Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pedofilia e Internet: quando se quebra a confiança - Série: Proteja seus filhos (III)


“Confiar” (trust) é um filme forte e difícil de ser assistido, principalmente por quem é pai de meninas. Um filme que traz para as telas a vida como a vida é, ou melhor, a vida naquilo que a transformamos. Confesso que me identifiquei profundamente com o pai do filme, enquanto ele se imaginava comprando uma arma para fazer justiça pelas próprias mãos. Principalmente, após constatarmos que o Estado (FBI) sabe exatamente onde moram os molestadores sexuais, mas, por razões legais e burocráticas, nem sempre as prisões podem ocorrer conforme esperamos.

“Confiar” vai mostrar que criamos uma sociedade em que cada um de nós é um ilha de informação e como ilhas nos isolamos, mergulhados no mundo em que nos encerramos. Recebemos informações pelos celulares e nos comunicamos uns com os outros na mais tranquila privacidade... Nossos filhos se comunicam com o mundo numa avalanche de informações e os pais modernos ainda se consideram isentos de interferir até mesmo na educação virtual dos próprios filhos. É a falência da autoridade do pai e da mãe.

“Confiar” trata também do emprego do pai. Sim, perceba no que o pai trabalha. O diretor do filme construiu uma mensagem forte ali. Somos uma sociedade que alimenta a pedofilia o tempo todo e nem precisamos da Internet, pois não foi a internet que inventou a pedofilia, apenas facilitou o contato, o encontro. Mas precisamos nos questionar se não estamos alimentando o ladrão que invadirá a nossa própria casa. Veja o filme, procurando entender o que estou falando.

“Confiar” questiona o que afinal entendemos que seja um estupro. O que é que se pode considerar um estupro? Quando uma menina de 14 anos é seduzida e estuprada, poderíamos considerar um estupro sendo que ela consentiu em ter a relação sexual? O filme aborda magistralmente esta questão. Há, ainda, uma cena que revela como que é comum na nossa sociedade homens mais velhos, em posição de domínio econômico, se valerem disso para se envolverem com meninas mais novas, bem mais novas (repare a cena do bar entre o amigo do pai e a garçonete). Mas qual é o problema desde que haja consentimento? 

“Confiar”, além do eixo principal que é a internet e a pedofilia, aborda sutilmente a responsabilidade de cada um de nós na construção do que temos hoje. Responsabilidade é uma palavra cara à teologia que advogo, mas, também, é uma palavra caríssima a mim desde que, há muitos anos atrás, li o ótimo livro “A cura dos traumas emocionais” de David Seamands (Ed. Betânia). Este livro aborda, entre muitos outros assuntos, o incrível número de divórcios em famílias que enfrentam o problema do vício do álcool. Contudo, os divórcios não ocorrem durante o enfrentamento com o parente alcoólatra, mas, exatamente, quando este retorna do tratamento recuperado! O livro expõe o fato de que quando a família não tem mais o “bode expiatório”, porque o alcoólatra está curado, é o momento em que as tensões mais se revelam, pois boa parte dos problemas familiares continuam. A conclusão a que a família chega é que cada um (mãe, pai, filhos, etc) tem que agora assumir a sua parcela de responsabilidade tanto na criação como na manutenção dos problemas em que estão mergulhados.

Por sermos pecadores, totalmente depravados, a primeira atitude nossa é passar a responsabilidade dos nossos erros e problemas para o outro. Foi assim com Adão e com Eva, foi assim com Caim e tem sido assim até os dias de hoje. Vemos que muitas pessoas se habituaram a colocar a responsabilidade de seus fracassos e frustrações nos pais, na educação, na Escola, na política, no sistema capitalista ou socialista, enfim, estamos sempre procurando repassar a nossa responsabilidade para alguém ou alguma coisa. Somos assim. O pecado nos faz vítimas! “Confiar” tenta romper, embora o faça tenuemente, com esse empurra-empurra de nossas responsabilidades, essa terrível cultura da vitimização. Principalmente, quando chama à responsabilidade pessoal a vítima do filme. O que vemos hoje é uma tentativa de responsabilizar o outro e nos eximirmos daquilo que somos e fazemos. É como aquela velha ladainha freudiana: “a culpa é da mãe”!

