Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Entrega-te!

Para L.R.

A Folha branca em tom redivivo
A Perda da palavra e seu sentido
A Ferramenta que sangra e lavra
A Certeza de dúvidas que sinto...

Bramido da via avessa dessa vida,
Teia de um texto ainda não escrito!

A Vossa urna de palavras urdida
A Ulna oculta de eterna medida
A Peçonha da aranha escondida:
- Antes que a vida me abandone
  E a morte entorne-me insone!

Fábio Ribas

domingo, 20 de abril de 2014

Mulher, por que choras? - uma reflexão para o domingo da ressurreição



Karin (cena do filme)

“A pele é tudo quanto queremos que os outros vejam de nós,


por baixo dela nem nós próprios conseguimos saber quem somos.”


( José Saramago)



Ao refletir sobre o título deste texto, percebi que essa pergunta foi dirigida duas vezes a Maria Madalena, o que me deixou deveras intrigado. Logo lembrei-me de um antigo filme dos anos 70, “Gritos e sussurros” de Ingmar Bergmam. Um filme de terror, ou melhor, um filme sobre o terror do universo feminino caído, que, por tantas vezes, foge até mesmo à própria compreensão das mulheres e da maldição que lhes pesa.




O filme apresenta três irmãs que se veem convivendo novamente debaixo de um mesmo teto, porque uma delas está com câncer e próxima à morte. Há ainda uma empregada na casa. Literalmente, cada uma dessas mulheres se verá espremida pela câmera do diretor contra uma parede de um tom vermelho forte e, nestes momentos, elas são levadas ao extremo e confessam suas culpas, seus medos, suas dores, suas mentiras. A irmã mais nova, Maria, é fútil, cínica e adúltera, e fora a preferida da mãe e, por causa disso, suas duas irmãs nutrem por ela ciúmes e ódios. Karin é a irmã mais velha, amargurada por um casamento infeliz e por seus próprios sentimentos de culpa, chega cortar sua própria genital com um pedaço de vidro para não ter que fazer sexo com o marido. Agnes está morrendo (de inveja?) sobre a cama e suas irmãs não conseguem lhe dar o carinho e o consolo que ela só encontra nos cuidados da empregada, Anna. Esta vem cuidando da paciente há 12 anos e o que sabemos dela é a perda precoce de sua filha única. 


Karin e Maria


Os “sussurros” são os segredos do passado que o vento insiste em trazer de volta. Os “gritos” são a inveja e o remorso que atormentam a cada uma delas nessa convivência forçada. Há uma cena no filme de Bergman, que mostra que Agnes continua a sofrer mesmo depois de morta. E, mesmo testemunhando seu sofrimento pós-morte, suas irmãs continuam incapazes de manifestar quaisquer reais atitudes de carinho e amor por ela. Somente Anna, a empregada, lhe oferece o consolo suplicado numa cena construída para nos lembrar a pietá de Michelângelo, Maria segurando Jesus morto em seus braços. Contudo, ou exatamente por isso, Anna é abandonada pelas irmãs de Agnes após a morte desta. Mas por que elas choram?


Anna e Agnes
Jesus teve encontros decisivos com muitas mulheres. Na casa de Simão, o fariseu, Jesus exalta a expressão de amor da mulher de má fama, enquanto expõe a verdade sobre a hipocrisia daquele líder religioso. No poço, Jesus entrega a uma samaritana de vida duvidosa o que a Nicodemus, doutor da lei, não fora dado experimentar: o novo nascimento. Enfim, na tentativa de apedrejamento da mulher adúltera, Jesus denuncia o pecado da instituição machista que preservara o amante e trouxera, tão somente, a pecadora pega em flagrante adultério para morrer.

O pecado e sua maldição atingiu nossa natureza humana. Obviamente, à semelhança do que ocorreu com a nossa masculinidade, a natureza da mulher foi também corrompida em toda extensão de seu universo feminino com agravantes físicos (o aumento nas dores de parto), volitivos (a guerra dos sexos) e morais (a submissão forçada ao homem). Assim, vejo aqui a chave para entendermos a indagação: Mulher, por que choras? Creio que a pergunta confronta toda mulher para que elas percebam as dimensões abissais atingidas pela ressurreição de Cristo e não apenas uma simples constatação de um fato histórico, que é a ressurreição em si. A maravilhosa mensagem do túmulo vazio é que não há mais razões pelas quais chorar, porque Jesus quebrou a maldição que trouxe danos terríveis à mulher. E ninguém melhor do que Maria Madalena para compreender isso: ela fora liberta da possessão de sete demônios, ela havia sido prostituta, usada, humilhada, subjugada por uma teia social machista que a sufocava e se beneficiava dela. Surpreendo-me com essa mensagem poderosa de salvação, restauração, restituição e resgate do valor verdadeiro da mulher em Cristo Jesus. 

