Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

domingo, 23 de novembro de 2014

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (VI) - "I loved her fist" - Heartland

           "O pai da noiva" - um ótimo filme
Não é fácil ser pai de meninas. Sei que vai chegar a hora de entrega-las e, acredite, há muito tempo já tenho orado por aquele momento, pois a confusão do mundo é enorme e parece que tudo concorre para dar errado. Veja: na escola delas, na sala da minha filha mais nova de apenas 9 anos de idade, as conversas já giram em torno de namoro e já há amiguinhas que estão namorando escondidas dos pais e, não sei o que é pior, mas há as que, com essa idade, já estão namorando com o consentimento dos pais! Surpreendentemente, a maioria das coleguinhas de nossas filhas vêm de lares desfeitos. O mundo realmente está quebrado...

Há uma promessa, contudo, e eu me agarro a ela: "Eu quero ser o teu Deus e o Deus dos teus filhos"! Aguardo, nAquele que me prometeu isso. A música abaixo é um "country", desses de dizer tudo aquilo que chora o coração da gente. E é linda e sincera a música. Sei que, um dia, alguém vai amar as minhas filhas (e realmente espero que eles as amem de verdade a ponto de querer morrer por elas, assim como eu morreria também!) e o prêmio do pai é sempre saber que nós as amamos primeiro... 

Esta música está presente no ótimo filme "O pai da noiva". Se ainda não assistiu, assista. A continuação do filme também é maravilhosa. 

Eu a Amei Primeiro

Olho pra vocês dois dançando desse jeito
Perdido no momento em cada rosto
Tanto amor vocês se isolam neste lugar
Como se não houvesse mais ninguém no mundo
Eu era demais pra ela há nem tanto tempo atrás
Eu era o seu "número 1"
Era o que me dizia
E ela ainda significa o mundo pra mim
Assim como você sabe
Então, seja cuidadoso ao abraçar minha garota
O tempo muda tudo
A vida deve continuar
E eu não ficarei em seu caminho

Mais eu a amei antes e a abracei primeiro
E ela sempre terá um lugar em meu coração
Desde a primeira vez que ela respirou
Quando ela me deu seu primeiro sorriso
Eu soube o quão profundo é o amor de um pai
E eu rezei pra que ela encontrasse você algum dia
Mas ainda é difícil entregá - la
Eu a amei primeiro

Como pode aquela linda mulher em você
Ser a mesma face de criança com pintinhas que eu conhecia
Aquela pra quem eu lia todos aqueles contos de fadas
E colocava pra dormir todas as noites
E eu soube desde o momento em que eu a vi com você
Que era uma questão de tempo

Mas eu a amei primeiro e a abracei primeiro
E ela sempre terá um lugar em meu coração
Desde a primeira vez que ela respirou
Quando ela me deu seu primeiro sorriso
Eu soube o quão profundo é o amor de um pai
E eu rezei pra que ela encontrasse você algum dia
Mas ainda é difícil entregá - la
Eu a amei primeiro

Desde a primeira vez que ela respirou
Quando ela me deu seu primeiro sorriso
Eu soube o quão profundo é o amor de um pai
Algum dia você saberá o que eu estou passando
Quando um milagre sorrir pra você

Eu a amei primeiro
Leia também:

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (V) - "All my love" - Led Zeppelin


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (V) - "All my love" - Led Zeppelin

Karac, Robert Plant e Carmem

Qual o valor de uma família para um homem? É impressionante que nos lugares mais inusitados possamos encontrar arraigado o valor da família na vida de um homem. Às vezes, muito se fala da família tradicional, assentada sobre valores judaico-cristãos, modelo tão fervorosamente combatido nos últimos 100 anos. Tão combatida pelas vanguardas culturais que ficaríamos surpresos pelo testemunho dado por pessoas que jamais pensaríamos valorizar tanto assim suas próprias famílias.

