Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ótima sugestão para presente de Natal - GANDAVOS!

Queridos amigos, aproveito este post para nos despedirmos para mais uma saída de férias. Se Deus quiser, estaremos de volta em fevereiro. Até lá, o blog fica à disposição para sua visita. Abraços sempre afetuosos!

Queridos, eu tive o prazer de participar desta empreitada que reuniu escritores dos mais diversos lugares do Brasil. Tudo isso, graças ao Carlos Lopes que tomou para si a luta de editar um livro que ficou UM LUXO SÓ! CONFIRA! Segue abaixo a apresentação da poetisa Celêdian Assis de Sousa do Blog Sutilezas da alma e da mente

Você pode adquirir este livro:

Carlos Lopes

R$ 20,00 (já c/taxa de entrega)
Solicitar pelo endereço:
gandavos@hotmail.com 

GANDAVOS – OS CONTADORES DE HISTÓRIAS é uma coleção de histórias, memórias, dores, delícias, pecados, bondades, tragédias, sucessos, sentimentos pensamentos, questionamentos, resultante da feliz ideia de Carlos Lopes, que através de seu Blog de mesmo nome e que agora completa um ano no ar, reuniu excertos selecionados de diversos autores brasileiros. A coletânea reuniu, predominantemente, textos que remetem às lembranças da infância e adolescência, que marcam e fazem denotar, às vezes, certo saudosismo e em outras apenas fazem realçar os reflexos ou implicações, do que as experiências vivenciadas e individuais trouxeram de valores através dos tempos, para cada autor.
Desenho da capa pelo artista pernambucano Edmar Sales

Em outros textos há abordagens de temas que remontam ao tempo em aspectos que aludem às origens, costumes, tradições regionais. As lendas [Do latim, legenda, “coisas que devem ser lidas”.] oriundas de tempos imemoriais e popularmente aceitas como verdades, as histórias fantasiosas ligadas a pessoas verdadeiras, acontecimentos ou lugares, são narradas com extrema originalidade.

Contando com autores de vários Estados, Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, assegura-se no conjunto, uma rica contribuição para a divulgação da cultura diferenciada do nosso vasto Brasil.
Há textos de caráter ficcional e histórias reais, que constituem um conjunto diversificado e moderno, que busca privilegiar a individualidade criativa, uma reconcepção da forma de expressão literária, que usa da liberdade concedida aos autores para se expressarem criativamente, sem obediência rígida a regras, preceitos, a uma gramática, a um código ou a um modelo convencional de escrita, já que hoje “aceita-se” que nenhuma forma de expressão literária pode estar sujeita a regras castradoras da sua concretização artística. Contudo, a linguagem própria de cada autor nessa coletânea, revisada pelos mesmos, sem rebuscamentos, despretensiosa, cumpre em cada texto, a sua função de comunicação, com efeito, servindo de instrumento, ponte, mediação para a comunicação, articulando com o leitor, uma interação que favorece e provoca o seu envolvimento de uma forma leve e agradável.

Eis portanto, nesta obra, uma excelente oportunidade do leitor se defrontar com uma leitura prazerosa, de realidades distintas, mas que de uma forma bem sutil consegue transportá-los a lugares, no tempo e no espaço, inimagináveis, além de, em algumas situações, remetê-los às suas próprias recordações.
 
Celêdian Assis de Sousa
Belo Horizonte - MG
Autores:
Carlos Lopes, Celêdian Assis de Sousa, Fábio Ribas, Gilberto Dantas, Augusto Sampaio Angelim, Geraldinho do Engenho, José Soares de Melo, Maria Olimpia Alves de Melo, Adriane Morais, Ana Bailune, Carlos Costa, José Eduardo Costa, Dilermando Cardoso, Jorge Farias Remígio e Fernando José carneiro de Souza. Ilustração da capa:Artista Edmar Sales

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Os 4 posts mais lidos nestes 2 anos do Blog Casal 20

 1) A culpa é do pai (Crônica de uma viagem insólita) - este foi o post mais lido nestes dois anos! Eu conto a inusitada história de uma viagem que fizemos tentando sair do lugar no qual moramos para Brasília. Uma aventura de sentimentos!

2) O beijo - Cantares de Salomão (II) - quem não gosta de beijar? Principalmente lendo o belíssimo livro de Cantares de Salomão. Toda esta série é sobre comentários aos versículo deste lindo livro. Acompanhe-nos!

3) Língua em Cultura - tendências modernas... - um post sobre o desafio que enfrentamos de ajudarmos alunos estrangeiros em aulas de reforço escolar, mas que não possuem o conhecimento que temos sobre a cultura ocidental.

4) Retrato da mulher usada por Deus - este foi o 4º post mais lido nestes dois anos e tem um detalhe: creio que este é o único post assinado pela Lu. É um resumo de um livro que ela leu e que leva o mesmo nome do post.

Queremos agradecer pelos amigos que nos acompanham nesta jornada. Abraços sempre afetuosos do Casal 20!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Aliança da Felicidade - Cantares da Felicidade (XVI)

Nas alianças está escrito a resposta da noiva...
Bem-aventurado o povo que conhece o som festivo;
andará, ó Senhor, na luz da tua face.
Sl 89:15

Ó, Senhor! Agarro-me à Aliança pré-anunciada desde o início da Criação aos nossos primeiros pais, Aliança para qual chamaste Noé e sua família. A Aliança que revelaste e firmaste finalmente com Abraão. É nela que eu me seguro, porque nela, somente nela, há felicidade e bem-aventurança. Esta mesma Aliança fizeste com teu povo no Sinai com Moisés quando nos foi entregue as leis em tábuas de pedra. E, agora, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, por causa dessa Aliança Eterna, prometera a Davi um reinado para todo o sempre.

