Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Nossos pais – o Cristão e a Crise dos 40 (IV)

Em geral, a chegada aos 40 gera a crise, porque, dentre tantos fatores, coincide com dois que ocorrem concomitantemente: primeiro, nosso corpo não acompanha mais a juventude de nossa mente e, segundo, nossos pais estão ainda mais velhos do que nós.

Ano passado*, minha mãe deu entrada na UTI, ficando duas semanas internada. Foi um susto! Despenquei-me daqui para ficar com ela em São Paulo no hospital. Pude ver sua fragilidade, a fragilidade de alguém que, em outros tempos, sustentou a minha própria fragilidade infantil na força de suas mãos maternas...

Chegar aos 40 é tomar consciência de muitas coisas tão reais quanto um soco que se leva na cara: de repente, os filhos começam a cuidar dos pais... O que agravou essa situação foi o fato de estarmos longe dos nossos pais. Não estávamos perto para vê-los envelhecer, mas um susto nos trouxe à realidade enfrentada por eles.

Este ano, novamente, minha mãe deu nova entrada na UTI, mas, dessa vez, em Brasília. Saí daqui para estar com ela. Era véspera de seus 80 anos de idade. 80 anos de idade!!! O dobro da minha: 40 X 2 = 80!!! Uau! E quem disse que números não pesam? Da parte da Lu, o pai dela vem enfrentando – heroicamente, diga-se de passagem - há uns dois, três anos, o mal de Parkison. Estamos longe deles, mas estamos perto, bem pertinho. Mas estamos longe...

A chegada aos 40 está sendo marcada pela necessidade maior que nossos pais estão tendo de nós. Esse contato vívido com a fraqueza e finitude deles, inexoravelmente, remete às fraquezas e finitudes de nós mesmos. É a vida apresentando o implacável ciclo que atinge todos os seres humanos.

Contudo, para o cristão (pelo menos para mim), há um anseio real de ir morar logo no céu. Este desejo só esbarra na vontade concorrente de querer estar aqui para encaminhar bem minhas filhas em bons casamentos e ver netos. Acredito que essa contradição é humana e normal. Não foi o próprio Jesus quem clamou: “Pai, se for possível afasta de mim este cálice”? Porém, a despeito das contradições da nossa natureza humana, creio que, no fim, a vontade de Deus prevalecerá. Ainda que, vez em quando, veja-me pedindo perdão a Deus por essa fraqueza minha.

Faz parte do roteiro da rat race um certo cansaço que começa a nos acometer. Cansaço da vida? Não! Cansaço de pessoas. O mal, a hipocrisia, o jogo do poder, a politicagem e o corporativismo são coisas que cansam agora muito mais do que cansavam antes.

Passamos a ficar mais intolerantes com os hipócritas, talvez por vermos que não duraremos para sempre mesmo e que nossos pais estão indo embora, por que ficaríamos, então, adiando dizer o que nunca falamos? Se a gente passa a não suportar nem mais as nossas próprias hipocrisias, vamos tolerar as dos outros por quê? 

Nossos pais estão indo embora? Com eles, irão também certos pruridos da educação que nos deram. É neste momento que começamos a entender que, se não dissermos o que temos a dizer, iremos morrer sufocados pelas palavras que nunca ousamos falar!... 

* Esta série de artigos sobre o "Cristão e a Crise dos 40" foi escrita há mais de 2 anos, mas não havia sido publicada até agora. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A vingança dos quarentões – O Cristão e a Crise dos 40 (V)

Nem tudo é tragédia quando chegamos à crise da meia-idade. Aliás, muito do que vivemos pode ser levado com muito bom humor. Afinal, venhamos e convenhamos, neste mundo enfadonho e tedioso do politicamente correto e com a OMS, o Inmetro e a Anvisa invadindo cada vez mais a vida privada das famílias – braços da Grande Babá – precisamos reconhecer que tivemos uma infância muito mais divertida do que a dos nossos filhos.

Assim, se conseguimos sobreviver, chegando aos 40, só há uma única conclusão possível: somos super-heróis de outra geração! 



Leia também:

A TAL CRISE DA MEIA-IDADE (CARLA RODRIGUES)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A TAL CRISE DA MEIA-IDADE (CARLA RODRIGUES)

Existem os clichês mais óbvios: o cara que compra, não necessariamente nessa ordem, uma mulher mais jovem, um carro esporte conversível, e uma jaqueta de couro. Ou a mulher que faz plástica peito/barriga, lifting no rosto e sai por aí se comportando como quem tem 17 anos. O fato é que todos nós, em algum momento entre os 35 e os 50 anos, passamos pela tal crise da meia idade.

De uma amiga muito querida recebi o texto abaixo, que relata a conversa de duas grandes amigas sobre como enfrentar essa passagem da vida em que tudo que até ontem fazia o maior sentido, de repente torna-se tão estranho a nós.

Para ler e reler todas as vezes que baterem as dúvidas da tal da crise da meia idade – ou seja, sempre.

Tenho uma amiga querida. Um “muito querida” que é inversamente proporcional ao nosso convívio. Acho que no último ano encontramos, no máximo, umas duas vezes. A isso se acrescem emails esporádicos e curtos. Ressalvadas poucas exceções de visitas que duraram mais tempo, sempre foi assim. E não nos conhecemos sequer há uma década. Nada pode explicar, pois, como alguém com quem convivi tão pouco tenha importância fundamental em escolhas e entendimentos centrais da minha vida.

Foi ela que me explicou que as dívidas contraídas aos 30 anos, com a balança, com o coração e com a vida, integrariam uma fatura com início de vencimento aos 45. Segundo ela, a minha geração estava se endividando alto, rápido e demais. O risco de amargar antes da hora era significativo, principalmente para as mulheres. Hoje, ainda há uma distância segura dos 40, olho para o lado e já vejo muitas de nós azedando. Amargura e chatice: faturas vencendo antecipadamente, creio eu.

