Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Oportunidades para desistirmos das promessas de Deus!

Não ficaram pensando em voltar para a terra de onde tinham saído.
Se quisessem, teriam a oportunidade de voltar (Hb 11:15).

OPORTUNIDADE?! - Há muito tempo, estudando o livro aos Hebreus, deparei-me com esta palavrinha. Achei-a totalmente fora de contexto, porque, na minha mente, "oportunidade" sempre fora ligada a algo positivo: "Oportunidade de emprego"; "imperdível oportunidade de compra", "oportunidade de um show imperdível", etc. Fui ao meu bom Houaiss e confirmei: "que não se pode perder; cujo ganho se tem como certo". Logo percebi que estava diante de um "nó hermenêutico" e que precisava desfazê-lo. O que faço, então, em momentos como esse? Subo nos ombros de gigantes para olhar o que Deus disse a eles no correr da história. Em outras palavras, pesquiso.

E qual não foi minha surpresa ao descobrir que havia uma pregação de Charles Spurgeon, pregador batista, sobre a passagem de minha dúvida. Como a pregação estava em inglês, eu a traduzi e, desde então, tenho sido muito abençoado por essa mensagem. Fiz uma redução e adaptação para este espaço, para compartilhá-la aqui. Boa leitura e que Deus o abençoe. O título original do sermão eu acho que era: "Go back? Never"! 
Casal 20.

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Não desista jamais, mesmo diante das oportunidades para se voltar atrás!

Toda a passagem, desde o verso 8 do capítulo 11, está se referindo à família de Abraão. Sabemos, portanto, que eles tiveram inúmeras oportunidades de desistirem das promessas de Deus e regressarem de onde vieram: Abraão se separou do seu sobrinho a partir de uma contenda entre os empregados de um e de outro; Abraão teve que se enfiar numa guerra para resgatar esse sobrinho; houve fome na terra prometida; Abraão corria perigo de vida por causa da beleza de sua mulher; a família sempre correu o risco de ser dispersada em casamentos mistos e idólatras; enfim, brigas, conflitos, inimizades, guerras, destruição, etc - ao lermos as narrativas de Gênesis, percebemos que realmente as oportunidades foram muitas para que eles desistissem das promessas de Deus e retornassem de onde vieram!

Mas eles não desistiram! E esta é a mensagem para mim e para você: Desistir? Jamais!

E quais são as oportunidades que nos são apresentadas hoje para desistirmos? São muitas, mas quero deixar algumas para a sua atenção. São oportunidades que, se nos lembrássemos de onde viemos, estão aí oferecidas para que as aproveitemos e, então, venhamos a usá-las como desculpas ou rotas de fuga para longe da terra que Deus nos prometeu.

1ª) A minha natureza pecadora - este é o maior inimigo do cristão, porque, embora perdoados do pecado que nos separava de Deus, ainda habitam em nós os pecados que insistem em nos levar de volta à terra pagã e idólatra da qual viemos. Assim como Deus disse a Caim, Ele nos está alertando hoje: Eis que o teu pecado está à porta, mas cumpre a ti dominá-lo!

2ª) O mundo e seus enganos - são os espinhos da parábola do semeador: é o sucesso, os holofotes, o desejo de "ser". São oportunidades para negligenciarmos ou procrastinarmos a busca pelas promessas de Deus. O mundo com suas ilusões quer nos fazer ver o aqui e o agora, desviando o nosso olhar das promessas de Deus. É a supervalorização dos estudos, do emprego, do salário, da casa, que podem acabar se transformando em oportunidades que iremos aproveitar para nos esquecermos do que temos adiante e regressarmos para o lugar de onde viemos.

3ª) A vida anterior - enquanto caminhava livres pelo deserto, por inúmeras vezes, o povo liberto reclamava a Moisés com saudades do Egito: sonhavam com as cebolas, os alhos do Egito. Como disse Paulo a Timóteo: "Todos quanto querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (II Tm 3:12), assim, a vida anterior sempre nos bate à porta quando nos vemos diante da perseguição, do sofrimento e das perdas que ocorrem por causa da vida cristã. É o que perdemos do mundo: o status, as amizades, o reconhecimento profissional ou acadêmico que tínhamos, as festas libertinas, a liberdade ilusória, enfim, o colorido palácio da Babilônia no qual um dia vivemos.

4ª) Os falsos crentes
 - são os falsos mestres, lobos vestidos de cordeiro, liderança que se enlama no pecado e gosta! Se Jesus escolheu doze e um o traiu, o que esperar da nossa peregrinação aqui na terra? Os traidores surgirão de dentro da Igreja e vão nos querer arrastar aos seus falsos ensinos, fazendo com que troquemos a liberdade em Cristo pela libertinagem do pecado. São homens mentirosos e que arrastarão muitos de volta ao lugar de onde viemos.

