Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

terça-feira, 29 de maio de 2012

Blog da Norma Braga - SEXO E OS BLOGS (II)

  Nas próximas postagens (uma por dia), queremos prestar uma homenagem aos blogs que o Casal 20 lê, publicando posts em que esses blogs abordaram o tema da sexualidade. Boa leitura!

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Reflexão óbvia sobre os palavrões

Sempre tive uma certa simpatia para com palavrões, confesso. Inspirava-me não só na óbvia associação de seu uso a um espírito de espontaneidade e rebeldia, mas nos ditames de minha formação lingüística e literária, segundo a qual "todas as palavras são boas e utilizáveis". Tinha como certo que um profissional da palavra deveria se manter isento de melindres para com o principal instrumento de seu métier. Porém, como qualquer pessoa civilizada e também ciente da noção de registro – a adequação da linguagem a cada situação – , sempre os evitei em público, recorrendo a eles quando sozinha ou com amigos mais próximos. Mantive assim a boca razoavelmente "suja" sem questionamentos até que me converti, aos 24 anos. Perdi quase todos os meus amigos não-cristãos, que de modo natural começaram a se afastar, e por força do meio decidi suprimir todas as palavras feias de uma vez só, desde as mais simples às mais cabeludas. No que fui bem-sucedida.

Um dia, surpreendi-me comigo mesma quando, conversando com uma irmã após o culto, ouvi-a dizer m**** em meio a um discurso irritado. Não deixei que ela percebesse, mas aquele palavrão provocou em mim uma reação tão forte que não hesitei em classificá-lo como um nada previsível escândalo. Veio então o escândalo do escândalo: horrorizada por ter ficado tão escandalizada com um simples m****, resolvi, dali em diante, revogar a decisão anterior. Recomecei a dizer palavrões normalmente, não com a mesma freqüência que no período pré-conversão, mas com regularidade quando sozinha e em companhia de cristãos tão "descolados" quanto eu.

Depois de algum tempo, porém, comecei a me sentir incomodada com o recurso freqüente aos palavrões. Sozinha, bastava ficar irritada, que lá vinha um bem cabeludo, e em voz alta. Inquietava-me diante de Deus e também diante de um possível “flagra” dos homens: e se algum pastor, dentre meus conhecidos, passasse na rua exatamente em um momento desses? Somava-se a essas considerações uma vergonha especial: eu, não só profissional da palavra, mas uma missionária de idéias segundo minha própria definição, ciosa por abençoar a igreja com o que digo e escrevo, poria muito a perder com uma boca destemperada. Além disso, o ato de praguejar, longe de servir como vazão à raiva, apenas contribuía para confirmar a disposição errada de espírito. Tudo estava errado, mas eu ainda não me convencia totalmente de que deveria voltar a me abster dos palavrões.

Comecei então a orar a Deus sobre isso, até me dar conta do óbvio-mais-que-óbvio, algo de uma obviedade tão grande que passa despercebida da maioria dos simpatizantes de palavrões. Percebi que todos os palavrões, dos menores aos maiores, têm algo em comum: remetem invariavelmente ao sexo. São menções aos genitais, a coitos indesejados e/ou ilícitos, prostitutas e filhos de prostitutas, materiais fecais etc. A lógica do palavrão é estranha: ele une o ato de esbravejar e xingar aos dejetos do corpo ou ao ato sexual. E, mais estranho ainda, os palavrões que tratam de dejetos são bem menos fortes e mais tolerados socialmente que os que tratam do ato sexual. Palavrões, portanto, em suas formas mais pesadas, associam o sexo a explosões de raiva, a punições, ao descontrole entre pessoas que não se amam. E a conclusão é inevitável e aterradora: palavrões são formas de perversão. Se Deus criou o sexo como a expressão máxima do amor perpétuo, compromissado, entre um homem e uma mulher, é de um profundo desamor que nascem as aberrações sexuais – a masturbação, o "sexo casual", o aviltamento de partes do corpo até que se estraguem. Palavrões são cristalizações, no idioma, da alienação total de si e do outro pela busca de um prazer sempre deslocado, desgarrado, fora da alma: um prazer masoquista, misturado a ódio e desespero. Por que essas expressões tão opostas ao amor de Deus deveriam povoar a linguagem de um cristão?

Depois dessas reflexões decidi, não por pressão do meio, mas por mim mesma, que não quero que nada do que digo tenha parte nisso. Nem quando eu estiver sozinha, nem em pensamento. 

3 comentários:

Cris Campos disse...

Já! Já falei muito palavrão em algumas ocasiões, mas em nenhuma delas, a menos que não tenha me atentado para tal, estavam ligadas a uma rotina, pelo contrário, todos os infelizes momentos em que o fiz estava sob forte ira! Todo meu descontrole quase sempre vem de uma ira açulada. "Não se ponha o sol sobre a vossa ira", não devemos dar vazão a ela, mas tb não devemos provocar a ira em ninguém, todos temos nossos limites, e isso a própria Palavra nos adverte a não fazermos. Agora, não vamos esquecer de um detalhe, muitas vezes não pronunciamos, mas, em pensamento mandamos muita gente pra tanto lugar... Enfim, não é só a pronúncia em si, e sim o pensar é que tem o maior peso. Gr. Abrç Fábio!

Casal 20 disse...

Bem lembrado, Cris! É muito bom lembrar que a boca pode calar, mas se lá dentro o coração está "um pote até aqui de mágoa"! - aí não adianta nada.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Bem interessante essa união dos palavrões com o ato sexual; refletindo sobre isso começo a enxergar que as rotinas dos relacionamentos sexuais “das ruas”, isto é fora do casamento, são violentos por serem derivados de um ambiente extremamente machista onde separam quem faz, de em quem é feito. É assim: o que faz ferra; o outro é ferrado. Tem de tudo nessas relações; só não tem amor. Não entendo como alguns ainda falam que fizeram amor.

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