Desconhecem os povos a verdadeira felicidade: a Aliança que há antes mesmo que os céus e a terra, obras da Sua mão, viessem a existir. Na eternidade, chamou o Seu Filho Jesus e com Ele fez uma Aliança, a Aliança que depois seu Filho mesmo revelou aos homens. A Aliança não foi feita comigo, porque eu não estava lá (Tt 1:2). Portanto, havia na eternidade o Senhor do Povo, o Cabeça da Igreja e foi com Ele que se firmou a promessa da vida eterna a todos quanto o Senhor chamou, a saber, a Igreja! Muito antes de haver o Céu e o Inferno, houve a Aliança com aquele que foi e já era e é o Representante e a Primícia da sua Igreja!

Estávamos todos nós lá! Naquele tempo antes do Tempo, ali já representados naquele que escolhia nos amar até o fim e se entregar para que a Promessa do Pai não falhasse. Assim, Raabe se revoltou e a História por trás da nossa história teve o seu início decretado (é aqui o princípio do mundo como conseguimos concebê-lo): o Senhor dividiu o Mar pela sua força; quebrou a cabeça dos Monstros das águas e, finalmente, seu Espírito pairou sobre aquelas águas...

Esta é a Aliança a ser anunciada a todos os povos: “Eu sou o seu Deus e o Deus de seus filhos”! A Aliança estabelecida com Abraão, Moisés e Davi. A Aliança Eterna no Cordeiro sacrificado na fundação deste mundo conforme o conseguimos conceber – o Cordeiro sacrificado para garantir a Aliança a todos que se encontram escritos no Livro da Vida! E esta tão maravilhosa Aliança é como música aos meus ouvidos, é o som festivo para o seu povo, ó Senhor, o povo que conhece a face de Deus! E o que podemos responder? Diante desta tão inefável Aliança, só há uma única resposta a ser dada pela Noiva de Jesus: אֲנִי לְדֹודִי וְדֹודִי לִי (Eu pertenço ao meu amado e meu amado me pertence) Cantares 6:2

Ouça o belíssimo Salmo 89 na voz de Cid Moreira (NTLH):

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quase a mesma coisa – traduzindo os eventos daqueles dias...

Por que você escreveu isto? - perguntaram-me. E esta foi a pergunta mais ouvida por mim naqueles dias. A pressão foi enorme. Diria mesmo que foi um imenso rolo compressor passado por cima de mim. Imaginaria eu que estaria colocando minha mão num vespeiro? Quem poderia supor que eu estava prestes a me ver no olho do furacão, num jogo de intrigas entre gregos e troianos! O que faria, então?

Terminei por fazer aquilo que eu faço de melhor: mantive a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo... Quando dei por mim, até o jornalista do SBT havia me ligado em casa. “Fábio, é o jornalista do SBT perguntando se você daria uma entrevista explicando a sua versão dos fatos. Ele quer saber se você pode falar com ele... você vai?”, disse-me assustada a Lu. Gelei! Aquela ligação deu-me a exata noção da extensão do problema que acontecera diante do que eu havia escrito.

“Mas você escreveu alguma mentira? Você inventou tudo aquilo?”, perguntaram-me. “Claro que não!” Expliquei-me: “Eu estava dando voz a um outro. Alguém pensava aquilo e eu queria fazer ressoar o que aquele alguém pensava para que pudéssemos entender o que se passava na cabeça dele e na de tantos outros. Só isso!”, insistia. Entretanto, tudo foi em vão. Queriam era a minha cabeça e, pelo visto, queriam que eu mesmo a entregasse numa bandeja de prata para não sujarem as próprias mãos.

Contando assim, até parece que fiquei isolado. Muitos que haviam me acompanhado, apoiaram-me naqueles dias negros e disseram que, se preciso fosse, escreveriam em meu favor. Porém, da maneira que tudo estava sendo montado, se eu permitisse que eles fizessem algo assim em minha defesa, todos cairíamos. E eu não queria levar ninguém comigo. 

O que mais me surpreendia no desenrolar dos eventos é que eram os da minha própria "casa" que se levantavam contra mim. Eram aqueles que, outrora, eu os defendera, advogara suas ideias e a quem eu havia entregue minha vida por aquela causa...

Atacaram-me, por quê? Porque quis abrir um diálogo entre opostos, dar oportunidade para que entendêssemos problemas que estavam sendo expostos e que precisavam ganhar uma nova perspectiva para discussão. E, inesperadamente, vi se abrir na minha direção a boca escancarada do totalitarismo: uma besta-fera que não discute ideias e nem se importa com argumentos, apenas acua os mais fracos e devora-lhes o fígado.

Foi isso o que fizeram comigo. Levaram-me aos tribunais e tive que chorar diante deles, derramar minhas lágrimas de sangue para que outros não fossem atacados junto comigo. Protegi amigos e padeci em silêncio, assumindo a responsabilidade por tudo o que eu havia escrito. Assinei papéis, ouvi ofensas e palavras de incompreensão. Em determinado momento, meu algoz, no tribunal daquele circo, disse-me: “O que eles querem é apenas que eu te ferre. Lá em cima, eles me disseram: dá um susto nele, esmaga o rapaz para que ele nunca mais se atreva a dizer de novo o que pensa e nem que fique dando voz para índio”!

