Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Blog Uai, mundo? (Cacá) - SEXO E OS BLOGS (IX)


Nas próximas postagens (uma por dia), queremos prestar uma homenagem aos blogs que o Casal 20 lê, publicando posts em que esses blogs abordaram o tema da sexualidade. Boa leitura!

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"TRIÂNGULOS AMOROSOS"

A perplexidade que nos acomete quando ficamos sabendo de alguém que matou por amor é tola? Entendemos de amor? Não se mata por amor. Morte matada é ódio, é descontrole, é ultrapassar o infinito feito de linhas tênues colocadas à nossa frente pelo sistema emocional de que dispomos. Mal gerido, diga-se. É o desafio maior de um ser humano. Cada um resolve sua dor com o conceito que possui de amor. Ele não é universal, sagrado, único. Nem etéreo, nem sublime. Ele é objeto disposto à troca, é material. É franciscano do lado avesso, se não correspondido à altura do julgamento de valor de quem supostamente o oferece ao outro. 
Tem sido recorrente no noticiário casos e casos de pessoas que mataram o ser amado. E também casos em que se mata e depois se tira a própria vida. Uma demonstração do rompimento daquela linha fina por onde, equilibrar-se, passam todos os julgamentos sobre normalidade e loucura. 
Goethe* criou seu jovem Werther, cheio de uma angustia incontida, uma melancolia incessante que foi ao cabo da própria vida pelo ser amado e não possuido, Carlota. Machado de Assis** não deixou que tal ocorresse com Bentinho, quando descobriu que sua imaculada Capitu triangulara com Escobar, seu melhor e talvez único amigo. Preferiu afastá-lo de sua amada e tida para aliviar a sua fúria mortal, seu ódio exasperado. Da noite para o dia, desamou Capitu e o filho. A literatura está cheia de vida imitando arte. 
Mas o que quero falar é sobre triângulos amorosos. Ou outras figuras geométricas de quantos lados simbolizem os tantos de relacionamentos teúdos e manteúdos. 
 Pessoalmente já presenciei dois exemplos ridículos, insólitos, insanos, risíveis. Nada contra os eletricistas: J.M., casado, dois filhos, duas mulheres. Saía do trabalho, ia à casa-sede, tomava seu banho, trocava-se, ia à casa filial e por lá permanecia até fim de noite. Voltava para a sede, dormia, sei lá; encontrávamos no dia seguinte normalmente no trabalho. Era uma vida normalíssima para si e inquestionável por quem quer que fosse. Dizia ser “problema de amor demais”. Quando acuado pela mulher com quem se casara legalmente, matou-a a golpes de martelo. Perdeu emprego, amigos e os dois amores e filhos. 
 E.A., casado, quatro filhas, enamorou-se pela cunhada, irmã mais nova de sua mulher. Esse dividia diariamente sua angústia entre um circuito elétrico e outro, conversando no trabalho. Só não aceitava intervenções que ameaçassem apartá-lo de seus dois amores. O argumento: casara-se com uma, mas nutria amor verdadeiro pela outra. Não a abandonava, em primeiro lugar por causa das filhas e pela sua bondade, ingenuidade, piedade e culpa (sic). O sogro ao tomar conhecimento ameaçou-o de morte. Conseguiu por dois anos viver o triangulo, driblando a morte, até que a esposa tomasse a iniciativa de tirar o seu time de campo. Abandonou o emprego, as filhas e a cidade. Mudou-se com a cunhada para bem longe. 
Que tipo de sentimento move quem procura ter e manter mais de uma relação estável? É compreensível o argumento da fraqueza da carne, do instinto natural pelo sexo oposto ou homônimo. O que me fascina é a capacidade de sustentação de ambos ao mesmo tempo e por duração a longos prazos. Não consigo enxergar outro sentimento senão a impregnação dos valores de posse e troca. Uma confusão do mundo material com o mundo da alma que já não distingue, na prática, o que é da esfera sensorial e o que é palpável, de posse permanente, absoluta.
* Os Sofrimentos do jovem Werther 
** Dom Casmurro
Leia também: 
Blog CORAÇÃO QUE PULSA (Clélia) - SEXO E OS BLOGS (VIII)
Blog Mar e Poesias (Guiomar Barba) - SEXO E OS BLOGS (VII)

4 comentários:

Cris Campos disse...