5ª) O diabo - este sábio inimigo, que nos estuda e conhece nossas fraquezas, está nos rondando e pronto a nos arrastar de volta ao seu império de trevas, caso nos desviemos de olhar fixamente o alvo proposto por Deus para nossas vidas: a pátria celeste! Lembro de Jesus no deserto, quarenta dias e quarenta noites em jejum e oração e foi naquele momento, em que muitos se julgariam fortes e íntimos de Deus, que o diabo lhe apareceu para tentá-lo: “Quanto mais próximos estamos de Deus mais próximo está o diabo", diz Spurgeon.

6ª) A morte - Os mártires da Fé não morreram por amor a Jesus, mas foram mortos como fanáticos, legalistas, fundamentalistas, acusados de serem canibais e imorais, inimigos do Estado! Não podemos ter a ilusão de que seremos declarados inimigos da sociedade sob a acusação de pregarmos o Evangelho. Não! Seremos lançados na cova dos leões e dirão coisas terríveis de nós, falarão mentiras, nos sentenciarão como ladrões, salteadores, tumultuadores da paz. E quando vermos nossos nomes na lama da calúnia e da difamação, diante de uma morte ridícula e nada honrosa, será que não aproveitaremos mais essa oportunidade para nos manter vivos e regressarmos sãos e salvos para o lugar de onde viemos?

Conclusão:

O livro aos Hebreus foi escrito para um público muito específico: os sacerdotes do Templo e outros religiosos que haviam se convertido. Mas esses homens, anteriormente tão respeitados na sociedade judaica, por causa do Evangelho, viram a perda do status, da segurança de suas famílias, dos seus bens, etc. E o que o autor de Hebreus nos revela é que, diante da perseguição e da morte, muitos deles estavam desistindo das promessas de Deus e retornando para o lugar de onde vieram. Assim a mensagem do autor da carta é um apelo, não somente aos que abraçaram a fé naquele tempo, mas a nós hoje: Desistir? Jamais! É uma carta de ânimo e de apelo para colocarmos os nossos olhos no Céu, que é o sábado de nosso descanso e a pátria dos Filhos de Deus! 

E ainda há uma maravilhosa promessa de Deus aos que perseverarem, aos que não aproveitarem as oportunidades para desistir, mas, ao contrário, fazerem de cada uma dessas oportunidades uma chance para amadurecermos a nossa fé no lapidar de nossa peregrinação aqui nesta terra:
Deus não se envergonha de ser chamado nosso Deus (v. 16)! 

Para mim, essa promessa tem me sustentado por todos estes anos da minha peregrinação em Cristo aqui na terra, a promessa de que Deus não terá vergonha de dizer, de proclamar a todos no grande Dia do Juízo Final de que Ele não se envergonha de mim! Aleluia!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobre filhos e vinhos

Minhas videirazinhas!
Dizem que os antigos judeus oravam a Yaweh agradecendo o fato de não terem nascido mulher – compreendo-os! Devemos admirá-las e não sê-las. O travestismo e suas manifestações similares e transgênicas são envesamentos de quem sequer aprendeu, desde cedo, a apreciar a natureza feminina. E até mesmo homens heterossexuais desconhecem o que, muitas vezes, nem elas suspeitam guardar para nós. E não estou aqui limitando-me às qualidades intrínsecas do universo feminino, pois sei de seus pecados também. Admirar os milagres, mas também saber discernir as mazelas de ser mulher é uma arte para poucos.... Somos frutos dessa propaganda de guerra dos sexos instaurada pelo movimento ideológico feminista desde os anos 60. Ignorância, desconfiança, frieza, coisificação do outro e desamor são apenas algumas uvas podres colhidas por nós depois de tamanha “liberação dos costumes”.

Em nossa sociedade, que despreza tanto o valor do mérito para alcançar conquistas cada vez mais audazes, infelizmente, a família reflete certa preguiça ou descaso (reflexo exatamente dessa cultura saturada em que vivemos) na educação de seus filhos em direção ao outro. Não exercitamos a arte de criar homens e mulheres, maridos e esposas. Há de cada um virar-se por si mesmo sem orientação alguma que valha advinda dos seus próprios progenitores (que, na verdade, podem também não ter recebido nada de seus próprios pais, repetindo, assim, um padrão). Largados à própria sorte, não é de se admirar que muitos desses filhos acabem sendo orientados por algum “analfabeto da educação”, assimilando e reproduzindo a cultura da barbárie de nossos dias. Educar é arte. E educar em direção ao outro exige dedicação, certa tradição mínima e valores que se encontram intimidados atualmente.

