Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Eu também já estive lá!


Eu também já estive lá!
Este post foi escrito cheio de saudade da IPN, por isso ofereço-o com muito carinho aos que viveram tudo isso e muito mais naqueles dias preciosos de nossa juventude.

Minha vida ainda se encontrava sob o efeito devastador do que o Espírito Santo fizera em mim. Sinceramente, minha vida, em um curtíssimo espaço de tempo, virou uma verdadeira bagunça por causa da intervenção de Deus: meus amigos se afastaram, minhas prioridades se inverteram, a casa suja ficou limpa, troquei minhas madrugadas por dias ensolarados, enfim, literalmente, era como seu eu fosse um lobisomem americano em Londres. Com a diferença de que eu não era mais um lobisomem e Londres já não me despertava o menor interesse. O animal que habitava em mim havia ouvido: “Saia agora deste jovem”! E assim como o ex-endemoniado Gadareno, descobri que a gente incomoda muito mais estando são, com a consciência lúcida e o juízo perfeito do que compactuando com o mundo e suas loucuras.

E foi assim, naquele exato momento de balbúrdia santa em que eu me encontrava, que fui chegando à igreja local que me recebeu tão amorosamente em Brasília, a IPN (Igreja Presbiteriana Nacional). Logo eles foram me enturmando com as viagens missionárias dos seus jovens e adolescentes: São Jorge, Alto Paraíso de Goiás e... Sim, eu também estive lá! Saímos de Brasília, os jovens da Igreja, liderados pela sempre carinhosa Tia Preta e sob o olhar atento do Pastor Obedes. Todos ali na maior adrenalina juvenil. E eu mesmo nem fazia ideia do que, de fato, estava para acontecer. Diante daquela algazarra toda, diante de toda aquela alegria cristã, só havia em minha cabeça aquela insistente batida do martelo, que me repetia: “Por que eu não converti antes?!!!” rsrsrsrs

Chegamos ao hotel, conhecemos a cidade, mas foi naquela noite que fomos reunidos no saguão. Todos nós bem empacotados, totalmente preparados para enfrentarmos aquele frio desafiador. Foi quando P.O. (era assim que chamávamos nosso Pastor Obedes), abriu a Palavra e leu aqueles versos que nunca mais despregaram da minha memória:

Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes em toda a extensão da terra, e as suas palavras, até ao fim do mundo.

Neles pôs uma tenda para o sol, que é qual noivo que sai do seu tálamo e se alegra como um herói a correr o seu caminho. A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso, até à outra extremidade deles; e nada se furta ao seu calor (Salmo 19:1-5).

Quando o P.O. terminou a leitura, começou sua exposição e a aplicação tinha exatamente como pano de fundo o que haveríamos de fazer ali. Pastor Obedes falou sobre a glória de Deus na criação e como ela prega silenciosamente a beleza dAquele que a criou. E o Deus que havia criado toda a beleza daquela natureza e de todo o cosmos havia nos trazido, nos chamado, havíamos sido eleitos para estarmos ali naquele hotel naquela preciosa noite!

Finalmente, começamos a nossa jornada às 10 horas da noite. Todos muito bem encasacados que nem nos reconhecíamos no meio de tanta luva e cachecol, mas era preciso por causa das baixa temperatura que poderia chegar a - 10ºC. Todos precisavam também ter suas lanternas e pilhas de reserva. Fizemos em uma longa fila indiana e começamos a escalada. Não havia estrelas no céu e nem a lua apareceu. Em certo momento, desafiando a subida íngreme e o vento forte e gelado, levantei meu rosto e pude ver no meio daquela escuridão a cena linda das luzes de nossas lanternas em fila como uma imensa cobra de fogo serpeando o tangível negrume.

No meio da madrugada, lá para 1 hora da manhã, acampamos para tomar um chocolate quente. O frio era indescritível. Precisávamos deitar todos encostados uns nos outros para descansar e retornarmos à caminhada. O disse-que-me-disse naquela época foi que aquele chocolate quente que estavam dando para nós tinha conhaque! Nunca ninguém confirmou essa história, mas ela sempre nos acompanhou como item obrigatório na contação dessa nossa aventura.