Foi mais de um mês de idas e vindas ao tribunal, explicando-me, ouvindo inverdades, sendo coagido e sendo assustado, até, finalmente, ver-me vencido pelo esgotamento de minhas forças. “Mas por que você escreveu sobre isso?”, insistiam. “Eu estava numa caminhonete. Foi ali que eu o conheci e foi ele, naquela viagem de mais de três horas, quem me contou tudo. Aquele indígena foi me contando sobre a aliança entre o meu partido e os fazendeiros da Região e como isso estava prejudicando suas terras. E, assim, eu escrevi tudo o que ele havia me contado...”, expliquei. Na época, pareceu absurdo, mas, depois, tudo veio à tona: o Governador do Estado, o maior latifundiário do país, realmente era aliançado com o Presidente da República!

Mas quem eu era? Só um professorzinho de escola pública... E o partido ao qual eu pertencia, denunciado por mim, virou suas presas e garras em minha direção e eles não descansariam enquanto não me desacreditassem diante de todos...

Hoje (29/11/12), toda essa história ocorrida há mais de cinco anos (refiro-me à conversa com o indígena), retornou-me à memória, porque eu achei dentro de um livro guardado aqui em casa o “mandato de notificação” que me deram naquela época e que iniciou todo meu suplício naquele inferno. Nunca mais pegara esse livro para ler e, hoje, logo hoje, resolvi retirá-lo da prateleira para o reler. Para minha surpresa, lá estava, logo na primeira página, aquela folha dobrada ao meio e assinada pelos meus algozes da época. Vê-la, depois de tanto tempo, trouxe toda esta história que agora conto. O nome do livro em que encontrei a folha? “Quase a mesma coisa”, do Umberto Eco. Um livro apaixonante sobre tradução...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

São Francisco de Sales - Cantares sobre Cantares (XXI)

São Francisco de Sales e sua interpretação alegórica do verso 9 do capítulo 2 do livro Cântico dos Cânticos:


Veja, este é o amor divino do amado (Jesus), como ele está por trás da parede de sua humanidade; veja que ele (Jesus) se insinuou pelas feridas de seu corpo e da abertura de seu lado, como janelas e como por uma estrutura através da qual olhamos (Saint Francois de Sales, Traité de l'Amour de Dieu, Livro V, cap. XI).

Embora esta interpretação seja alegórica (e eu já apresentei aqui, por diversos posts, o problema histórico com essa escola de interpretação, principalmente no tocante ao livro de Cantares), não há como não apreciar o "laço poético" dado por Sales a sua própria interpretação: seria a divindade de Jesus a Sulamita escondida por trás da parede de sua casa; as paredes são a humanidade (o corpo, a carne) que protege (ou esconde) dos nossos olhos a divindade dentro dessa "casa"; e, por fim, as feridas na cruz, os açoites, o lado aberto pela lança são  as janelas pelas quais tivemos o privilégio de ver revelada um pouco de sua divindade! Se nos debruçássemos nesta interpretação, que é mais uma outra imagem para tentar explicar a imagem original do texto de Cantares, realmente, é um encanto se imaginarmos que as feridas-janelas permitiram a manifestação não da humanidade fraca e débil de Jesus naquele momento, mas, antes, das fugazes amostras de sua divindade. Interpretação alegórica, mas que é cheia de beleza e poesia!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O amor total - Cantares de Salomão (XIX)


...ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros. O meu amado é semelhante ao gamo ou ao filho do corço; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, reluzindo pelas grades (2:8-9, RC).

“Ele me busca... sinto teus olhos, meu amor, percebo os olhos do amor buscando por mim. São teus olhos apaixonados e sedentos por mim. É essa tua fome que tem procurado saciar-se de meu corpo e de tudo o mais que tenho a oferecer. O meu amado é meu e eu sou do meu amado! E estes olhos à janela da casa de minha mãe são teus olhos que eu sei... é esse teu amor que me oferta as duas faces desse teu sentimento”...

As palavras acima seriam a expressão da Sulamita assediada pelos olhos de seu amado à espreita por trás das paredes. O amor tem duas faces e pouquíssimos são os que conseguem ver ambas. Felizes são os que não optam nem por uma e nem por outra, antes, percebem que não há paradoxo algum no amor, não há contradição ou ambiguidade neste sentimento criado por Deus no homem.

A Sulamita é Eva redimida! É a mulher que desfaz a opção errada que houvera feito e aproveita a nova chance para seguir o caminho inteiro e não o que foi fendido pelo pecado. Sulamita é a mulher que escolhe a interpretação de Deus sobre o amor e ignora as propostas feitas pelo anjo caído. O amor não pode ser quebrado, não deve ser partido e jamais poderia ser fragmentado por nós. A amor só é amor se vier por inteiro, se nos visitar na sua totalidade. Os poetas e os teólogos estão quase sempre cometendo a infração de danificar o amor, apresentando-o sendo "ou uma coisa ou outra". Condenam o amor a ser escolhido em partes, sem jamais apresentá-lo como um todo. Por isso os casamentos findam, os amantes se perdem e os feridos suicidam. O amor não oferece uma escolha, ele, simplesmente, entrega-se a si mesmo: completo!