Pois foi essa mesma amiga quem me contou a respeito da “crise dos 40” que pode chegar aos 37 ou apenas aos 45, não importa. O fato é que chegará em algum ponto dessas imediações. Confesso que nunca acreditei em frases que começam com: “As mulheres são …”, “As pessoas, quando fazem 40 anos…”, “Os europeus preferem…”. Depois de ler Derrida, indicado e explicado por ela, não acho que existam “as mulheres”, “os quarentões”, nem “os europeus”. Existe Maria; uma mulher, diferente de todas as outras. Existe João; um quarentão único. E existe Manoel, um português, que é europeu e casado e médico e chato e ótimo pai e que amanhã pode resolver virar uma drag queen. Ninguém pode ser aprisionado em uma categoria imutável. Daí a minha implicância com a tal “crise dos 40”. Quem é que falou que todas as pessoas, tão únicas, devem passar por um mesmo processo universal ao atingir certa idade?

A coisa começou a melhorar quando entendi que, na verdade, o processo não é o mesmo. Ele, à obviedade, é singular na história de cada indivíduo. Mas há um fundamento em comum à tal crise. Fundamento que, se nos pega desprevenidos, traz consigo o germe de uma energia desagregadora que pode ser fatal aos rumos da vida.

Para acreditar que pode, sim, haver algo em comum a tantas vidas e situações diferentes, comecei a prestar atenção nas pessoas com 50 anos ou mais. Descobri que todas, em algum momento entre 38 e 45 surtaram com algo. Uma delas largou um emprego confortável e maravilhoso em um escritório e foi, literalmente, vender pulseirinha na Praia de Porto Seguro com uma nova paixão hippie que tinha acabado de conhecer.

A outra começou a correr 30 quilômetros por dia, colocou piercing, fez 03 (três) tatuagens, comprou micro-mini-saias e foi obrigada a escutar da filha adolescente: “Mãe, estou com medo da senhora regredir para antes dos 15 anos…”

Teve o cara que terminou o casamento com uma mulher que amava e com quem havia construído 20 anos de uma história maravilhosa, para se juntar com uma biscate do trabalho, que terminou lhe tirando tudo.

O outro, desesperado porque estava solteiro, viu-se louco para ser pai; engravidou uma ficante quase desconhecida e descobriu no meio da gravidez que a felicidade pode não morar ao lado.

Alguns apaixonaram-se pelo personal ou pela estagiária com quem não tinham qualquer afinidade, enquanto terceiros mergulharam em estranhas relações de trabalho, de afeto ou familiares.

Boa parte não recuperou o prumo da vida. É que, nesses casos, as pisadas de bola tinham sido fenomenais e sem qualquer saída de emergência planejada com um mínimo de cuidado e antecedência.

Havia mesmo algo de extremo e não habitual nas ações de pessoas até então razoáveis e que, subitamente, atolaram suas vidas em coisas que pareciam vindas de ímpetos incontroláveis. E não falo do incômodo que nos faz mudar para estarmos mais próximos de quem de fato somos e apenas em um específico momento nos descobrimos. Não estou me referindo a esse tipo de reconstrução necessária e desejada. Falo de coisa diferente.

Refiro-me a bombas que aparecem do nada e que escolhemos detonar. Sabemos, ou não, que é bomba. Sabemos, ou não, que vai explodir. Muitas vezes sequer estamos certos que queremos a explosão, já que não pensamos direito sobre ela. Mas não conseguimos controlar. É uma angústia tão grande que nos domina ao ponto de puxarmos o gatilho e deixarmos a destruição alcançar o que está ao redor. Restam os estilhaços para seguir.

Foi minha sábia amiga que explicou o desespero que subjaz a tanta insanidade. “Aos 40, querida, descobrimos que vamos morrer. Do desespero da morte vem a força que move tanta insensatez.” E eu, com ar desconfiado:

– Mas sabemos da morte desde que nos tornamos capazes de entender o seu significado, ué!

– Sabemos. Mas só teoricamente. Aos 40, cada célula do nosso corpo descobre disso. Olhamos para trás e, pelo retrovisor, vemos tudo o que aconteceu, tão diferente do planejado. Descobrimos que não dá tempo mais de muita coisa. O corpo envelheceu. Estamos mais velhos, um tanto caídos e sem “a vida toda pela frente” como acreditamos ter aos 20. Não. Agora, metade da vida já se foi. E, provavelmente, não do jeito como sonhamos, desejamos, planejamos. Na maior parte das vezes, jamais sonhamos chegar aos 40 daquele jeito. Falta muito para atingir a meta básica. Mesmo que não falte muito, o pouco faltante incomoda demais. O pior é que o inconsciente se dá conta, de uma hora para outra, que não somos eternos. Mas não é “não somos eternos” como uma frase teórica qualquer. É “eu vou morrer! E sem fazer nem metade do que desejo para mim…”

Parei para pensar e vi que talvez fosse isso mesmo. Boa parte dos meus amigos entrava na fase de pensar: “Como é que eu vim parar aqui?” E começavam a se mover para sair do lugar atual.

Desajeitados, abruptos e, alguns, enlouquecidos. Plásticas, traições, álcool, casamentos-relâmpago, filhos, tudo pipocando vindo de todos os lugares, nem sempre de um modo equilibrado. Em alguns casos, vislumbrei desespero de dar pena. Foi quando olhei para ela com aquela cara apavorada de interrogação, como quem pergunta se há uma saída para escapar disso.

– Concentre-se em não ficar doida. Pense que uma besteira que você faz aos 20, é possível recuperar aos 30, com todo o vigor. Uma bobagem feita aos 30, dá para recuperar aos 40 com certo esforço. Mas uma insanidade grande demais aos 40 não é tão facilmente recuperável aos 50, quando as forças já não estarão mais no auge. Se você arrumar um filho de um doido aos 40, como se livrar do maluco daí há uma década, com um filho entrando na adolescência, e ainda ter tempo para os seus sonhos? Como aos 50 anos, depois de largar o emprego feito adolescente, você consegue reinserir-se na carreira, na época em que a maioria dos colegas já está mais para a aposentadoria do que para recomeços profissionais?

