Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

São Francisco de Sales - Cantares sobre Cantares (XXI)

São Francisco de Sales e sua interpretação alegórica do verso 9 do capítulo 2 do livro Cântico dos Cânticos:


Veja, este é o amor divino do amado (Jesus), como ele está por trás da parede de sua humanidade; veja que ele (Jesus) se insinuou pelas feridas de seu corpo e da abertura de seu lado, como janelas e como por uma estrutura através da qual olhamos (Saint Francois de Sales, Traité de l'Amour de Dieu, Livro V, cap. XI).

Embora esta interpretação seja alegórica (e eu já apresentei aqui, por diversos posts, o problema histórico com essa escola de interpretação, principalmente no tocante ao livro de Cantares), não há como não apreciar o "laço poético" dado por Sales a sua própria interpretação: seria a divindade de Jesus a Sulamita escondida por trás da parede de sua casa; as paredes são a humanidade (o corpo, a carne) que protege (ou esconde) dos nossos olhos a divindade dentro dessa "casa"; e, por fim, as feridas na cruz, os açoites, o lado aberto pela lança são  as janelas pelas quais tivemos o privilégio de ver revelada um pouco de sua divindade! Se nos debruçássemos nesta interpretação, que é mais uma outra imagem para tentar explicar a imagem original do texto de Cantares, realmente, é um encanto se imaginarmos que as feridas-janelas permitiram a manifestação não da humanidade fraca e débil de Jesus naquele momento, mas, antes, das fugazes amostras de sua divindade. Interpretação alegórica, mas que é cheia de beleza e poesia!

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...