Este post me fez lembrar de um livro que li da Promotora Luiza Nagib, um relato simples dos principais crimes passionais desde o início do século. É algo assim, surreal mesmo, e o machismo que permeou esses assassinatos mais ainda. É patente que quem mata, nunca amou. Vejo nisso um sentimento puramente carnal, atração física, sexo mesmo, e só. Amor quando existe, se materializa em ações de bem querer, tem ciúmes, penso, mas nele não é alimentado. A fidelidade é efeito e não causa do amor, quando a gente ama mesmo, lá na alma, a pessoa amada nos basta, temos olhos só para ela. Durante vinte e cinco anos da minha vida nunca torci o pescoço para lado nenhum, e me refiro aqui a internalização desse "virar", não como obrigação ou imposição, sempre me foi natural, o vasto espaço do meu coração não comportava mais ninguém, e só. Paixão, me parece, carrega uma certa melancolia sim, mas amor não. Engraçado, comecei a ler esse livro do Goethe esse final de semana, coisa de quem tem um pé na angústia.., rsrs. Nesses triângulos qualquer equilíbrio é impossível, são escorregadios, a queda é fatal, na maior parte, acompanhada da morte, um preço muito alto para a satisfação momentânea da carne. Sei que o "comment" vai ficar extenso, de novo Fábio,não fica "bravo", mas mesmo assim vou colocar a letra de uma música linda do Jorge, ô caramba!, ela cabe direitinho aqui!

"O amor resiste ao tempo
Torna quem é fraco em forte
Passa os corações a limpo
O amor é sempre o norte

O amor trata as feridas
Cura as marcas do passado
Lembra as datas esquecidas
O amor é um aliado

Na luta contra as tempestades
Na força contra os vendavais
Da graça que concede àqueles
Que não desistirão jamais

Da lágrima que escorre quente
Nas horas de alegria e dor
Do riso que enche o rosto amado
Olhando para o seu amor

O amor é assim mesmo
Surpreende a quem já sabe
Ou pensa que sabe e cisma
Em querer que o amor acabe

O amor é assim mesmo
Vive para a eternidade
Ainda que andando a esmo
Encontra o lar cedo ou tarde"
Aqui o link para ouvir na voz da Aline Piganton... http://tinyurl.com/bwa7d5w

Em uma outra música ele fala assim: " a felicidade é uma porta que se abre pra fora, quem forçá-la para dentro, ordena que o amor vá embora!" Quem ama quer a vida plena no ser amado, nisso não cabe ira e morte, só cabe o amar. Ah Fábio, falei pelos cotovelos outra vez! Gr. Abrç.!

jose claudio disse...

Oi,Fábio! obrigado pela "deixa". Coincidentemente há pouquíssimo tempo encontrei com o E. A. , abtido, desmoronado eticamente e ele me disse que se arrependimento matasse teria morrido muitas vezes. Está só e nem as filhas querem vê-lo mais.

Obrigado e um grande abraço. paz e bem.

Paulo Francisco disse...

Quem ama não mata!

(Obrigado pelo comentário bacana, lá no Cores e nomes.)
Um abraço grande e uma semana de paz pra ti.

Mariani Lima disse...

Estou pensando nisso por conta desse terrível assassinato envolvendo o casal da Yoki. Ontem mostraram as fotos do casamento, de viagens,declarações de amor e de repente uma terceira pessoa, o descontrole e a dona lá matou e cortou o marido em pedacinhos. Fiquei pensando no que somos capazes. Quem ama mata? Dizem que se não purificarmos o nosso coração,até os sentimentos mais sublimes podem se tornar venenosos,não é?
Abração Fábio! Fica com Deus.

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