Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 7 de março de 2014

Homeschooling (Camila Hochmüller Abadie)

ESCRITO POR CAMILA HOCHMÜLLER ABADIE & JARBAS ARAGÃO | 07 MARÇO 2014 
ARTIGOS - CULTURA


A entrevista abaixo foi concedida ao meu amigo Jarbas Aragão, do Gospel Prime, em novembro do ano passado, mas por algum motivo não foi publicada. Assim, tomei a liberdade de publicá-la aqui para vocês. 

Camila, o que é ser ativista cristão?
Eu não sei, Jarbas. O meu trabalho com o blog, no Facebook e, agora, na rádio VOX, são decorrências da minha vida junto à minha família. Eu me considero uma mulher cristã, uma esposa e uma mãe que compreendeu a sua vocação e que procura vivê-la ao máximo e da melhor maneira possível, pois é isso o que me faz feliz e que eu creio que Deus espera de mim. Se escrevo ou falo defendendo o homeschooling, o direito à vida e os valores tradicionais da cultura ocidental é porque amo e defendo aquilo em que acredito. Não se trata de uma "causa", mas de vida real e amor. Todo o resto é consequência disso.

O que o cristão pode fazer além de compartilhar e curtir no "Face"?
Olha, eu também não sei. O que eu fiz foi parar de querer corresponder às expectativas alheias (e até às minhas próprias) e buscar corresponder à expectativa de Deus. Relutei durante muito tempo contra a ideia de ser mãe, esposa e dona-de-casa. Eu fugia da minha circunstância, pois precisava "ser mais", "fazer mais", "parecer e aparecer mais". Quando compreendi que meus filhos, meu marido e meu lar precisavam de mim AGORA e não daqui a vinte anos, parei tudo. Eu percebi que jamais conseguiria chegar na velhice com uma supercarreira e uma família aos frangalhos, com relacionamentos superficiais, carências e culpa. Percebi, por outro lado, que conseguiria chegar na velhice sem ter carreira alguma, sem atingir as ambições que tinha estipulado para mim, mas com uma família unida, amorosa, madura e bem resolvida. Foi uma escolha. E essa escolha mudou tudo, e para melhor.

Parece-me que quando compreendemos o chamado de Deus para as nossas vidas, a nossa verdadeira vocação, então ser sal da terra e luz do mundo torna-se algo natural. Não é questão de tornar-se uma outra pessoa ou de viver em um outro contexto. Não. É tornar-se precisamente quem se é e no tempo presente, não importa onde. E não há como ser sal e luz sem negar-se de verdade, abraçar a própria cruz e seguir a Jesus. Acredito que sem fazermos isso dia após dia, tudo se resumirá à futilidade de um "like" ou de um "share", a uma aparência no mundo virtual.

Qual a importância da radio web?
rádio que os meninos criaram é um verdadeiro oásis nesse deserto de mesmice, estupidificação e desinformação que se tornou o Brasil. É uma iniciativa livre, sem patrocínios, sem financiamentos, onde cada um contribui com o que sabe, compartilhando conhecimento de verdade. As pessoas que apresentam os programas são estudiosos de fato. Gente que pagou o preço, nesse nosso país, de ser tachado de esquisito, antiquado ou reacionário para saber alguma coisa de verdade, indo às fontes primárias nos assuntos de seu interesse. É uma rádio única no Brasil. Não há coisa semelhante por aqui. E, para mim, é uma honra ter sido convidada para apresentar um programa sobre homeschooling. É uma forma impressionante de dividir aquilo que se vive com um sem número de pessoas. É um presente poder contribuir.

Não seria perda de tempo já que a Bíblia diz que tudo vai piorar?
Sabe, esse tipo de mentalidade me lembra a parábola do servo iníquo (aquele que escondeu o talento com medo do seu senhor, em lugar de multiplicá-lo) ou a parábola das virgens loucas (que não tinham óleo na candeia para esperarem a chegada do noivo). É um lavar de mãos ao pior estilo Pôncio Pilatos. Pura irresponsabilidade. 
Não importa se tudo vai piorar. Deus não me colocou nesse mundo para fazê-lo piorar ou ficar admirando a paisagem e dizendo "maranata". Importa é o que eu faço com essa vida que me foi dada e que é a única que eu tenho! Não é minha responsabilidade gerir os rumos da humanidade (graças a Deus!) mas simplesmente fazer o humilde trabalho de amar minha família. E se eu não fizer isso, essa coisinha pequena, íntima e bonita, quem o fará? Eu quero fazê-la, essa é a minha responsabilidade e é sobre ela que prestarei contas. O resto é com Deus, não comigo, entende?
Camila Hochmüller Abadie é mãe, esposa e mestre em filosofia. Edita o blog Encontrando Alegria e apresenta o programa homônimo na Rádio Vox.
Título original: Uma entrevista arquivada

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...