Eu permanecia lá, escutando, com aquela cara de: “Como? Como? Comooooo?”

– Veja, não é que seja impossível. Mas é difícil. Aliás, besteiras inomináveis aos 40 fazem a sua vida significativamente mais difícil daí em diante. Portanto, quando o turbilhão vier, durma sobre os ímpetos. Os sentimentos serão como bombas explodindo. Até aí, tudo bem. Mas cuidado, muito cuidado com suas ações. Acolha o pavor de envelhecer. Não negue o susto de ver o próprio corpo começando a decair, mas não deixe que isso se transforme em um horror. Aceite que o seu emprego, o seu salário, os seus colegas podem não ser os sonhados, mas valorize um pouco a história que a levou até ali. Pense em transições lentas, sem grandes cortes brutais. Pense no futuro que deseja e nas ações para chegar lá. Jamais seja covarde. Mude o que desejar. Sonhe, ame, escolha, realize. Mas com calma. Concentre-se em não enlouquecer. Cautela e muita canja de galinha antes de cada passo, por favor. E não se esqueça que há vida e mudanças possíveis até o fim. O mundo, realmente, não vai acabar amanhã.



Desde então, esse tem sido meu mantra. Não é que uma lipoaspiração tenha deixado de parecer a solução perfeita para a maioria dos meus problemas. Mas, por hora, se não o juízo, as ações estão em ordem. E melhor que isso: de repente, me dei conta que não precisava guardar tão incrível descoberta para mim. Então, está aí, dividido. Que possamos mudar e permanecer ao viver, sem enlouquecer. Esse, o meu convite.

FONTE

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Nossos pais – o Cristão e a Crise dos 40 (IV)

sábado, 7 de novembro de 2015

Valeu a pena? – o Cristão e a Crise dos 40 (III)

Além dessa vontade doida de explodir uma bomba, li que um dos parágrafos deste roteiro da “rat race” é a falta do desejo pelo trabalho. Mas também não poderia ser diferente: imagine aquele ratinho de laboratório rodando sem parar naquela rodinha! Gira, gira, gira... Não sai do lugar e nem chega a lugar algum! Quem não enlouquece com isso? Em tempo de minorias, será que ninguém pensou ainda em defender os direitos dos ratinhos de laboratório?

Se eu perdi o desejo pelo meu trabalho?... Sim, aconteceu comigo também. Desde aquela crise de ansiedade que me acometeu (narrada no primeiro post), para sobreviver, tive que mudar o foco do meu trabalho. Em outras palavras, preparei-me durante anos para fazer uma coisa e, de repente, fui-me pego tendo que fazer outra. Talvez seja que eu antes trabalhasse numa “rodinha de rato” (pelo menos essa era a sensação da minha esposa), mas, sinceramente, eu gostava. Trabalhava com tradução e este é um trabalho que exige tempo, paciência e, principalmente (e o que eu mais gostava), exigia estudo, muito estudo. Gosto de estudar línguas. Gosto do funcionamento das gramáticas e, por isso mesmo, gostava muito do meu trabalho.

A Lu ficava cismada, pois somos muito diferentes neste ponto: ela é prática, eu sou teórico. Ela quer aqui e agora, eu sou projetos. Ela precisa ter algo nas mãos, eu preciso ter algo na mente. Ao mesmo tempo, acredito que seja por isso que encaixamos tão bem: ela é o que eu não sou, mas gostaria de ser. Nutro essa admiração profunda por tudo o que a Lu consegue ser e que, para mim, é simplesmente impossível. Por tudo o que ela é, ela está sempre me revelando uma face do mundo que, por mim mesmo, seria inacessível.

Assim, quando fui obrigado a mudar de trabalho, para ela foi ótimo, mas, para mim, foi apenas resignável. Não vou negar que gostei muito no início da minha nova função, pois era uma solução para permanecer mais tempo por aqui depois de toda a crise pela qual passei. Entretanto, passados três anos, olho para trás e sinto saudade do que não posso ter mais.

A falta de desejo pelo trabalho é um parágrafo no roteiro da “rat race”. Ela expressa a insatisfação que sentimos quando comparamos o que idealizávamos aos 20 anos de idade com aquilo que temos agora. “Valeu a pena? As escolhas que fizemos, do que abrimos mão pelo caminho, o que sacrificamos e deixamos de fazer?”, pergunta o ratinho na roda a girar.

Há um abismo entre o sonho pelo qual lutamos e a vida que realmente vivemos. Ao lado da falta de desejo pelo trabalho, encontramos outros dois itens: 1) começamos a perceber que outros homens recomeçaram suas vidas aos 40, chutando o balde e mandando a “rat race” às favas (estes homens tornam-se nossos heróis!); e 2) muitos se dão conta que, depois de todo esforço de vida que tiveram até aqui, sequer conseguiram ainda a tão sonhada “segurança material”... Mas estes já são assuntos para um outro post!

(Esta série de artigos sobre o "Cristão e a Crise dos 40" foi escrita há mais de 2 anos, mas não havia sido publicada até agora). 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Eu quero explodir uma bomba – o Cristão e a Crise dos 40 (II)

Uma das aplicações que encontrei para expressão "a rat race" é também política. Ainda que política, violência e CIA pouco pareçam ter em comum com a crise que um quarentão possa passar, a verdade revela-se exatamente o oposto disso.

No fundo, bem lá no fundo (mas subindo numa velocidade vertiginosa rumo à superfície), parece que há um elemento comum que agirá no interior de quase todos os homens que se veem numa "rat race". Ainda não sei bem explicar o que seja esse elemento, mas, enquanto escrevo este post, sinto-me acometido por uma vontade quase incontrolável de EXPLODIR UMA BOMBA!

