Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O que você pensa sobre a pornografia?

Mulher pedaço de carne
Quando julgamos as coisas, e temos realmente poder de fazê-lo, e o fazemos em todos os momentos, como resultado de escolhas necessárias à vida, fazemos esse julgamento baseado em premissas válidas ou não, mas sempre fazemos. Ora mais contundente, ora distantes, quase de modo dúbio, mas sempre manifestando simpatia, antipatia, ambição, ojeriza, cobiça ou desinteresse. É fácil afastar algo sem saber o que é ao mesmo tempo que é também fácil aderir a um comportamento esquecendo da gravidade real que ele consiste.

O corpo da mulher exerce fascínio natural e enebriante. Sem formosura alguma, somente os feromônios naturais e atitudes de chamamento e entrega são muitas vezes decisivos para que o homem possua sexualmente uma mulher. Com formosura, mais todo o complexo sistema líbido somados ao verniz cultural da moda, do luxo, e do fantástico faz-de-conta, temos a excelência do encontro que finalmente visa a cópula, o gozo e a reprodução sem a qual ninguém estaria aqui para dizer nada.

A pornografia nasce de uma deformação mais masculina de lidar com essas questões que se estende às mulheres com a mesma dominação criticada em outras áreas humanas em que o conflito de gêneros seja tão evidente e desastroso. O homem e a mulher que transam são os mesmos que riem, choram, se ajudam, pensam, sonham, inventam e artificializam a vida com o acréscimo de descobertas e conhecimento crescentes.

Porém homens e mulheres, que não resolveram questões que poderiam ser chamadas de tão primárias (não primitivas), passam a usar e necessitar de uma muleta cultural que encontrou terra fértil em uma necessidade artificial e se esforçam em justificar essa prática, justificação alienada de toda uma realidade universal.

Vi um homem no Paquistão desposar uma esposa com o rosto desfigurado com ácido pelo seu primeiro marido (o Corão permite facilmente que um marido rejeite sua esposa e que, em algumas culturas, ele se vingue dela, marcando-a desgraçadamente para sempre). Casada com esse novo marido, amada por ele, um homem justo, já tem ela dois filhos. Enquanto simpáticos à pornografia criam e necessitam de personagens irreais para praticarem sexo, a realidade de pessoas reais nega exatamente isso que parece se colocar como verdade.

Homens e mulheres precisam aprender sobre o outro, ver fisicamente o outro sem ocultação, mas a pornografia vai além da beleza feminina, vai além da realidade, mesmo que seu discurso aparente seja exatamente de destruir a hipocrisia social e puritana com relação ao sexo. Não se trata de julgamento puritano, na pornografia o grau de alienação é bem maior do que o da criticada moral social. Trata-se de um mundo irreal com apelos irreais, sentimentos irreais. Modelos que não tem uma visão real de si mesmas, geralmente se veem muito mais atraentes do que são. A pornografia não liberta a mulher, embora ela consiga a cobiça masculina, algo tão fácil e natural para o homem, embora aparentemente essa mulher tenha participação igualitária à masculina, há de ser muito ingênuo para negar o óbvio: se a mulher é escrava dos valores masculinos em qualquer sociedade falsamente puritana ou legalista religiosa, essa mesma mulher é objeto e escrava de pensamentos, valores, e práticas masculinas no universo da pornografia.

Vi nos últimos dias mais de quatrocentas fotos entre sensuais, eróticas e pornográficas (como sou fotógrafo e com formação para cinema) pude imaginar a direção em cada uma delas, o cachê pago, de que classe social e etnia cada mulher pertencia, idade, escolaridade, saúde proporcionada pela sociedade em que cresceu, etc. A variação imaginada é bem pequena. O mesmo tipo de puta que atende a fantasia masculina é correspondente ao tipo de físico de mulher no trabalho ou no casamento.