Estou falando, primeiramente, de John Henri Bonham, o baterista da banda de rock Led Zeppelin, cujas ausências excessivas de casa por causa dos shows o atormentavam e o levaram ao uso abusivo de drogas e álcool. Segundo a versão oficial, Bonham sofria com o excesso de tempo ausente da família e isso o lançou numa profunda crise de nervos. No dia 24 de setembro de 1980, Bonham chegou a tomar 40 doses de vodka. Adormecendo, foi levado ao quarto onde seria encontrado morto no dia seguinte asfixiado no próprio vômito. Este foi o tiro fatal que acabou com a banda, que já vinha por toda década de 70 enfrentando reveses na sua trajetória. Bonham era o melhor amigo de Robert Plant desde a juventude. Todavia, antes de encerrar a banda em 1980, ela já passara por outra tragédia.

Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin, via-se muito frustrado com a quantidade exaustiva de shows agendados no contrato, pois isso o afastava de sua família. Robert Plant era casado na época com Maureen Wilson com quem tivera dois filhos, Carmen e Karac.  Este, a quem Plant era muito ligado, morre aos 5 anos de idade em 1977, vítima de um vírus estomacal. Naquele momento, Plant quase leva adiante a ideia que já vinha acalentando nos últimos anos de abandonar tudo e ser professor para poder ficar mais perto da família.

Há muitas histórias sobre o Led Zepellin e seu envolvimento com o misticismo e o ocultismo, mas não é o foco desta série abordar estes temas. Quero chamar a atenção para dois astros do rock dos anos 70 que sucumbiram por causa da agenda de compromissos que os tirou de suas famílias. Eles mesmos dão testemunho do quanto sofreram por não se dedicarem à vida familiar. Evidentemente, isso faz qualquer um repensar as prioridades da agenda escravizadora e o valor que realmente tem dado a própria família.


Após a morte de Karac, Robert Plant fez esta belíssima música para o filho. Uma música bem no estilo místico, simbólico e de versos enevoados, como as demais letras que habitam as músicas da banda, mas cuja mensagem ao filho é evidente: “Todo meu amor para você, minha criança”!  

sábado, 15 de novembro de 2014

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (IV) - "Rock and roll lullaby"

Esta música não é bem o estilo “música que pais fizeram aos filhos”, mas como deixa-la de fora? Afinal, desde o primeiro post, eu havia dito que seriam escolhidas canções que girassem em torno do tema "pais e filhos". Essa música foi um sucesso enorme, já foi tema de novela, embalou muitos casais apaixonados, todavia, esta música também não se encaixa no tema romântico.

Ela é uma linda música de esperança, porque nem sempre as coisas são do jeito que deveriam ser ou saem conforme planejamos, não é? E quantas jovenzinhas (mamães-crianças, conforme a música diz) não enfrentaram a surpresa de uma gravidez e terminaram abandonadas por suas próprias famílias e pelos “progenitores” de seus filhos? 

A música é cantada na perspectiva da criança que tem algumas vagas lembranças de uma antiga canção de ninar com a qual sua mãe lhe embalava, mas que, agora, pouco recordava da letra. E o que importa isso? O importante é que aquela música derramava a segurança do amor da sua mãe, que não desistiu de cria-la apesar das adversidades.


Sim! Uma música a favor da vida e que nos apresenta uma jovenzinha de apenas 16 anos de idade, sozinha com seu bebê, mas que não desiste de amá-lo e seguir em frente aguardando dias melhores. A mensagem final é de que nossos filhos poderão até não lembrar toda a letra da música (ou todos os sermões que lhes demos), mas nunca esquecerão do amor que lhes oferecemos em tempos difíceis. Creia!    

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (III) - "isn't she lovely" de Steve Wonder

Steve e Aisha

A paternidade é um acontecimento. Quando planejada, curtida e anunciada é um momento lindíssimo na vida de um homem. Costumo explicar que, quando descobri que a Lu estava grávida de nossa primogênita, eu senti, literalmente, como que fossem imensas colunas de concreto deslocando-se dentro de mim. Sério! Não há metáfora nisso. Foi uma experiência real e única.

Ser pai foi um presente de Deus. Num passado distante, por causa da vida errada que eu levava, lembro-me que, certa vez, quando estava no fundo do poço, pensei ali: “Agora afundei mesmo. Nunca vou ter uma família. Coloquei tudo a perder”! Mas o que é impossível aos homens é possível a Deus. E não estava nos planos dEle me abandonar à sorte triste dos caminhos errados que eu escolhera.

