Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Rehab* - o monstro sob o mar profundo...

Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança
e que não respeita os soberbos*, nem os que se desviam para a mentira.
Sl 40:4
Há um monstro no mar! Há uma terrível fera escondida. Ela está submersa no mar da alma humana. Eu não posso resistí-la... Quem poderia? Ela se ergue de dentro das águas. Esse monstro é a serpente, é o polvo, é o dragão marinho, que nos arrasta a todos às águas profundas do mar sem fim.

Ninguém pode vê-lo. A fera diabólica é invisível, contudo eu sei que a sua língua agita, tumultua, convulsiona o mar que há em nós e o mar que é povos, multidões, nações e línguas. É Rahabe o monstro desses mares – um dos sete príncipes infernais. É ele o Leviatã que atormenta desde o princípio. Ele está lá fora e aqui dentro. "O monstro que você viu estava vivo, mas agora não vive mais. Ele está para subir do abismo, e dali sairá, e será destruído. Os moradores da terra que desde a criação do mundo não têm os seus nomes escritos no Livro da Vida ficarão espantados quando olharem para o monstro. Ele estava vivo; agora não vive mais, porém tornará a aparecer. Isto exige sabedoria e entendimento"... E se lhe negarmos a existência, ele nos dominará o mundo. "L'État c'est moi", diz o rei. Rahabe é a Soberba! É a Inveja! É a vaidade dos falsos deuses. Rahabe é a mentira, que nos leva a repousar sobre o nada. Rahabe – este Leviatã – estava ali nos tormentos de Jó, mas também já se encontrava antes. No caos primitivo, havia a besta-fera abaixo das águas sobre as quais pairava o Espírito Santo.

Não há vitória contra o monstro que se vale da depravação da natureza humana contra o próprio homem, apenas o Cristo com seu anzol poderá arrancar de nós a fera imensuravelmente superior ao homem. Rahabe, eu sei que você foi humilhado quando as suas águas se abriram. Sei também, Rahabe, que subjugada foi a sua arrogância quando o obrigaram a ficar olhando impotente aquele povo passar a pé enxuto por entre as suas águas: “Ó, Mar Vermelho! Ó, Leviatã! Onde o seu grilhão? Monstro da minha alma, onde o seu veneno?" Todavia, se o homem não crê em ti, dispensa o socorro de Cristo – o único que pode enfrentar e destruir os egípcios sob o nosso encalço!

“Cala-te! Aquieta-te!” - ordenou o Senhor de dentro daquele barco. E Rahabe foi afugentado: “E o vento se aquietou, e houve grande bonança”... O Oceano e seus demônios. O exército dos soberbos. Rahabe é a rebelião contra tudo o que se chama Deus, por isso diz o salmista: “eu não respeito os desencadeados de Rahabe e nem os que se desviam para seguir as loucuras de suas mentiras”.

Suas carnes, Rahabe, e a carne de seus seguidores e seus sangues serão servidos aos animais. Quanto aos que têm ouvidos para ouvir, a felicidade é tão somente daqueles que depositam sua confiança no Senhor que destruirá a fera que sai do mar.

רהב* - forma plural (raw-hawb): os seguidores de Rahabe. Literalmente: os desencadeados. Os egípcios eram chamados assim e também os falsos deuses dos povos vizinhos. Rahabe~Rehab --> just a fun...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ricardo de Saint-Victor e o Cântico dos Cânticos - Cantares sobre Cantares (XX)

Fonte da imagem: Wikipedia.
Ricardo de Saint-Victor (morto em 1173), que atribui a Salomão a autoria de Provérbios, do Eclesiastes e do Cântico dos Cânticos, argumenta que a ordem que esses livros aparecem na Bíblia não é casual. Os antigos - diz - afirmam ter três ordens de vida, a moral, a natural e a contemplativa. Essas mesmas vidas foram chamadas pelos gregos de ética, física e teórica. Nos Provérbios designa-se a vida moral. No Eclesiastes, considera-se a vida natural. No Cântico dos Cânticos expõe-se a vida contemplativa.