Quando a Sulamita descreve seu amado, ela usa imagens antagônicas, contrárias, opostas, porém, ela não escolhe nem uma e nem a outra, porque, na verdade, a escolha dela é por tudo aquilo que ela pode e quer viver. Ela descobre que o amor tem duas faces, o gamo e o filho do corço. No primeiro, é descrito o amor selvagem, carnal, a paixão, a libido, o amor ferinus. No segundo, o filhote do corço é a imagem da ternura, da inocência, da pureza, do afeto, o amor divinus. O amado da Sulamita é assim desejado por ela, que, agora, não quer mais ceder a uma escolha, ao seu arbítrio, à metade de tudo aquilo que ela pode receber irrestritamente. Nas palavras de Leão Hebreu, “o amor é desejo de união com o amado e todo desejo é amor e todo amor é desejo”! Outros já se debruçaram sobre o “amor total”, o “amor absoluto”, e viram que os intérpretes é que insistem em violar a integralidade do amor, por isso Hobbes diz: “desejo e amor são a mesma coisa, salvo que por desejo sempre se quer significar a ausência do objeto e quando se fala em amor, geralmente, se quer indicar a presença do mesmo”.

Os olhos famintos desse amor perseguem a Sulamita escondida na segurança da casa de campo de sua mãe. Ela intui a presença daqueles olhos por detrás das janelas. Protegida pelas paredes da sua casa, a Sulamita, no entanto, anseia que ele ouse fazer o convite que ela tanto deseja... 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pornografia é uma das maiores ameaças ao Cristianismo

Shane Morris
21 de novembro de 2012 (Breakpoint.org) — A pornografia está em toda parte por aí, e não vai desaparecer logo. Por isso, para ajudar seus filhos a se guardarem contra ela, você precisa prepará-los. De acordo com Josh McDowell, autor de livros que incluem “Evidência que Exige um Veredicto” e “Mais que um Carpinteiro”, que voltou sua atenção ultimamente para a devastação da pornografia na nossa cultura e na Igreja, considerando-a entre as maiores ameaças ao Cristianismo que já vimos.
Josh McDowell
Explicando o motivo por que ele decidiu tratar da questão da pornografia, Josh disse numa entrevista para John Stonestreet de Breakpoint como ele sentiu uma barreira para seu trabalho apologético que nada tinha a ver com a defesa da fé em si.
“Sou um apologeta”, diz Josh. “Apresento razões positivas por que acreditar, a fim de ver jovens virem a Cristo. Mas cerca de cinco ou seis anos atrás, fiquei sentindo que há um problema em toda parte. Quando eu tinha interação com jovens, algo havia se tornado uma barreira. Percebi que era imoralidade sexual e pornografia intrusiva e generalizada na internet. Como apologeta, a única coisa que pode minar tudo o que ensino não está na área da apologética, mas na área da moralidade. Se você não lida com essa questão, você não cumprirá seu papel como um apologeta bíblico”.
Sean McDowell, filho de Josh, é diretor do departamento bíblico da Faculdade Cristã do Vale de Capistrano. Ele também é autor, palestrante e apologeta em seu próprio mérito, e ele trabalha com jovens em tempo integral. Nesse processo, Sean coletou uma lista interminável de casos tristes de rapazes e moças cristãos que na aparência eram modelos, mas que caíram na armadilha armada contra eles por uma cultura saturada de sexo e lascívia.
E esse é exatamente o problema. Os primeiros pontos que Josh e Sean McDowell esperam comunicar aos pais, pastores e professores é que no mundo de hoje, a maioria das crianças e estudantes não está atrás da pornografia. “A pornografia está atrás deles”, diz Josh. “Dos adolescentes que viram pornografia, entre 75% e 91% não estavam em momento algum atrás dela. Pesquisadores mostram que 38% deles ficarão viciados”.
“Esse problema é muito grande para o corpo de Cristo agora?” pergunta John Stonestreet.
“Veja, as estatísticas que documentei”, explica Josh, “mostram que o problema está aumentando sem parar. Cinquenta por cento dos pastores estão lutando para largar do vício da pornografia. Sessenta e dois por cento dos homens que frequentam igrejas evangélicas regularmente estão lutando para largar da pornografia, e entre 65% e 68% dos adolescentes estão nessa situação. Essa é provavelmente a maior ameaça à causa de Cristo em dois mil anos de história da igreja, pois mina sua vida, sua caminhada com Cristo e suas convicções. Meu temor é que muitos pastores não estejam lidando com esse problema pelo simples fato de que eles mesmos estão envolvidos nele. De certo modo, precisamos fazer com que a liderança no corpo de Cristo trate disso”.
“Dê-nos alguns detalhes”, diz John. “Como é que a pornografia mina os cristãos? Como é que ela mina o crescimento cristão? Como é que ela mina os casamentos?”
“Mesmo deixando de fora a vergonha e a solidão”, explica Josh, “a pornografia produz um questionamento sobre a autoridade das Escrituras, de Cristo, da Ressurreição, da Igreja e dos pais. A pornografia começa a entenebrecer a porta do cérebro para considerar as verdades da fé cristã. Logo que você se envolve na pornografia, ela assume o controle dos seus pensamentos, de seus padrões morais e de sua vida. Você precisa entender: a pornografia simplesmente assume o controle da sua vida. A pornografia assume o controle dos seus relacionamentos — o modo como você vê as pessoas, as mulheres e as crianças. E como consequência, a pornografia não deixa espaço para sua caminhada com Cristo. Não dá para você se envolver com a pornografia e ter uma caminhada saudável com Cristo”.
É por isso, diz Josh, que ele lançou “Just 1 Click Away”, um site dedicado à troca de informações, recursos e ajuda entre velhos e jovens. Sean McDowell dá uma palestra nos Ministérios Summit que ecoa a mensagem de “Just 1 Click Away”. Nele, ele se baseia no trabalho do Dr. Joe McIlhaney Jr. e da Dra. Freeda McKissic Bush em seu livro pioneiro “Hooked” (Viciado), em que eles descrevem como a pornografia e a promiscuidade sexual realmente mudam a estrutura física e a química de nossos cérebros, tornando-os mais difíceis de amar, unir e ter relacionamentos sexuais com nossos cônjuges.
Outra questão crítica que os McDowells buscam tratar com essa nova campanha contra a pornografia é a temida tarefa que os pais têm de educar e preparar seus filhos. Tanto Josh quanto Sean desestimulam qualquer esperança de que nossos filhos estarão entre os poucos sortudos que nunca vão se deparar com a pornografia. Falando em termos estatísticos, dizem os McDowells, esse é um grupo que não existe.
“Seus filhos vão se deparar com a pornografia”, diz Josh. “É muito triste, mas é verdade”. Podemos tirar a internet, a televisão e os smartphones de nossos filhos e estudantes, mas essas medidas mal estancarão a maré de imagens e temas pornográficos que os bombardeiam de outras fontes que não podemos controlar, tais como amigos e colegas de classe. Ainda que isolássemos nossos filhos pequenos e adolescentes do mundo lá fora, eles ainda se tornarão adultos e terão de confrontar de repente a cultura sexual que tentamos sufocar. Nossa tarefa como pais e mentores, acredita Josh, deve agora focar em preparar nossos filhos para responder de forma temente a Deus ao se depararem com a pornografia.
É por isso que no site “Just 1 Click Away” os McDowells buscam não somente expor o problema, mas também fornecer recursos e treinamento para pais e adultos sobre como abrir canais de conversação com seus filhos cedo, como armá-los de antemão para enfrentar as batalhas a frente, e como no final das contas e de forma sistemática dizer “não” à influência desumanizadora e degradante do pior vício de nossa cultura.
Traduzido por Julio Severo do artigo de LifeSiteNews: Porn one of the greatest threats to Christianity: Christian apologist
Leitura recomendada:

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cristo e a sexualidade (Jorge Fernandes Isah)

A busca pelo mais-que-imperfeito











Escrito e narrado por Jorge Fernandes Isah

       Estive conversando com um irmão sobre vários assuntos e num determinado ponto, lá pela metade do bate-papo, ele me perguntou: Como você acha que seria a sexualidade de Cristo?... E me deu a sua opinião... Mas antes de entrar propriamente no assunto, farei alguns esclarecimentos:

1)      Sei que estarei a mexer em vespeiro, e muitos irmãos considerarão esta reflexão algo despropositada, sensacionalista, e que em nada edificará o Corpo. Dirão que os meus objetivos são a autopromoção, o exibicionismo e a carnalidade. Pois bem, quero ressaltar que ao ser surpreendido pela questão, muitos também podem sê-lo, e acredito que mais grave que a ignorância é a omissão e o querer se manter ignorante.
2)      Não abordei este tema sem antes orar, e buscar o entendimento  pela Escritura e jamais alheio a ela. Não quero inventar a roda, nem procurar chifres em cabeça de cavalo. Tratarei a questão com reverência e temor, sabendo que posso ser mal-interpretado, mas também posso auxiliar irmãos que por ventura estejam buscando uma resposta. 
3)      Verdadeiramente, falar da sexualidade de Cristo é um tabu, e penso que não deveria ser. Nem todos pensam, se interessam ou discutem a questão, mas creio que isso não deve ser o padrão cristão, de haver perguntas “imperguntáveis”. Desde que o debate seja realizado sem escanercimento nem leviandade, até mesmo a “sexualidade” de Cristo pode ser discutida.
4)      Este texto é uma resposta, não é uma tese, um ensaio ou tem qualquer outra pretensão que não seja direcionar o assunto sobre o ponto de vista escriturístico; revelando o que me foi revelado pela Bíblia. Nunca li qualquer livro sobre o assunto, nem mesmo nunca me interessei por ele, e toda a minha reflexão se baseou na pergunta daquele irmão, como formulada ao alto. Este texto será dividido em três partes, provavelmente; não distintas ou isoladas, mas ainda que focando pontos diversos dentro do tema, eles estarão interrelacionados. 
5)      Cristo é 100% Deus e 100% homem. Ainda assim, não o considero “ipsis literis” igual ao homem, visto não lhe ser possível pecar. A Bíblia afirma que Cristo jamais pecou; que ele foi o único homem sem pecado, e, por isso, ele é puro, santo, perfeito e imaculado. Cheguei a analisar esta questão no texto intitulado, “O pecado que Cristo não levou”. À época, e ainda hoje, muitos irmãos teceram críticas à minha posição, dizendo que ela alterava ou invalidava de alguma forma a expiação eficaz do Senhor, por eu sugerir que ele não tivesse a mesma humanidade que nós, em todos os seus múltiplos detalhes. Alguns alegaram que a minha ignorância antropológica levara-me ao erro. Outros, de me opor à ortodoxia cristã. Para mim, o simples fato de Cristo não poder pecar [e sequer cogito a hipótese do pecado ser algo possível na impossibilidade dele pecar] o torna diferente de nós, não em sua natureza humana, mas em sua pessoalidade, na sua natural indisposição e absoluto impedimento de pecar [sua natureza humana supostamente “poderia” pecar, mas como ela está sujeita à Pessoa do Verbo, e a Pessoa é quem determina a vontade, mesmo a humana, é fato que Cristo jamais pecaria].
  
