Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O dia em que o aparelho de DVD explodiu!

Estourei com o nosso aparelho de DVD! 

Não era um aparelho qualquer. Pelo menos nunca antes havia tido um aparelho como aquele. Ele possuía wireless; portanto, conectava-se à internet (se bem que jamais consegui muita coisa com isso); dava acesso ao Netflix (se bem que nunca tenha usado esse recurso); entrava no Youtube (se bem que em nenhuma oportunidade tenha conseguido assistir a um único vídeo sequer, porque a demora em baixar era eterna); quero acreditar que o aparelho também deveria falar e se comunicar com seu proprietário, mas isso, agora, eu não irei mais descobrir. Acabou. Estourei com o nosso aparelho de DVD!

Já o tínhamos há muitos meses, mas, como paramos muito pouco para assistir a alguma coisa, demorou muito para começar a descobrir suas possibilidades. Na verdade, somente há uma semana é que comecei a deixa-lo conectado diretamente à TV. O mais sensacional era o cabo HDMI! Que imagem! Que som! O que mais? Nunca irei descobrir. Acabou. Estourei o nosso aparelho de DVD. E o sonho de poder assistir “Thor” (a 1ª parte), que só agora chegou por aqui no interior onde moro, com aquela imagem e som de cinema, desfez-se assim: PUF!!!

Evidentemente, busquei todas as alternativas possíveis para tentar explicar a mim mesmo como é que cometi tal disparate! Sim! A culpa foi totalmente minha. No início, pecador que sou, tentei achar uma desculpa ou alguma terrível teoria da conspiração contra o meu direito inalienável ao lazer: Governo, PT, CIA, KGB, aumento da inflação, a Copa no Brasil, greve da polícia civil, mas nada, nada parecia justificar a minha própria estupidez. 

E foi tão rápido. Gisele veio a mim enquanto eu estudava e pediu: “Pai, pode por o filme “Enrolados” para mim”. Levantei-me, mas levantei-me automaticamente e com a mente absorta pelos estudos. Quem sabe não foi isso? Se eu não tivesse levantado hoje cedo para estudar... Sim, por que não? A culpa poderia ser dos muitos estudos. Alguém mesmo já dissera na Bíblia: “Paulo, as muitas letras te fazem delirar”! Foi isto! Eu estava delirando quando, diante da televisão, eu peguei o cabo do DVD e o enfiei na tomada de 220 em vez de fazê-lo na tomada de 110. PUF!!! Saiu aquele famigerado foguinho de trás do aparelho do DVD.

Por quê? Foi a pergunta que tentei responder a mim mesmo. Verdade que não teremos dinheiro para comprar um outro DVD tão legal quanto aquele que estourou, porque comprei-o com preço mais do que camarada de um amigo americano que estava indo embora do Brasil e quis desfazer-se dos móveis da sua casa. Acho, portanto, que nem tem no Brasil um aparelho como aquele. E, caso tenha, não quero nem saber o preço, pois já sei que não dá para comprar mesmo.

Fiquei ali, na frente do aparelho de DVD, como quem esperasse Lázaro sair da tumba. Mas não houve nenhum sinal de vida ou de ressurreição. Até que minha filha disse: “Pai, já está fedendo”! Ao que respondi baixinho, delirando e entremurmurando: “Parece até que já está morto há quatro dias..."!

Apenas alguns segundos impensados. Uma ação irrefletida. Uma palavra solta no rompante de uma ira. Uma arma carregada e que, descuidada, vai ao chão, disparando e vitimando um inocente. Enfim, como que a vida da gente pode mudar em alguns poucos segundos... Não, não estou mais falando do estouro do DVD. Tão somente estou trazendo o caso do DVD como ilustração de como que tudo é muito, mas muito frágil mesmo em nossas vidas.


Nestes dias, saindo de um supermercado aqui da cidade, Gisele atravessou a rua correndo e sem olhar para o lado, enquanto eu via que um carro se dirigia exatamente para cima dela. Gritei, mas meu grito não foi capaz de segurar Gisele. Então, graças a Deus, o carro deu uma brusca freada. Apenas alguns poucos segundos a mais e eu não estaria aqui hoje escrevendo sobre o nosso DVD que estourou. A vida é frágil e a possibilidade diária de perdermos a quem nós amamos tanto é um dos instrumentos de Deus contra a alienação e a mesquinhez de nosso egoísmo humano tão preocupado com as "terríveis" explosões de nossos aparelhos de DVD.          

4 comentários:

QUAL CAMINHO SEGUIR? disse...

Pensei que você iria ressaltar, sobre o fato desse aparelho bisbilhoteiro "registrar", "Escutar" "coisas" dentro do seu lar, minar sua privacidade, esses tipos de aparelhos contém um chip-zinho maldoso, óh puxa vida ele tão discreto, que nem parece inofensivo, parece paranóia né? minha é claro...mais é tendẽncia todos saírem assim de fabrica, é amigo ou amiga desse blog tudo é um grande teste, inclusive estudar demais,
vai ver algo está chamando sua atenção?
aliás nem tudo parece ser o que realmente se mostra ser. até mais, valeu o alerta no Post, apesar do propósito não ser este..obrigado de QCS? BlogSpot

leo samoa disse...

Fantástico! Nosso consolo é que muitas vezes temos anjos ao nosso redor nos livrando de riscos que nem percebemos.Também não estou falando da explosão do dvd. Um grande abraço!

Cesar M. R. disse...

Felizmente só tenho tomadas de 110v. Se fosse como aí, suspeito que já teria explodido algumas coisas. Mas é deveras, as coisas humanas são tão instáveis, mutáveis e susceptíveis ao dano que é incrível como desenvolvemos uma estratégia eficiente para nos esquecermos disso com o objetivo de conseguirmos viver sem cair na depressão. Afinal, são três as opções: 1) esquecer a fugacidade; 2) Desesperar-se, deprimir-se etc; 3) Confiar na Graça de Deus.
Abraço!
Cesar

Unknown disse...

Excelente reflexão. Uma forma de pensarmos um pouquinho melhor a respeito do que é realmente importante nessa vida...

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