"Explodir uma bomba" é um dos sintomas que caracterizam a crise de quem se encontra nessa rodinha e se vê preso nela, tentando pular fora ou pará-la de alguma maneira. Explodir uma bomba seria uma espécie de reação, uma vingança seguida por um sorrisinho maldoso contra todos aqueles que contribuíram para que a rat race viesse a nos assaltar de surpresa. É aquela vontade, dizendo em linguagem popular, de jogar m*... no ventilador e, calmamente, sentar no assoalho da vida para ver tudo respingar na cara dos hipócritas!

Esse sentimento nasce evidentemente pela avaliação feita na meia-idade. Avalia-se as feridas e marcas abertas, cicatrizes feitas por pessoas em quem, um dia, confiamos. Aliás, como li certa vez, traição só é traição por ser perpetrada por amigos...

Seguindo a linha do parágrafo anterior, estive bem perto de alguém que "explodiu uma bomba"! Decepcionado por confiar numa liderança que falava muito, vivia de propaganda e que, na verdade, colocou-o numa grande enrascada, ele, finalmente, saiu. "Sair" é uma possibilidade aos incomodados. Quando não queremos causar escândalo jogando a m*... no ventilador, cabe a opção de mudarmos de mãos, mãos nas quais outrora nos colocamos, mas que revelaram sua total incompetência em guiar-nos.

No meio cristão, isto é mais complicado ainda, seja explodir uma bomba ou sair, quaisquer alternativas são dolorosas. Principalmente, quando os vilões da história são admirados por tantos que só os conhecem via propaganda e marketing ou nas fotos simpáticas que estes postam no facebook. Em situações assim, é muito provável que a parte mais fraca é que saia arranhada, machucada, mal falada e, como certa vez eu mesmo ouvi, "o que vão dizer se você desiste no primeiro obstáculo que aparece?". Quem me disse isso, revelou-me que nada sabia a meu respeito...

Bem, meu amigo saiu... Mas e eu? Explodirei uma bomba ou, simplesmente, sairei em levíssimos passos de bailarina? Eis a crise dos 40!

CUIDADO! Nunca subestime um homem com 40! rsrs

(Esta série de artigos sobre o "Cristão e a Crise dos 40" foi escrita há mais de 2 anos, mas não havia sido publicada até agora).

Leia também o 1º artigo desta série: 

Segue abaixo a tradução da música do Bob Marley, Rat race. Música de protesto contra a política americana de intervenção na Jamaica.

Ah! muito violento
Oh, que corrida de ratos
Oh, que corrida de ratos
Oh, que corrida de ratos
Esta é a corrida dos ratos


Alguns para o bem, outros bastardos, alguns mascarados
Oh, que corrida de ratos, corrida de ratos


Alguns monstruosos, alguns bandidos, alguns provocadores
Nesta corrida de ratos, sim!
Corrida de ratos
Estou cantando
Quando o gato não está
Os ratos dançam
A violência  política enche a cidade
Sim!
Não envolvam os rastas nessas suas falações
Os rastas não trabalham para a C. I. A
Corrida de ratos, corrida de ratos, corrida de ratos
Quando pensam que é tudo paz e segurança
Vem uma repentina destruição
Segurança coletiva, que certeza?
Sim!


Não esqueçam a sua história
Conheçam seu destino
Quando a água é abundante
O estúpido morre de sede
Corrida de ratos, corrida de ratos, corrida de ratos

Oh, é uma desgraça ver a raça
Humana em uma corrida de ratos, corrida de ratos
Tem a corrida dos cavalos
Tem a corrida dos cães
Tem a corrida dos homens
Mas esta é uma corrida de ratos, corrida de ratos

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A rat race - o Cristão e a Crise dos 40 (I)

Cheguei! Como cheguei até aqui? Talvez a crise tenha sido deflagrada numa caminhada que fiz há uns dois anos...* Para ser mais exato, a fatídica caminhada deu-se em julho de 2011, quando, pela primeira vez, fui assaltado pela consciência da minha finitude: era o fim da minha eterna juventude!

Naquela esteira da academia, passo a passo, doeu-me o coração como se uma faca estivesse rasgando-o por dentro. A dor foi lancinante. Parei. Fui ao médico para descobrir que tudo era um simples caso de arritmia causada pelo stress. “Stress?!”, surpreendeu-se a médica. “Nunca imaginei que na sua profissão haveria tanta pressão”, disse-me espantada, já sabendo ela qual era o meu trabalho.

“Pensei que as pessoas fossem do bem na sua profissão”, continuou ela. “Pensei que vocês fossem seres abnegados, irmãos em Cristo, cheios da glória do Senhor, repletos de amor uns para com os outros”... Enquanto ela ia desconstruindo seus mitos, eu pensava: “Eu também acreditava assim...”!

O fato é que a minha arritmia havia sido causada pela ansiedade – uma crise de ansiedade. Naquela esteira, imagino ter começado a minha crise dos 40 e já sei que ela deverá continuar ainda por uns outros dois pares de anos.

“Xiii, você vai ver quando chegar aos 44!”, disse-me meu primo, com ar de quem sabe muito bem que o pior ainda está por vir (ele acabou de completar 49). Não vou entrar em detalhes sobre o que originou aquela ansiedade toda (um dia, se Deus quiser, escreverei sobre aqueles eventos)!

Todavia, como consequência daquele momento, vi que o meu corpo não seguiria mais tão facilmente quaisquer aventuras que lhe propusesse – minha mente sim, mas meu corpo havia dado o sinal de alerta. A partir dali, pequenas, pequeninas coisinhas foram se alojando e dando forma à ansiedade sem que eu soubesse e nem me desse conta de que, na verdade, eram parágrafos num roteiro pré-determinado: a minha “rat race”!

“A rat race” é uma expressão criada para tentar traduzir o que alguns homens sentem ao chegar à casa dos 40. É uma metáfora, uma metáfora mórbida: ela remete ao ratinho branco de laboratório que fica girando sem parar naquela rodinha sem nunca sair do lugar, sem jamais chegar a lugar algum!...

