Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Liberdade dos Pais na Educação dos Filhos

À primeira vista, seria desnecessário frisar que os pais têm a principal responsabilidade na educação de seus filhos. Afinal, por milhares de anos eles sempre tiveram um papel decisivo na área de ensinar os filhos.

A principal desvantagem do passado era que não havia os recursos educacionais que conhecemos hoje, e a vantagem era que uma educação centrada no lar moldava a formação do caráter de forma direta. Havia tanto convívio familiar que não sobrava aos adolescentes tempo para se envolver com más companhias. O normal era o respeito e o apego à família. Hoje a situação se inverte: pouco convívio familiar e muito envolvimento com amigos suspeitos, principalmente em escolas públicas, trazendo como resultado infelizes mudanças de comportamento, inclusive desrespeito aos valores aprendidos na família e na igreja.

O que sempre tornou fundamental o papel dos pais na educação dos filhos é que eles sempre tiveram a autoridade para definir os valores de vida. Sua missão era encorajar, corrigir e treinar moralmente. Os filhos não aprendiam somente a ler e a escrever, mas também a levar uma vida honesta e responsável.

Embora saibam que o melhor lugar para uma criança aprender valores morais é o lar, muitos pais se sentem incapazes de dar aos filhos o conhecimento educacional que as escolas institucionais podem dar. Assim, eles enviam os filhos a essas escolas, muitas vezes temendo por sua segurança moral, espiritual e física.
 
As escolas públicas têm hoje uma vasta influência na vida de milhões de crianças. As crianças passam grande parte de seu tempo semanal absorvendo o que aprendem nas escolas. E o que elas estão aprendendo?

A maioria dos pais sente que as escolas públicas não são uma boa opção. Eles gostariam de mandar os filhos para uma escola cristã. Até mesmo pais não-evangélicos não vêem nenhum problema em colocar os filhos em escolas cristãs, porque sabem que lá eles aprenderão valores morais. Os pais têm um interesse natural em proteger os filhos e lhes dar segurança. Na escola pública, as crianças estão sujeitas a absorver ensinamentos errados e as experiências negativas dos amigos. É uma socialização que desafia tudo o que ela aprendeu no lar. Nesse desafio, o maior perdedor pode ser a criança e a família.

É claro que é direito dos pais decidir o tipo de educação que será melhor para os filhos. Se eles preferem uma escola pública, o governo não deveria impedi-los, mas apoiá-los. Se o que os pais querem é mandá-los para uma escola particular cristã ou lhes dar educação escolar em casa, é responsabilidade do governo tratar esses pais com o mesmo respeito e apoio. O papel do governo é apoiar os pais, não tentar substituí-los ou enfraquecer seu direito de escolher o que é melhor para os filhos.

Embora a escola pública ofereça um ambiente moralmente desprotegido para muitas crianças, cristãos adultos — como professores, diretores, etc. — deveriam aproveitar toda oportunidade para influenciar essa área. É o que eu mesmo faço. Já tive chance, por exemplo, de dar palestras em escolas públicas sobre aborto e sexo antes do casamento, de um ponto de vista cristão. Os alunos deram muita atenção e experimentaram um impacto tremendo. Costumo também orientar líderes cristãos a darem palestras em escolas públicas.

Uma escola particular cristã é uma opção que toda família gostaria de escolher. É sempre uma boa opção. Mas a maioria das pessoas não tem condições financeiras de sustentar os estudos pagos dessas escolas.

A grande vantagem de nossa época é que o computador nos permite fazer agora o que antes não era possível. Podemos entrar em bibliotecas, consultar enciclopédias e adquirir todo tipo de conhecimento, com um simples click do mouse. Especialistas americanos como John Naisbitt acham que com o computador agora acessível será possível as famílias darem aos filhos educação escolar no próprio lar.

Educar uma criança é como cultivar uma planta. Aliás, o Salmo 128:3 diz que nossos filhos são como oliveiras novas. Plantinhas devem ser cultivadas, regadas e tratadas com muita atenção. Embora o capim possa crescer sem nenhum problema em qualquer lugar, plantinhas valiosas precisam do nosso cuidado direto. Se receber uma educação qualquer, sem princípios morais, a criança corre o sério risco de se tornar como capim, moralmente inútil. Se receber uma educação cuidadosa, ela terá tanto valor e utilidade como a oliveira.

Se durante seu crescimento, essas plantinhas forem regadas com ensinamentos que contaminam e desafiam os valores morais aprendidos no lar, como poderão se preparar para o futuro? As escolas públicas estão regando as crianças numa fase em que elas estão abertas para absorver e aprender experiências. Elas absorvem experiências de seus amigos de escola e também as experiências que seus professores lhes passam. Há professores que, alegando melhorar o desempenho escolar dos alunos, os levam à prática da meditação oriental. As crianças não estão preparadas para discernir o fator espiritual dessa prática. Elas não sabem que, nas religiões orientais, a meditação faz com que o indivíduo entre em contato maior com espíritos guias.

