Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sábado, 6 de junho de 2015

Uma Igreja em busca de homens

“...porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja,
sendo este mesmo o salvador do corpo”.

Ef 5:23

Vivemos em tempos sombrios e, exatamente agora, carecemos de homens! Mergulhados nos últimos dias, desapercebemo-nos que o mistério da iniquidade já opera entre nós (II Tess 2:7), afogados que nos encontramos no excesso de informação e discussão que tem servido tão somente para nos manter desatentos e alienados, enquanto corremos de um lado para o outro em busca de sabedoria – este é o sinal escatológico de nossa geração (Daniel 12:4).

Vivemos em tempos confusos, um momento preparado para expor a nós mesmos as nossas próprias contradições e mais profundas incoerências. Vemos uma nação que espera que seus líderes corruptos sejam finalmente condenados; lemos em jornais e revistas o anseio nacional por justiça; as ruas fervilharam de temas a serem discutidos na ordem do dia; nas esquinas, praças e bares, todos esperam pelo julgamento que irá nos dar uma certa saciedade diante do vazio político e social em que vivemos. 

Contudo, mais do que nunca, na vida privada, apela-se que os grandes temas como religião, futebol e política ainda sejam uma questão de fórum íntimo! Assim, escancara-se dois brasis: o primeiro, representado pelo poder público, que queremos ver julgado e julgando com equidade; e o segundo brasil, nós mesmos, cada um de nós, que continuamos nossa corrupção diária, a venda e barganha de nossos votos pela solução imediata de nossas necessidades básicas. 

Esse segundo brasil não encontra problema em suas pequenas mentiras, em sua imoral diária, na educação atravessada de valores duvidosos, oferecidos abundantemente pelas tvs. Este é o brasil que não se julga a si mesmo, mas que, paradoxalmente, deseja que seus representantes, que habitam aquele outro brasil, imponham-se tal julgamento!

O brasil nosso de cada dia - esse brasil privado - o brasil das famílias, das conversas informais, dos clubes e associações é um brasil acéfalo ou simplesmente doente: falta-lhe homens! 

Assustadoramente, é aqui neste brasil que afloram as igrejas e estas também esperam que sua bancada lhes represente, por isso nos falta homens ao brasil do poder público, porque elegemos representantes de uma parcela da sociedade a qual também lhe falta homens... 

Fomos invadidos pela estranha teoria de que não devemos julgar o próximo, não devemos avaliar as pessoas, seus comportamentos, suas crenças e motivações – não é politicamente correto. Nem percebemos que, pensando assim, criamos uma sociedade dividida e incoerente, pois, na esfera pública, cobramos tão calorosamente um julgamento que temos sonegado à vida privada. 

Não poderíamos esperar que existam homens que julgassem a si mesmos e aos grandes temas nacionais, uma vez que não os forjamos na vida privada desde a infância. Não há homens, porque não sabemos mais o que é ser um homem de verdade.

A consequência mais séria disso tudo é que não há homens na Igreja, daí tantos líderes femininos, tantas mulheres à frente e mesmo jovens e até crianças em púlpitos! Não há homens! 

Homens deveriam ser criados para serem homens desde crianças, mas já não os são mais. E a Bíblia resiste martelando em nossas cabeças que julgar é coisa para homens e não para crianças. 

Julgar é característica de quem cresceu, é qualidade demonstrada por quem amadureceu: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hb 5:14). 

Não há mais quem julgue entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, entre o que é lícito e o que não é em nossas igrejas e famílias, porque nos faltam homens forjados pela prática de suas faculdades exercitadas para julgar. Não há homens, porque não estamos ensinando aos nossos filhos que eles precisam crescer. 

Trouxemos para dentro de nossas igrejas o infantilismo nefasto do politicamente correto, da tolerância amoral em detrimento da Verdade, assim a igreja cristã tem sido apenas uma igreja infantil que produz crianças e as oferece ao poder público para repetirem o mesmo jogo de amarelinhas que essas crianças aprenderam em casa.

Há um dom esquecido pelas crianças ávidas por poder, por domínio e autoridade imposta – coisas típicas de quem não cresceu –, a saber, o dom do julgamento (I Cor 12:10). 

As crianças são egoístas e buscam para si os dons que lhes afagam o ego e nelas criam uma imagem de espiritualidade messiânica, mas esquecem que os dons são para serviço da Igreja e não para ostentação de suas denominações ou carreiras eclesiásticas. 

Precisamos de homens em nossas igrejas que julguem e coloquem à prova os falsos profetas (I Jo 4:1). Homens que, ousadamente, julguem e ensinem a julgar pessoas, comportamentos, ideias, filosofias, etc. 

Homens que assumam a responsabilidade de julgar primeiramente a si mesmos, retirando de seus próprios olhos a trave, mas que não fujam à missão cristã de ajudar o próximo a limpar o cisco que incomoda os olhos desse próximo (Mt 7: 1-5). 

Precisamos de homens que tenham sido ensinados e que agora possam julgar os falsos profetas (Mt 7: 15-20); homens que julguem os iníquos dentro das igrejas (I Cor 5:11-13); homens que julguem os vagabundos que sugam as igrejas (II Tess 3: 6, 14 e 15); homens que não tenham pruridos em julgar as falsas profecias (I Tess 5:21). Homens que busquem exercer o dom do Espírito Santo de discernimento!

Enfim, se queremos homens desse calibre dentro de nossas famílias, de nossas igrejas, de nossos partidos políticos, então, precisamos compreender qual o critério, qual a medida que é justa, que é boa, que é verdadeira para que eles venham a exercer um julgamento correto (Mt 7:1-5). 

Já dissemos aqui que, segundo o próprio Jesus, o critério não pode ser da hipocrisia, em outras palavras, o homem deve julgar a si mesmo e, então, ajudar o seu próximo. Todavia, há uma medida, há um critério que precisa ser dado às nossas crianças desde cedo, para que elas possam vir a ser os homens que Deus espera que preparemos. Esse critério, essa medida foi dada pelo próprio Espírito Santo ao cristão: a mente de Cristo (I Cor 2: 15-16)!

Biblicamente, somos chamados a julgar TODAS AS COISAS. Deus entregou-nos uma nova mentalidade, um novo jeito de pensar. Nós temos a mente de Cristo exatamente para que possamos reavaliar TODA a sociedade (família, política, Constituição, religião, lazer, trabalho, escola, namoro, etc). Não podemos nos esquivar de crescer. 

Precisamos discernir TODAS AS COISAS, usando a mente de Cristo, que é a transformação do nosso velho pensamento, que era segundo os valores do mundo, para a medida, para o critério do próprio Jesus. E mais do que nunca a tarefa de retornarmos ao Evangelho é árdua, mas é chegada a hora (e já passou) da Igreja Cristã assumir sua responsabilidade de oferecer homens com a mente de Cristo para julgar os grandes temas nacionais que se encontram na pauta do dia para o Brasil. Busquemos, então, os melhores dons (I Cor 12:31)!

Originalmente, postado em 20/09/2013, aqui.

Um comentário:

Tom Alvim disse...

Comento apenas para concordar com o que está escrito...faltam homens em nossa nação e em nossas igrejas e famílias. O que existem, são agredidos todos os dias pelo politicamente correto que está inflitrado em todos os lugares.
Abraços fraternais,
Tom Alvim.

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