Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eu, desprezível?! - Um post para minhas filhas


Nós, seres do sexo masculino, somos malvados. Somos todos muito malvados.  Contudo, o  mais surpreendente, é que, ainda assim, Deus nos dá filhos! Claro que, na maioria das vezes e por quase todo tempo, não sabemos como nos portar, como segurá-los, o que dizer, o que fazer com essas crianças que nos obrigam a olhar para elas, desafiando-nos diariamente a sair da nossa zona de conforto e olhar noutra direção que não seja apenas o nosso próprio umbigo. É sobre isso que trata o filme infantil - infantil mesmo - que, num dia desses, assistimos, todos juntos, aqui em casa: "Meu malvado favorito" ("Despicable me", que seria traduzido assim: eu, desprezível).


O personagem “Gru” foi criado pela mãe autoritária e indiferente a ele (não há a figura paterna). “Gru” persegue, desde criança, seu sonho, mas sempre procurando a aprovação materna. Todavia, todo esse seu esforço se revela inútil, pois ela despreza os sonhos do filho. Logo, com uma criação dessas, como poderia "Gru" se sair bem como pai? E ainda por cima, pai de três meninas de uma vez?! Ele não aprecia histórias infantis, não gosta de contá-las, não sabe segurar na mão de crianças e, muito menos, dar beijo de boa-noite e - evidentemente - nem dizer “eu te amo”. Enfim, o nosso herói é realmente um adulto desprezível!

Ser pai é um aprendizado. Ser pai é sempre um dia depois do outro. E a grande descoberta de “Gru” é que a beleza do amor está em você decidir amar a quem, com toda liberdade, decidiu amar você também. “Gru” decidiu amar aquelas três menininhas que viraram sua vida de cabeça para baixo, principalmente invertendo valores estranhos que existiam na vida dele. Elas aparecem assim, repentinamente, sem aviso prévio e vendendo biscoitos à porta da casa dele. A mais nova das meninas tem um nome sugestivo: Agnes (anjo). Assim, eu poderia também dizer que é em uma dessas visitas imprevisíveis de Deus em nossas vidas que, de modo bem parecido, tudo pode mudar. Eu creio!


É possível, sob outra perspectiva, que nós, homens, ainda que tendo um “Gru” morando dentro de nós (e que passa o tempo todo sonhando em roubar a lua só para suprir nossas demandas mais infantis), venhamos a descobrir, finalmente, que o maior sonho a ser realizado é o de decidir amar nossos filhos, assim como um dia Deus nos amou primeiro. No caso do filme, amar assim como as meninas o amaram primeiro: apesar daquela careca, do nariz esquisito e da aparência um tanto quanto grotesca (“Gru” é um diminutivo em inglês da palavra "gruesome", que quer dizer "repugnante"). No meio do filme, uma das meninas diz para a outra que “Gru” dá medo nela, mas, diante dessas palavras, a pequena Agnes, depois de um momento de reflexão, devolve: “Igual o Papai-Noel”! Talvez porque sejamos todos isso mesmo: um misto de coisa alguma com alguma coisa maravilhosa demais para se compreender; seres totalmente depravados, mas, ainda assim, com  a maravilhosa imagem de Deus plantada em nós.


Filme é sempre algo muito pessoal, uns gostam outros não. Mas “Meu malvado favorito” falou de uma maneira muito especial para mim, por causa dos temas que aborda: adoção, baixa auto-estima, julgamento, descobertas, conquistas, paternidade. Sou pai de duas lindas princesas e tenho descoberto que, apesar do “Gru” que ainda mora aqui dentro de mim, elas me veem de uma maneira toda especial. E, por isso mesmo, elas me fazem querer, cada vez mais, ser um pai melhor para elas. Dica? Um filme para se ver com toda a família, sem esquecer da pipoca e do refri, claro.

3 comentários:

Tom Alvim disse...

Texto esplêndido! também me sinto assim, como um "Gru"...rs, mas Deus em sua infinita misericórdia complemente em mim as faltas que existem para que possa ensinar meus filhos no caminho correto.
Em Cristo,
Tom.

Anderson Andujar disse...

Obrigado pelo texto e pela dica meu amigo... seu senso de observação das situações ao nosso redor aplicando-as ao nosso cotidiano é fascinante...

Belíssima família... parabéns...

Mariani Lima disse...

Querido Fábio, escrevendo um texto como esse eu duvido muito que haja um gruesome inside of you rsrs... terno, gostoso e tão digamos: fofis a sua postagem.

**Amigo, havia fechado temporariamente o blog pois estive com minha mãe doente e estava sem saco para outras coisa e por isso estive ausente, mas estou voltando a ativa nos blog dos amigos.
Fiquei sabendo que sua mami tb esteve adoentada, como está agora? Espero que bem.
Fica com Deus e um beijo nas meninas.

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