Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Por mais homens e mulheres (de verdade) - Letícia Maria Barbano



(texto originalmente publicado no jornal "Correio Popular", de Campinas - SP, em 13.02.14)

No ônibus ou em uma conferência, é quase impossível encontrar um homem que ceda seu assento para uma mulher se sentar. Pagar a conta do restaurante? Abrir a porta do carro? Certas gentilezas passaram a ser caricatas e sinônimos de alienação. E homens que assumam seus papéis de pais de família, dispostos a, se necessário, matar e morrer pela esposa e filhos? Onde estão eles? Afinal, em termos gerais, por que os homens não agem mais como homens? A resposta é simples: porque mulheres não agem mais como mulheres.

Na antiguidade, a maioria das sociedades pagãs enxergava a mulher como objeto, escrava do homem, sem vontade própria, descartável e, muitas vezes, não-humana. Com o advento da Idade Média, a Igreja conquistou para a mulher a dignidade que esta merecia: não era serva, nem patroa, mas companheira e igual em dignidade perante o homem. É desta época o chamado “amor cortês”, em que ser cavalheiro e tratar bem uma mulher não significava que ela era inferior ao homem, mas sim que, por ser tão sublime, merecia especial gentileza. Nessa época as mulheres se vestiam com distinção e modéstia, pois sabiam que o que é sagrado, merece ser velado.

Desde o renascimento até os dias de hoje, percebemos que a mulher voltou à condição de objeto e descartável que o Cristianismo havia redimido. Já previu Edmund Burke, o chamado “pai” do conservadorismo, que o que chamamos hoje de relativismo moral – que é o famoso não existir certo nem errado, mas tudo depender dos valores de cada pessoa – levaria a sociedade a ser enlouquecida e sem parâmetros. Cada mulher guiada por seus próprios valores passa a agir do modo que lhe convier. Dentro deste quadro de “cada um fazer o que quer porque acha certo”, sem ter um direcionamento moral do que realmente é certo e errado, a mulher se torna a maior vítima. Não há mais lei ou moral que a proteja ou que a exalte. Se um homem trata a mulher como objeto, ora, são os valores dele. O resultado é uma sociedade profundamente degradada, cheia de mulheres magoadas, homens sem virtudes, crianças sem pais, e famílias despedaçadas. 

A mulher por sua vez, também embalada pela mentalidade relativista, passa a se comportar com vulgaridade, sem pudor, sem modéstia, sem a delicadeza e feminilidade próprias de seu sexo. Comprada a ideia de pseudoliberdade que a pílula anticoncepcional deu, a mulher torna-se dona de seu próprio corpo e vontade, e, agora, pode ter o prazer que desejar, sem que isso tenha como consequência uma gravidez. Se ela pode ter relação sexual quando, como e onde ela quiser, por que não se vestir do jeito que quiser? Se portar do jeito que quiser? Abandonar virtudes e distinções? Rejeitar o dom da maternidade? Viver livremente! Por que não?
 
A mulher perdeu sua essência e, como consequências, a família e a sociedade também. Um antigo ditado dizia que, em um casamento, o homem era a cabeça e a mulher o pescoço. A cabeça toma as decisões, mas o pescoço a direciona e orienta. Se o pescoço está fraturado, engessado, flácido ou até ferido, como a cabeça conseguirá olhar para outros cenários e fazer as melhores escolhas?

Para restaurar a dignidade da mulher em nossa sociedade, não são necessários movimentos políticos financiados por instituições globalistas. É necessário, primordialmente, uma restauração da moral, especialmente da moral feminina. Necessita-se resgatar as virtudes do mundo, os valores sagrados, a diferenciação de certo e errado. 

Somente com a reconquista da moral feminina, um homem passará a agir como homem. Porque a mulher voltou a agir como mulher.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Educação financeira - uma reflexão para pais cristãos sobre a mesada dos nossos filhos



                “Pai, compra isso?”, “Mãe, me dá aquilo?” – talvez essas duas frases e suas variantes sejam as mais ouvidas pelos progenitores desde quando os pimpolhos aprendem a falar. “Dá, mamãe, dá...”. Dá, dá! Já diz a Bíblia do alto de sua milenar sabedoria: “A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá..." (Pv 3015a). O que aprendemos deste versinho? Que filho de sanguessuga, sanguessuga é! Assim, se os pais dizem para tudo “dá, dá”, provavelmente estão abrindo um caminho de modelo para os filhos. O que fazer, então?

                Ao contrário de muitos confrades, não sou intolerante com o consumo e nem com o capitalismo. Aliás, nada que vem de fora, assusta-me, porque sei que o problema não é o “sistema”, “o dinheiro”, o celular último modelo, etc. Outra pérola bíblica, dessa vez vinda do próprio Jesus: “Nada há, fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar. Mas o que sai dele que o contamina”... “Também vós não entendeis?... O que sai do homem é o que o contamina. Pois do interior do homem saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, e a loucura. Todos estes males procedem de dentro, e contaminam o homem” (Mc 7: 1-23).

                Em resumo, o problema real é o pecado e não o sistema, ou, como diria minha mãe, “a ocasião é que faz o ladrão”. Portanto, é uma questão de conversão do indivíduo, santificação e aprendizado. Todavia, educação é sempre um projeto muito cansativo e desgastante para os pais, por isso muitos preferem jogar pedras na casa do vizinho do que enfrentar o fato bíblico que diz que devemos é reformar a nossa própria casa.