Assim, ter sido pai foi uma Graça, um presente imerecido. Não tenho dúvidas disso. Ter uma família foi a dádiva mais preciosa que eu poderia sonhar em ter um dia. E a música que Steve Wonder fez para o nascimento de sua filha, Aisha, é completa nesse sentido: é linda, verdadeira, entusiasmada e uma homenagem à esposa também. Verdade, sem Lucila, tudo isso que eu vivo jamais teria sido tão completo. Por isso, apropriei-me dessa música para homenagear minha linda família.

A música é de 1976 e está traduzida e com pequenas adaptações na letra feitas por mim. Curta!  

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (II) - "Filho adotivo" com Sérgio Reis

Como disse no post anterior, selecionei músicas que os pais fizeram aos seus filhos ou que giram ao redor deste tema da relação pai e filho. 

Esta música sempre me emocionou profundamente. Desde o carisma e a voz lindíssima de Sergio Reis até a letra que remete a um tempo em que a música sertaneja refletia os bons valores do homem do campo.  

Infelizmente, a música sertaneja também foi atingida pela decadência cultural que assola o Brasil e, desde o infame "sertanejo universitário" com suas duplas que cantam, em sua maioria, sobre "beber, cair e levantar", tudo parece muito distante daquilo que ouvíamos noutros tempos.

Todavia, trouxe esta música para reeditar um texto que escrevi há alguns anos sobre o tema da adoção, o texto intitula-se "A missão de adotar". Este é fruto da reflexão em torno dessa música cantada por Sérgio Reis. Segue abaixo:

"...vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gálatas 4: 4-5).

Você já pensou em adotar?

Há algumas adoções às quais eu gostaria de chamar a sua atenção.

1) Adotar um povo: toda igreja e todo cristão são chamados a orar pela obra de evangelização que deve se espalhar sobre toda a terra. Adotar um povo é conhecer suas características, problemas sociais e políticos e orar pelos missionários que ali se encontram ou orar para que sejam enviados missionários para lá (nem que esse missionário seja você mesmo). Por exemplo, vim de uma Igreja em Brasília que todo ano se envolve no projeto “missionários voluntários” para levar a Palavra de Deus, suprimentos materiais, oficinas, etc, para algum povo. Neste projeto, os membros da Igreja já foram para a África, Piauí, Corumbá, etc;

2) Adotar uma causa: você é chamado a orar e trabalhar em alguma causa que beneficie o próximo e que espalhe a glória de Deus sobre homens e mulheres. Por exemplo, conheço a ATINI, que é uma ONG que cuida de crianças indígenas que seriam mortas, porque algumas culturas realizam no Brasil o que é conhecido como infanticídio (veja mais aqui);

3) Adotar uma família ou criança: conheci um senhor abastado financeiramente na cidade de Caldas Novas (GO) que adotou uma família. A família adotada era pobre e os filhos haviam se envolvido com drogas e as filhas adolescentes estavam grávidas e em situação moral e espiritual deploráveis. Ele, então, começou pelo casal: evangelizou-os, tirou-os do barraco em que se encontravam; pôs o homem num curso de jardinagem e o indicou a alguns amigos, empregando-o; pôs a mulher num curso de cozinheira, conseguindo emprego para ela também; realizou o casamento deles; apoiou financeiramente os filhos daquele casal, enfim, “comprou a briga”. Hoje, esse casal restaurado é diácono na Igreja da cidade e seus filhos são os melhores alunos nas escolas em que estudam, porque são instigados a isso, já que sabem do apoio financeiro, emocional e espiritual que a família tem recebido.