      Feitos os esclarecimentos iniciais, prosseguirei com o que se pode chamar de introdução.
       Deus criou o homem e a mulher, “desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” [Mc 10.6]. Assim, ele os criou com o propósito de se unirem, tornando-se uma só carne [Mc 10.7-8]; pois considerou bom que o homem não estivesse só, mas tivesse uma ajudadora idônea [Gn 2.18]. De certa forma, de uma só carne, Adão, Deus fez também Eva, para que se unissem novamente em uma só carne, não sendo mais duas. O sexo entre as criaturas sempre esteve na mente de Deus, pois ele criou homem e mulher dotados fisicamente de aparelhos reprodutores funcionais e completos, estando habilitados a cumprir a ordem de frutificar, multiplicar e encher a terra [Gn 1.28].
       O fato do sexo ser algo puro e santo, dentro dos limites estabelecidos por Deus [na união do homem e da mulher, no casamento, uma única vez, pois o que Deus ajuntou não o separe o homem (Mt 19.6)], está no fato do casal primevo estar nu e não se envergonhar da sua nudez [Gn 2.25]. Mas isso foi antes da Queda; e, após o pecado, tanto Adão como Eva sentiram-se vexados por sua nudez, revelando a mudança em seus corações, e uma disposição para a corrupção, para o adultério, para a lascívia, para a imoralidade, a perversão e a depravação; levando-os a refugiarem-se entre as árvores do jardim, crendo possível esconder-se de Deus [Gn 3.8].
       O sexo, novamente afirmo, dentro do padrão moral e santo de Deus não tem em si mesmo nenhum mal, o problema é a forma como o homem o vê, a partir da cobiça e do desejo de buscar e querer o que não lhe pertence ou o que não lhe é dado pertencer. 
       Tudo isso passa pelo crivo da Lei de Deus que estabeleceu os princípios norteadores em todos os aspectos da vida, sejam espirituais, físicos ou materiais. A Bíblia nos dá a resposta para todos os dilemas e situações, de tal forma que é o manual de conduta do homem. Ou deveria ser. Quando ele caiu no Éden, caiu juntamente consigo o padrão moral, de tal forma que dali em diante a impiedade chegaria ao ponto em que o homem perderia completamente o discernimento entre o que lhe convém e o que não lhe convém fazer, entre o santo e o profano, entre o moral e o imoral, de maneira que ele acabaria sempre optando pela escolha natural, a inclinação da carne: o pecado. Assim toda a sua natureza se viu corrompida; e o passo seguinte foi apresentar os seus membros por instrumentos de iniquidade.
        Já na primeira geração pós-Éden, Caim invejou, cobiçou, matou e mentiu. Depois, o texto sagrado relata uma sucessão de eventos em que os corpos serviram à imundície e à maldade para a maldade [Rm 6.19]. E o sexo tomou suas formas mais doentias, se transformando em um deus durante os séculos, ao qual os homens se mantiveram aprisionados, feitos escravos, alimentando-o e sendo alimentados por ele, como um tumor maligno alimenta-se do corpo debilitado até destruí-lo. 
      O que muitos não reconhecem é que o padrão humano para quase tudo será sempre aviltante e degradável. A principal característica humana é a de corromper tudo o que toca; como o Rei Mídas transformava em ouro o que tocava, ao ponto de quase enlouquecer e morrer, pois uma simples fatia de pão ou um copo de água se transformavam em ouro, impossível de ser ingerido. Ele percebeu que o seu desejo desenfreado, a ambição material, significaria a sua destruição. Essa história mitológica é uma alegoria à ganância que, como um ídolo, pode decretar a morte física e espiritual; assim como temos o "dom" de estragar o que tocamos, exatamente por causa do pecado. Alguns dirão que é exagero, que minha afirmativa está mais para o maniqueísmo do século III. Na verdade, a Bíblia diz que todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Não há quem faça o bem, não há nem um só. Não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há temor de Deus diante de seus olhos [Rm 3.23, 10-18]. Porém o Senhor nos deixou o padrão correto de como fazer as coisas, inclusive, o sexo. 
       Durante séculos, acreditou-se em dois extremos: de um lado os gnósticos que viam o corpo como um vaso imundo para o espírito. De tal forma que o espírito somente estaria liberto, definitivamente, com a morte do corpo. O ascetismo e o celibato eram as melhores formas de se garantir alguma pureza, ainda que parcial. Em linhas gerais, o desejo sexual deveria ser sublimado ou abolido para que a luz derrotasse as trevas. Do outro lado, havia a depravação total; onde tudo era permitido, desde as bizarrices ou excentricidades até as aberrações mais perversas e degradantes. Para esse grupo, nada era pecado, nem proibido, ao ponto em que luz e trevas se misturavam sem que uma pudesse sobreviver sem a outra. Como antíteses de uma mesma tese.
      Se de um lado havia uma tentativa de se "parecer" com Deus, ao menos de se aproximar de sua santidade; do outro lado, havia o desejo de se afastar completamente dele, uma forma, ainda que não intencional, de não se parecer com Deus ou o que ele representasse. A questão é que, no primeiro caso, buscava-se alcançá-lo pelo esforço humano, pelo conhecimento, pela busca da pureza, alheia aos ensinos bíblicos, ainda que pudessem crer serem neles firmados. Ainda que toda a "pureza" se baseasse em uma disciplina alimentar rígida e na abstinência sexual, não procedia de Deus, mas era outra invenção humana, um placebo que não resultaria em nenhum efeito positivo, pelo contrário, manteria o homem ainda mais distante de Deus. Entendo como sendo uma forma que encontraram para se  diferenciarem dos pagãos, dados às orgias e bacanais, por isso a necessidade de rejeitarem o sexo como algo sujo e destituído de qualquer valor que pudesse aproximar o homem de Deus. 
       As duas formas continuam a existir ainda hoje com novos rótulos, e em múltiplas versões, ainda mais radicalmente estapafúrdias. O que já era ruim, piorou ainda mais. Não vou entrar em seus detalhes, a esmiuçá-los e apontando-lhes as fragilidades, mas o certo é que erram exatamente por não reconhecer o propósito eterno que Deus sempre teve para o sexo. Se temos de glorificar a Deus em tudo, seja no comer, no beber, ou fazendo qualquer outra coisa [1Co 10.31] também devemos fazê-lo no sexo.
        O problema reside na questão: a nossa sexualidade glorifica a Deus? Ou estamos buscando uma autonomia, em nós mesmos, pela liberdade de pecar? E, por fim, sermos definitivamente presos pelo pecado?
      O fato é que o sexo foi alçado a um grau de importância tão grande, tornando-se em superlativo, que muitos ergueram um altar para adorá-lo; de forma que ao invés do sexo ser normatizado e adequado ao padrão divino pelo qual o comportamento humano na sociedade seria disciplinado, passou a ser o formador do padrão pelo qual o homem viverá socialmente, no subterrâneo da imoralidade. Ao ponto em que tudo é válido, menos restringi-lo. Em outras palavras, seria uma proposta avessa ao ascetismo gnóstico, quase a gritar em nossos ouvidos: o homem não tem alma, logo, não há Deus! Então, comamos e bebamos, pois amanhã morreremos [1Co 15.32]. O sexo tornou-se um meio pelo qual o homem tenta se livrar de Deus.
      Mas como sabemos, isso é impossível; ninguém está livre de Deus, mesmo aquele que não o reconhece; mesmo o que o nega.
     Concluíndo: o sexo, fora dos princípios bíblicos e dos padrões estabelecidos pelo Criador, nada mais é do que a busca pelo mais-que-imperfeito.
 