Desse modo a pornografia não promove nenhuma revolução de valores, antes solidifica a injustiça e desperta nos homens na sociedade incapazes de entender, equacionar e equilibrar suas frustrações sexuais, de vez ou outra atacarem as mulheres que fisicamente correspondam as de suas fantasias eróticas.

Na Índia, há hoje na capital, cem estupros por dia, no Brasil, dos que se sabem (aqui e lá) vinte por dia. A capital da África do Sul, Pretória, é a capital do estupro mundial.

Sentimento e vontade. Ser favorável à pornografia, dizem, pode significar ser livre, conduzido pelos sentimentos mais primitivos, ser livre das falsas imposições sociais hipócritas (concordo sobre os hipócritas). Eu gosto muito de mulheres, de imaginá-las e vê-las todas nuas, sem pudor e vergonha alguma, de preferência eternamente jovens, lindas e perfeitas. Todo homem biologicamente sadio se sente assim. É inegável. Mas a minha razão não pode concordar com essa possibilidade. Logo, o meu sentimento não pode prevalecer sobre a minha razão e isso não é inibir algo legítimo, mas, legitimamente, inibir algo injusto. Logo, a verdadeira liberdade é justamente auto frear por questões razoáveis o que seria um desastre.

Vivemos em uma época que parece sábio destruir os limites antigos. Vale tudo: mulher com mulher, homem com homem, homens com crianças, mulheres com meninos, mulheres com animais, etc. E isso não tem nada de rancor puritano religioso. Um servente escolar abusava de um menino de oito anos há pelo menos seis anos em uma escola pública. Um pai abusava de seu próprio filho e mais um adotivo de idade próxima por mais de quatro anos. Vazão a sentimentos, sejam quais forem, como prova de liberdade é uma falácia.

Gosto muito de colocar à prova questões localizadas, ocidentais tomadas como único parâmetro. A decadente Europa é tomada com seus pensadores como modelo de refinamento esquecidos os mais diversos níveis de organização social e de elaboração do pensamento humano em outras regiões e grupos humanos no mundo. Há de fato coisas estranhas e diversas em todas as sociedades, mas em todas, das consideradas primitivas às "avançadas", o que não se prova producente é sempre descartado socialmente.

O que se construiu no Ocidente com valor de avançado, de modelo revolucionário, é muitas vezes patético, bizarro e destrutivo.

Não julgo a ninguém, mas quando a possibilidade de prejuízo social se materializa como possibilidade real é dever de cada um se manifestar tomando uma posição.

Helvecio Santos, responsável pelo Blog O Pregador

Leia também o artigo do Casal 20 sobre o mesmo tema:

A crise da fêmea - Cantares de Salomão (VI)

2 comentários:

Helvecio Pereira disse...

Muito obrigado,por ter publicado o meu texto e posição sobre o assunto, mas o mais importante, foi graças a sua publicação, o filtro, a análise feita, se é algo útil, propositivo e elucidador.

Espero que nesse universo grandioso que é a web, com a vantagem e a liberdade de aprofundamento em questões pertinentes, tenhamos dado a nossa contribuição, tanto para os que já são contrários à pornografia ( que não se restringe a cristãos somente, evangélicos somente, mas a muçulmanos, de outras correntes religiosas e até ateus). é uma ilusão e uma franca desonestidade quando se procura passar a ideia de que uma imensa maioria é de fato favorável a essa prática, seja entre as próprias mulheres, seja entre os homens.

Um grande abraço e obrigado.

Helvecio Pereira disse...

A segunda parte dessa notícia e o livro escrito por esse pastor é que se relacionam diretamente a esse assunto...recomendo que o lei e pesquise sobre o assunto. Poderíamos dizer que muitos crenes já são encorajados em suas crenças a adotarem certo tipo de pornografia... triste.

http://padom.com.br/pastor-de-mega-igreja-americana-chama-os-cristaos-britanicos-de-covardes/

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