Deveríamos dar a elas a chance de serem regadas com ensinamentos da melhor qualidade moral possível. Deveríamos mandá-las para escolas cristãs conceituadas.

Não havendo essa possibilidade, podemos optar pela educação escolar em casa. Não é difícil. Dois milhões de crianças americanas recebem educação escolar em casa, dos próprios pais. A experiência mais comum é que crianças educadas assim têm dificuldade de se envolver com más amizades, respeitam os pais, têm um desempenho educacional superior ao dos alunos em escolas públicas e até particulares.

No Brasil, já há famílias brasileiras dando educação escolar em casa para os filhos. Embora muitos americanos residentes no Brasil ensinem os próprios filhos no lar, com a liberdade que sua cidadania americana lhes dá, as famílias brasileiras estão dando educação escolar em casa com a liberdade que lhes é garantida na própria Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa declaração diz que é direito prioritário dos pais escolher a educação dos filhos.

Apesar disso, o Ministério da Educação já se colocou na oposição a esse método de ensino, contrariando até mesmo tratados internacionais que o Brasil assinou, e um ministro do Superior Tribunal de Justiça declarou que os pais não podem dar educação escolar em casa porque “os filhos não são dos pais”. Então, de quem são os filhos?

No pensamento socialista, as pessoas pertencem ao governo. Se o governo, por exemplo, determina que todas as crianças em idade pré-escolar devem ir para a creche, todas terão de ir. Se o governo estabelece que as esposas não têm a liberdade de permanecer em seus lares para cuidar dos filhos, só lhes resta deixá-los na creche e entrar no mercado de trabalho.

Contudo, não vivemos num país totalitário. Vivemos num país democrático, onde escolhas e decisões, ainda que sejam diferentes, precisam ser respeitas. Todos são iguais perante a lei. O próprio direito natural estabelece que os filhos são responsabilidade prioritária dos pais, não do governo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem respeitado esse direito. Agora resta às nossas autoridades colocarem o bem-estar das famílias e suas escolhas livres acima de suas próprias ambições políticas.

 Julio Severo

Título original:   
Defendendo a Responsabilidade da Família na Educação dos Filhos
Fonte: http://www.juliosevero.com

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5 comentários:

Paulo Francisco disse...

Um texto polêmico, com pontos positivos e outros negativos. Mas um texto reflexivo. Bem interessante.
Fábio, Cora Coralina é tudo de bom. Eu sou um Biólogo metido que gosta de poesia. Gosto de brincar de escrever - é uma terapia.
Um grande abraço

Mariani Lima disse...

Texto muito bom! Tb me preocupo com a interferência em excesso do estado na criação dos filhos. E tb concordo no que diz respeito a nossa responsabilidade enquanto educadores de multiplicar conceitos morais, que muita das vezes os alunos acabam não recebendo dos pais por diversas razões. fato é que criar um filho é muito difícil, a medida é complicada, mas não deixo de pensar que precisamos prepará-los para desenvolverem mecanismos próprios para a vida social

Casal 20 disse...

Paulo, concordo. Sei que o tema é polêmico e que vale a reflexão. Às vezes, nem paramos para pensar em determinados assuntos até que lemos textos assim.

Paulo, quanto a Cora, eu vou me redimir. Quero lê-la para poder compartilhar contigo sua emoção. Aguarde-me!

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Casal 20 disse...

Mariani, eu também travo exatamente no ponto que você tocou. Há muitos pais que não formam valores morais aos filhos ou porque não estão presentes ou porque também não receberam. O pior é que tudo isso é um ciclo vicioso. Por isso, concordo também que, embora os pais sejam os responsáveis, cada um que se preocupa com a sociedade de amanhã deve ajudar também. Lembro que já participei numa escola em Brasília do que ra chamado "Escola de pais". A gente dava apoio aos pais que não sabiam como descascar o abacaxi que eram seus filhos, muitos rebeldes e já envolvidos com criminalidade e drogas. Sou contra a excessiva intervenção do Estado, mas sou a favor de uma sociedade mais responsável por ela mesma.

Abraços sempre afetuosos, querida.

Fábio.

Casal 20 disse...

Mariani, digo mais, uma sociedade mais responsável por ela mesma, mas sem aqueles cacoetes ou intervenções de ONGs e grupos que querem mandar dentro das nossas casas. Porque o intervencionismo estatal é uma mentalidade que também faz ninho em algumas cabeças "iluminadas". Todo cuidado é pouco!

Fábio.

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