A ordem dos três Patriarcas - Abraão, Isaque e Jacó - também significa as três vidas. Abraão, pela obediência, figurou a moralidade. Isaque, que cavou poços, significou a vida natural, pois cavar poços na profundidade da terra significa investigar, inquirindo pelas consideração natural as coisas inferiores. A Jacó coube a vida contemplativa, por ter visto os anjos subindo e descendo.

A perfeição natural, porém, não conduz à perfeição absoluta se antes não se possui a moralidade; corretamente, portanto, coloca-se o Eclesiastes depois de Provérbios. A suprema contemplação, por outro lado, não é alcançada se antes não se desprezam as coisas inferiores; por isto, corretamente, o Cântico dos Cânticos é colocado depois de Eclesiastes. Em primeiro lugar, devem-se compor os costumes, depois considerar todas as coisas presentes como se não fossem presentes. Então, finalmente, a agudeza do coração purificado contemplará o interior e o mais elevado. Estes livros, assim dispostos em graus, formam uma certa escada para a contemplação. Quiseram eles que em primeiro lugar soubéssemos administrar corretamente as coisas do mundo; depois que soubéssemos desprezar as coisas honestas do tempo presente para que, finalmente, pudéssemos contemplar a intimidade divina (Prólogo ao Comentário aos Cânticos dos Cânticos, texto posto à disposição na internet pelos monges da Abadia de Saint-Victor, em Paris - por GH Cavalcanti). 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A mulher exemplar

João Pereira Coutinho, escritor português, é doutor em Ciência Política. É colunista do "Correio da Manhã", o maior diário português. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve às terças na versão impressa de "Ilustrada" e a cada duas semanas, às segundas, no site.








"Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar!

É muito mais valiosa que os rubis. Seu marido tem plena confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma.

Ela só lhe faz o bem, e nunca o mal, todos os dias da sua vida. Escolhe a lã e o linho e com prazer trabalha com as mãos. Como os navios mercantes, ela traz de longe as suas provisões. Antes de clarear o dia ela se levanta, prepara comida para todos os de casa, e dá tarefas às suas servas. Ela avalia um campo e o compra; com o que ganha planta uma vinha. Entrega-se com vontade ao seu trabalho; seus braços são fortes e vigorosos. Administra bem o seu comércio lucrativo, e a sua lâmpada fica acesa durante a noite. Nas mãos segura o fuso e com os dedos pega a roca. Acolhe os necessitados e estende as mãos aos pobres. Não teme por seus familiares quando chega a neve, pois todos eles vestem agasalhos. Faz cobertas para a sua cama; veste-se de linho fino e de púrpura.

Seu marido é respeitado na porta da cidade, onde toma assento entre as autoridades da sua terra. Ela faz vestes de linho e as vende, e fornece cintos aos comerciantes. Reveste-se de força e dignidade; sorri diante do futuro. Fala com sabedoria e ensina com amor. Cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça.

Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera”.

A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme o SENHOR será elogiada. Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade" (Provérbios 31:10-31 - NVI).

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"Dedos de prosa" - uma palavra sobre literatura e filosofia


Autor: Carlos Lopes

Valor R$ 20,00 (incluindo o envio)
Solicitar:
gandavos@hotmail.com
Creio ser impossível fazer filosofia sem literatura!* 

O verdadeiro filósofo busca na literatura o seu referencial, o seu alimento para dar carne às divagações, às suposições, às possibilidades do fazer filosófico. Historicamente, a filosofia nasceu mergulhada num ambiente literário que foi fartamente usado por Sócrates, Platão e Aristóteles. A filosofia, a verdadeira filosofia, sempre se valeu do arcabouço criado pela boa literatura. Os mitos antigos, os amores impossíveis, a comédia de costumes, a sátira, a poesia épica, a tragédia sempre foram a fonte para o filósofo compreender e tanger a alma humana.

Essa antiga relação entre filosofia e literatura revela também a tensão sempre existente entre a realidade e a ficção. E pode parecer contraditório, eu sei, que a filosofia – com sua busca pelo conhecimento – venha se valer da literatura, que é a arte que se expressa pela tensão entre o real e o imaginário, entre a verdade e a mentira, entre o dito e o não-dito, entre o objetivo e o subjetivo. Contudo, é exatamente a partir dessa tensão, que vemos saltar das mãos do contador de histórias, é que o filósofo encontra o material necessário para refletir sobre o mundo em que vivemos.

