Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sábado, 14 de dezembro de 2013

Pequei, e daí? (Rev. Augustus Nicodemus)



Faz poucos anos tomei conhecimento de um escândalo, um caso de adultério, cometido por um pastor que também era professor de seminário teológico. O pastor vinha traindo a mulher, levando a amante para motéis. Ele foi apanhado somente quando pagou um motel com o cartão de crédito da própria esposa, que naturalmente descobriu tudo quando recebeu a fatura. Além desse detalhe escabroso, que mostra que o pecado cega a inteligência das pessoas, o que mais chocou a todos é que a liderança da sua igreja simplesmente o afastou do seminário por um breve período. No semestre seguinte, lá estava ele de volta ao seminário, dando aulas aos alunos, como se nada tivesse acontecido. O caso era de conhecimento geral, inclusive dos alunos. Que mensagem estava sendo passada para aqueles futuros pastores e líderes quanto à seriedade do pecado e da necessidade de se viver uma vida santa no ministério?

A falta do exercício da disciplina na Igreja sobre membros e líderes faltosos é consequência do conceito largamente difundido entre os evangélicos de que os crentes não são responsáveis por seus atos diante de outros, e especialmente, de que não dão conta de seus atos às igrejas das quais participam ou lideram.

Primeiro, há quem considere o exercício da disciplina como uma violação do mandamento de Jesus, “não julgueis para que não sejais julgados” (Mat 7:1). Essa interpretação é totalmente falsa. O julgamento que Jesus proíbe é o julgamento hipócrita, isto é, condenarmos os outros sem prestarmos atenção em nossos próprios pecados (veja versos 3-5). A prova que Jesus não estava fazendo uma proibição geral contra o julgamento se encontra nos versículos seguintes, quando Ele determina aos discípulos: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mat 7:6). Para que possamos obedecer a esse mandamento, temos de determinar quem é porco e quem é cão. Ou seja, temos que julgar. Além disso, foi o próprio Jesus quem determinou os passos para o exercício da disciplina na Igreja (Mat 18:15-17).

Segundo, para muitos a disciplina é uma violação do mandamento do amor. É considerada como falta de amor cristão para com o irmão caído. Essa interpretação falsa do amor cristão não leva em conta o ensino bíblico de que Deus disciplina exatamente aqueles que Ele ama (Heb 12:6; cf. Deut 8:5; Sal 89:30-34; 11975; Prov 3:12; 13:24; et alli). Fechar os olhos para o pecado do irmão não é amor. É ódio. É desejo de vê-lo afundar-se mais e mais no pecado.

Essas atitudes têm servido para que evangélicos vejam a disciplina como algo punitivo, injusto, vingativo e opressor, levando muitos a acharem que devem prestar contas de seus atos somente a Deus. E às vezes, nem isso.

Se esse estado de coisas não mudar, veremos o crescimento de uma geração de cristãos irresponsáveis, que não reconhecem seus erros e pecados, que desconhecem o valor e a necessidade da disciplina, e que não percebem a seriedade e a gravidade do pecado e suas conseqüências na vida do discípulos de Cristo e a importância de corrigir publicamente os pecados públicos, como Jesus corrigiu publicamente a mulher adúltera. Ele não a condenaria com pena de morte, como os fariseus desejavam, mas corrigiu sua vida imoral em público, dizendo “vá e não peque mais”.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O feitiço de Áquila - O amor é capaz de destruir toda maldição!


- Você é carne ou você é um espírito? Pergunta o assustado Filipe diante das forças que ele desconhece.
- Eu sou tristeza, responde Isabeau a Filipe...

Assista aqui a essa maravilhosa fantasia, que, mais uma vez, ensina-nos que o Bem triunfará sobre Mal, porque o amor é mais forte do que a morte! Clique aqui!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Basílio, o Grande, responde a Pablo Neruda

"O carteiro e o poeta" - um filme imperdível!

“Aqui nesta ilha, o mar... Tanto mar! Ele transborda de tempo em tempo. Ele diz sim, então não, então não. No azul, na espuma, num galope, ele diz não, porque não. Não pode parar. Meu nome é mar, ele repete, batendo na pedra sem convencê-la. Então com sete línguas verdes, de sete tigres verdes, de sete mares verdes, ele acaricia, beija, molha e bate no peito, repetindo seu próprio nome”.

