Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Felicidade do peregrino - Cantares da Felicidade (XV)

Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente. (Selá) 
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques. 
Sl 84: 4-6

Estamos na “Era da felicidade fácil”! Nunca foi tão acessível a felicidade às mãos das gerações anteriores como tem sido para nós hoje. Criamos nossas máquinas de felicidade virtual e as colocamos diante dos olhos de nossos jovens, seja a TV, seja o computador. Para eles, a felicidade está logo ali na breve distância de um simples “click”. São programas e vídeos de humor e lazer tão tolos e vazios, mas que preenchem o tédio do nosso dia-a-dia: CQC, zorra total, pânico, MTV, UFC fight, etc. 

Conseguimos aprimorar a regra tão conhecida de controle social do “pão e circo” oferecendo maior número de variedades de pães para todos os gostos, desde o simples pão francês até o brioche e diversos tipos de croissant. Os circos de outrora foram ultrapassados pela febre hodierna das grandes produções cinematográficas em 3D e vídeo games excessivamente reais. E não parece mais haver limites para nossa geração hedonista. Há uma cultura do entretenimento especialmente voltada ao meu lazer e diversão. Para nós, desajustados com toda essa high-tech que cerca nossos filhos, há ainda as caixinhas pró-felicidade que podemos comprar: desde o já consagrado prozac, passando pelo truptanol, até aquelas caixinhas contra nossas crises de ansiedade - cebrilin, butal sedin, arotin... Sem esquecer da maior invenção de felicidade em drágeas desde o surgimento do anticoncepcional: aquela pilulazinha azul, o viagra, que trouxe um novo conceito de terceira idade! Enfim, parece que não há mais como NÃO ser feliz!

Todavia, se tudo isso que foi dito acima lhe soar muito mundano, por favor, não torça o nariz, porque a cultura também pensou em você: as igrejas se proliferam não apenas pelos canais de TV, mas em cada esquina de nossas ruas. Há mega shows de uma fé não apenas internacional, mas, também, mundial e universal!!! Verdadeiros espetáculos de histeria coletiva da felicidade eufórica sob o rótulo santo do nome de “jesus”! São os BBBs gospel em rede nacional recheados de exorcismos e milagres bem ali na igreja mais próxima da sua casa ou nas melhores lojas do ramo. O mercado da felicidade contagiou o mundo cristão! Diversifica-se cada vez mais as inúmeras versões do texto bíblico - RC, RA, NTLH, Contemporânea, NVI, etc - enquanto isso, o povo nunca leu tão pouco qualquer um desses textos... Multiplicam-se os artistas na mesma medida em que a qualidade de suas músicas se esvai. Mas é preciso que seja assim, porque a felicidade fácil só "cola" nas mentes em hits fáceis e de fácil digestão espiritual. "Tudo muito fácil, extremamente fácil, pra você e eu e todo mundo cantar junto" - segue-se a receita do mundo. É preciso muito fogo ou muita chuva sobre a multidão sedenta por fuga e escapismo dos problemas reais que lhes batem à porta: uma dose farta de ópio para que possamos chegar até o dia seguinte... Não há mais como dar desculpas por NÃO sermos felizes!

O salmista, contudo, não viveu nestes nossos tempos fáceis. O peregrino tinha que enfrentar até meses de longas e difíceis jornadas caso quisesse chegar ao templo em Jerusalém – lugar determinado por Deus no Antigo Testamento para a manifestação da sua presença. Às vezes, famílias inteiras com crianças e mulheres grávidas viajavam por regiões áridas como o vale de Baca, conhecido também por “vale de lágrimas”. Assim, a alegria do salmista se revela quando este chega, depois de longa jornada, aos átrios de Deus. O salmista inveja os passarinhos: melhor seria ser como o pardal e a andorinha que fizeram seus ninhos sobre o Templo, assim jamais ele sairia de perto da presença de Deus.

A felicidade do peregrino é concluir sua dura travessia até encontrar-se com Deus. A nossa felicidade é encontrarmos nossa força em Deus para conseguirmos concluir a viagem que já começamos nesta vida por causa de Jesus, que fez do meu corpo o Templo do Espírito Santo! Por causa de Jesus, somos peregrinos perseguindo o céu: o templo do nosso Deus Vivo!

Aguardo, Senhor, o dia maravilhoso, o fim desta minha jornada, em que minha alma suspirará e desfalecerá ao se encontrar eternamente nos braços da verdadeira felicidade! Amém!

Linda música sobre o salmo 84:

Leia também: 

A Felicidade-Maravilha (ou “Sobre Cantares da Felicidade”)


2 comentários:

***Lucy*** disse...

Amados do Senhor,

Somos peregrinos neste mundo, mas a esperança de que seremos verdadeiramente feliz, está quando estivermos face a face com o Senhor.

Muitos procuram a felicidade em coisas materiais, mas a felicidade não está na matéria, e sim nas coisas espirituais.

Excelente seu texto!
Saudades mil!!!

Em Cristo,

***Lucy***

Mulher de Deus disse...

I Pedro 2:11
“Amados, exorto-vos (peço-vos), como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma;”

Nós não pertencemos a este mundo, por isso não podemos nos ajustar, ter os mesmos interesses deste mundo, simplesmente porque já somos cidadãos dos céus! Mas infelizmente muitos estão investindo neste mundo, tendo cuidados e preocupações com as coisas desta vida,sendo seduzidos pelas riquezas e a cobiça, não fazendo a diferença, e muito menos influenciando mas sendo influenciado palas coisas deste mundo!
Muito bom o seu texto! espero que muito leiam e reflitam esse assunto! Um grande abraço meus amigos Casal 20, saudades de vocês!

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