O contador de histórias, o poeta, o artista das palavras e artífice do texto, ele cria personagens, dramas, enredos, crises e catarses que são capazes de alimentar o pensamento filosófico, forçando o leitor a pensar a própria humanidade. Daí, o valor da literatura universal: ela oferece ao leitor o homem universal! Entretanto, como se manifesta a literatura universal? De grandes temas, grandes heróis, épicos de bravura e santidade? A resposta da própria literatura é negativa se buscarmos a universalidade por tais caminhos. Guimarães Rosa já nos demonstrou que a universalidade literária se manifesta nas coisas simples, nos homens simples, no cotidiano das relações humanas e na relação do ser humano com o meio ambiente que o cerca, nas memórias da infância.

As tramas, os personagens, a infância, a juventude, as aventuras amorosas, as frustrações, as indagações presentes no texto de Carlos Lopes descrevem o interior que há em todos nós, reflexo de um mundo no qual vivemos, mas que talvez não exista mais. Ou percebemos que o autor nos desenha um mundo no qual gostaríamos de ter vivido, mas já não nos é permitido mais... E o que seria realidade e ficção nas memórias de Carlos Lopes? A resposta desnecessária a essa pergunta tem consumido os teóricos da literatura por séculos e a própria literatura se nega a romper essas duas esferas com as quais ela retrata o nosso mundo sob uma única concepção: a verdade da literatura. Fica sempre a máxima do poeta português de que o contador de histórias, que também é um poeta, é um fingidor, alguém que finge ao seu leitor doer a dor que verdadeiramente ele sente. É sob esta perspectiva que Carlos Lopes vai reconstruindo sua infância e juventude e o mundo atual em que vivemos, despreocupado com o rigor cronológico e com a descrição exaustiva do tempo; ele oferece ao leitor o espaço – o espaço instaurado pela sua verdade literária!

Conheci Carlos Lopes quando entrei em contato com seu precioso blog Gândavos. Logo se revela ali alguém de alma generosa, que tenta trazer para perto de si e do seu leitor uma gama de outros tantos escritores, para construírem juntos essa proposta da verdade da literatura, que cada um segue por si. A verdade da literatura de Carlos Lopes pode ser vista em cada texto apresentado neste livro, mas, de forma muito especial, quero citar “A esposa virgem”, que funciona como um cartão de entrada ao maravilhoso universo no qual todo bom contador de histórias se lança: o de contar da melhor maneira possível uma história com o objetivo de alterar a percepção nossa de realidade. Não apenas a realidade ficcional das personagens da trama, mas alterar a própria realidade da vida do leitor. Somos, portanto, atingidos por cada texto, seja por causa de alguma identificação (“Pedrinha”), seja por sermos denunciados em nossa alienação (“A moça do Jornal”), ou, ainda, pelo desejo de transformar a nossa realidade difícil numa ficção (“Cinema Paradiso”). Mas estes são apenas alguns poucos exemplos do que a literatura nas mãos de um bom contador de histórias pode fazer conosco, seus leitores.
Fábio Ribas - responsável pelos Blogs "O Seringueiro" e "Casal 20"

A literatura tem esse poder de transformar o leitor, o bom leitor, num filósofo. Mas não falo desses filósofos pedantes, que amargam a vida da gente com seus discursos chatos ou suas visões desencantadas da vida, claro que não! Digo que, mesmo quando a literatura é pura diversão e despretensiosa, ainda assim nada passa desapercebido pelos olhos de um leitor mais atento. 

Passeando pelas palavras de Carlos Lopes, somos, assim, convidados a pensar esse mundo que nos cerca e que, tantas vezes, nos sufoca, mas também somos convidados ao mundo aqui de dentro, um mundo grande e pequeno, como dizia Drummond, e que nos aperta o peito e nos dói de vez em quando. Enfim, comparo Carlos Lopes a um desses equilibristas que se colocam sobre uma frágil corda bamba, uma corda que insiste em balançar entre a realidade e a ficção e, sem nunca sabermos se é técnica ou arte (ou os dois), somos o público aqui embaixo encantado por não saber ao certo o que sustenta esse equilibrista das histórias. Convido-o, atento leitor, a confirmar minhas palavras. Boa leitura!

