Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Felicidade-Maravilha (ou “Sobre Cantares da Felicidade”)

“O homem é feito para a felicidade”
(Montesquieu)

Pergunta 1: Qual é o fim principal do homem?
Resposta: O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”.
(Breve Catecismo de Westminster)


“Após um século 20 durante o qual o Estado pensou poder garantir a vida feliz dos cidadãos, assistimos de fato a uma interiorização do indivíduo quanto a sua felicidade pessoal. Mas a novidade é que daqui em diante todas as aspirações individuais são recuperadas pela mídia a serviço do mercado de hiperconsumo, e se tornam assim, ao mesmo tempo, apostas de massa”, escreve. A finalidade do discurso midiático predominante hoje, segundo ele, “é formar um cidadão feliz o bastante para comprar e convencido que será ainda mais feliz graças a suas compras”
(George Minois, autor do livro 'A Idade de Ouro – História da busca da felicidade', citado em resenha de Luciane Cristiane)

Como educador e político, acho Cristovam Buarque um escritor de ficção mediano (li os “Deuses subterrâneos” e achei uma ótima literatura para se passar o tempo. Só!). Cristovam Buarque faz parte de um grupo seleto de iluminados que descobriu a fórmula da felicidade-maravilha! E, como todo revolucionário, faz questão de garantir essa felicidade a todos nós por força da lei. Está no DNA da revolução (seja a Francesa, seja a bolchevique) querer decidir pelo indivíduo não só o que seja felicidade, mas empurrar esse mesmo indivíduo na busca dessa suposta felicidade-maravilha intuída e instituída pelos sábios do Estado (quem não se lembra da polêmica PEC da Felicidade de autoria do Senador?). É a fórmula da Felicidade-Maravilha. A crença de que, como diz a música no fim deste post, a felicidade é como o feijão: o preto que satisfaz, um crioulo amigo do peito de todos nós.

É óbvio que a busca da felicidade individual, cedo ou tarde, entrará em colisão com o que filósofos, psicanalistas, sociólogos e outros sábios de plantão decidirem como sendo o ideal da felicidade coletiva. Mas é aí - fique sabendo - que entrará o Estado. Este, nutrido de seus múltiplos saberes, terá nas mãos o poder coercivo de impôr o coletivo sobre o individual. O importante, dirá o Estado, é o bem da coletividade e você, meu caro indivíduo, você não poderá ser a azeitona na empada dessa felicidade geral.

Certo sociólogo (representante desse seleto grupo de gênios de gabinete), definiu que a felicidade do indivíduo se estabeleceria quando houvesse uma realização concomitante em três áreas da vida do ser humano: primeira, nos bens materiais; segunda, numa boa compreensão do mundo em que você está inserido; e terceiro, numa satisfatória relação amorosa a dois. Imagine isso sob a forma de lei em Carta Magna! Numa sociedade de invejosos, o Estado deveria restringir (ou redistribuir) os bens dos competentes em favor daqueles que, por “razões históricas”, não puderam lutar por si mesmos na busca de sua felicidade? Ou se o Estado não consegue fornecer escolas de qualidade e acesso aos bens culturais (boa literatura, artes, música, etc), então o Estado deverá criar cotas raciais ou contribuir financeiramente para grupos que promovem invasão de terras e depredação de patrimônio público? E o amor? Ah! O amor! - privilégio de poucos... Aqui, certamente, o Estado também terá o seu quinhão de intervenção, empenhando-se pela legalização da prostituição no país – tudo em nome do direito pela busca à felicidade!

Fico imaginando também o direito à essa tal de felicidade garantido à família de Cleber Nunes e Bernardeth, que decidiu educar seus filhos em casa e provaram estar muito bem, obrigado! O Estado, porém, não pode permitir que uma busca individual por felicidade fira a felicidade coletiva. Onde já se viu uma família educar seus filhos em casa, enquanto tantas têm que se submeter à doutrinação estatal ou ao preço exorbitante da rede particular?! O Estado, meu caro indivíduo, nunca te deixará ser feliz sozinho! 