Fizemos grandes amigos naquela escalada. Muitas meninas não aguentavam o cansaço que já nos fazia doer as pernas e, assim, elas revezavam em cima dos burros de carga. Outros, excitadíssimos, não paravam de falar; mas houve um rapazinho bem na minha frente a quem minha lanterna permaneceu a noite toda iluminando a frente dos pés dele para ajudá-lo na empreitada. Por diversas vezes, esse rapazinho, Luís Felipe, quis desistir e entregar os pontos. Parava, sentava, choramingava e eu lembro que tentava animá-lo e, com muita insistência, ambos conseguímos vencer o cansaço, a manha, o choro, a dor, o frio que queimava nossos olhos. Enfim, nem preciso dizer que foi uma das MAIORES AVENTURAS DE TODOS OS TEMPOS EM CRISTO JESUS! Contudo, olhando hoje para esse passado, sei que aquela foi tão apenas a primeira de muitas aventuras que até hoje vivo para a glória do meu Deus!

Nem é preciso dizer nada!
Chegamos! O sol já estava nascendo. Isso mostrava que havíamos sido vitoriosos, porque o objetivo era exatamente chegarmos em tempo de ver um dos maiores espetáculos do Criador neste planetinha maravilhoso que Ele criou: o sol nascer do alto do Pico da Bandeira, divisa de Minas Gerais e Espírito Santo. O terceiro ponto mais alto do país com 2.891,98 metros de altitude. Lá do alto, cantamos, gritamos, choramos, pulamos de alegria! Porque aquela beleza toda só podia mesmo ter sido criada por Alguém muito mais bonito do que tudo aquilo que estávamos presenciando.

Mas por que eu estou escrevendo tudo isso? Porque ontem assisti ao vídeo abaixo e chorei, chorei demais quando, no final, eu ouvi a surpreendente sinfonia da Criação de Deus cantando para Ele. E eu creio – e eu preciso declarar isto hoje, porque, um dia, há muito tempo, eu não acreditava, mas, hoje, eu creio graças a Deus! E quero compartilhar este texto e esse lindo vídeo. E a minha oração é que você pare um pouco o que você está fazendo, desligue-se do corre-corre, do excesso de atividades e se dê o presente de assistir aos 14 minutos do vídeo abaixo.

Abraços sempre muito afetuosos do Casal 20!

5 comentários:

Cris Campos disse...

Estar lá é maravilhoso Fábio! Agora ter a nítida sensação de que sempre se esteve lá é que tudo não passou de ilusão e embarcar num caminho inverso, sabendo-se bem onde ele vai chegar, buscando respostas que nunca virão, entendendo amargamente que ser nulo é o único caminho, e que ele dará em um abismo, é um fel que muitas vezes é impossível não sorver, talvez porque, no fundo, é isso mesmo que se queira, tomar a última gota e morrer de uma vez. Gr. abrç. Deus continue abençoando
tremendamente sua vida. Lindo texto!

Casal 20 disse...

Uau! Cris! Agora, eu é que acho que fiquei sem saber decifrar teus códigos rsrsrs

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Anderson Andujar disse...

Estou arrepiado aqui. Glórias ao nosso Deus. Obrigado por nos presentear com esse post Fábio e Lú. Abraços...

Mariani Lima disse...

Fábio, não tenho dúvidas de que Deus é grandioso demais, tão grande que eu não consigo conceber! Esse tem sido o meu pensamento e isso tem me segurando eu acho! rs...

Amei sua narrativa e fiquei me lembrando dos meus dias de jovem da IEC, tb. Época muito boa, maninho! rsrs... eu não cheguei a tantas aventuras assim, e nem vislumbrei panoramas tão magníficos, mas andei subindo uns montes para orar rsrs...
Abração. Fica com Deus.

Tia Preta disse...

Fábio,
Que maravilha.
Obrigada por nos presentear com esse relato tão emocionante
Linda viagem. Lindas histórias prá contar. Grandes recordações
Timóteo e Elisa pequeninos, estavam congelando, quando o PO deu-lhes o chocolate quentérrimo e, literalmente, deitou-se em cima dos dois para aquecê-los e assim continuamos a viagem. A mula cega, o guia gago e a emoção da fileira de laternas. Os últimos 600 metros que não chegavam nunca.... O Luis Felipe querendo dormir no meio do caminho...sozinho!
Inesquecível e indescritível o amanhecer, a chegada do sol. As nuvens, o frio, a obra maravilhosa do nosso Deus e Senhor. Quando contemplamos.....
bjns
Tia Preta

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