Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

terça-feira, 23 de abril de 2013

A razão da poesia - Cantares para ela mesma (XIX)

Para L.R

Elas estão perdidas, meu amor, e nada sabem de ti.
São pessoas já tão esquecidas do que há bem aqui:
mapas, pistas, indícios, sinais, desenhos, vestígios...
São rastros estes restos de pão neste caminho caídos!

É preciso encontrar a saída que haja desta floresta,
- porque é próprio da noite esse medo - uma fuga!
Antes que a escuridão pese-me e apareça a pantera,
a fera que me impede de seguir adiante: sou Dante!

O amigo, o mestre, o guia que me carrega pela mão
será sempre a Poesia, ainda que só esta neste chão:
Versos de aviso aos que também hão de se libertar
Um dia, pelo encontro marcado que eu sei que há!

Todavia, aturdidas ainda, elas olham e não veem a via
tão antiga e esquecida, que aqui subentendida lhes fiz:
versos riscados, afagos escritos, vão aberto que me leva
deste meu inferno ao paraíso de teus braços, Beatriz!

F.R.

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