Fábio Ribas - Casal 20
*O presente texto encontra-se como prefácio no livro "Dedos de prosa". Também escrevo semanalmente no Blog da Rô e no Blog Gandavos, neste especialmente apresentando a série "Dias Índios" (clique aqui).

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

THE LOOK OF LOVE - Porque tudo começou há 16 anos...

Só eu sei, Lu, o quanto esperei ansiosamente para desfrutar no momento certo de tudo o que Deus me anunciou através deste teu olhar... Eu te amo!
 
video

Quanto tempo esperei
Esperei só para te amar
E agora que a encontrei
Não vá embora
Lu, você tem o olhar do amor
Ele está em seu rosto
Um olhar que o tempo não pode apagar

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Strip-tease (Martha Medeiros)

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.

Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O 1º post que fiz para ela - As canções que você fez para mim (II)

O post abaixo foi o primeiro que escrevi exclusivamente para Lu. Era aniversário dela. Agora, nesta reedição, aumento o vídeo e segue também a tradução da música.

Título original:  Porque é teu aniversário, ó del mio dolce ardor... 

Data: 20/02/2011

________________________________________

Dava aula de literatura num curso noturno em Brasília, quando tive a idéia de mostrar aos alunos, pela música, as mais diferentes escolas que estudávamos: clássico, barroco, romântico e moderno.    


"É possível?", perguntei a Lu. "Claro. Só precisamos levar o teclado e os colocarmos numa sala maior, para que mais alunos tenham acesso".  Naquela noite, então, encantei-me mais uma vez com minha esposa, que tocava para nós as mais diversas músicas, mostrando suas semelhanças e diferenças com as Escolas Literárias. Ouvímos Mozart, Bach, Beethoven, Stravinsky, etc. Sei que muitos ali estavam ouvindo pela primeira vez essas músicas. Encantávamo-nos, portanto, todos nós.

 

Sou completamente fascinado com música e, para um leigo como eu, compor música é um verdadeiro milagre de Deus. Lu ri disso todas as vezes que admito esse meu deslumbramento com a música. Digo, então, que ela ri de mim só porque já está acostumada a si mesma: fez Escola de Música, estudou piano por oito anos, foi cantora de ópera, é regente e toca qualquer instrumento que lhe seja entregue ("mas tem que ter partitura ou cifra", ela sempre me chama atenção).

 

Ver minha esposa tocando um instrumento ou cantando  quaisquer músicas sempre aumenta minha admiração por ela. Quando ela ensaiava para as audições na Faculdade Batista de música, eu pedia sempre mais e mais: "canta aquela", "e aquela também" e "como que é aquela outra mesmo"?  


Mas de todas as músicas com as quais ela me enleva, "O del mio dolce ardor" é a que mais admiro em sua voz volumosa de mezzo-soprano... 

 

Nesta semana, ó del mio dolce ardor, é teu aniversário e eu te dedico, assim, os versos dessa sua música com flores...


O del mio dolce ardor - Gluck
 
Oh, desejado objeto
do meu doce desejo!
O ar que tu respiras,
afinal respiro.
 
Para onde quer que eu torne o meu olhar
Os teus suaves traços
O amor, em mim, pinta,
O meu pensamento imagina
As mais alegres esperanças,
E no desejo que assim
me preenche o peito
Procuro-te, chamo-te, espero e suspiro!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Cântico de Salomão e a Festa da Páscoa - Cantares sobre Cantares (XIX)

Na liturgia da sinagoga, coube a leitura do livro o Cântico dos Cânticos no 8º dia da Festa da Páscoa. Sobre isso, expressa-se Isidore Ipstein:

O Sabá é dotado de divina beleza e torna-se uma noiva esplêndida e resplandecente. Cada sexta-feira, ao por do sol, Israel, o amante, dirigi-se ao encontro de Sabá, a noiva, com cânticos de boas-vindas e de louvores. A alegria de Israel, o amante, no encontro com Sabá, a noiva, é o estímulo terrestre para suscitar o amor de Deus a sua Amada, celebrada neste Cântico: a comunidade de Israel.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Afinal, homem serve para quê? (Danuza Leão)


Ah, para uma porção de coisas e todas ótimas. Para namorar, por exemplo, ainda não se descobriu nada melhor. Pensar neles, sonhar com eles, fantasiar a vida ao lado deles às vezes é quase tão bom quanto estar com eles.