A Bíblia nos oferece um quadro claro quando, na primeira incursão missionária pela Europa, é uma mulher, Lídia, quem primeiro tem seu coração aberto às verdades do Evangelho e, logo após, é na libertação e conversão de uma mulher possessa de espírito adivinhador, e que era usada como fonte de lucro para seus senhores (homens), que, mais uma vez, o Evangelho encontra sua plena realização de redenção do universo feminino oprimido não só por suas próprias incongruências e idiossincrasias, como, também, pela maldição demoníaca do machismo.


Maravilho-me por Jesus não ter se revelado nem a Pedro e nem a João naquela manhã de domingo. Eles foram ao túmulo de Jesus e nada encontraram. Mas a uma mulher que sabia que seu testemunho seria desqualificado diante de qualquer tribunal naquele tempo, a ela é que foi entregue a missão de anunciar a ressurreição em toda a sua extensão libertadora.

À semelhança das mulheres do filme de Bergman, sei que muitas ainda choram por sofrer as angústias de uma natureza caída e amaldiçoada pelo pecado sem conseguir encontrar nenhuma saída que lhes dê esperança. É preciso pregar e ensinar sobre o significado e libertação que a ressurreição de Jesus trouxe para a própria vida de cada uma delas. Ainda que saibam da ressurreição, ainda que tenham ouvido o testemunho acerca do Cristo ressurreto, muitas não experimentaram a verdade surpreendente de que um homem se entregou e morreu para quebrar a maldição do pecado que paira sobre elas. A promessa gloriosa da ressurreição de Cristo é que o próprio Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima. 


Portanto, mulher, vai e anuncia a todos que você encontrar as mesmas palavras jubilosas de Maria Madalena: "Eu vi o Senhor"!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Putin contra o sexo dos anjos

