perfeitamente utilizado por aquela menininha de apenas 9 aninhos de idade (coisa que só pai que é professor de português vai me entender). Passado o meu encanto com o uso da gramática feito por ela, disse: “Filha, você é muito nova”!

         Ora, além da idade, aproveitei e disparei: “Você sabe se ele é crente?”. Ao que ela balançou a cabeça negativamente. Pronto, dois ótimos argumentos de um pai em alerta constante: ela é muito nova e o precoce pretendente não é crente. Mais uma vez, falei para minhas duas filhas sobre a importância de se ir à escola para ESTUDAR. “O momento é este e vocês não podem perder o foco, pois há tempo para tudo debaixo do sol”, expliquei salomonicamente.

         Contudo essa conversa toda nos levou aqui em casa à reflexão: “Afinal, eu quero casar minhas filhas com quem”? Até que idade ela será ainda muito nova? E o que é “um crente”? A resposta à primeira pergunta já foi dada num acordo que fizemos com elas. Decidimos que, após o fim do ensino médio, enviaremos as duas para uma Escola Missionária (é o desejo delas) e que ali seria, então, o lugar para abrirem os olhos e o momento certo para começarem a procurar.  

         Evidentemente, o “crente” que eu espero que elas procurem não pode ser “um mero frequentador de igreja”. Tenho ensinado duas coisas que, para mim, são fundamentais: 1) que ele tenha frutos de um verdadeiro caráter cristão; e, 2) que elas vejam como ele trata a mãe dele. Com quaisquer outras questões, não me importo nem um pouco.

Pode ser rico, pode ser pobre; pode ser alemão, pode ser indígena; pode ser desorganizado, pode ser perfeccionista; pode até ser flamenguista, não tendo uma mentalidade revolucionária, mas dominada pelo Espírito Santo, está tudo bem.


Enfim, o que eu quero é o que todo pai cristão também deveria querer: que o homem com quem nossa filha case seja um homem de verdade e que cuide e zele por ela da mesma forma que o pai faz: com todo amor e proteção, pois minhas filhas são as meninas dos meus olhos. 
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