Homem é para realçar a vida das mulheres. Mas como saber se ele está cumprindo sua função? Simples.

É quando você começa a se enfeitar; troca de penteado, capricha na depilação, compra um sapato de salto alto, faz ginástica e passa fome só para agradar. Se você faz tudo isso – e com a maior alegria – é porque ele merece. Um homem que nota quando você está triste, se a perna está mais durinha e se o vestido é novo é muito, muito estimulante. Um homem para quem você volta do trabalho correndo e, mesmo exausta, passa no supermercado para comprar a manteiga sem sal de que ele gosta, até umas flores (se estivesse sozinha, comia pão de fôrma gelado com margarina salgada e um copo de água). Um homem que desperta até a vontade de cozinhar é apenas a melhor coisa do mundo. Se ele, além de alegrar sua vida, ainda dirige o carro, procura vaga e paga o flanelinha, é a felicidade total. Um homem que sabe, em caso de necessidade, pregar um prego, trocar um fusível, matar uma barata, sinceramente, tem melhor? Tem, sim, e ainda tem muito mais.

Um homem que faz você gostar dele apaixonadamente, que dorme abraçado com você (no inverno), que ouve seus problemas sem bocejar, que conversa, ajuda. Com quem você quer ter filhos e com quem faz os planos mais loucos, ah, isso é bom. Um homem que lhe ofereça um ombro para você chorar, com quem dá risada, que te faz pensar: “Não consigo viver sem ele”. Se encontrar um que faça você sentir tudo isso, agradeça a Deus: é tudo que uma mulher pode querer na vida.

Só que nem todas pensam assim. Algumas acham que homem só serve para duas coisas: para entrar com elas nas festas (elas odeiam entrar sozinhas) e para pagar as contas. Amor? E quem está falando disso?

Pela vida dessas mulheres nunca passou nenhum homem de verdade, esse é o problema. Elas nunca imaginaram a possibilidade de encontrar um homem, mesmo modesto, com sobrenome menos famoso, com quem pudessem tentar uma relação sincera e feliz. Nem podem: nunca ouviram falar que isso existe, veja você.

Quando têm a sorte de arranjar um que cumpra as funções com que sempre sonharam, como se passam as coisas? Quando jantam sozinhos, falam de quê? Quando terminam de jantar, acontece o quê? Ninguém sai da mesa direto para cama (quartos separados, claro); e, como nem todo dia têm festa (nos jantares elegantes, ficam sempre em mesas separadas), fotógrafos, champanhe, então como fazem? Como eles vivem? Mistério.

É que nunca acontece a nenhuma delas de, um dia, num jantar enorme e bem chique, de repente perceber um homem interessante conversando num grupo, bem longe, mas olhando para ela com aquela firmeza. Fica claro que o que ele quer é sumir com ela, no ato, dane-se a festa, que a melhor, a melhor festa, seriam os dois juntos, sozinhos. Se acontecer, será que ela percebe? E, se perceber, será que vai aceitar o convite?

Provavelmente, não. Ela nunca vai entender que homem só existe para um coisa: fazer a gente feliz.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sulamita não usa facebook! - Cantares de Salomão (XVIII)

 Esta é a voz do meu amado...
(RC; 2: 8)

Vivemos num mundo em que a tecnologia permitiu acesso a novos lugares, conhecimentos e pessoas, mas estes nossos encontros são quase sempre rápidos, fortuitos, superficiais e cleans (excessivamente cleans), e o que muitos de nós demoram ou nunca conseguem perceber é que a facilidade do encontro não necessariamente se traduz num encontro de felicidade!