"Confiar" é um filme de quebra de confiança, de raiva, ira, negligência, responsabilidade individual no tocante a como o mal vai seduzindo a cada um de nós até nos enganar e se instalar por inteiro em nossas vidas, mas também é um filme de restauração, perdão e re-encontro consigo mesmo, de auto-avaliação. Enfim, um filme para ser assistido pelos pais e líderes de Igreja na esperança de que possamos construir laços de confiança entre nós e nossos filhos. Última mensagem? O pedófilo é um homem comum, pode ter família, filhos e ser um ótimo vizinho (repare na última cena do filme).

Ironia do filme? A família em questão vive numa casa blindada por forte sistema de segurança contra invasão, mas que foi totalmente inútil contra a invasão que veio via internet. Segue abaixo o trailer. Bom filme. 


LEIA TAMBÉM:

Bomba! Rede social favorita dos EUA (FACEBOOK) é um paraíso de pedófilos - Série: Proteja seus filhos (II)

13 comentários:

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

É DIFÍCIL...
Se hoje, eu tivesse meus 21 anos(idade que casei)Não teria filhos. Não sei lidar com problemas assim. Decidi a 27 anos atrás a ter 1 filho só e foi o que fiz.Acho muito complicado criar filhos, principalmente no mundo de hoje.
QUE DEUS PROTEJA NOSSA CASA... NOSSOS FILHOS.
Um abraço amigo.

Casal 20 disse...

Clélia, verdade. A pressão é enorme! Precisamos nos agarrar a promessa de que maior é Aquele que está em nós do que o que está no mundo. Principalmente, nestes tempos em que a família é o alvo. Parece que a artilharia está toda voltada para cima de nós.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Smareis disse...

Esse filme parece bem interessante, e mostra a realidade da vida. Vou anotar o nome pra quando sobrar um tempinho irei assistir.
A pedofilia está virando uma doença muito difícil de ser combatida, tanto na internet, quando na vida real, e está aumentando a cada dia mais os casos de pedofilia, principalmente com crianças. Pior que a maioria dos podofilos são pessoa da própria família.
Isso é muito triste!
Abraços e ótimo fim de semana.

Mariani Lima disse...

Interessante!!Vou assistir.
Rapaz, que cubo mais lindo aqui do lado! Amei!!!
Abraços.

Tatiana zwirtes disse...

todos os dias entrego meus filhos nas mãos do Senhor...só Deus para ajudar e tranquilizar os nossos corações...

Casal 20 disse...

Smareis, verdade. O pedófilo constrói uma relação de confiança com sua vítima, por isso é mais fácil ele agir com parentes do que com estranhos (com estes demoraria mais tempo). O filme mostra essa construção da confiança. Terrível.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Casal 20 disse...

Mariani, um show esse cubo, não? Vi isso lá no blog Rei dos Reis do Rilvan. Achei muito legal.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Casal 20 disse...

Tati, verdade. O mundo que cerca os nossos filhos foge ao nosso controle. Então, mais do que nunca, precisamos entregar nossos filhos nas mãos de um Deus que tudo vê.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Joice Furtado disse...

Olá bonitos. Estou seguindo vcs sim. bjimmmm

Casal 20 disse...

Joice, seja sempre bem-vinda. A nossa casa é sua também! Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

È extremamente importante fazermos distinção entre pedofilia e sedução de menores. Senão, estaremos fazendo com que uma grande parte da sociedade diminua seu repúdio à pedofilia.

Casal 20 disse...

Labareda, acho que entendi, mas eu gostaria que você desenvolvesse mais sobre isso. Você já escreveu alguma coisa nesse sentido? Ou conhece algum texto que aborde isso? Porque eu posso publicar aqui. Acho importante aprofundar mais isso que você está dizendo.

Abraços sempre afetuosos,

Fábio.

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Casal 20, vocês poderiam publicar: http://ministroslabaredasdefogo.blogspot.com/2010/04/um-pouco-alem-do-obvio.html. Seria muito gratificante.

Esse artigo acima, aborda apenas parte do plano de tornar a pedofilia aceitável; como fizeram com o homossexualismo. O fim, é que o desejo de sexo com crianças, meninos e meninas, desde bebês até os 12 anos sejam aceitos como uma orientação sexual. Pode parecer exagero mas, vejam os casos descobertos na Internet. A coisa é mesmo do diabo!

Eu preciso de um tempo para uma pesquisa, onde eu possa achar alguns artigos, que eu já li, que fundamentariam essa segunda abordagem. O problema é a falta de tempo. Estou passando por tribulações terríveis; peço suas orações.

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