Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Soneto à tua flor de acônito

Para Lucila Ribas

Ninguém faz ideia (de) que eu não sou platônico!
Nada em mim remete a um plano inexistente,
Não penso para nada além do que se sente.
Meu verso será sempre empírico e atônito!

Denoto a que me refiro, meu referente:
- Teu corpo! Se a ti, porém, eu firo do acônito
A flor, que ao meu toque se abre acropetamente,
E das raízes, que me cuido deste indômito

Veneno teu, é que teu sentido transcende,
Não o verso meu. E tal qual um poeta agônico
Sei-me traído pela seiva polissêmica

Que de ti transpira e que de ti eu retiro
Não da minha palavra, mas de teu florão:
Esta aconitina com que tens me servido!

Fábio Ribas

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