Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Sexo aos 60: você já pensou nisso?

Sexo aos 60... Não, sinceramente, nunca havia pensado nisso até ontem à noite, quando, após assistir ao filme “Um divã para dois”, pela primeira vez, peguei-me pensando na realidade da vida sexual na terceira idade.

Sexo ainda é um assunto difícil para muitas pessoas, seja pelo excesso de pudor ou pela vulgaridade com que o tema é abordado por muitos "conselheiros conjugais de boteco". Quando conversamos sobre sexo, a tendência geral ou é a negação ou querermos posar de moderninhos e, promiscuamente, misturarmos o privado com o público. Temas como sexo oral, anal, uso de brinquedos eróticos, visitas às lojas de sex shop, fantasias, etc, sempre são abordados pelo meio cristão e, invariavelmente, ouvimos aquela perguntinha: pode ou não pode?

Este blog faz questão de se declarar cristão, daí, em todos os assuntos, buscamos uma leitura, uma interpretação bíblica, sustentada sobre valores judaico-cristãos, assim, "o pode ou não pode" terá sempre como resposta o princípio da liberdade responsável cristã: “Posso todas as coisas, mas nem tudo me convém”. O que convém a um casal cristão? Convém que o casal faça tudo, quer coma, quer beba, quer faça sexo, faça tudo para a glória de Deus. O sexo deve dignificar e trazer intimidade, prazer, valorização e segurança. Acredito, sinceramente, que a vida sexual deve transbordar o fruto do Espírito Santo: amor, paz, bondade, benignidade, longanimidade, mansidão, domínio próprio, fidelidade e alegria – contra estas coisas não há condenação. Em outras palavras, exercendo a liberdade cristã conjugal para que haja tal fruto, não há o que se dizer sobre o "pode ou não pode".

Por outro lado, não há como negar o bombardeio diário de uma sociedade sexista. Logo, honestidade, sinceridade e diálogo são requisitos para o enfrentamento de um mundo que avança contra a família tradicional. Faz parte da santidade no casamento o caminhar juntos em direção ao mesmo alvo. O marido precisa cultivar a sinceridade no relacionamento com sua mulher para confessar a ela suas próprias fraquezas e necessidades e a esposa precisa ser compreensiva com um marido que está sendo posto na boca do leão diariamente, seja no trabalho, na escola, seja pela tv e internet. Fingir que não somos feitos de carne e osso e enganar a nós mesmos, pregando que não somos frágeis e fracos diante das tentações diárias, é ajudarmos o inimigo a preparar a armadilha em que nós mesmos cairemos amanhã: não somos super-crentes (graças a Deus)!

Gostaria de retornar ao tema principal deste texto: sexo aos 60! O filme “Um divã para dois” não é um filme cristão, embora, indubitavelmente, seja pró-família. Algumas soluções, portanto, são heterodoxas (embora muitas dessas "soluções" sejam abordadas apenas como humor - lembre-se que o filme é uma comédia), mas, em determinado momento, a personagem principal, uma idosa com mais de sessenta, reage: “Eu me sinto uma farsa”! Ela está dizendo isto acerca de ter que fazer algumas coisas que não são ela mesma, assumir papéis sexuais que não a representam. Em outro momento, o filme põe o pingo acertadamente em cima do i, quando essa mesma personagem confessa que não era “sexo” o que ela queria apenas, mas era o seu marido por inteiro. Não era a falta de sexo há cinco anos o que os estava minando a ponto de estarem dormindo até em quartos separados, mas era a falta do carinho, do toque, do abraço e de que ele a olhasse nos olhos com admiração novamente! Assim, o filme mostra que a relação entre duas pessoas enlaçadas pelos votos do casamento é muito mais do que fantasias, brinquedos, “o posso ou não posso” dos malabarismos performáticos que transbordam em conversas com amigos e que, quase sempre, não representam a realidade da maioria dos casais (cristãos ou não). Somos uma sociedade tão acostumada à propaganda da tv que nem percebemos que fazemos de nós mesmos produtos e expomos nossas vidas em vitrines sem, contudo, alertarmos o cliente que, boa parte do que propagamos por aí, é tão somente maquiagem de marketeiro. Aliás, para provar isto, há uma pequenina cena de humor no filme na qual, diante da frustração da personagem principal, que confessa que não está tendo sexo ultimamente (e que, por isto mesmo, sente-se deslocada num mundo em que todos parecem ser verdadeiros atletas de alta performance sexual), há uma garçonete que se vira e pergunta aos outros clientes: "Quem está sem fazer sexo"? E todos levantam as mãos. Esta é a verdade.

E talvez porque faça parte da linguagem da propaganda mostrar as qualidades e esconder os defeitos, é que, sexualmente falando, estamos sempre projetando aquilo que brilha ainda que nem tudo que reluza em nós seja ouro. E este, certamente, é o grande trunfo do filme, sustentado pelas atuações brilhantes e cheias de empatia de Meryl Streep e Tommy Lee Jones: mostrar os sentimentos escondidos de um casamento que se acomodou pela chegada da terceira idade - mas, para resgatar a intimidade, alguém terá que tomar a iniciativa e, pelo menos durante algum tempo, é bem provável que esta pessoa lutará sozinha pelos dois! Os filhos já saíram de casa, estamos moldados à rotina e, quando menos esperamos, esquecemos quem é esse outro em quem, vez em quando, estamos nos esbarrando pelos quartos, corredores, cozinha e sala da mesma casa em que vivemos juntos. Juntos, mas separados.

Adianto que o fim do filme é o fruto da vitória daqueles que decidiram fazer tudo o que fosse possível para que seus últimos anos fossem os melhores anos de suas vidas! 

Se possível, não desista, lute também. 

Segue abaixo o trailer. 

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