Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

terça-feira, 18 de março de 2014

Sísifo e Mérope


Escrito está que aquele que domina a escrita
Até mesmo aos deuses ludibria, ó diva minha!
Isto foi o que com Sísifo aprendi nesta corrida,
O grão-mestre da trapaçaria e de toda malícia,
Mero mortal de uma Grécia já há muito antiga:

- Mérope amada, ó minha Plêiade enfraquecida,
  Dize-me por onde anda tua estrela escondida!

Por ti esse ardil naquela madrugada cometido.
Ao emissário de Zeus fiz-me, pois, de rendido.
De Tânatos aproveitei-me, bem sei, a vaidade
Quando, do carcereiro, fiz dele o encarcerado, 
Ao atar colar como coleira, meu presente dado:

- Mérope amada, ó minha Plêiade enfraquecida,
  Dize-me por onde anda tua estrela escondida!

Da fúria divina de Zeus eu, então, escondi-me.
Da prisão de Tânatos, outra vez, fugido estive!
Deixaste-me aqui, amor, esquecido e morto:
Não enterraste no frio este meu aflito corpo,
Que sabias, mais uma vez, a Hades eu mentia
E de lá, regressaria – seja “lá” o que isso for -
Para, enfim, minha rainha, vivermos este amor:

- Mas, Mérope condenada, Plêiade ao ártico exilada
  Só porque, dentre todas, foste minha única adorada!

Autor: Fábio Ribas

Ouça o poema!

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