Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Perto de você, Lucila...


Por que os pássaros aparecem de repente
Toda vez que você está perto, Lucila?
Assim como eu, eles querem estar
Perto de você...

Por que as estrelas desabam do céu
Toda vez que você passa, Lu?
Assim como eu, elas querem estar
Perto de você...

No dia em que você nasceu
Os anjos se reuniram
E decidiram tornar um sonho realidade
Então eles espalharam poeira da lua em seus cabelos
E luz dourada das estrelas em seus olhos verdes

É por isso que todos os homens da cidade
Seguem você, por toda parte
Assim como eu, eles querem estar
Perto de você!

Aah... Perto de você... 

Composição: Hal David/Burt Bacharach (mas com uns pequenos retoques de Fábio Ribas rsrsrs) - Esta música, Lu, é para que você entenda que há momentos em que o que eu quero é tão somente ficar bem pertinho de você....

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O infante e a princesa - Cantares para ela mesma (XX)


Para L.R.
Meu amor é agonia e gozo,
esboço de dádiva que vivo!
Ânsia de dor e flor de figo:
- Fica, ardor, eu te suplico!

Nada há que seja só espírito,
Nada há que seja só a carne!
Sigo assim ao teu fim infindo:
- Permite a este que te invade!

Este meu corpo que te arde:
Sepulta-me sob teu umbigo!
Tua alma também em terra
Neste meu corpo – teu jazigo!

F.R.

terça-feira, 23 de abril de 2013

A razão da poesia - Cantares para ela mesma (XIX)

Para L.R

Elas estão perdidas, meu amor, e nada sabem de ti.
São pessoas já tão esquecidas do que há bem aqui:
mapas, pistas, indícios, sinais, desenhos, vestígios...
São rastros estes restos de pão neste caminho caídos!

É preciso encontrar a saída que haja desta floresta,
- porque é próprio da noite esse medo - uma fuga!
Antes que a escuridão pese-me e apareça a pantera,
a fera que me impede de seguir adiante: sou Dante!

O amigo, o mestre, o guia que me carrega pela mão
será sempre a Poesia, ainda que só esta neste chão:
Versos de aviso aos que também hão de se libertar
Um dia, pelo encontro marcado que eu sei que há!

Todavia, aturdidas ainda, elas olham e não veem a via
tão antiga e esquecida, que aqui subentendida lhes fiz:
versos riscados, afagos escritos, vão aberto que me leva
deste meu inferno ao paraíso de teus braços, Beatriz!

F.R.

sábado, 13 de abril de 2013

Kandagawa - Kay Lira


"O Rio Kanda" (tradução):

Será que você já se esqueceu?...
Quando descíamos juntos pela estrada para ir ao furoya*
Usávamos nossas toalhas de mão vermelhas como cachecóis

E apesar de dizer "Vamos juntos"
Você sempre me deixava esperando
Meu cabelo úmido ficava gelado até a raiz

Eu chacoalhava o pequeno sabonete
 
E você me abraçou,
e disse "Você está frio, né?"

Quando éramos jovens, eu não tinha medo de nada
Apenas a sua ternura me fazia ter medo

Será que você já jogou fora?...
O desenho que você fez de mim
com o conjunto de vinte cores de lápis-cera que você comprou

Apesar de eu dizer "Desenhe bem"
Não ficou nada parecido comigo
Depois da janela está o rio Kanda

No meu quarto de três tatamis**
Você olhou para as pontas dos meu dedos,
e me perguntou "Está triste?"

Quando éramos jovens, eu não tinha medo de nada
Apenas a sua ternura me fazia ter medo

*Furô ou ofurô: refere-se a uma "casa de banho pública", e a terminação "ya" dá nome à lojas e estabelecimentos que prestam serviços.
**Tatami: um tipo de esteira feito de palha entrelaçada.
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