Leia a parte 2 deste artigo: Encontrando a razão

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O amor à espera de ti - Cantares para ela mesma (XVII)



Para L.R.

Amo-te! Exasperadamente: amo-te!

Amo-te nesta distância do que não vejo
E amo-te na adaga negra em meu peito!

Amo-te! Tempestuosamente: amo-te!

Amo-te no espaço vago deste espelho
E amo-te na solidão fria do meu leito!

Amo-te! Irascivelmente: amo-te!

Amo-te na privação do que mais anseio
E amo-te na omissão do que foi sobejo!

Amo-te! Enfurecidamente: amo-te!

Amo-te em arquejo pelo sabor de teu beijo
E amo-te na falta do que é meu por direito!

Amo-te! Irritadamente: amo-te!

Amo-te na frustração do meu mais ardente desejo
E amo-te no rasgo do tecido parvo do meu tempo!

Amo-te! Impetuosamente: amo-te!

Amo-te no fogo fátuo que um dia fora incêndio
E amo-te em cada verso que escrevo: amo-te!

Amo-te, enfim, como quem desesperadamente te grita:
                                                               - Amo-te!

F.R.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Minha mãe saindo da UTI


Papai e mamãe (atente ao detalhe atrás deles)
A lembrança mais remota que tenho da minha mãe se dá diante do espelho emoldurado por uma madeira amarela no quarto do nosso apartamento em Brasília. Era um quarto amarelo-laranja na verdade. Tudo amarelo-laranja, até um enorme urso cheio de bolinhas de isopor que o mantinham sentado. Mas a cena se dá com minha mãe deitada na cama ao lado desse espelho, vendo-me colocar a roupa após o banho. Como de costume, coloquei a cueca e, para dentro da cueca, a camisa. Quando já estava pronto para erguer minhas calça jeans e fechá-la, minha mãe fez a seguinte observação: “Fábio, quem veste roupa assim é mulher. Você é homem. Você deve colocar a blusa para fora da cueca! ...as suas irmãs é que colocam a camisa delas para dentro da calcinha...”. Parei, fiquei olhando por um tempo aquela minha camisa para dentro da cueca e, finalmente, me rendi às orientações de minha mãe. Desci a cueca e arrumei minha roupa.