                Já que estamos falando sobre consumo, capitalismo e filhos, eu me vi motivado por um artigo na internet a compartilhar o que fazemos aqui em nossa casa para promover a educação financeira das nossas filhas. O artigo falava de um pai que publicou como administrava a mesada dos filhos (veja a imagem lá em cima).  E já adianto que é uma luta para educa-las nessa área, não por causa do sistema, do consumismo ou da propaganda infantil direcionada na T.V. para seduzi-las a ter isso ou aquilo, não, nada disso. O que me surpreende nesse processo educacional é ver o coração delas tão pecador quanto o de qualquer outro ser humano. Sim, crianças também precisam de Jesus – e de educação financeira!

                Tudo começou, há muitos anos, quando ouvi um programa de rádio da CBN e o entrevistado falava da importância de se educar financeiramente a criança para que ela soubesse lidar com dinheiro. Ele dizia que a Escola não previa esse ensino tão importante. Foi ali que ouvi pela primeira vez sobre a importância da mesada (no nosso caso é semanada). Ele explicava que dar dinheiro ao filho toda vez que ele pede não criaria nele a “consciência administrativa”, porque seria sempre um dinheiro “caído do céu”. O entrevistado defendia que, desde cedo, a criança deve perceber o valor das coisas e a diferença entre o valor de tudo. A criança precisa aprender que dinheiro acaba se ela não souber administrá-lo, dinheiro pode render também, caso ela aprenda a fazê-lo frutificar. Mais uma vez, Jesus entra aqui para nos ensinar também. Lembram da “parábola dos talentos” (Mt 25: 14ss)? Há sempre três possibilidades a quem tem dinheiro na mão: gastar irresponsavelmente, "enterrar" irracionalmente ou administrar sabiamente (estes últimos dois casos são abordados na parábola contada por Jesus). Aqui, portanto, a mesada entra como o instrumento para a promoção dessa consciência administrativa. Cabe a cada pai estabelecer as regras e o valor. Uma dica: você poderia estabelecer o valor da mesada de acordo com a idade, assim, se a criança tem seis anos, ela receberia 6 reais (mesada ou semanada – os pais decidem).

                Uma vez que estabelecemos o valor aqui em casa, decidimos que não daríamos mais dinheiro para nada. Balinha, chiclete, lanche da Escola, brinquedo, bolsas, etc, deveriam ser adquiridos a partir dessa mesada. Tenho duas filhas, veja o resultado imediato: uma delas gastou tudo o que recebeu de um dia para o outro, mas a segunda guardou tudo na gaveta. A primeira logo percebeu que ficou sem nada durante todos os outros dias, mas a segunda rapidamente descobriu que poderia juntar para comprar algo que ela tanto queria. Os anos passaram e, hoje, tanto uma quanto a outra administram muito melhor o seu dinheirinho. Mas e se o bem a ser comprado é muito mais caro? Entramos num acordo com elas, dividimos o valor, metade elas pagam e a outra metade nós pagamos.

Ensinamos a elas que o dinheiro é um presente de Deus, mas não cai do céu, logo não adianta jogar na loteria! Dinheiro é o presente que Deus dá, mediante o esforço honesto e o trabalho árduo. Sei que muitos pais podem torcer o nariz, porque vivemos numa cultura muito acostumada a receber sem dar (veja o vale-gás, vale-leite e bolsa-família, por exemplo). Numa cultura em que “os direitos” são dados sem a cobrança na mesma direção dos deveres, é inevitável que a meritocracia seja algo estranho para aplicarmos aos nossos filhos. Mas sigamos a lógica da meritocracia: assim como o bom trabalhador é digno do seu salário (veja, estou citando a Bíblia de novo), o bom filho é digno da sua mesada. Daí a lista de atividades a serem exercidas pelo bom filho que foi feita pelo pai na imagem que abre este post!

Pais cristãos encontram na mesada uma ótima oportunidade para ensinar valores bíblicos aos seus filhos, pois o dinheiro é uma bênção dada por Deus para ser compartilhada. O erro, segundo a Bíblia, é amar o dinheiro e não se servir dele ou, para criar uma frase de efeito: devemos nos servir do dinheiro e não servi-lo! De outra forma, vira idolatria. É Mamon, lembra?

Ainda pensando em educação financeira e pais cristãos: se o dinheiro é uma bênção e ele deve ser conquistado para ser compartilhado, o que mais devemos ensinar aos nossos filhos? A doação alegre de parte do nosso dinheiro à igreja! Desde o início, minhas filhas reservam dos seus ganhos um “X” para entregar na Igreja. Além disso, podemos comprar cestas básicas e incentivá-las a participar dessas compras com seu dinheiro para distribuir aos mais necessitados. Enfim, são tantas as coisas que podemos ensinar aos nossos filhos sobre dinheiro (caridade, sobriedade, solidariedade, organização, responsabilidade, flexibilidade, etc) que descobrimos ser um grande desperdício de tempo não aproveitamos para pastorear o coração dos nossos filhos nesta área também.


Não deixe que o mundo ensine ao seu filho como cuidar do dinheiro. Educação financeira também é uma responsabilidade dos pais.          
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