Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Declaração de amor (Carlos Drummond de Andrade)



 
Minha flor minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peônia. Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão. Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor. Floramarílis. Floranêmona. Florazálea. Clematite minha. Catléia delfínio estrelítzia. Minha hortensegerânea. Ah, meu nenúfar. Rododendro e crisântemo e junquilho meus. Meu ciclâmen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha. Daliabegônia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas. Violeta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo-pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.

Ouça o poema recitado pelo próprio Drummond:

terça-feira, 18 de junho de 2013

Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão (Oswald de Andrade) - Cantares sobre Cantares (XXII)

 Com o poema “Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão”, 
Oswald de Andrade pediu Maria Antonieta d’Alkmin em casamento.
 
Às vezes, é fácil saber qual pode ser a função da poesia.






























































Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão, Oswald de Andrade, Tradução ao castelhano Héctor Olea. In Oswald de Andrade - "Obra escogida" - Selección y prólogo: Haroldo de Campos. Cronología: David Jackson. Traducción: Santiago Kovadloff, Héctor Olea y Márgara Russotto. 
Fundación Biblioteca Ayacucho. Ministerio del Poder Popular para la Cultura. Venezuela.

FONTE 

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Amor à janela - Cantares de Salomão (XX)

O meu amado fala e me diz: Levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem. Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou e se foi. Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figuinhos, e as vides em flor exalam o seu aroma. Levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem... (2: 10-13 - Fiel).

A Sulamita sente aquela presença ao lado de fora da casa. Aquele olhar desperta nela a ansiedade em saber que o amor está à espreita, ele à ronda como um animal faminto, embora não invada jamais a casa em que ela se encontra: "o amor é paciente...; o amor não se conduz inconvenientemente..., o amor não se exaspera...; tudo suporta...". Por seu lado, ela aguarda por um convite daquele que a observa à janela. É preciso que ele expresse em palavras o que os olhos são incapazes de esconder... Os versos acima são então a resposta à aflita Sulamita, uma resposta em canto: “Mon chéri chante et me dit”...

Será que é chegada, finalmente, a hora do amor despertar, uma vez que o inverno se foi? A primavera surge com todas as suas promessas e o amado insta que sua noiva acorde aos apelos do Amor. Tudo que há na natureza vê-se sendo preparado à fecundação e o tempo agora é de oferecer vida e perfumes. Há tempo para tudo debaixo do sol e o amante faz o convite para que ambos, íntimos e à semelhança da natureza que amanhece ao redor deles, entreguem-se também à intimidade tão desejada. O amado a seduz, chamando a atenção dela para a figueira. Mais uma vez, à maneira das parábolas, a figueira é utilizada como anúncio de que a consumação do amor está às portas e seus frutinhos recém-nascidos são prova disto: o verão está próximo (Mc 13:28)!

A fruta da figueira foi usada por muitas culturas como símbolo do amor e da sexualidade por causa do seu apelo sexual. O próprio Talmude compara o desenvolvimento da mulher à evolução do figo: um figo verde, enquanto menina; um figo amadurecendo, enquanto púbere; um figo maduro, enquanto mulher, e o Talmude segue fazendo numerosas associações sexuais com o figo, inclusive com o sexo da mulher. Estaria o amante dizendo que o amor de ambos já estaria às portas de se consumar? A própria palavra hebraica “pag”, usada como adjetivo ao figo, refere-se à fruta que está passando de verde para o seu estágio de amadurecimento: “Vem”, insta o noivo da Sulamita, "levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem", diz a voz do Amor à janela.

À imagem do figo, soma-se à videira e, desde o início do livro do Cântico, sabemos que o autor utiliza-se das imagens da vinha que se associam ao corpo da Sulamita. Esta é a promessa bíblica de prosperidade sexual no lar: “A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa” (Sl 128:3) e “Tua mãe era como uma videira na tua quietação, plantada à borda das águas; ela frutificou e encheu-se de ramos, por causa das muitas águas” (Ez 19: 10). Assim, a analogia que a própria Bíblia faz entre a figueira e a vide com a sexualidade humana é inegável. Cabe ainda lembrar que foram folhas de figueira que Adão e Eva usaram para cingir a si mesmos, cobrindo sua nudez...

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