Luiz Felipe Pondé
A comunidade europeia, essa reunião de países cheios de gente mimada, anda querendo discutir se é certo tratar uma criança quando é pequena de menino ou menina. O debate, é evidente, é coisa de gente riquinha que acaba levando a sério delírios da chamada teoria de gênero, essa invenção de professores desocupados com problemas de identidade sexual.
De fato, desse jeito, parece que a Europa ocidental acabou mesmo. As escolas europeias, se essa ideia idiota passar, vão virar um antro de "autoritarismo de gênero".
Nesse sentido, Putin talvez esteja fazendo um favor aos europeus, lembrando a eles que existe um mundo de preocupações reais, e não os debates idiotas sobre se meninos são meninos e meninas são meninas ou se tudo isso é uma invenção humana como o "croissant".
Nesse cenário, cabe bem o Obama, que, sendo um presidente pop das redes sociais, deve ter mandado um WhatsApp para o Putin protestando contra a anexação da Crimeia pelos russos, coisa que o russos têm todo o direito de fazer e que a maioria esmagadora da população da Crimeia deseja.
Imagino que Obama, cuja única competência é ser o primeiro presidente negro dos EUA (uma grande coisa, sem dúvida), deve ter posto na sua página do "Face" grandes bravatas dizendo que ia fazer isso e aquilo e colocar o Putin no seu lugar. Na verdade, quem colocou quem aqui no "seu lugar"? O Putin é que colocou a série toda de líderes ocidentais nos seus lugares, porque estes, viciados em discutir como a vida é uma "agência de direitos chiques", enquanto comem queijos e vinhos, se esqueceram de que a vida é o que acontece quando você está ocupado delirando com seus sonhos de Branca de Neve.
Putin é um choque de realidade na sociedade fútil em que se transformou a Europa ocidental, banhada em "direitos" que custam muito caro.
Voltando à discussão sobre o sexo das crianças. Chocante é como muitos psicólogos, contaminados pela ideia de que construímos sujeitos socialmente, se deixam levar por essa bobagem do tamanho de um bonde cheio de bobos. O fato de que existam gays e lésbicas, e que estes tenham, sim, direito de viver como todo mundo, não implica o direito de teóricos autoritários começarem a legislar sobre a sexualidade de um monte de crianças "avant la lettre".
Imagino que, se essa lei pegar, o número de crianças com problemas de identidade no futuro da Europa será enorme; mas tudo bem, porque o Estado de bem-estar social (esse personagem de um conto de fadas) vai garantir terapia para todo mundo. Levar um debate desses a sério beira as raias da pura e simples irresponsabilidade moral.
Voltando à Rússia. Desde, no mínimo, o século 19 (vemos isso, por exemplo, nos debates na imprensa russa, debates esses do qual fez parte gente de peso como Dostoiévski, Turguêniev e Tolstói), a Rússia se vê como uma nação que deve cuidar de si mesma para não se transformar no fantasma de si mesma que virou a Europa, bêbada com o que alguns filósofos e similares inventaram para combater o tédio.
Um amigo meu, discutindo esse projeto de lei estúpido, fez uma bela analogia. Sabemos que Francis Bacon, entre outros (o louquinho do Giordano Bruno também fez essa crítica, mas a usou para seus delírios metafísicos inócuos), criticou duramente o que se convencionou chamar em história da filosofia de "baixa escolástica".
A escolástica foi um tipo de prática filosófica muito comum na Idade Média, que buscava racionalizar todo o conhecimento a partir de enunciados lógicos sistemáticos que supostamente esgotariam a totalidade da realidade, inclusive a metafísica. Grandes figuras desse período, como Tomás de Aquino, foram escolásticos.
A "baixa escolástica" é a marca da decadência da escolástica, que por sua vez representou a decadência da Europa medieval e metafísica pré-científica e burguesa.
Os escolásticos decadentes, para Bacon, discutiam coisas como "quando um homem puxa um burro, é ele quem puxa ou a corda?". Ou: "Teriam os anjos sexo?".
Estamos quase lá: os europeus se preparam para discutir se as crianças têm sexo. A Europa precisa muito de Putin.
Luiz Felipe Pondé é filósofo conservador brasileiro de origem judaica.
Divulgação: www.juliosevero.com
Leitura recomendada:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A mini-saia e o feminismo (Letícia Maria Barbano)


[Texto originalmente publicado no jornal "Correio Popular", de Campinas - SP, em 03.04.14]

A palavra “moda” vem do latim “modus”, que significa “modo”, “maneira”. Moda é o modo ou a maneira de um povo se vestir e se portar em uma determinada época, refletindo determinados costumes e determinada cultura.

Se na Era Vitoriana os babados, volumes e apliques refletiam a prosperidade e austeridade do reinado de Vitória, na era atual o que podemos esperar dos mini-comprimentos, maxi-decotes e exposição sexualizada dos corpos, especialmente o feminino?

O que muitos não sabem, ou ignoram saber, é que o que usamos hoje, em termos de indumentária, é reflexo e conquista em especial da segunda onda feminista. A primeira onda feminista – na realidade posteriormente cunhada como “primeira onda” e como “feminista” – surgiu como oposição ao machismo (aqui entendido como “supremacia masculina”), algo gestado na sociedade burguesa que se formou após a queda da Moral Católica da Idade Média. Nesta época as mulheres reivindicavam direitos como o voto e a dignidade perante o marido. Foi a segunda onda feminista, despontada nos anos sessenta, embasada pelo marxismo cultural e tendo como mote a revolução sexual e a quebra com padrões tradicionais, que alimentou o feminismo que conhecemos hoje, de terceira onda. Tendo como essência uma ideia originalmente socialista – a igualdade – o feminismo usou a estratégia gramsciana de se infiltrar na cultura e educação para então conseguir o sucesso de seus intentos. E, como a moda reflete a cultura, esta foi um dos campos mais influenciados pelas ideias feministas.

Desta época surgem duas linhas – divididas aqui apenas didaticamente – e que influenciam a moda até os dias atuais: a linha da sensualidade, como expressão da libertinagem recém adquirida e refletida nas roupas; e a linha da androginia, como forma de buscar através das roupas uma diluição dos papéis sexuais entre homem e mulher.

A revolução sexual de sessenta fazia as mulheres crerem que tinham liberdade sobre seus corpos e sua sexualidade, e que poderiam - graças ao advento da pílula anticoncepcional e às propagandas abortistas – terem relações quando, como e com quem quisessem. A criadora da mini-saia, Mary Quant, dizia que “bom gosto é morte, vulgaridade é vida”. Dessa época surgiram peças de corte e caimento sensual, que ainda nos dias de hoje fazem sucesso e são tão comuns a tantas marcas e desfiles.

