Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O amor romântico segundo Ayn Rand

“Faz parte do amor colocar o outro acima do auto interesse?” - esta simples pergunta leva a filósofa Ayn Rand a tecer seus comentários sobre a natureza do amor romântico. Leia abaixo as palavras dela.
Ayn Rand, filósofa norte-americana de origem judaico-russa
Sim. O amor é um negócio, mas, como todo negócio, o amor deve ter seus próprios termos e sua própria moeda de troca. E a moeda de troca do amor é a virtude. Você ama pessoas não pelo que você faz por elas ou o que elas fazem por você. Você as ama pelos valores, as virtudes que elas alcançaram em seu próprio caráter. Você não ama sem causa, você não ama a todos indiscriminadamente. Você ama somente aqueles que merecem.

Essas pessoas não merecem o amor (as pessoas fracas moralmente). Certamente, elas estão mais longe. Essas pessoas podem sempre corrigir isso. O homem possui livre arbítrio. Se um homem deseja amor, ele deveria corrigir suas fraquezas ou suas falhas, e ele pode merecer. Mas ele não pode esperar o não merecido. Nem no amor, nem no dinheiro. Nem na matéria, nem no espírito.

Infelizmente, sim. Muito poucos (são dignos de merecer o amor). Mas está aberto a todos para se tornarem dignos disso. E isso é tudo o que a minha moralidade oferece a eles: um meio para torná-los dignos de amor, embora esse não seja seu objetivo primário.

Dos vários prazeres que um homem pode se oferecer o maior é o orgulho, o prazer que ele tem em suas próprias conquistas e na criação de seu caráter. O prazer que ele tem no caráter e nas conquistas de outro ser humano é o de admiração. A expressão mais elevada da união dessas duas respostas, orgulho e admiração, é o amor romântico. Sua celebração é o sexo.

É nessa esfera acima de todas – nas respostas românticas de um homem – que sua visão de si mesmo e da existência se revelam de forma eloquente. Um homem se apaixona e deseja sexualmente a pessoa que reflete seus valores mais profundos. Há dois aspectos cruciais em que as reações românticas e sexuais de um homem são psicologicamente reveladoras: na sua escolha de parceiras e no significado, para ele, do ato sexual.

Um homem de autoestima – um homem apaixonado por si mesmo e pela vida sente uma necessidade intensa de encontrar seres humanos que ele possa admirar, encontrar um equivalente espiritual que ele possa amar. A qualidade que mais o atrairá é a autoestima – autoestima e um senso inequívoco do valor da existência. Para tal homem, sexo é um ato de celebração. Seu significado é um tributo a si mesmo e à mulher que ele escolheu para, de forma definitiva, vivenciar de maneira concreta e em sua própria pessoa o valor e o prazer de estar vivo.

A necessidade de tal experiência é inerente à natureza do homem, mas se um homem não tem a autoestima para consegui-la, ele tenta forjá-la e ele escolhe sua parceira, subconscientemente, baseado na capacidade dela em ajudá-lo a forjar essa experiência para dar a ele a ilusão de um valor próprio que ele mesmo não possui e de uma felicidade que ele mesmo não sente. Portanto, se um homem se sente atraído por uma mulher de inteligência, confiança e força, se ele é atraído por uma heroína, ele revela um tipo de alma. Se, por outro lado, ele é atraído por uma mulher ignorante, incompetente e irresponsável cuja fraqueza permita que ele se sinta masculino, ele revela um outro tipo de alma. Se ele se atrai por uma vagabunda assustada, cuja falta de padrão e critério permite que ele se sinta livre de julgamento, ele revela um outro tipo de alma. O mesmo princípio, obviamente, aplica-se às escolhas românticas e sexuais de uma mulher.

O ato sexual tem um significado diferente para a pessoa cujo desejo é alimentado por orgulho e admiração e tem outro significado para quem a experiência prazerosa que ele proporciona é um fim em si mesmo e que busca no sexo a prova da masculinidade ou feminilidade ou um alívio para o desespero, ou ainda uma defesa contra a ansiedade, ou uma fuga do tédio. Paradoxalmente, são os “caçadores de prazer” - os homens que aparentemente vivem apenas pela sensação do momento, que se preocupam apenas em se divertir - quem são psicologicamente incapazes de vivenciar prazer como um fim em si mesmo. O perseguidor neurótico de prazer imagina que, ao repetir os movimentos de uma celebração, ele poderá sentir que tem algo para celebrar. 

Para conhecer mais sobre Ayn Rand:

A Revolta de Atlas (Ayn Rand)

Um comentário:

Gilbson Fonseca do Nascimento disse...

O melhor de Ayn Rand é que ela é ATÉIA convicta.

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