Quando a personagem do poeta Pablo Neruda termina de recitar os versos acima, o carteiro Mário tenta dizer o que foi para ele ouvir aquelas palavras. Enjoado pelo ritmo do vai-e-vem do poema, o carteiro diz que, enquanto ouvia, sentiu-se como um “barco que se bate em meio ao movimento das palavras”!... Lindo, não? Realmente, o filme é de uma leveza, de uma sensibilidade e repleto de sentimentos bons e agradáveis... O amor! O amor é esta força que a tudo move e conduz. São os versos de Neruda o instrumento para a transformação do carteiro, um homem simples e quase analfabeto mas que descobre o poder das palavras. Enfim, a tese do filme é que a poesia, a beleza, o amor é o que pode renovar, acender e fazer ascender o ser humano.

Contudo, não sei se de propósito ou não, o filme revela também o que pode matar o amor, a beleza e a sensibilidade do ser humano: o comunismo! Intencional ou não, vi que o filme encaminhou-me a essa verdadeira conclusão. O engajamento político ideológico é uma deformação do amor. O comunismo como meio de transformação é a própria negação do Belo. A vida é silenciada pela morte. O amor que começara no sorriso de Beatriz, um sorriso que se espalhava como as asas de uma borboleta, agora, termina, finda-se inapelavelmente sob as mentiras de Lenin e Marx! Assim, a verdade é morta pela mentira. A felicidade desfaz-se na tristeza. E a poesia é arrancada da terra fértil do coração humano pela foice e pelo martelo...

Logo após os versos que abriram este post, antes que a fealdade fizesse-se presente dando fim a tudo o que o amor revelou e conquistou no filme, admirado por ter criado sua própria metáfora, o carteiro faz uma pergunta: “Quer dizer então que o mundo inteiro, o mundo inteiro como o céu, o mar, como a chuva, as nuvens, etc, etc, quer dizer, então, que o mundo inteiro é uma metáfora para alguma outra coisa qualquer?”.

Este é o caminho da vida: a descoberta do Belo, da poesia, esse espanto diante de si mesmo e do mundo, leva-nos a indagar se não há, então, alguma outra coisa, algo do qual sejamos todos metáforas escritas por alguém. O mundo não seria uma mensagem, versos, imagens que estariam comunicando algo a todos nós (Rm 1: 20)? Esta é a pergunta que os místicos, os filósofos e os poetas fizeram tendo em si mesmos a mesma paixão que o carteiro demonstrava diante do mundo físico como que se este fosse uma cortina que nos escondesse algo por trás da ribalta. 

Neruda, o poeta lenista-marxista, obviamente, não possui nenhuma resposta. A resposta já percebida por tantos poetas gregos e pelos filósofos Platão e Aristóteles, essa resposta universal já intuída também por Filo de Alexadria, fora finalmente dada pelo advento de Jesus Cristo na história humana. Neruda não nos dá a resposta no filme, porque o comunismo é um materialismo que não supre a sede de beleza que há no homem, sede traduzida na busca histórica pela metafísica. O comunismo não irá aceitar a resposta cristã que compreendeu que Jesus é a união de todo dualismo, de toda dicotomia e de toda separação entre a física e a metafísica – a encarnação de Jesus é a resposta de Deus aos homens.

Encerro com as palavras de Basílio, o grande. Este Pai da Igreja já havia percebido que a alegoria era o método hermenêutico preferível para se aplicar sobre a Natureza e que esta, portanto, era um texto poético escrito por Deus e repleto de ensinos aos seres humanos . Se Neruda não soube responder ao carteiro, termino com a resposta de Basílio:

“[A lua] representa um notável exemplo da nossa natureza. Nada é estável na humanidade. ...Assim, a vista da lua, fazendo-nos pensar nas velozes vicissitudes das coisas humanas, deve ensinar-nos a não nos orgulharmos sobre as coisas boas desta vida nem gloriar-nos em nosso poder nem sermos atraídos por riquezas incertas. ...Se você não pode contemplar a lua sem tristeza quando ela perde seu esplendor por minguar-se gradual e imperceptivelmente, quanto mais abatido deveria ser à vista de uma alma, que, depois de ter possuído a virtude, perde sua beleza por negligência e não se mantém constante a suas afeições, mas é agitada e muda constantemente porque seus propósitos são instáveis”.