Uma história de adoção:
Certa mulher, há quase quarenta anos, num estado muito pobre de um país chamado Brasil, entrara numa creche onde ficavam crianças que eram filhos de pais com hanseníase, por isso elas eram mantidas longe, separadas dos pais. Naquele tempo distante, o contágio com a doença era terrível e, certamente, a maioria daqueles pais definhava até a morte por causa da hanseníase. Aquela mulher viu ali um bebê cujo destino era uma incógnita. Filho de pais miseráveis e portadores de lepra: na verdade, o pai não se sabia quem era e a mãe já se encontrava com a doença em estado avançado. O que seria daquela criança? Naquelas condições de pobreza, atraso e falta de higiene, poucas alternativas restariam que pudessem trazer alguma esperança de futuro ao bebê. Providencialmente, naquele dia em que a visitante viu aquele bebezinho, por causas insondáveis (porque o amor sempre terá uma causa insondável!), ela o adotou.

Agora, estou pensando nas crianças vítimas de situações de risco e pensando nessa minha história. Sei que o bebê da minha história viveu o suficiente para conhecer Jesus Cristo e, então, eu desejo o mesmo para tantas outras crianças que vivem realidades tão difíceis. A criança da minha história cresceu, estudou, constituiu uma linda família e, agora, depois que conheceu o amor dAquele que adota incondicionalmente, também tem adotado um povo, uma causa, famílias e crianças.

A igreja é desafiada a adotar. Missões é adotar. Assim como fomos adotados por Deus em Cristo Jesus, precisamos em amor responder a Ele e espalhar a Sua glória sobre a terra, adotando povos, causas, famílias, crianças. Se você tem orado por missões, gostaria que você olhasse sob uma perspectiva diferente hoje. Quando você disser que também é um missionário, lembre-se das implicações de suas palavras. Você está dizendo: “Eu sou um adotador”, porque, na verdade, fomos adotados por Deus para adotar!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (I) - "Tears in heaven" de Eric Clapton


Há muitas canções sobre pais e filhos ou que os pais fizeram aos filho, mas pretendo selecionar aquelas que têm a ver comigo, aquelas das quais eu tenho alguma coisa a dizer, porque me marcaram em algum momento da trajetória. 
.
Assim, nada melhor do que começar com “Tears in heaven” de Eric Clapton. Uma música fruto de uma tragédia na vida dele que foi a morte de seu filho de quatro anos de idade, Conor, que caiu da janela do 53 andar em 20 de março de 1991!


A música é linda e trata de uma realidade que assombra todo pai e mãe: a perda prematura do próprio filho. 

Existe perda “prematura”? Misteriosamente, nesse imenso “sanduíche” incompreensível de Soberania divina, responsabilidade humana e uma pitada de sensação de acaso e destino que todos digerimos em alguns momentos de nossa trajetória, ouso afirmar que tudo está no controle de Deus. Todavia, acredito que crer nisso em nada diminui a dor da perda de um filho que se vai antes dos seus pais. Embora, pela fé, creio que a crença de que há um propósito incompreensível até certo ponto em todas as coisas ajuda a não sucumbir fundo demais no fosso de uma tragédia. 

Quem viveu essa experiência diz que não existe dor pior do que a morte do filho. Por quê? Porque não é natural e aquela certeza de que as coisas não deveriam ser assim, aquela percepção de que, então, há realmente algo de muito errado com o universo, tudo isso atenta contra a nossa noção de “natural”. E a música faz perguntas muito honestas que qualquer pai faria num momento como o da tragédia vivida pelo compositor: "Você saberia meu nome?"; "Eu reconheceria você no céu?"; "Você me reconheceria e me daria carinho no céu?". Estas perguntas são pungentes e refletem as dúvidas da maioria de nós sobre a vida após a morte. 

Eu amo essa música, porque, mesmo a despeito da tragédia, é uma música de fé. É uma declaração de fé: ele crê que o filho está no paraíso; ele crê nessa realidade; ele sabe que ainda não pertence ao paraíso (seja por causa dos próprios pecados, seja porque ainda não é sua hora); ele, porém, guarda em seu coração o momento possível de dar a mão ao filho no paraíso. E a certeza do paraíso, a esperança de um dia encontrar com seu filho lá, não é usada para mascarar a dor que ele está sentindo agora, até porque o tempo (quanto mais passa) só o lança ainda mais ao chão ao ponto dele implorar que o seu coração pare de ser quebrado. 