E o direito à busca da felicidade garantido aos pregadores Macalpine e Shaw Roles que foram presos na Inglaterra por pregar que a homossexualidade era um pecado. Bem, na Inglaterra, pelo que eu sei, não há na Constituição o direito à felicidade. Isto, então, justificaria aos desavisados como eu o que ocorreu por lá: eles não têm a busca à felicidade escrita na lei! Do contrário, se a busca pela felicidade já estivesse escrita na lei inglesa, certamente Macalpine e Shaw Roles poderiam defender tranquilamente que a felicidade não está numa conduta de comportamento ou numa escolha sexual sem correr o risco de serem presos... Mentira, meu caro indivíduo! O Estado nunca permitirá que a fórmula de felicidade-maravilha de uma coletividade seja alterada pela individualidade. A própria PL 122 é uma prova de que o Estado não poderá garantir por lei que, democraticamente, todo indivíduo tenha direito à busca pela sua felicidade.

Os dois exemplos acima mostram que a simples presença (ou não) de uma expressão na Constituição de um país não consegue alterar a realidade de toda uma cultura de intolerância e preconceito contra um indivíduo. É o que demonstram as Constituições da África do Sul, do Japão e da Coreia do Sul, que, ao lado dos EUA, da França e do Butão, possuem em suas constituições citações sobre a felicidade. A Coreia do Sul, por exemplo, é líder mundial em gasto com pornografia por habitante (incluindo pedofilia, zoofilia e outras abominações). O Japão já é notório pelo alto índice de suicídio “cultural” de sua juventude e por suas máquinas de moedinhas nas estações de metrô, nas quais são vendidas calcinhas usadas para que se possa dar uma cheiradinha na vestimenta. A África do Sul segue com altíssimos índices de estupro, mais de 40% de desempregados, 1/3 da população continua sem saber ler ou escrever, há uma legião de miseráveis que vivem com menos de 1 dólar por dia, o índice de repetência escolar supera 70% das crianças negras. Enfim, a letra num papel não altera a realidade. E mesmo que isso seja um ensino antigo, revolucionários continuam a seguir pelo mundo vendendo suas cápsulas de ilusão e utopia: a felicidade-maravilha!

Países como o Japão, a Coreia do Sul e a África do Sul estão doentes e o Estado jamais poderá dar a eles valores espirituais - aquele conjunto de princípios ou normas que, por corporificar um ideal de perfeição ou plenitude moral, deve ser buscado pelos seres humanos. O que o Estado pode oferecer? Bens materiais. Então, como responsabilizar o Estado pelo que deve ser uma conquista individual? O Estado já provou que no caso da família, da liberdade religiosa, da eutanásia e dos fetos abortados, ele não poderá garantir a felicidade de todos nós. Enfim, o “direito à busca da felicidade” nas mãos do Estado-patrão será mais um item na imposição de uma agenda coletiva sobre as liberdades individuais. E o mais irônico é que “o direito à busca da felicidade” é apresentada pelos sábios como uma defesa da garantia da liberdade individual. Pode?! Só quem não conhece o produto é que o compra mesmo!

Enfim, nem o Estado e nem o Mercado podem nos fornecer valores espirituais, que poderiam contribuir na busca individual da felicidade, porque esta sempre será uma busca metafísica. A despeito do que dizem sociólogos, filósofos, psicólogos e outros sábios de plantão, temos há quase dois anos averiguado o que a Bíblia diz sobre felicidade. Queremos convidar você, leitor, a visitar a página “Cantares da Felicidade” aqui no nosso blog e descobrir que as bem-aventuranças apresentadas nas Sagradas Escrituras podem surpreender a nossa noção coletiva e individual sobre o que supomos ser essa tal de felicidade! 

3 comentários:

Tom Alvim disse...

O Estado deve existir para o indivíduo e não o contrário, contudo o Estado socialista é assim mesmo, quer controlar e escravizar a massa para que os que estiverem no poder possam viver como reis. A busca da felicidade está, creio eu, naquela primeira frase do texto, a de Montesquieu que deve ser copiado da Bíblia...rs Depois vou procurar nela aonde fala sobre isso.
Abraços Fábio, o texto é excelente!

Cris Campos disse...

Mais uma excelente análise Fábio! O socialismo para mim é um tremendo engodo. Realmente considero muito importante se pensar nos problemas sociais sob uma perspectiva menos individualista, mas entregar o domínio nas mãos do Estado é uma insanidade alucinada! O problema maior dessa coletividade sobre o indivíduo é que sempre alguém estará sendo sacrificado pelo bem do grupo, e o andar da carruagem certamente atingirá a todos; ou seja, em algum momento você vai para o centro da roda! Agora me fala aqui, essa máquina no Japão é brincadeira né? ô loucuraaaa! Gr. Abrç. Fábio!

Casal 20 disse...

Cris, pior que não é brincadeira. Esquisitice, não? E a gente pensa que já viu de tudo rsrsrs

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