Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Amor X Poder (Danuza Leão)

Desde que o mundo é mundo — mas isso já passou —, os homens se encarregavam das despesas, e por isso mandavam em tudo, claro. Mas as coisas mudaram: agora eles ganham o seu, as mulheres o delas, e as despesas dos casais são divididas, do condomínio ao restaurante.

E mais ainda: com as mulheres trabalhando e se dando bem, muitas ganham mais do que seus companheiros; se tornaram, então, mais poderosas. O que se quer é a harmonia universal entre os países e entre os casais, e quem tem mais poder, justa ou injustamente, é quem toma as decisões.

Quando é ela quem assina o cheque, começa a mandar, só que homem que é homem não gosta disso, já que costumam confundir poder econômico com masculinidade. Se ela chega nervosa, excitada, mostrando o sapato novo, caríssimo — mulheres, como se sabe, não resistem a sapatos e bolsas —, nenhum homem consegue entender; e se ela diz que aquele sapatinho com a sola vermelha custou quase o que ele ganha em um mês de trabalho, o problema está criado.

Ela tem direito: afinal, o dinheiro é dela. Mas homem não gosta muito disso e, para que a vida siga suave, vai caber a ela não deixar, em nenhum momento, que ele se sinta inferiorizado por meras questões materiais. Algumas vão contornar com uma mentirinha suave que, afinal, não tira pedaço de ninguém. Não vão confessar nem sob tortura quanto pagaram; dirão que, aliás, foi uma pechincha, em cinco vezes sem juros. Mas existe uma maneira mais gentil de se comportar — e isso vale para o homem e para a mulher.

Quem tem mais não pode ser nem arrogante nem prepotente; deve ser extremamente gentil, para que em nenhum momento o outro se sinta dependente, por razões no fundo tão pequenas quanto dinheiro. Não que não seja bom: dinheiro é ótimo. Mas a convivência de quem tem mais com quem tem menos é no mínimo delicada, sobretudo se é ela quem está mais confortável no quesito.

É então a ela que cabe ser generosa e não deixar que ele jamais se sinta em situação inferior. Não é tão difícil assim: nunca forçar a barra para ir ao restaurante mais caro é fundamental, e é tão fácil deixar que ele escolha aonde vão, de acordo com suas possibilidades.

E convidar para ir ao restaurante luxuoso no dia do aniversário dele, por exemplo, tendo a gentileza de no final do jantar se levantar fingindo que vai ao toalete e pagar a conta sem que ele veja, é muito bacana. Se forem viajar, façam as contas do quanto vão poder gastar por dia, e entregue sua parte antes do embarque para que ele administre.

No Natal, faça discretamente com que ele saiba que você está louca para ganhar um determinado presente — modesto, dentro do que ele pode, é claro. E quando ele chegar mostre a mais deslavada alegria — como é que ele soube que aquilo é o que você mais queria?

São pequenas bobagens, mas é delas que a vida é feita; e ter um marido carinhoso, apaixonado e amoroso não é melhor do que entrar numa batalha, discutindo quem tem mais poder na relação?


FONTE

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