Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobre filhos e vinhos

Minhas videirazinhas!
Dizem que os antigos judeus oravam a Yaweh agradecendo o fato de não terem nascido mulher – compreendo-os! Devemos admirá-las e não sê-las. O travestismo e suas manifestações similares e transgênicas são envesamentos de quem sequer aprendeu, desde cedo, a apreciar a natureza feminina. E até mesmo homens heterossexuais desconhecem o que, muitas vezes, nem elas suspeitam guardar para nós. E não estou aqui limitando-me às qualidades intrínsecas do universo feminino, pois sei de seus pecados também. Admirar os milagres, mas também saber discernir as mazelas de ser mulher é uma arte para poucos.... Somos frutos dessa propaganda de guerra dos sexos instaurada pelo movimento ideológico feminista desde os anos 60. Ignorância, desconfiança, frieza, coisificação do outro e desamor são apenas algumas uvas podres colhidas por nós depois de tamanha “liberação dos costumes”.

Em nossa sociedade, que despreza tanto o valor do mérito para alcançar conquistas cada vez mais audazes, infelizmente, a família reflete certa preguiça ou descaso (reflexo exatamente dessa cultura saturada em que vivemos) na educação de seus filhos em direção ao outro. Não exercitamos a arte de criar homens e mulheres, maridos e esposas. Há de cada um virar-se por si mesmo sem orientação alguma que valha advinda dos seus próprios progenitores (que, na verdade, podem também não ter recebido nada de seus próprios pais, repetindo, assim, um padrão). Largados à própria sorte, não é de se admirar que muitos desses filhos acabem sendo orientados por algum “analfabeto da educação”, assimilando e reproduzindo a cultura da barbárie de nossos dias. Educar é arte. E educar em direção ao outro exige dedicação, certa tradição mínima e valores que se encontram intimidados atualmente.

Carecemos em nossas famílias daquele profissional conhecido como sommelier e que há em alguns bons restaurantes por aí. O sommelier é o “maitre dos charutos e das bebidas”. Será aquele que irá orientar os clientes sobre o banquete, aquilo que o aguarda. Irá ajudá-lo a escolher a melhor água, o melhor vinho e o melhor charuto. Acredito que precisamos fundar uma “escola de pais”, ajudar os progenitores a reassumir sua autoridade no assunto e ensiná-los a ensinar. O sommelier é uma profissão das mais sérias e antigas. Eles preparavam a mesa do rei, das festas do rei, orientando que fosse servido o que havia de melhor. Assim, ao contrário do que a perversa crendice popular tem ensinado, nossos filhos não perderiam tanto tempo “beijando sapos”. Devemos ensiná-los que há sapos que são venenosos!

Necessitamos, portanto, de pais enólogos também. Afinal, alguém precisa ser responsável pela má qualidade do que se tem oferecido por aí. O enólogo – o bom enólogo ao qual me refiro neste artigo – não nasce do acaso e nem é fruto do amadorismo. É um profissional que se debruçou em aprender com os melhores a elaborar os mais distintos vinhos. Um bom enólogo é forjado na tradição recebida por seus pais e é exatamente por isso que estamos tão distantes de oferecermos o melhor ao mundo: abrimos mão da tradição judaico-cristã e das virtudes forjadas pela antiga filosofia grega e que garantiriam a nós alternativa na elaboração de um vinho diferenciado. Infelizmente, contudo, a maioria dos nossos filhos não possuem quaisquer características que os distinguam da barbárie que temos visto por aí.

Precisamos, sim, de enófilos. O “apaixonado por vinhos”, porém, não nasce assim como obra do acaso. Ele aprende, ele busca, ele se esforça em compreender, por exemplo, que o açúcar mascara os defeitos de um vinho. Ele entende que um bom vinho é uma raridade e um prêmio oferecido apenas aos mais experientes e dedicados. O enófilo sabe muito bem que a casta, o país de origem, o produtor e a safra são critérios fundamentais que devem ser levados em conta na hora de decidirmos sobre a qualidade de um vinho. Nossos filhos e filhas deveriam ser educados segundo essa mesma cartilha: “apaixonados pelos vinhos de melhor qualidade”. Em outras palavras, meninos criados para discernir as verdadeiras qualidades de uma mulher: sua casa, a família em que ela foi criada, os pais dela, o perfume e a elegância nas palavras e nas ideias deveriam ser critérios fundamentais a serem apreciados na escolha daquela com quem queremos passar o resto de nossas vidas. Do outro lado, nossas filhas deveriam ser também ensinadas a discernir o que se oferece no mercado do amor. Que nossas filhas não se enganem: não sou adepto de uma visão aristocrata ou oligarca, nada disso, sei muito bem que mesmo entre vinhos baratos, há aqueles tecnicamente bem feitos! Mas quem deveria ensinar a arte da escolha às nossas filhas senão os pais?

Bons pais são como bons cultivadores de uvas: eles conhecem todo o esforço necessário para a produção de um vinho fino. Todavia, os melhores cultivadores já sabem que mesmo de uvas podres podemos fazer vinhos da melhor qualidade. E que são estes os mais caros e raros hoje em dia. Transformar uvas podres em vinho bom é participar com Deus do milagre de Caná, pois para Deus nada é impossível, porque, tendo Ele transformado água em vinho, muito mais provável é que nos faça das uvas podres um inigualável vinho branco seco de Yquem. E a alegria da festa do casamento reside exatamente em que esteja Jesus presente em nossas casas para operar o milagre e nos servir o vinho de melhor qualidade!

Vinhos e educação dos filhos parece um tema despropositado... ledo engano! Não é por coincidência que, em alguns países, costuma-se presentear os pais nos aniversários de seus filhos com vinhos da mesma idade dos aniversariantes! Filhos são como vinhos, precisam ser cultivados (daí a origem da palavra “cultura”) desde o ventre da terra de suas famílias com todo o cuidado na esperança de que, um dia, eles se tornem seres humanos criados para dar prazer, alegria e amor quando seguirem cultivando suas próprias famílias.

PS – Dentro da minha própria casa, tenho cultivado videiras preciosas que, espero, encontrem quem as saiba apreciar no momento certo, assim como aguardo que elas também aprendam a discernir que um bom vinho não se distingue apenas pelo paladar, mas pela cultura, ambiente e tempo.     

Um comentário:

Monica Ximenes disse...

Amados fábio e Lucila, excelente texto. A analogia vinhos/filhos, Essa semelhança em cultivar as uvas para um bom resultado final da colheita e escolhas dos vinhedos; como cultivar os bons e certos ensinamentos bíblico aos nossos filhos, com certeza serão adultos valiosos. "Ensina teu filho no caminho em que deve andar, quando crescer não se desviará dele"...Desconhecia a informação das uvas podres,quanto ao preparo para um bom vinho. Mostra que com a graça e a misericórdia de Deus, havendo empenho e dedicação, sempre haverá oportunidades de aprendermos a não sentarmos na roda dos escarnecedores e aprendermos a ter prazer em meditar na Lei do Senhor.
Deus continue lhes capacitando em seu ministério.
Feliz Natal e que em 2014, muitas almas se rendam ao nosso Deus e Salvador Jesus.
Monica Ximenes

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...