E a pública profissão de fé ao final é um eco do livro de Apocalipse, em que há a promessa de que o próprio Deus enxugará dos olhos toda lágrima: sim, há esperança, há paz depois daquela porta, pois a fé declara que não haverá lágrimas no paraíso. Amém!

Lágrimas no Paraíso 
Você saberia meu nome
Se eu o visse no paraíso?
Seria o mesmo
Se eu o visse no paraíso?



Eu devo ser forte e seguir em frente
Porque eu sei
Que não pertenço
Aqui no paraíso



Você seguraria minha mão
Se eu o visse no paraíso?
Você me ajudaria a ficar em pé
Se eu o visse no paraíso?
Encontrarei meu caminho
Pela noite e pelo dia
Porque eu sei
Que não posso ficar
Aqui no paraíso



O tempo pode te derrubar
O tempo pode te fazer ajoelhar
O tempo pode quebrar seu coração
Você implora por favor
Implora por favor



Além da porta
Existe paz, tenho certeza
E eu sei
Que não haverá mais
Lágrimas no paraíso



Você saberia meu nome se eu o visse no paraíso?
Você seria o mesmo se eu o visse no paraíso?
Eu devo ser forte e seguir em frente
Porque eu sei que não pertenço aqui ao paraíso


domingo, 9 de novembro de 2014

O amor não se explica, se confessa...

O amor não se explica, se confessa. 

Lucila, meu amor, ontem, uma vez mais, eu te admirei. Vendo-te sorrindo e ensinando o que lhe anima o coração: seus pequenos gestos, seu sorriso, cada palavra saída de teu lábios... Eu te amei novamente! Como apaixono-me por ti todas as manhãs que desperto ao teu lado. Por quê? O amor não se explica, se confessa! 

E eu estou aqui, uma vez mais, para dizer-te em poucas mas muito sinceras palavras que eu viveria ao teu lado quantas vidas eu tivesse. Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Por quê? Depois de todos estes anos vivendo, morrendo e renascendo em teus braços, sei que o amor não se explica. Confesso-te, então: amo-te!

Dedico esta bela canção, que nós dois tanto apreciamos, como confissão do que sinto por ti, minha doce Lu...

Eu quero ser teu
Nada mais
Eu quero ser tua vida
Nada mais

Porque eu sei
Que sem você não viveria

Eu quero ser teu
Eu quero ser tua vida
O amor que eu tenho por você

Eu, eu estou pensando:
Eu, eu estou apaixonado por você!

Eu, eu estou pensando:
Eu, eu estou apaixonado por você!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Minha esposa é poliglota!

Obviamente, minha esposa domina muito bem os mecanismos da sua própria língua materna, porém, ela não se deteve apenas nisso e terminou aprimorando-se tanto na graduação como na pós-graduação nas áreas de gramática e literatura luso-brasileira. Ainda assim, sei que não seria esse o fato que faria dela uma poliglota. Segundo o dicionário, poliglota é aquele que sabe ou fala muitas línguas.

Há poliglotas escandalosos como é o caso de Guimarães Rosa: “Eu falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração”, dizia o grande escritor. 

Eu gosto mesmo é dos sinônimos para a palavra poliglota: equilíngue, equilinguista, multilíngue, multilinguista, plurilíngue, plurilinguista - um cabedal de palavras muito gostosas de se falar e que revelam o charme desta nossa flor "inculta e bela", "desconhecida e obscura", como dizia o poeta parnasiano.

Um poliglota não se faz de uma língua só! Há outras línguas com as quais minha esposa brinca e o inglês é uma delas. E a Lu não se faz de tímida na hora de exercitar o que tem aprendido com nossos amigos americanos. Além do inglês, há uma língua indígena falada no interior do Brasil por mais ou menos uns 1000 indígenas. E nesta língua indígena, uma língua fascinante principalmente pelas diferenças notadas com a nossa língua majoritária brasileira, é que a Lu também se aventura exercitando sua inteligência linguística.

