Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Especialista em educação diz que pais e escola estão falhando

Professor Luis Carlos Farias e família

Para Luiz Carlos Farias, a sociedade afrouxou no campo dos valores, como honestidade e fidelidade

O professor Luiz Carlos Farias da Silva teve destaque na imprensa por ter optado por retirar seus dois filhos da escola para educá-los em casa. O episódio foi parar na Justiça, mas até agora Farias e a mulher, Dayane, vêm colhendo vitórias e a educação dada aos filhos foi avaliada como positiva pelas autoridades educacionais.

A crítica ao modelo educacional fundamentada nas correntes construtivistas é feita justamente por um pedagogo com doutorado e mestrado em Educação, que há 15 anos é professor do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Aos 54 anos, esse carioca flamenguista que já foi frade dominicano diz ter certeza de que é criticado por seus pares por seu pessimismo com relação aos caminhos que a Educação vem tomando no Brasil, mas não se furta em afirmar com todas as letras que o modelo precisa ser repensado, que é necessário descobrir em que ponto ele está falhando, qual o papel dos professores e, principalmente, da família na educação das crianças.

Aliás, ele considera que os pais são os que mais falham ao deixar a educação dos filhos exclusivamente à escola, TV e computador.

Para o professor Luiz Carlos Farias, a sociedade moderna afrouxou no campo dos valores humanos, como honestidade, fidelidade, lealdade, a busca resultados pelo trabalho, pela aplicação, e já está pagando por isso com os rumos errados tomados por muitos jovens, mas a situação ainda pode piorar se não for repensado o papel que cabe à escola e ao que cabe à família na formação dos jovens.

O DIÁRIO – Como a escola poderia contribuir para ajudar reduzir problemas sociais comuns hoje como uso de drogas, gravidez na adolescência e delinquência?
LUIZ CARLOS FARIAS DA SILVA – A escola brasileira, como ela é hoje, apresenta falhas, mas não pode ser responsabilizada pelo problema. É preciso ser levado em consideração o papel da família na formação dos jovens e o que vemos são pais cada vez menos interessados na educação de seus filhos.

Em que os pais estão falhando?
A família poderia fazer muito na formação dos jovens, mas parece que ela não se interessa porque está em frangalhos e empurra toda a responsabilidade para a escola. Os pais querem que a escola funcione de 1º de janeiro a 31 de dezembro, de preferência ficando com seus filhos de manhã, de tarde e de noite. E o pior é que quando chegam as férias eles enfiam as crianças em colônias de férias. As famílias precisam pensar também qual é o grau de responsabilidade delas, porque a escola não pode fazer tudo sozinha.

O que a família deveria fazer pelos jovens?
Há estudos bem fundamentados que comprovam que a convivência da criança com o pai e mãe biológicos, em famílias estruturadas, com relações duradouras, é fator que predispõe positivamente para uma trajetória favorável de desenvolvimento cognitivo e sócio-comportamental.

O contrário também é verdade?
Sim. Crianças criadas em famílias monoparentais, submetidas a stress, que são levadas muito cedo para a escola, mesmo em condições favoráveis, tendem a não ter uma trajetória de desenvolvimento tão favorável quanto às que passaram a infância protegida em um ambiente que promove a confiança, a segurança e a alegria.

Por essa falha da família, as crianças ficam expostas a influências externas negativas?
Os pais não assumem mais. Deixam as crianças à mercê do computador, da TV, vídeo game, depois mandam para a escola, terceirizam a criação das crianças. Recentemente, três cientistas cruzaram dados do registro civil com os do Ministério das Comunicações e descobriram que há uma correlação muito forte entre a entrada das novelas de televisão no interior do País com a mudança comportamental das famílias. Eles descobriram que a chegada das novelas aumentava o número de separações de casais e caía a taxa de fecundidade. Aumentava o número de divórcios e diminuía o de filhos.

Esse é um assunto que ninguém quer falar abertamente.
Se alguém for colocar esse debate em público, imediatamente vão dizer que a pessoa está querendo censurar. Mas a verdade é que se você pega a novela das nove da noite verá que só tem mulher traindo o marido, marido traindo mulher, deslealdade, mentira…

Mas, com relação à escola, o Ministério da Educação diz que há avanços.
O MEC tem dito que as coisas têm melhorado baseando-se em resultado de avaliações de larga escala, internacionais e nacionais, como o Pisa, um programa de avaliação comparada cuja finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais. São avaliados três domínios de conhecimento: a Leitura, Matemática e Ciências. Aconteceu que o próprio relatório do Pisa diz que o Brasil foi um dos países que mais melhorou, mas foi uma melhora pífia em cima de uma base desastrosa. O MEC, ao dizer que o Brasil foi o terceiro país que mais evoluiu, mais desinforma do que informa. Na verdade o Brasil continua entre os últimos no mundo nesses quesitos.

E os dados do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica?
Algumas escolas estão se aproximando do Ideb ideal, porém a Prova Brasil mostra que há uma proficiência média em leitura e matemática que o próprio MEC diz que é insuficiente.

Nesse caso, o que a sociedade precisa saber?
Esses questionamentos são muito técnicos e a sociedade não consegue acompanhar direito. Esses dois dados não podem sustentar e dar base para nenhuma afirmação de melhora na Educação. Depois, a escola não aplica pedagogias eficazes. Há 30 anos usamos procedimentos ineficazes e a própria universidade elabora, preconiza e difunde esse conhecimento equivocado. Então o resultado não podia ser outro.

Mas podemos dizer que a escola hoje está melhor aparelhada do que há alguns anos?
Se você fizer uma lista dos fatores cuja melhora os educadores dizem que têm impacto positivo na qualidade da educação, todos eles melhoraram nos últimos 20 anos: salário de professor, quantidade de alunos por sala, porcentagem de professores com formação superior, as crianças recebem livros gratuitamente desde que entram na escola, há um programa nacional de alimentação que dá comida de boa qualidade, balanceada, e tem ainda a gratuidade do transporte.

E essas condições não ajudam no resultado final?
As condições de trabalho hoje são muito melhores, as circunstâncias são muito mais favoráveis e vêm melhorando constantemente. Porém, se tomarmos a curva da evolução desses fatores, ela é de elevação nos últimos anos, mas a curva que mede a proficiência média dos alunos é de involução. As curvas estão desencontradas, não batem. Os fatores que impactariam melhoraram, mas o desempenho medido em testes padronizados não teve avanços.

Em que ponto começa a curva da involução?
Há indícios muito claros de que um fator que tem importância grande é o fracasso do aprendizado da leitura lá na primeira série. Cientistas fizeram um balanço do estado da educação, com uma análise da teoria e da prática alfabetizadora brasileira. Resumo da ópera: o Brasil está afastado de tudo o que a ciência produziu nos últimos 30 anos a respeito de alfabetização e os modelos usados não deram certo.

LEIA MAIS SOBRE A EXPERIÊNCIA DE LUTA DE EDUCAÇÃO EM CASA DO PRÓPRIO PROFESSOR LUIS CARLOS FARIAS E DE OUTROS PAIS, CLICANDO AQUI!

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