Sulamita não usava facebook e, provavelmente, se usasse, não conseguiríamos perceber quão distantes estamos hoje daqueles valores cantados por ela. Ao ler o livro de Cantares e confrontando-o com nosso tempo, concluo dois tristes fatos: primeiro, necessitamos de contato físico, mas o buscamos em lugares escusos e, segundo, a perda de nossa sensibilidade a tudo aquilo que é natural e real, fazendo com que mergulhemos em armadilhas desse universo virtual.

Deus nos revestiu com o órgão da pele por todo nosso corpo, portanto somos seres projetados à sensibilidade. O toque é algo tão fundamental ao ser humano que o próprio ministério de Jesus foi caracterizado pelo toque, o toque de suas mãos sobre leprosos, aleijados, cegos e pecadores rejeitados! Ironicamente, o facebook cria a ilusão da aproximação pela identificação com o outro, todavia esquecemos que aquelas não são pessoas reais, mas personagens meticulosamente construídos para uma apresentação: a foto, a roupa, as palavras, os gestos e os gostos, tudo muito bem trajado de uma limpidez inexistente. Qualquer resquício de realidade pode ser facilmente posto para fora do mundo virtual – somos recortes, retalhos e remendos, mas não uma peça inteira de nossa tapeçaria. E esquecemos disto!

Surpreende-me, então, como tantas pessoas sucumbem à virtualidade dessa rede: casamentos são destruídos, traições são efetivadas, adultérios são avidamente teclados... Somos seres sempre em fuga da realidade – e esta talvez seja uma das mais tristes características de nossa natureza humana desde a queda no Éden. Trocamos facilmente o mundo real pelo virtual; deixamo-nos seduzir pela promessa de coisas que não possuímos, ainda que eu saiba que não me pertencem; aceitamos a proposta diabólica de trocarmos TUDO o que recebemos graciosamente das mãos de Deus por uma esperança tola baseada em fúteis aparências de um afago virtual...

Muitos entre nós estão tão absortos trocando mensagens e comentários virtuais que nossos ouvidos fazem-se moucos às vozes daqueles que estão a nossa volta, próximos de nós... Identificaria tudo isso chamando de “nossa glutonaria emocional”: comemos muito, comemos em excesso ao ponto de comermos mal e a nossa cultura consumista não nos ensinou a arte da degustação de um bom vinho, este prazer em distinguir os diferentes odores e sabores das pessoas, suas singularidades. Hoje, são raros os que manifestam esse traço da Sulamita de tratar ao outro com tamanha reverência: ostentamos uma lista infinda de “amigos”!

Sulamita não usava facebook e, neste ponto do poema, mais uma vez, o lugar da cena se altera e ela se vê sozinha em casa, entretanto, é o vento que lhe traz a voz do amado. Ela o distingue, enquanto ele, cantando, busca-a de longe entre as colinas. A voz do amado, a voz do outro, perdeu-se desde que nos perdemos de Deus no Éden: “naquele dia, quando soprava o vento suave da tarde, o homem e a sua mulher ouviram a voz do Senhor Deus”... A voz do Amado trazida pelo vento, mas esta nossa sensibilidade aviltada pelo pecado e que já não percebe a natureza como veículo da Graça de Deus! E se já não distinguimos a Voz de Deus trazida pelo vento, também discernimos cada vez menos nessa multidão impessoal a voz do outro, este semelhante ao nosso lado.

É a própria natureza quem anuncia a Sulamita a vinda do seu amado – como encontrarmos novamente a poesia perdida deste vento-verso que ainda insiste em nos trazer aos ouvidos a voz do outro?

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Aquele primeiro beijo...

 
Neste mês, meu amor, comemoramos dezesseis anos daquele nosso primeiro beijo... Parece que foi ontem, embora teus lábios me sejam mais atraentes hoje e os sabores de tua boca, mais fartos do que naquele distante mês de setembro... Lembra, amor?

Este blog é feito de canções que sempre quis cantar aos teus ouvidos (e canto!). As poesias estão aqui! Mas, agora, esta nova página será para reunir todos os outros posts que escrevi exclusivamente a ti e os que ainda farei...

Minha juventude foi entregue nas tuas mãos e também todos os anos que Deus ainda nos permitir... EU TE AMO!
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