"A rat race" também se aplica à corrida maluca e desenfreada das pessoas em busca de dinheiro. Neste último contexto, criticamente, aplica-se à desumanização do homem, ao mundo violento e as politicagens que fazem da raça dos homens uma raça de ratos... (vou postar uma música sobre isso depois).

Principalmente neste ano, li muito a respeito dessa tal crise dos 40 e posso afirmar que ela é cultural. Em outras palavras, a crise dos 40 é semelhante à minha crise de ansiedade - é um problema criado (ou que criaram para cima de mim)!

Não é que não seja um problema real, mas é algo assim psicossomático... Não há um agente definido (um vírus, uma bactéria, um vício, um psicopata que seja, a quem possamos responsabilizar), mas há uma complexa rede de fatores que contribuíram para que as coisas chegassem no ponto que chegaram. É uma crise criada culturalmente por nossa sociedade ocidental (parece que asiáticos e outros do lado de lá desconhecem “a tal crise”).

Realmente, depois de ler muito sobre o assunto e assistir a muitos filmes interessantes sobre o tema, preciso concordar que nossa cultura ocidental criou todas as condições necessárias para que muitos de nós viéssemos a nos ver presos nessa rodinha ou nos sentíssemos como ratinhos nas mãos de alguma criança sádica (lembram da Felícia?).

É sobre isso que quero compartilhar. Quem sabe outros não estejam passando silenciosamente por tudo isso também, enquanto suas esposas assustadas ficam sem saber como ajudar seus cônjuges em crise. É bem verdade que nem todos os itens desse roteiro se manifestaram em mim (ainda), mas os que se alojaram só me mostram que o que estou vivendo, há mais ou menos dois anos, está apenas começando... e, como meu primo já deixou claro, “o pior ainda está por vir”!

Então só posso terminar este 1º post desta série dedicada aos meus leitores quarentões (ou às esposas deles), dizendo a todos que estão comigo nesta mesma rodinha: “Bem vindo aos 40!”

* Esta série de artigos sobre o "Cristão e a Crise dos 40" foi escrita há mais de 2 anos, mas não havia sido publicada até agora. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Soneto à tua flor de acônito

Para Lucila Ribas

Ninguém faz ideia (de) que eu não sou platônico!
Nada em mim remete a um plano inexistente,
Não penso para nada além do que se sente.
Meu verso será sempre empírico e atônito!

Denoto a que me refiro, meu referente:
- Teu corpo! Se a ti, porém, eu firo do acônito
A flor, que ao meu toque se abre acropetamente,
E das raízes, que me cuido deste indômito

Veneno teu, é que teu sentido transcende,
Não o verso meu. E tal qual um poeta agônico
Sei-me traído pela seiva polissêmica

Que de ti transpira e que de ti eu retiro
Não da minha palavra, mas de teu florão:
Esta aconitina com que tens me servido!

Fábio Ribas

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

NÃO TENHA PLANO 'B' (Camila Hochmüller Abadie)

Dias atrás, o Gustavo publicou a nossa foto favorita. Lembrei-me da pergunta de um casal de amigos nossos, recém-casados, que pediram a "dica" para um casamento feliz.

Na ocasião, se não me engano, acho que respondi algo como "diálogo" ou "sempre conversar". Mas... que besteira. Sério. Besteira. Claro que estar disposto a abrir-se, a conversar, a fazer a clássica DR é fundamental. Mas não é isso o que faz um casamento dar certo.

Sabe por quê? Porque tem coisas que conversa não resolve. Tem coisas, aliás, que nem dá para conversar. Tem coisas que só a oração, só Deus resolve. Sabe? O coração do outro tem esquinas que você não pode dobrar. Esquinas, aliás, que às vezes nem o próprio cônjuge sabe o que encontrará por ali.

Enfim. Hoje, olhando para esses mais de 10 anos juntos, acho que finalmente consegui captar o que nos fez permanecer firmes apesar de tudo, inclusive de nós mesmos. Algo que já estava lá desde o início e que fez e faz toda a diferença em nossas vidas. E não é segredo. É o seguinte: NÃO TENHA PLANO 'B'.

Você pode ter um plano 'b' para as finanças. Pode ter um plano 'b' para a carreira. Pode ter um plano 'b' para a roupa de amanhã. Mas não tenha um plano 'b' para a pessoa da sua vida. Entre no casamento com tudo, de uma vez só, para sempre, sem volta. Sem essa de "ver no que vai dar", de "tentar pra ver se vai dar certo", de "ir se conhecendo e quando o 'amor' esfriar, partir pra outra".

Que papo é esse?! Que conversa mole de adolescente covarde é essa?! Como é que os casamentos davam certo antigamente? Por isso, oras! Entre para, ou fazer o negócio dar certo, ou... fazer o negócio dar certo! Não é isso o que a igreja sempre disse: "até que a morte os separe"? Então!

Chega de achar que casamento é um "espaço de romantismo e florescimento das individualidades"! Pode haver romantismo? Pode. Pode haver florescimento das individualidades? Pode. Mas é efeito colateral!

O essencial é saber que você tem um compromisso eterno com a pessoa e, custe o que custar, você vai dar um jeito de ajudar o(a) infeliz a entrar no céu! É isso: NÃO TENHA PLANO 'B'.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O dia em que Darth Vader perdeu o avião (ou "A arte de rir de si mesmo")

No ticket, a saída do meu avião estava marcada para as 14:00 horas. Olhei de lado, inclinei-me sobre minha mochila, e vi na tela: “voo 1414 – previsto”.

Sentado na cadeira azul do aeroporto de Congonhas, tinha que, volta e meia, debruçar-me sobre a minha mochila de colo para conseguir ver melhor a tela que me informava qual a situação do meu voo. Fiz isso e vi: “1414 – previsto”.

Eu havia chegado bem antes do horário de partida do voo. Resolvi, então, ligar meu computador. Como ele estava sem bateria, procurei liga-lo na torre de tomadas bem ao lado da minha cadeira. Todavia, não consegui acessar a internet. Percebi que era pura falta de experiência da minha parte em fazê-lo. Esforcei-me mais uma vez e vi: “1414 – previsto”.