Carecemos em nossas famílias daquele profissional conhecido como sommelier e que há em alguns bons restaurantes por aí. O sommelier é o “maitre dos charutos e das bebidas”. Será aquele que irá orientar os clientes sobre o banquete, aquilo que o aguarda. Irá ajudá-lo a escolher a melhor água, o melhor vinho e o melhor charuto. Acredito que precisamos fundar uma “escola de pais”, ajudar os progenitores a reassumir sua autoridade no assunto e ensiná-los a ensinar. O sommelier é uma profissão das mais sérias e antigas. Eles preparavam a mesa do rei, das festas do rei, orientando que fosse servido o que havia de melhor. Assim, ao contrário do que a perversa crendice popular tem ensinado, nossos filhos não perderiam tanto tempo “beijando sapos”. Devemos ensiná-los que há sapos que são venenosos!

Necessitamos, portanto, de pais enólogos também. Afinal, alguém precisa ser responsável pela má qualidade do que se tem oferecido por aí. O enólogo – o bom enólogo ao qual me refiro neste artigo – não nasce do acaso e nem é fruto do amadorismo. É um profissional que se debruçou em aprender com os melhores a elaborar os mais distintos vinhos. Um bom enólogo é forjado na tradição recebida por seus pais e é exatamente por isso que estamos tão distantes de oferecermos o melhor ao mundo: abrimos mão da tradição judaico-cristã e das virtudes forjadas pela antiga filosofia grega e que garantiriam a nós alternativa na elaboração de um vinho diferenciado. Infelizmente, contudo, a maioria dos nossos filhos não possuem quaisquer características que os distinguam da barbárie que temos visto por aí.

Precisamos, sim, de enófilos. O “apaixonado por vinhos”, porém, não nasce assim como obra do acaso. Ele aprende, ele busca, ele se esforça em compreender, por exemplo, que o açúcar mascara os defeitos de um vinho. Ele entende que um bom vinho é uma raridade e um prêmio oferecido apenas aos mais experientes e dedicados. O enófilo sabe muito bem que a casta, o país de origem, o produtor e a safra são critérios fundamentais que devem ser levados em conta na hora de decidirmos sobre a qualidade de um vinho. Nossos filhos e filhas deveriam ser educados segundo essa mesma cartilha: “apaixonados pelos vinhos de melhor qualidade”. Em outras palavras, meninos criados para discernir as verdadeiras qualidades de uma mulher: sua casa, a família em que ela foi criada, os pais dela, o perfume e a elegância nas palavras e nas ideias deveriam ser critérios fundamentais a serem apreciados na escolha daquela com quem queremos passar o resto de nossas vidas. Do outro lado, nossas filhas deveriam ser também ensinadas a discernir o que se oferece no mercado do amor. Que nossas filhas não se enganem: não sou adepto de uma visão aristocrata ou oligarca, nada disso, sei muito bem que mesmo entre vinhos baratos, há aqueles tecnicamente bem feitos! Mas quem deveria ensinar a arte da escolha às nossas filhas senão os pais?

Bons pais são como bons cultivadores de uvas: eles conhecem todo o esforço necessário para a produção de um vinho fino. Todavia, os melhores cultivadores já sabem que mesmo de uvas podres podemos fazer vinhos da melhor qualidade. E que são estes os mais caros e raros hoje em dia. Transformar uvas podres em vinho bom é participar com Deus do milagre de Caná, pois para Deus nada é impossível, porque, tendo Ele transformado água em vinho, muito mais provável é que nos faça das uvas podres um inigualável vinho branco seco de Yquem. E a alegria da festa do casamento reside exatamente em que esteja Jesus presente em nossas casas para operar o milagre e nos servir o vinho de melhor qualidade!

Vinhos e educação dos filhos parece um tema despropositado... ledo engano! Não é por coincidência que, em alguns países, costuma-se presentear os pais nos aniversários de seus filhos com vinhos da mesma idade dos aniversariantes! Filhos são como vinhos, precisam ser cultivados (daí a origem da palavra “cultura”) desde o ventre da terra de suas famílias com todo o cuidado na esperança de que, um dia, eles se tornem seres humanos criados para dar prazer, alegria e amor quando seguirem cultivando suas próprias famílias.

PS – Dentro da minha própria casa, tenho cultivado videiras preciosas que, espero, encontrem quem as saiba apreciar no momento certo, assim como aguardo que elas também aprendam a discernir que um bom vinho não se distingue apenas pelo paladar, mas pela cultura, ambiente e tempo.     

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

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