Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Cruz de Cristo e o meu adultério

Portanto, eu afirmo a vocês o seguinte: o homem que mandar a sua esposa embora, a não ser em caso de adultério, se tornará adúltero se casar com outra mulher.
Mateus 19: 9



A história universal dos amores humanos é quase sempre interferida por uma série de adultérios de consequências terríveis, todavia, quero tomar como centro da minha abordagem o primeiro adultério – Adão e Eva. O adultério de nossos antigos pais é o arquétipo para todos os demais casos de traição presentes na psique universal.

O adultério nunca deve ser compreendido apenas em seu aspecto sexual, mas, principalmente, devemos estender seu significado às traições ocorridas em todos os níveis de um relacionamento humano. O adultério matrimonial especifica-se na presença de um “outro”, um terceiro elemento na cena de uma relação em que a cumplicidade deveria ser apenas de ambos, o marido e a mulher. Maridos ou esposas que cultivam “melhores amigos” e com estes dividem segredos que jamais compartilhariam com seus próprios cônjuges ou que denigrem a imagem do parceiro a outros e, até mesmo, que pedem dinheiro emprestado a terceiros sem o conhecimento e o consentimento do seu par exemplificam alguns desses casos de adultérios muito comuns no dia a dia de tantos casais que se julgam fiéis um ao outro.


O adultério é sempre a traição da lealdade e não, tão somente, uma questão de infidelidade sexual. Esta, quando ocorre, pode muito bem ser explicada pelo adultério espiritual que se verifica já cometido anteriormente na vida desse casal. Jesus deixou isso explícito no sermão da montanha quando disse que o adultério não se restringe apenas em relacionar-se sexualmente com outra pessoa, mas, antes, é essa cobiça destituída de testemunhas do nosso pensamento por outro(a).


O adultério é uma falha, um rasgo, uma profunda falésia no oceano do caráter da nossa natureza humana. A dificuldade que temos em compreender essa dimensão real e profunda do adultério deve-se ao fato de que nossa sociedade é extremamente sexista e tende a esconder as origens da infidelidade no limitado ambiente freudiano de uma propalada repressão de nossos impulsos sexuais: tratamos o resultado como se este fosse a causa, quando, na verdade, é a consequência visível de uma silenciosa erosão espiritual. Por isso, quase todas as definições e abordagens acerca do adultério refletem esse espírito sexual do nosso tempo, como, por exemplo, esta de Voltaire: "Em latim, adultério quer dizer alteração, adulteração, colocar uma coisa em lugar de outra, crime de falsidade, uso de chaves falsas, contrato falso. Daí o nome adultério dado a quem profana o leito conjugal, como chave falsa introduzida em fechadura alheia." Ledo engano do filósofo que abre mão das águas assombrosas do oceano para aportar na praia tranquila da obviedade. Precisamos ir muito além dessas metáforas sexuais, ou melhor, precisamos retornar ao princípio, se quisermos entender que o problema não é o adultério sexual, mas o coração corrupto do homem do qual nascem todos os demais adultérios, inclusive o sexual.


Adão e Eva estabelecem-se como o padrão do adultério que aqui busco tratar. Apesar das inúmeras tentativas de sexualizar a história desse casal, o que de fato ocorreu no jardim do Éden foi uma deslealdade, uma desobediência, uma traição ao Deus que os criou e lhes presenteou com toda sorte de bênçãos das quais ambos usufruíam: o pecado, portanto, é a corrupção das virtudes humanas! Estas, agora, encontram-se estilhaçadas e para cultivá-las é preciso que o homem faça-o a partir da fadiga do seu trabalho, sabendo que, em meio às virtudes, nascem cardos e abrolhos também.