Aliás, explico aqui, voar de avião é algo nada rotineiro para mim. Lembro-me de viajar de avião somente na minha infância. Como se vê, minha experiência com o mais seguro de todos os transportes é mínima. Frustrado com meu fracasso em tentar acessar a internet, guardei meu computador na mochila e, mais uma vez, esforcei-me para ver a situação: “voo 1414 – confirmado”.

Confirmado? Confirmado?! Confirmado! Ufa!!! Finalmente, confirmado. Por onde será que andava esse avião que só agora o localizaram? Decerto, deveria ter-se perdido em algum aeroporto por causa de um passageiro sem relógio – só pode! Eu mesmo tentara neste ano ter um celular, pelo menos para acessar as horas ou ser achado pela minha esposa, mas logo me perdi com as infindáveis chamadas do whatsapp e acabei desistindo de possuir um desses aparelhos.  

O importante, porém, é que eu já podia ficar mais tranquilo, que agora era certeza de viajar naquele dia. O meu avião estava confirmado: “voo 1414 – confirmado” para as 14:00 horas. Observei as horas no relógio de pulso da moça sentada ao meu lado: “13: 15”. Tempo suficiente para comprar umas lembrancinhas para minhas 3 meninas (esposa e duas filhas), que estariam me aguardando no aeroporto de Cuiabá.

Levantei-me com dificuldade, pois a mochila e a minha mala de mão estavam pesadíssimas, mas, indubitavelmente, não as despacharia para não correr o risco de vê-las desviadas para algum outro lugar do Brasil, enquanto eu me dirigia para a capital do Mato Grosso. Ouvi muitas dessas histórias de divórcio entre passageiros e suas bagagens para querer correr esse perigo.

Fui em direção à livraria, localizada bem ali ao lado de onde estava sentado. O que comprar para as minhas meninas? Havia um sapo num copo de plástico, cuja proposta, pelo que eu pude entender, era afoga-lo para vermos o anfíbio virar um príncipe. Foi-se o tempo em que um beijo de um verdadeiro amor seria muito mais eficiente na operação de milagres assim!

Outra lembrancinha poderia ser uma garrafa para quem gosta de fazer exercícios físicos, cujo diferencial era um pino que seria usado para borrifar água e refrescar o esportista. Evidente que este seria um presente para minha esposa que, neste ano, está empolgadíssima com seus exercícios de “walk-walk”.  

Por fim, na estante de livros, achei um título muito engraçado e que logo me chamou a atenção: “A princesinha de Vader”. O livro é uma brincadeira com a imaginação dos fãs de Star Wars. E se Dart Vader tivesse criado Leia e Luke? Há um livro sobre a criação de Luke, mas nem me interessei, porque a minha identificação é sempre com pais de meninas e não de meninos, que já é outra galáxia.

Tenho duas meninas, uma de 10 e outra de 12 anos de idade. Logo que vi o livrinho cheio de gravuras humorísticas, percebi a descrição que dizia que numa galáxia muito e muito distante havia Dart Vader lutando para tentar criar e educar sua pequena Leia. Ela estava crescendo e começava a querer impor sua própria vontade diante do pai, passando para o lado dos rebeldes (quem é fã, logo entenderá a brincadeira).

A cada página virada, a cada gravura vista, brotava um sorriso do meu rosto. Criar meninas é uma tremenda aventura que deixava até o poderoso Dart Vader em maus lençóis.

Numa das gravuras, Vader precisa se controlar diante da surpresinha que sua filha tricotara para ele: uma proteção de lã para seu capacete! Diga-se, uma touca vermelha que ela havia feito para o pai e que ele agora tentava encontrar as palavras certas para agradecer a sua filhinha: “Só diz para ela que gostou...”, pensa consigo mesmo o poderoso Lord Darth Vader.

Noutra cena, com a qual também me identifiquei, vemos Leia vestida com aquela roupa de escrava de Jabba, ao que, imediatamente, dita o paizão Vader – conquistador do Universo – com toda a autoridade para sua filha: “Você não vai sair de casa vestida assim”!

Acredito que muitos pais passam por isso. Sempre há aquele momento no qual nossos filhos acabam vendo seus pais como os grandes vilões do lado negro da força. E para os pais – lutando contra o que pode haver de pior na sua própria natureza masculina negra – tentam evitar a fuga dos filhos para o lado das forças rebeldes.

Sim, se até Vader tem suas dores de cabeça, por que meros mortais como nós também não teríamos? Entretanto, após gravuras e gravuras de batalhas e lutas na educação de sua princesinha, o livro termina com Leia dando um gostoso abraço no seu pai Vader. Como não se identificar? Por isso tudo, eu pensei em comprar aquele livrinho antes de sair o avião. Avião?!

Saí dali da papelaria sem comprar nada, pois queria confirmar que horas sairia o tal voo das 14 horas, pois já eram 13:50 e nada de me chamarem! Ao me dirigir para a saída do embarque, vi que na tela do vídeo não havia mais nenhuma referência ao voo 1414. Tive um mau pressentimento (será que já estava me transformando num Jedi?).

“Moça, que horas vão nos chamar para embarcarmos no voo 1414?”. Ela me olhou firmemente nos olhos e disse: “Senhor, as portas já foram fechadas. Onde o senhor estava?”. Tentei explicar que estive o tempo todo bem ali na sala de embarque. “Aqui?! O senhor estava aqui o tempo todo? E o senhor não ouviu a chamada?!”. Perplexo com a situação inesperada, eu só podia responder: “Não”!

Não vou negar que um nó na garganta travou o meu choro. Não sei se queria chorar porque havia perdido o voo estupidamente ou porque previa que minha chagada em casa iria se tornar uma angustiante romaria. “O que eu faço agora?”, perguntei.