Deixo aqui a cena de Beatriz apaixonada pelas metáforas do seu carteiro...

domingo, 8 de dezembro de 2013

A missão de adotar - um desafio aos cristãos!

"...vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gálatas 4: 4-5).

Você já pensou em adotar?

Há algumas adoções às quais eu gostaria de chamar a sua atenção.

1) Adotar um povo: toda igreja e todo cristão são chamados a orar pela obra de evangelização que deve se espalhar sobre toda a terra. Adotar um povo é conhecer suas características, problemas sociais e políticos e orar pelos missionários que ali se encontram ou orar para que sejam enviados missionários para lá (nem que esse missionário seja você mesmo). Por exemplo, vim de uma Igreja em Brasília que todo ano se envolve no projeto “missionários voluntários” para levar a Palavra de Deus, suprimentos materiais, oficinas, etc, para algum povo. Neste projeto, os membros da Igreja já foram para a África, Piauí, Corumbá, etc;

2) Adotar uma causa: você é chamado a orar e trabalhar em alguma causa que beneficie o próximo e que espalhe a glória de Deus sobre homens e mulheres. Por exemplo, conheço a ATINI, que é uma ONG que cuida de crianças indígenas que seriam mortas, porque algumas culturas realizam no Brasil o que é conhecido como infanticídio (veja mais aqui);

3) Adotar uma família ou criança: conheci um senhor abastado financeiramente na cidade de Caldas Novas (GO) que adotou uma família. A família adotada era pobre e os filhos haviam se envolvido com drogas e as filhas adolescentes estavam grávidas e em situação moral e espiritual deploráveis. Ele, então, começou pelo casal: evangelizou-os, tirou-os do barraco em que se encontravam; pôs o homem num curso de jardinagem e o indicou a alguns amigos, empregando-o; pôs a mulher num curso de cozinheira, conseguindo emprego para ela também; realizou o casamento deles; apoiou financeiramente os filhos daquele casal, enfim, “comprou a briga”. Hoje, esse casal restaurado é diácono na Igreja da cidade e seus filhos são os melhores alunos nas escolas em que estudam, porque são instigados a isso, já que sabem do apoio financeiro, emocional e espiritual que a família tem recebido.

Uma história de adoção:
Certa mulher, há quase quarenta anos, num estado muito pobre de um país chamado Brasil, entrara numa creche onde ficavam crianças que eram filhos de pais com hanseníase, por isso elas eram mantidas longe, separadas dos pais. Naquele tempo distante, o contágio com a doença era terrível e, certamente, a maioria daqueles pais definhava até a morte por causa da hanseníase. Aquela mulher viu ali um bebê cujo destino era uma incógnita. Filho de pais miseráveis e portadores de lepra: na verdade, o pai não se sabia quem era e a mãe já se encontrava com a doença em estado avançado. O que seria daquela criança? Naquelas condições de pobreza, atraso e falta de higiene, poucas alternativas restariam que pudessem trazer alguma esperança de futuro ao bebê. Providencialmente, naquele dia em que a visitante viu aquele bebezinho, por causas insondáveis (porque o amor sempre terá uma causa insondável!), ela o adotou.

Agora, estou pensando nas crianças vítimas de situações de risco e pensando nessa minha história. Sei que o bebê da minha história viveu o suficiente para conhecer Jesus Cristo e, então, eu desejo o mesmo para tantas outras crianças que vivem realidades tão difíceis. A criança da minha história cresceu, estudou, constituiu uma linda família e, agora, depois que conheceu o amor dAquele que adota incondicionalmente, também tem adotado um povo, uma causa, famílias e crianças.

A igreja é desafiada a adotar. Missões é adotar. Assim como fomos adotados por Deus em Cristo Jesus, precisamos em amor responder a Ele e espalhar a Sua glória sobre a terra, adotando povos, causas, famílias, crianças. Se você tem orado por missões, gostaria que você olhasse sob uma perspectiva diferente hoje. Quando você disser que também é um missionário, lembre-se das implicações de suas palavras. Você está dizendo: “Eu sou um adotador”, porque, na verdade, fomos adotados por Deus para adotar!

video
Casal 20 

Título original deste nosso post - "A missão de adotar" (repostagem)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...