Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Governo contratará pastores da Universal e da Mundial pelas curas que promovem em seus templos!

Já pode estar na cabeça de alguém a ideia de transformar em projeto de lei a contratação de pastores milagreiros pelo apoio que eles dão ao Sistema Único de Saúde (SUS) por causa de seus ministérios de curas e milagres. Certamente, a ideia nasce da constatação de que a prática da cura realizada por esses pastores segue um lastro de cultura tradicional de milênios (o que muitos defensores têm chamado de “medicina tradicional”). Assim, deve haver reuniões de muitos antropólogos e estudiosos do assunto e demais representantes da área de saúde para decidirem como viabilizar essa contratação.

Antropólogos reunidos podem defender que a cultura milenar do pastor-curador deve ser preservada e protegida pelo Estado uma vez que eles pertencem a uma minoria desprivilegiada e oprimida no Brasil. É histórico e notório o fato de que o Estado brasileiro sempre privilegiou a Igreja Romana com seus feriados nacionais religiosos e com a construção de seus templos em áreas públicas ligadas ao Estado. Portanto, como compensação e para pagar essa dívida histórica com a minoria evangélica, os especialistas de plantão deverão estudar um meio de oficializar as práticas de cura e o show de milagres que vêm ocorrendo do Oiapoque ao Chui. Representantes do Governo podem reconhecer também o fato da imensa ajuda desses ministérios, que resultam em hospitais vazios, em alas para doentes terminais fechadas e em filas inexistentes do SUS.

Muitos poderiam ficar preocupados com a classe médica, mas, segundo as ultimas informações, é a própria classe médica que vem apoiando trazer para suas equipes os pastores contratados e regulamentados pelo Governo Federal. O que está acontecendo é uma mudança de paradigma tanto no Governo como na Medicina, que quer apoiar os pastores como “medicina alternativa” ou, ainda, como “medicina tradicional”.

Evidentemente, a tendência de um projeto de lei como esse é que, quando chegar à Câmara dos Deputados para ser votado, seja dilatado para abarcar outros promotores de milagres de outras religiões. O pai-de-santo, os médiuns-cirurgiões, as videntes e jogadoras de búzios podem auxiliar no tratamento de doenças que não poderiam ser detectadas com facilidade ou cujos tratamentos seriam muito dispendiosos aos cofres públicos, como, por exemplo, a troca de sexo no SUS.

Todavia, mesmo que nenhuma dessas excêntricas ideias acima já tenham saído de alguma mente brilhante do Congresso Nacional, aqui no Mato Grosso, a UNIFESP já se adianta para tornar tudo isso uma realidade dentro de muito em breve. Após uma semana de reunião com várias lideranças indígenas, o Hospital de São Paulo saiu daqui com a proposta de contratar os pajés, os raizeiros e as parteiras da Região pelo serviço que prestam em prol da saúde indígena. Não bastasse a total falta de conhecimento das inúmeras diferenças nas relações inter-culturais entre os mais de 10 povos indígenas de línguas e tradições sui generis, o Encontro da Saúde Indígena sai com a proposta de contratar os pajés num momento em que muitas de suas curas já são questionadas por alguns dos próprios indígenas. Além disso, o que se quer é criar uma hierarquia no tratamento de saúde, colocando o pajé como a peça principal nesse tratamento, seguido do raizeiro. Todos sabem que as práticas de cura do pajé fazem profundo mal primeiramente a eles mesmos, porque a maior causa da vinda deles para tratamento de saúde na cidade é a quantidade absurda que eles inalam das plantas que fumam durante as pajelanças. Seria de uma irresponsabilidade enorme do Governo contratar pajés. A ideia proposta na Reunião é que se o pajé e o raizeiro não resolverem o tratamento na própria aldeia, aí eles levariam o caso adiante. Dois problemas: um, é que as raízes realmente podem curar, mas as doses ministradas pelos raizeiros, historicamente, têm envenenado os indígenas, levando muitos até a óbito; outro problema é que muitas dessas raízes são pingadas nos olhos para tratamento de saúde e há caso mesmo de indígenas cegos por causa disso. Como enfermeiros e médicos em sã consciência podem apoiar uma ideia como essa?! Outra ideia transcultural surgida na reunião de saúde indígena e que fere com a autonomia do hospital em defender a saúde e o bem-estar de todos os seus pacientes internados é a permissão especial concedida para que os pajés venham ao hospital na hora que for para a realização da pajelança. Hoje, o horário de entrada do pajé no Hospital é restrito e feito na área hospitalar ao ar-livre por causa do excesso de fumo lançado no ar. O que querem propor é que o pajé seja recebido na hora que ele chegar (se ele chegar às três da manhã e disser que a pajelança tem que ser feita naquele horário, assim será).

Ainda há um ponto delicado: a contratação das parteiras. Hoje, o que reduz e muito o infanticídio indígena é a vinda das mães para a cidade, onde as mesmas são assistidas durante o parto. A partir do momento em que o Estado validar o trabalho da parteira na aldeia, o índice de óbito infantil por “causas naturais” após o parto tornará a crescer.

Embora muitas das discussões surgidas no Encontro de Saúde Indígena sejam válidas, necessárias e urgentes para a melhoria no atendimento humanitário aos povos indígenas da Região, é preciso bom senso da parte da Área Médica e do Governo Federal para que tais ideias, que se valem da desculpa da tolerância religiosa e do respeito à diversidade cultural, nem sequer saiam do papel. 

Isso é um bom exemplo do ponto em que se pode chegar a nossa democracia de minorias. Mais uma vez, faço o alerta de que políticas públicas e leis de proteção às minorias em detrimento do bom-senso de uma população geral são ovos de serpente que apresentarão, a longo prazo, uma colisão social fomentada pelo próprio Estado... Mas, enfim, talvez seja este mesmo o objetivo final de toda essa agenda mundial do Leviatã!

Para saber mais sobre Leviatã, leia nosso post: Há um monstro no mar!

Um comentário:

QUAL CAMINHO SEGUIR? disse...

Hello Friends.. isso é uma forma psicologica do governo de se livrar de gastar com a população carente é?
Bem pelo menos o tratamento não é invasivo e morre-se conscientemente
Pois quando deita-se para uma cirurgia pelo SUS por mais que se tente ter mente positiva sabe-se que os resultados pode ser pra lá de desatrosos, isso ai amigos boa!
Tudo Bom.

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