“Qual o seu nome, senhor?”. Respondi: “Vader, quer dizer, Fábio... Desculpa”! Consultando o computador, ela disse: “Só faltou o senhor para embarcar. Mas agora as portas do avião já fecharam!”.  Tentei insistir com ela: “O que eu faço agora, senhorita?”.

“Há um voo ainda, mas tem dois problemas: primeiro, ele tem conexão e o senhor só vai chegar em Cuiabá lá para as 10 da noite; e segundo, o voo já está para sair, assim, o senhor deve correr para remarcar no check-in”, esperançou-me ela!

Saí correndo para o check-in e, uma vez com a passagem trocada, disparei para o embarque carregando minhas duas enormes e pesadas bagagens de mão comigo, que o portão de embarque para essa conexão era no andar de cima e no final de um longo e interminável corredor.

Enquanto corria esbaforido e tropeçando pelo corredor daquele aeroporto, pedindo desculpas aos que eu atropelava pelo caminho, pensei que nem tudo em mim era assim tão parecido com o Vader. Tenho certeza que, no meu lugar, Vader já teria controlado a mente do piloto do avião e o obrigaria a espera-lo, do contrário, todos seriam mortos naquele voo.


Além disso, o meu pressentimento jedi indicava-me que, apesar de Vader ter seu sistema respiratório totalmente comprometido devido às terríveis queimaduras sofridas, ainda assim, Darth Vader estaria em muito melhor forma física do que eu me encontrava naquele momento. Todavia, no fim de toda aquela aventura, consegui pegar o novo voo e voltar para o meu Império (ainda que com 8 horas de atraso). 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

DORMINDO COM A MORTE (Lucy Rocha)



A foto original foi alterada por entendermos ser inapropriada ao público do blog

A primeira vez que vi essa imagem perturbadora numa campanha francesa contra o HIV, um ano atrás, eu perdi o sono. Fazia uns dois meses que eu havia conhecido um cara com características perfeitas: tinha minha idade, era bonito, solteiro, sem filhos, bem formado, engraçado, sociável, que falava constantemente de Deus e de família. A receita perfeita para IDEALIZAR o príncipe encantado. Como costumo dizer, ele tinha as características OBJETIVAS de um parceiro perfeito. 

Mas quando se tem no histórico uma experiência com psicopatas, ficamos atentos aos pequenos sinais. Aqueles deslizes que ignoramos lá atrás, ou melhor, que escolhemos ignorar para não estragar o sonho que criamos sobre a pessoa. Ficamos atentos às características SUBJETIVAS do indivíduo, aquelas que lhe são inatas e, portanto, imutáveis.

Havia observado que não gostava de pagar por NADA, que em menos de um mês já fazia planos de se mudar para minha casa, que passou a exigir um emprego dentro da minha empresa e que seu celular era um constante bip-bip misterioso madrugada a dentro. Quando em casa, queria dirigir meu carro, deixando claro que eu não poderia dirigir o dele quando estivesse na sua. Nos restaurantes, padarias, supermercados, ao chegar a conta, descaradamente olhava em outra direção. 

Ah, deixe-me mencionar que assim que nos conhecemos sugeriu que eu parasse de escrever nesta página porque a energia era muito ruim...Eu sei, eu sei o que vocês estão pensando: Nossa, igualzinho! Pois é, esse padrão de comportamento é realmente repetitivo e a primeira coisa que tentam é podar quem somos e roubar nossa identidade. Na verdade, eles admiram tanto, que desejam destruí-la, posto que não conseguem incorporar aquilo que você tem e que lhes falta.

Pois bem, atenta que eu estava, assim que percebi os primeiros sinais, me coloquei em movimento. Mesmo tendo o cuidado para não estar projetando sobre a pessoa uma experiência ruim, comecei a observar e me inteirar através de amigos em comum sobre quem era exatamente aquela pessoa. 

Não demorou nada para descobrir que era preguiçoso, acordava ao meio dia e passeava no trabalho por um par de horas, se vitimizando porque "o chefe não o deixava mostrar todo o seu potencial" . Soube que em casa se tratava de um parasita, que não tinha o hábito de pagar sequer um pãozinho e que, apesar de bem remunerado, preferia viver às custas dos pais idosos. O seu salário servia apenas para seus caprichos pessoais e, para meu pavor, pagar prostitutas. Sim. O homem era viciado em prostituição. Quando tinha muito, pagava aquelas de luxo, quando tinha pouco, qualquer uma de rua servia. "Praticava" diariamente e quando não havia prostituição, masturbava-se por internet mesmo. Compulsivo por sexo e sujeira, simples assim.

Obviamente, mentirosos natos negam, distorcem, invertem, falam dos nobres sentimentos que nutrem por você e se vitimizam. Quando nada disso funciona, aplica o tratamento silencioso, esperando que VOCÊ vá lá "acertar" aquela situação. A pessoa não alerta entra nessa dinâmica e pouco depois está de novo vivendo uma relação doentia, querendo "ajudá-lo a superar a tal compulsão". Pessoas doadoras X sugadores sádicos. Mistura explosiva, encontro simbiótico.

Certamente, se eu tivesse caído nessa teia narcísica e abusadora, essa página seria uma fraude, certo? Mas esta página não é uma fraude. Aqui tem um importante trabalho de autoconhecimento compartilhado, voltado a ajudar você, meu leitor, a se autoconhecer e se libertar. Assim sendo, eu não poderia fazer diversamente na minha própria vida! 

O que fiz? Cortei completamente. Fui ao CONTATO ZERO com um corte rápido, limpo e indolor. Percebi que na minha vida não havia mais espaço para mentiras, vitimizações, idealizações infantis, abuso e parasitismo. Aquela era a prova de que eu estava CURADA seja da dependência emocional, seja da propensão a me relacionar com vampiros psico-afetivos.