Já a linha igualitarista importou definitivamente elementos do guarda roupa masculino - como calças, camisas, camisetas e cabelo curto – e os incorporou ao feminino. Um estudioso da moda constatou que já em 1965 a produção de calças femininas superou a de saias! Dali para frente, a masculinização do visual da mulher foi rapidamente aumentada e absorvida pelas pessoas. Quem não se lembra das ombreiras da década de oitenta? Pois elas eram uma forma de mostrar que a mulher se firmava como autoridade e ambiciosa em sua carreira, daí tentar deixar os ombros tão largos quanto os dos homens.

Vivemos em uma época cujos valores marxistas e seus tentáculos culturais, como o feminismo, já se enraizaram na sociedade. Torna-se anacronismo rejeitar com intensidade o uso de calças por mulheres, por exemplo, quando algumas profissões e situações exigem tal vestimenta. O mais sensato é valorizar, sempre que possível, o mais belo e anti-feminista de uma mulher: a sua feminilidade e dignidade. Se vestir com dignidade é um modo de ir contra o que o feminismo já construiu em sua relação com a moda.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

10 razões pelas quais os aparelhos móveis devem ser proibidos para crianças menores de 12 anos

Cris Rowan


A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria afirmam que crianças de 0 a 2 anos não devem ter nenhuma exposição à tecnologia, crianças de 3 a 5 anos devem ser limitadas à uma hora de exposição por dia e crianças e adolescentes de 6 a 18 anos devem ser restritas a duas horas por dia (AAP 2001/13, CPS 2010). Crianças e jovens usam de quatro a cinco vezes a quantidade de tecnologia recomendada, provocando consequências graves e, em muitos casos, colocando suas vidas em risco (Fundação Kaiser 2010, Active Healthy Kids Canada 2012). Aparelhos eletrônicos móveis (telefones celulares, tablets, jogos eletrônicos) aumentaram muito o acesso e uso de tecnologia, especialmente por crianças muito pequenas (Common Sense Media, 2013). Como terapeuta ocupacional pediátrica, convoco pais, professores e governos a proibir o uso de todos os mobiles para crianças com menos de 12 anos. Seguem dez razões, todas apoiadas em pesquisas, para justificar essa proibição. Para ter acesso às pesquisas com referências, procure o Zone'in Fact Sheet no site zonein.ca.


1. Crescimento cerebral acelerado
Entre 0 e 2 anos de idade, o cérebro da criança triplica de tamanho, e ele continua em estado de desenvolvimento acelerado até os 21 anos de idade (Christakis 2011). O desenvolvimento cerebral infantil é determinado pelos estímulos do ambiente ou a ausência deles. Já foi comprovado que o estímulo a um cérebro em desenvolvimento causado por superexposição a tecnologias (celulares, internet, iPad, TV) é associado ao déficit de funcionamento executivo e atenção, atrasos cognitivos, prejuízo da aprendizagem, aumento da impulsividade e diminuição da capacidade de se autorregular, por exemplo, acessos de raiva (Small 2008, Pagini 2010).


2. Atraso no desenvolvimento
O uso de tecnologia restringe os movimentos, o que pode resultar em atraso no desenvolvimento. Hoje uma em cada três crianças ingressa na escola com atraso no desenvolvimento, o que provoca impacto negativo sobre a alfabetização e o aproveitamento escolar (HELP EDI Maps 2013). A movimentação reforça a capacidade de atenção e aprendizado (Ratey 2008). O uso de tecnologia por menores de 12 anos é prejudicial ao desenvolvimento e aprendizado infantis (Rowan 2010).


3. Obesidade epidêmica
Existe uma correlação entre o uso de televisão e videogames e o aumento da obesidade (Tremblay 2005). Crianças às quais se permite que usem um aparelho digital no quarto têm incidência 30% mais alta de obesidade (Feng 2011). Uma em cada quatro crianças canadenses e uma em cada três crianças americanas são obesas (Tremblay 2011). 30% das crianças com obesidade vão desenvolver diabetes, e os obesos correm risco maior de AVC e ataque cardíaco precoce, resultando em grave redução da expectativa de vida (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, 2010). Em grande medida devido à obesidade, as crianças do século 21 talvez formem a primeira geração da qual muitos integrantes não terão vida mais longa que seus pais (Professor Andrew Prentice, BBC News 2002).


