Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 19 de março de 2012

Caio Valério Catulo - Cantares sobre Cantares (XV)


Caio Valério Catulo
Poema de Catulo a Lésbia

Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
E as censuras desses velhos tão severos,
Todas valham para nós um só centavo.
Os sóis podem morrer e renascer;
Nós, uma vez que morre nossa breve luz,
Devemos dormir uma só noite eterna.
Dá-me mil beijos e depois mais cem.
Depois, sem parar, outros mil, depois cem.
Então, quando somarmos muitos milhares,
Misturaremos todos, para não sabermos,
Ou para que nenhum invejoso possa pôr mau-olhado,
Ao saber quantos foram os beijos.

(Tradução: Paulo Sérgio de Vasconcelos)
______________________________

Caio Valério Catulo (Caius Valerius Catulus) relacionou-se com as figuras mais famosas de sua época, como Cícero, o historiador Cornélio Nepos e o próprio Júlio César. Contudo, a maior presença em sua curta vida foi a da amante, Clódia, que em seus poemas recebe o nome de Lésbia, nome inspirado em Safo, a poetisa grega.

Segundo as poucas informações de que os estudiosos dispõem, Catulo parece ter começado a escrever na adolescência, publicando seus poemas separadamente ou em pequenos conjuntos, até formar uma coletânea, dedicada a Cornélio Nepos.
 

Maior poeta lírico da Roma antiga

De acordo com o professor João Angelo Oliva Neto, "Catulo pertenceu a um grupo de poetas e intelectuais que, nos meados do século 1 a.C., rompeu com o passado literário romano". Daí as críticas que tal grupo recebia, por exemplo, de Cícero, que os chamava, ironicamente, de "poetas novos".

Os poemas longos de Catulo apresentam diversidade de metrificação. Quanto às peças curtas, nelas se destacam os epigramas elegíacos. Sua obra tem nítida influência dos modelos alexandrinos. E, em alguns casos, é evidente o uso que ele faz - verdadeira transposição - de poemas escritos por gregos, como Calímaco.

Catulo inaugurou na literatura romana uma forma nova - o poema leve, gracioso e elegante, para preencher uma lacuna existente entre a tragédia e poema épico de um lado, e a comédia e a sátira do outro. Ele exerceu considerável influência sobre seus sucessores romanos - e também sobre Ovídio, Horácio e Marcial.

Tornou-se, assim, o maior poeta lírico da Roma antiga. Foi um dos primeiros poetas a incorporar elementos da paisagem a seu mundo verbal, como reflexo de sentimentos pessoais. Seus poemas, muitas vezes, parecem falar de emoções próprias do homem ocidental contemporâneo.
 
Enciclopédia Mirador Internacional; O livro de Catulo (Edusp, 1996); Dicionário Oxford de Literatura Clássica

4 comentários:

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

Que lindo este poema...amo quando escreves sobre Cantares...

Sabe! vc é meu amiguinho do coração...e a Lú...minha zoinho verde...amo muito vcs...mesmo sem conhece-los.
Fico orgulhosa e muito, de seu trabalho com os Índios.
Diga as meninas...que elas já são minhas sobrinhas do coração.
Como vc sempre diz:
ABRAÇOS AFETUOSOS.

Mariani Lima disse...

Lindo poema! Interessante a história.
A introdução desse poema me fez lembrar de um outro do Vinicius que fala alguma coisa sobre as pessoas que são contra o amor. Lembra qual é? Vou ver qual é. Está na ponta da língua. rs..
Abração ! Fica com Deus.

Casal 20 disse...

Clélia, querida, você é muito especial também!

É muito bom te ter sempre pertinho da gente.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Casal 20 disse...

Mariani, como diz minha mãe, agora você me apertou sem abraçar rsrsrs também não sei qual é o poema do Vinicius, mas quando você lembrar, diz para mim.

Também achei lindo este poema do Catulo.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...