Pensando nisso hoje, quando uma leitora me disse ter contraído uma DST terrível de seu parceiro abusador do qual NÃO CONSEGUE se separar, queria deixar um alerta: 

Psicopatas, sociopatas e abusadores em geral são pessoas muito promíscuas. Utilizam o sexo como forma de coisificar a mulher e quando mulher, uma forma de tirar o que podem do homem, além de torná-lo dependente, dada a importância do sexo para o macho. Usam o sexo de forma suja e compulsiva, o que muitas vezes faz com que a vítima ache que tem "uma vida sexual maravilhosa" com seu abusador (ideia essa bem distorcida). Portanto, se ainda estão se relacionando com um desses tipos, façam seus exames e, se ainda estiverem saudáveis, protejam-se e saiam disso antes que seja tarde demais.

Lucy Rocha


FONTE

terça-feira, 1 de setembro de 2015

2 segredos básicos para uma relação duradoura

Milhares de casais se unem em matrimônio anualmente. No Brasil, o mês das noivas é maio, nos Estados Unidos, o mês mais popular para casamento é o mês de junho, onde em média 13.000 casais dizem “sim”.
Desses casais que decidem passar a vida juntos, muitos não conseguem levar o relacionamento por muito tempo. Se você parar agora e analisar quantos casais você conhece que se casaram e se divorciaram, certamente terá que anotar, ou perderá a conta.
Pensando nisso, que o psicólogo, John Gottman, juntamente com sua esposa também psicóloga, Julie Gottman, realizaram um estudo com casais para entender melhor o motivo do fracasso e do sucesso de seus relacionamentos.
A conclusão a que chegaram pode parecer óbvia demais, porém ao analisarmos os detalhes de nossos próprios relacionamentos, certamente identificaremos pontos que precisam de mais atenção.
Segundo o estudo dos Gottmans, as duas coisas básicas que movem um relacionamento até o fim da vida são generosidade e bondade.
John e Julie criaram o “The Lab Love” (O Laboratório do Amor), levaram 130 casais para seu laboratório do amor, onde passaram o dia realizando tarefas corriqueiras como comer, cozinhar, limpar, enquanto os cientistas sociais os analisavam. Ao fim das análises, os estudiosos classificaram os casais em dois grupos: mestres e desastres. Passaram-se seis anos e os casais foram chamados novamente. Os mestres permaneciam juntos e felizes.
Os casais que pertenciam ao grupo “desastres” ou não estavam mais casados ou permaneciam juntos, porém infelizes. Esse resultado levou os cientistas à conclusão de que a generosidade é fundamental para o relacionamento entre o casal. Atos simples como responder a perguntas rotineiras com agressividade ou com generosidade afeta o futuro e a qualidade do seu relacionamento.
Perguntas como: “Você viu aquele pássaro?” podem ser a deixa para a esposa demonstrar mais interesse pelos gostos do marido, agindo com generosidade e bondade, criando uma conexão entre os dois.
Respostas ríspidas, desinteressadas ou ignorar o apontamento do seu companheiro por indiferença, significam bem mais do que apenas cansaço, ocupação, falta de tempo. Mas sim, podem representar que tudo é mais importante do que as coisas bobas que ele ou ela apreciam.
O estudo apontou que temos duas respostas a escolher quando se trata das questões de nossos companheiros, podemos optar por respostas generosas que nos aproximam como casal ou respostas ríspidas que nos afastam um do outro.
Os “mestres” escolhiam respostas generosas, criavam uma conexão com o companheiro, demonstrando-lhe interesse em suas necessidades emocionais.
Pessoas que agem com bondade e generosidade, como os casais que pertenciam ao grupo de “mestres” preocupam-se em criar um ambiente de apreciação e gratidão pelo o que o companheiro faz, em contrapartida, casais “desastres” constroem um ambiente baseado na insatisfação, sempre apontando para os erros do outro, para o que ele deixou de fazer, esquecendo-se dos pontos positivos.
A pesquisa mostrou que em situações como, o atraso da esposa ao se preparar para um jantar pode ser encarado pelo marido de duas maneiras diferentes: com bondade e generosidade ou com agressividade, concentrando-se apenas no fato de que ela sempre se atrasa, nunca se apronta na hora combinada, desconsiderando que o atraso pode ter sido motivado pelo tempo que ela gastou preparando uma surpresa para ele.
Generosidade e bondade podem salvar seu relacionamento. Não estou dizendo que no dia de aniversário de casamento, uma vez ao ano, você fará aquela surpresa linda, e pronto. O que a pesquisa revelou implica na aplicação diária de doses de generosidade e bondade, seja relevando uma coisa aqui, sendo gentil em outra situação ali, evitando cobranças desnecessárias e sempre, sempre e sempre concentrar-se no que a outra pessoa fez e faz de positivo, não de negativo. Sua esposa foi ao supermercado e comprou só alimentos, esquecendo-se do creme dental? Você escolhe: seja agressivo e reclame do creme que ela esqueceu ou agradeça pela comida que comprou. Sua escolha dirá que tipo de relacionamento você está vivendo.
John e Julie Gottman, após estudarem os casais com eletrodos enquanto conversavam, concluíram que casais do grupo “desastres” ficavam fisicamente afetados ao dialogarem com seus companheiros, fisiologicamente eram como se estivessem em guerra ou enfrentando um leopardo. Os “mestres” apresentavam passividade, relaxamento e tranquilidade ao conversarem.
E você? A qual grupo pertence?
Título original: "Ciência comprova: as relações que duram mais deendem de 2 coisas básicas..."

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Eros e Psique

Para Lucila, meu amor

Meu verso, flecha do arco do meu coração,
Tomado com cuidado para que meu tiro
Atinja no alvo preciso do seu destino:
Quedar-te o muro condenado a vir ao chão.

Meu verso, flecha preparada com esmero,
Cuja ponta foi talhada em pedra de Urim,
Não oculta de ti todo este desejo
Retido na flama do amor do meu jardim.

Meu verso, flecha retirada desta aljava,
Cuja extremidade, aguda e mui cortante,
Foi nesta mina do meu desejo molhada...

Rima envenenada n’água desta nascente:
Seta arremessada precisa entre teus seios,
Ferida que te abre a receber-me por inteiro!

Fábio Ribas
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