4. Privação de sono
60% dos pais não supervisionam o uso que seus filhos fazem de tecnologia, e 75% das crianças são autorizadas a usar tecnologia no quarto de dormir (Fundação Kaiser 2010). 75% das crianças de 9 e 10 anos têm déficit de sono em grau tão alto que suas notas escolares sofrem impacto negativo (Boston College 2012).


5. Doença mental 
O uso excessivo de tecnologia é um dos fatores responsáveis pelas incidências crescentes de depressão infantil, ansiedade, transtorno do apego, déficit de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento infantil problemático (Bristol University 2010Mentzoni 2011Shin 2011Liberatore 2011, Robinson 2008). Uma em cada seis crianças canadenses tem uma doença mental diagnosticada, e muitas tomam medicação psicotrópica que apresenta riscos (Waddell 2007).


6. Agressividade 
Conteúdos de mídia violentos podem causar agressividade infantil (Anderson, 2007). A mídia de hoje expõe as crianças pequenas cada vez mais violência física e sexual. O game "Grand Theft Auto V" retrata sexo explícito, assassinato, estupros, tortura e mutilação; muitos filmes e programas de TV fazem o mesmo. Os EUA classificaram a violência na mídia como Risco à Saúde Pública, devido a seu impacto causal sobre a agressividade infantil (Huesmann 2007). A mídia informa o uso crescente de restrições físicas e salas de isolamento para crianças que exibem agressividade descontrolada.


7. Demência digital
O conteúdo de mídia que passa em alta velocidade pode contribuir para o déficit de atençãoe também para a redução de concentração e memória, devido ao fato de o cérebro "podar" os caminhos neurais até o córtex frontal (Christakis 2004, Small 2008). Crianças que não conseguem prestar atenção não conseguem aprender.


8. Criação de dependência
À medida que os pais se apegam mais e mais à tecnologia, eles se desapegam de seus filhos. Na ausência de apego parental, as crianças podem apegar-se aos aparelhos digitais, e isso pode resultar em dependência (Rowan 2010). Uma em cada 11 crianças e jovens de 8 a 18 anos é viciada em tecnologia (Gentile 2009).


9. Emissão de radiação
Em maio de 2011 a Organização Mundial de Saúde classificou os telefones celulares (e outros aparelhos sem fios) como risco de categoria 2B (possivelmente carcinogênico), devido à emissão de radiação (OMS 2011). Em outubro de 2011, James McNamee, da Health Canada, lançou um aviso cautelar dizendo: "As crianças são mais sensíveis que os adultos a uma série de agentes, porque seus cérebros e sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento." (Globe and Mail 2011). Em dezembro de 2013 o Dr. Anthony Miller, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Toronto, recomendou que, com base em pesquisas novas, a exposição a frequências de rádio seja reclassificada como risco de categoria 2A (provavelmente carcinogênico), não 2B (possivelmente carcinogênico). A Academia Americana de Pediatria pediu uma revisão das emissões de radiação de campo eletromagnético de aparelhos de tecnologia, citando três razões relativas ao impacto sobre as crianças (AAP 2013).


10. Insustentável
O modo em que as crianças são criadas e educadas com a tecnologia deixou de ser sustentável (Rowan 2010). As crianças são nosso futuro, mas não há futuro para crianças que fazem uso excessivo de tecnologia. É necessária e urgente uma abordagem de equipe para reduzir o uso de tecnologia pelas crianças.

As Diretrizes de Uso de Tecnologia para crianças e adolescentes, vistas abaixo, foram desenvolvidas por Cris Rowan, terapeuta ocupacional pediátrica e autora de Virtual Child; o Dr. Andrew Doan, neurocientista e autor de Hooked on Games; e a Dra. Hilarie Cash, diretora do Programa reSTART de Recuperação da Dependência da Internet e autora de Video Games and Your Kids, com contribuições da Academia Americana de Pediatria e da Sociedade Pediátrica Canadense, no intuito de assegurar um futuro sustentável para todas as crianças.
Diretrizes de Uso de Tecnologia para Crianças e Adolescentes:
tabela
 

Seguir Cris Rowan no Twitter: www.twitter.com/zoneinprograms
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