Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A embriaguez do amor - Cantares de Salomão (XIV)

“Levou-me à casa do banquete e o seu estandarte sobre mim é o amor” (2:4; RC)

Ainda há o desejo em nossas relações? Ainda há a paixão? Esse anelo? O propósito dessa embriaguez... Ainda há?

Pretendemos uma união conjugal que possa nos satisfazer num nível acima e mais real do que o mundo nos tem oferecido? O mundo e sua ilusão de realização e independência sexual tem se enganado e enganado muitos na busca da plenitude sexual, todavia, cada vez mais máscaras são sobrepostas e lágrimas descem ao chão por causa de uma sexualidade de fetiche carnavalesco. E fetiches são doenças, não amor. Carnavais são falácias da concupiscência e não a realidade plena que podemos alcançar na intimidade proposta na Bíblia.

O propósito bíblico da união conjugal em Cristo é que possamos viver sexualmente uma plenitude espiritual, que muitas vezes só almejamos para outras esferas de nossa vida! Assim como almejamos um crescimento espiritual, não podemos relegar nossa sexualidade à uma condição sub-cristã!

A jovem Sulamita já vem fazendo referência à “casa da natureza” em que se encontrava com seu amado, por isso que a “casa do banquete” seria, portanto, uma mudança de ambiente para os dois. O amado toma a iniciativa de levá-la à “casa do vinho” (tradução literal). Todavia, o vinho não era guardado como o é nos dias de hoje em quartos escuros e em adegas, mas em lugares altos da casa. A casa do banquete, então, é um recinto particular.

É ele quem a leva para lá. Mais uma vez, apresenta-se o homem, esse homem amado, o noivo, como aquele que a domina, que a toma pelas mãos, que a guia e, enfim, quem satisfaz os anseios dela. Mas quais as vontades da Sulamita?  Ser conduzida pelo amado (1:4)! Ela espera que ele a trate como um homem deve tratar uma mulher: ela anseia que o seu amado à introduza nas suas câmaras (1:4), em outras palavras, ela anseia por intimidade! Ele se encontra levando-a finalmente à satisfação dos desejos do coração dela. Ela tem vontades! Ela está sedenta pelos beijos de sua boca (1:2).

Ela já nos havia declarado que melhor do que o vinho é o amor. Por que, então, ele a introduziria na “casa do banquete”, na “casa do vinho”? A resposta que, creio eu, melhor se adequa ao contexto do que vimos até aqui é que a expressão “casa do vinho” é uma metáfora da embriaguez do amor, da entrega dos dois um ao outro. Uma expressão do profundo grau em que se encontra a avidez dela por ele. Para mim, o mais importante em todo o contexto do que vimos até agora neste pequeno grupo de versos tão intensos do livro de Cantares é que há uma mulher sem pudor de expressar os apelos do seu próprio corpo. E há também a expectativa de um homem que se apresente a essa mulher para satisfazê-la em seus desejos!

Estamos mergulhados não apenas numa cultura castradora, mas libertina ao mesmo tempo! E se fomos tolhidos em expressar ao nosso cônjuge o que de fato são os apelos de nosso corpo, o que verdadeiramente o nosso corpo espera dele, por outro lado, muitos se perderam no labirinto de uma sexualidade devassa e pantomímica, uma proposta mundana e coisificada de não distinguir o ser humano como uma unidade: carne e espírito.

O livro de Deus para a salvação de nossas almas 
quer resgatar também a carne que anseia pela própria ressurreição!  

Paulo é muito sábio ao mostrar que há uma embriaguez superior à do vinho, que é a embriaguez do Espírito Santo. A Sulamita é sábia também ao revelar ao seu amado que, semelhantemente, há uma embriaguez da qual o corpo dela tem expectativas: a embriaguez do amor! E na adega da casa dele, no quarto do vinho, ela espera por um homem que compartilhe com ela a intimidade dele. Enfim, ela aguarda ansiosamente que ele ofereça a ela o estandarte (novamente a imagem de proteção militar), a insígnia, o símbolo, o pendão do que ele sente por ela: o amor!

Assim, o novo e o antigo Concerto, o novo e o antigo Testamento, a nova e a antiga Aliança unem-se sob a mesma proposta para o casamento cristão – o resgate de uma vida conjugal plena no poder do Espírito Santo. Embriague-mo-nos, portanto!

2 comentários:

Mariani Lima disse...

Show! Show! Show! rs... Gostei e concordo com tudo. Ressalto esse trecho que serve como uma alerta também!
"Estamos mergulhados não apenas numa cultura castradora, mas libertina ao mesmo tempo! E se fomos tolhidos em expressar ao nosso cônjuge o que de fato são os apelos de nosso corpo, o que verdadeiramente o nosso corpo espera dele, por outro lado, muitos se perderam no labirinto de uma sexualidade devassa e pantomímica, uma proposta mundana e coisificada de não distinguir o ser humano como uma unidade: carne e espírito."

Abraços!!!

CORAÇÃO QUE PULSA disse...

LINDO DEMAISSSSSS !!

Um AMOR mais FORTE que a MORTE.
UM SÓ.
O PRAZER DO OUTRO EM SI.

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