Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Músicas que os pais fizeram aos seus filhos (I) - "Tears in heaven" de Eric Clapton


Há muitas canções sobre pais e filhos ou que os pais fizeram aos filho, mas pretendo selecionar aquelas que têm a ver comigo, aquelas das quais eu tenho alguma coisa a dizer, porque me marcaram em algum momento da trajetória. 
.
Assim, nada melhor do que começar com “Tears in heaven” de Eric Clapton. Uma música fruto de uma tragédia na vida dele que foi a morte de seu filho de quatro anos de idade, Conor, que caiu da janela do 53 andar em 20 de março de 1991!


A música é linda e trata de uma realidade que assombra todo pai e mãe: a perda prematura do próprio filho. 

Existe perda “prematura”? Misteriosamente, nesse imenso “sanduíche” incompreensível de Soberania divina, responsabilidade humana e uma pitada de sensação de acaso e destino que todos digerimos em alguns momentos de nossa trajetória, ouso afirmar que tudo está no controle de Deus. Todavia, acredito que crer nisso em nada diminui a dor da perda de um filho que se vai antes dos seus pais. Embora, pela fé, creio que a crença de que há um propósito incompreensível até certo ponto em todas as coisas ajuda a não sucumbir fundo demais no fosso de uma tragédia. 

Quem viveu essa experiência diz que não existe dor pior do que a morte do filho. Por quê? Porque não é natural e aquela certeza de que as coisas não deveriam ser assim, aquela percepção de que, então, há realmente algo de muito errado com o universo, tudo isso atenta contra a nossa noção de “natural”. E a música faz perguntas muito honestas que qualquer pai faria num momento como o da tragédia vivida pelo compositor: "Você saberia meu nome?"; "Eu reconheceria você no céu?"; "Você me reconheceria e me daria carinho no céu?". Estas perguntas são pungentes e refletem as dúvidas da maioria de nós sobre a vida após a morte. 

Eu amo essa música, porque, mesmo a despeito da tragédia, é uma música de fé. É uma declaração de fé: ele crê que o filho está no paraíso; ele crê nessa realidade; ele sabe que ainda não pertence ao paraíso (seja por causa dos próprios pecados, seja porque ainda não é sua hora); ele, porém, guarda em seu coração o momento possível de dar a mão ao filho no paraíso. E a certeza do paraíso, a esperança de um dia encontrar com seu filho lá, não é usada para mascarar a dor que ele está sentindo agora, até porque o tempo (quanto mais passa) só o lança ainda mais ao chão ao ponto dele implorar que o seu coração pare de ser quebrado. 

E a pública profissão de fé ao final é um eco do livro de Apocalipse, em que há a promessa de que o próprio Deus enxugará dos olhos toda lágrima: sim, há esperança, há paz depois daquela porta, pois a fé declara que não haverá lágrimas no paraíso. Amém!

Lágrimas no Paraíso 
Você saberia meu nome
Se eu o visse no paraíso?
Seria o mesmo
Se eu o visse no paraíso?



Eu devo ser forte e seguir em frente
Porque eu sei
Que não pertenço
Aqui no paraíso



Você seguraria minha mão
Se eu o visse no paraíso?
Você me ajudaria a ficar em pé
Se eu o visse no paraíso?
Encontrarei meu caminho
Pela noite e pelo dia
Porque eu sei
Que não posso ficar
Aqui no paraíso



O tempo pode te derrubar
O tempo pode te fazer ajoelhar
O tempo pode quebrar seu coração
Você implora por favor
Implora por favor



Além da porta
Existe paz, tenho certeza
E eu sei
Que não haverá mais
Lágrimas no paraíso



Você saberia meu nome se eu o visse no paraíso?
Você seria o mesmo se eu o visse no paraíso?
Eu devo ser forte e seguir em frente
Porque eu sei que não pertenço aqui ao paraíso


Um comentário:

Smareis disse...

Oi!

Muito tempo que não passo aqui. Estive bem ausente, mais sempre volto.
Então, essa musica é muito linda é tem muito significado. Eu adoro o Eric Clapton, e “Tears in heaven” é linda demais. Sempre ouço os videos com musica dele.

Gostei da postagem!
deixo um abraço!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...