A facilidade para o aprendizado de línguas pode ser também algo herdado pelo meio em que se viveu, penso eu. Meu sogro, filho de imigrantes alemães de Santa Catarina, viu-se obrigado de uma hora para outra a falar o português, obrigado por funesta lei de Getúlio Vargas. Nas escolas daquele Brasil, todos foram forçados a falar o português, até mesmo os professores que só falavam o alemão com seus alunos! E agora? Os alunos mais subversivos (entre estes, o meu sogro), durante os recreios, reuniam-se escondidos dos fiscais da escola para praticarem entre si o terrível crime de falarem a própria língua materna! No sul do Brasil, isso aconteceu com todos os imigrantes, tanto os alemães, como os italianos e quem mais houvesse. A dívida histórica de opressão e humilhação com os colonos imigrantes no Sul do Brasil ainda é uma página a ser contada por um Brasil que, infelizmente, não tem orgulho de ser mestiço, ao contrário, ainda insiste em dividir seus filhos pela cor da pele.

Minha esposa, todavia, fala ainda uma outra língua, que, de todas, é a que eu mais admiro. Uma língua universal, embora seja para poucos e por muito poucos conhecida. Uma língua escrita e lida por pessoas das mais diferentes nacionalidades. O que (entendo eu) torna essas pessoas, falantes dessa maravilhosa língua, uma imensa família espalhada sobre a terra: eles são um povo, uma etnia sem terra e governo, libertários unidos pelo que há de mais belo na humanidade! Sim, minha esposa faz parte destes... Alguns desses "nativos" são exóticos e soberbos, outros são "etnocêntricos" e muitos já morreram incompreendidos, mas todos estão unidos por uma paixão comum: a música! Evidentemente, não estou falando de qualquer música, mas daquelas escritas em “hieroglifos”, “ideogramas”, símbolos de um outro mundo que caem sobre o papel e que formam as partituras - esta linguagem matematicamente fascinante!

Também gosto de estudar línguas, seus caracteres, suas histórias e gramáticas. Conheço os alfabetos do sânscrito, do aramaico, do grego e do hebraico antigos, mas nenhum deles é capaz de trazer aos meus ouvidos o que os sinais impressos numa partitura conseguem. Diz a lenda que Mozart morreu compondo para Saliere, enquanto este anotava na partitura branca o que lhe era ditado pelo Gênio em convalescença. Antonio Saliere era italiano, Mozart falava o alemão. Mas a música – esta linguagem universal – precisava ser anotada: claves de fá, sol e dó distribuídas nos pentagramas; os símbolos da colcheia, da breve e da semibreve na pauta; cabeças, hastes, colchetes; vozes e instrumentos descritos ali naquela folha de papel magistral – tudo isto parece gritar petulantemente à minha ignorância: “Decifra-me ou te devoro”!

A palavra poliglota também está ligada aos oráculos. Os oráculos eram as respostas, na Antiguidade, que os deuses davam aos que lhes haviam perguntado algo. Oráculo é outra palavrinha cheia de surpresas: ela quer dizer pequena capela ou oratório, mas também significa verdade irrefragável! Por tudo isto, historicamente, oráculo liga-se à palavra poliglota. Poliglota, em grego, quer dizer: “aquele que pronuncia muitos oráculos”. E os oráculos também são mensagens vindas de Deus. Os profetas pronunciavam oráculos da parte do Deus de Israel. E eu creio que Deus fale plena e inequivocamente conosco por meio de sua Palavra – as Sagradas Escrituras – a revelação especial. Todavia, de um modo comum, geral, a Bíblia diz que Deus fala também por meio da sua Criação. Por isso, creio que a todos os homens é dado conhecer algo da Beleza divina através da música, embora a música – ou a Arte - jamais possa redimir esse homem. E, neste sentido, lato sensu, é que sei que posso apreciar o Belo, quando me recosto sobre a poltrona da minha casa, ouvindo minha esposa diante de suas partituras ao piano... São em momentos especiais como este que me sinto exercendo meu dom de glossolalia – outra palavrinha fascinante, porque ela só cabe aos doentes mentais, que creem inventar uma linguagem nova, e aos místicos, que abjuram a mediocridade mundana dos mortais materialistas e se põem a conversar com os céus em línguas estranhas... 

Assista ao belíssimo, delicado e criativo vídeo abaixo:
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