Desde aquela narrativa de Gênesis, o modelo vai se instaurar de tal maneira no imaginário do Povo que, sempre que este se afastar de Deus para seguir falsos deuses, as Sagradas Escrituras afirmarão que o Povo de Deus é um povo adúltero, uma prostituta, uma meretriz. Este é o ensino bíblico: somos todos adúlteros, porque traímos os preceitos, os votos, a Aliança de Deus. A Bíblia dirá que a Igreja é a noiva do Senhor, mas a noiva está em adultério e perdida no mundo apesar de todo o favor recebido da parte de Seu Noivo. Ainda no Antigo Testamento, Deus fará Oseias experimentar algo do próprio sofrimento divino e registrar em livro os tormentos do profeta com sua esposa adúltera. Todavia, Oseias é impelido por Deus a não desistir daquela com quem ele casou apesar de inúmeros casos de traição por parte dela. O profeta paga um alto preço para retirar sua esposa do mercado de escravos em que ela foi parar depois de uma vida entregue à prostituição. Oseias é o protótipo do próprio Deus, que não desistirá do seu Povo apesar da prostituição deste. A Bíblia, então, diz que para re-editar a Aliança em uma Nova Aliança, Deus envia seu Filho, o Noivo, para morrer por essa mulher adúltera, que somos cada um de nós!



Na Teologia do Pacto, há o Ser divino, Uno e Trino, e que não precisa do homem e nem de seu louvor, mas que decide livremente compartilhar conosco do amor perfeito existente na Santíssima Trindade, o amor perfeito e suficiente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esse amor a ser compartilhado com o homem fora decidido na Eternidade, todavia, por saber que o ser humano adulterará e trairá a Aliança, o Pai promete ao Filho resgatar a Sua Noiva e dar a ela a vida eterna se o Filho entregar-se por ela, se o Noivo decidir livre e espontaneamente amá-la até à morte e morte na cruz. É no Seu próprio sangue derramado na Cruz do Calvário que o Noivo compra e livra-nos deste mercado de escravos ao qual nos condenamos! O fim desta, que é a mais bela história de amor de todos os tempos, nós já conhecemos bem. A cruz é a história do amor de Deus que suplanta o adultério da Noiva! Deus decidiu amar Seu povo e ser fiel ao Seu próprio caráter santo, ainda que Ele tivesse o direito de nos repudiar e nos condenar à morte por causa de nosso adultério.

A Paixão e a Ressurreição de Jesus é pagamento e resgate – é na história humana que vemos desenrolar o drama da redenção de nosso adultério primordial. O Espírito Santo tem chamado a Noiva de Cristo às bodas do Cordeiro. Eis que as nossas vestes sujas pela fornicação e prostituição espirituais serão trocadas pela veste alva da noiva que entra na nave da Igreja – imagem já tão desbotada da cultura decadente e descristianizada de nossa geração. Por isso, aqueles que escutarem o chamado do Noivo, ouvirem a Sua voz clamando por sua amada Sulamita, precisam responder ao Noivo: sim, eu aceito! É nesta resposta que encontraremos a paz da reconciliação com Aquele que jamais deixou de amar sua Noiva. Enfim, a Cruz e o túmulo vazio - e não o divórcio e nem a morte por apedrejamento - são a resposta de Deus ao meu adultério!

3 comentários:

SEMPRE-ALERTAS disse...

Fábio!....foi você quem escreveu este texto???
Lindo demais! grande ensinamento...MARAVILHOSO!
Vou postar nomeu blog, posso?
Um grande abraço...
Sua amiguinha.

Casal 20 disse...

Sim. Escrevi para a glória de Deus. Espero que a verdade bíblica deste nosso Deus maravilhoso possa alcançar o máximo possível de pessoas. Claro que pode postar, querida. Abraços sempre afetuosos. Fábio.

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

Fábio!!!!uai!!! meu comentário saiu com o perfil do blog de um amigo...como é isso????kkkkk.
Sou eu, viu?!...sua amiguinha Clélia...rsrs
Vou postar no blog na terça feira..
Beijos, nas 3 meninas.

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