Viviane, papai e Jeanine (minhas irmãs)
Não foi fácil para minha mãe me educar. Primeiro, porque meu pai viajava muito. Segundo, porque com a morte de meu pai aos meus oito anos de idade, ela teve que educar um menino sem modelo algum de homem dentro de casa. É óbvio que eu imitava minhas irmãs e a ela mesma em muitas outras questões diárias. Certamente, muitas delas, positivas.  Para dar um exemplo, uma vez, um amigo convidou-me à casa dele e depois de umas duas horas de muita conversa à mesa - conversa de homem -, ele grita diante dos outros colegas: “Ganhei”! Todos riram e os vi entregarem notas de dinheiro ao meu amigo, que completou: “Eu não disse? O Fábio não fala palavrão! Ganhei a aposta!”. Não fui criado em um lar cristão puritano – ao contrário. Mas o fato é que essa era uma das características que mais me marcaram socialmente e eu nem sabia o por quê. Eu não falava palavrão, porque, dentro de casa, minhas irmãs e minha mãe não falavam e, mesmo que eu aprendesse palavrões na rua, não os trazia para elas e nem tão pouco os assimilava. Enfim, na cultura dos meus amigos, palavrão era coisa de homem, mas eu estava sendo criado por mulheres e esta era uma das características da cultura singular da minha casa: mulheres que, antes de tudo, tinham como modelo de masculinidade meu pai, um homem raro, um homem educado, respeitoso e muito carinhoso com as três mulheres que o cercavam.

Por que estou contando tudo isso? Porque tive o privilégio, nestas últimas duas semanas, de servir um pouquinho a quem nunca dispensou esforços em me servir pela minha vida toda! Quando cheguei à UTI pelo domingo de manhã, dia 21 de outubro, vi minha mãe num estado assustador: deitada com a máscara de oxigênio naquele leito, os enfermeiros sobre ela, a respiração curta e acelerada, o diafragma quase em espasmo pelo esforço de puxar algum ar para dentro dos pulmões. Disse minha irmã que os olhos de minha mãe se iluminaram e se encheram de água ao me ver entrar. Eu mesmo nem dei conta de nada disso, porque a cena me chocou ao ponto de só pensar em como eu poderia ajudar. Ali mesmo, orei com ela, lendo um trecho da Palavra de Deus: “Esperei com paciência pela ajuda de Deus, o Senhor. Ele me escutou e ouviu o meu pedido de socorro. Tirou-me de uma cova perigosa, de um poço de lama. Ele me pôs seguro em cima de uma rocha...” (Sl 40).  Naquele mesmo dia, retornei de tarde e minha mãe já estava visivelmente muito melhor. Minha mãe permaneceu uns seis dias na UTI geral e depois foi para uma “UTI particular” (um apartamento). Mais uns dois dias, foi para a semi-UTI e, ontem, ela já foi transferida para o apartamento fora da UTI. Esperamos que ela saia sábado do hospital.

Minha mãe linda!
Nestes dias de Hospital, fiquei alternando com minha irmã os cuidados com nossa mãe. Um tempo muito bom para estar perto dela, conversar mais sobre Deus e rir ainda mais com suas piadas. Quem conhece minha mãe, sabe que boa saúde e deboche são sinônimos na vida dela. Ao vê-la começando a fazer piada da própria situação e contando piada dos enfermeiros,  tranquilizávamos o coração, pois era sinal que minha mãe estava voltando. 

Sobre palavrões? Sim, tem alguns anos que mamãe já coleciona os dela (e quem não guarda os seus para aqueles momentos em que palavras corriqueiras não conseguem dizer tudo aquilo que precisamos). Minhas filhas acham graça da vó toda vez que nos juntamos. A cada palavra mais pesada que minha mãe, porventura, profira, minhas filhas olham para mim e para a Lu com um olhar de cumplicidade compreensiva e sorrisinho amoroso, porque vó é vó e elas sabem muito bem que devemos respeitar os mais velhos mesmo que não concordemos com eles. Minha mãe está com 79 anos de idade. Diz minha irmã que, por causa da distância da morte de papai, minha mãe vem mudando aos pouquinhos. "Ela vem perdendo aquela influência do homem que foi papai, afinal já são mais de 30 anos sem ele", explica minha irmã.

Enfim, creio que somos assim mesmo: gente de carne e osso, cujas vidas são frágeis reticências num texto muito mais complexo escrito por Deus desde a eternidade. Sim, pessoas maravilhosas e repletas de defeitos também. É a beleza da imagem de Deus e a depravação do pecado – esta mistura que, em Cristo, espero um dia se desfaça e surja apenas a glória, a maravilhosa glória de Deus manifestada plenamente em nós. Quero agradecer aos que estiveram junto comigo nesta semana, intercedendo junto ao Pai pela minha mãezinha. Muitíssimo obrigado!  

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A última testemunha - um post para minha mãe

Queridos amigos e leitores, dei essa sumida sem tempo de dar um aviso prévio, porque minha mãe deu entrada na UTI em São Paulo. Assim, vim ficar com ela. Ela se recupera bem e, depois de oito dias na UTI, ela já se encontra na UTI semi-intensiva. Agradeço as orações e, quando possível, estarei retornando. Reposto este texto baseado em reflexões de minha mãe. Abraços sempre afetuosos. 

Tia Doris, Tia Regina, Tio Roni abraçado pela Tia Doli, Tia Cecília e tio Roseny (só faltou mamãe).


Quando minha mãe nos visitou por aqui no mês passado, ela nos disse algo, à mesa da cozinha, que me surpreendeu, porque eu jamais havia antes pensado sobre aquilo: “Fábio, eu sou a última testemunha. Eu sou a última testemunha da minha infância”.


Um dia desses, postei sobre o clã dos Ribas e ali, naquele post, havia uma foto de todos os irmãos da minha mãe. Os meus avós, que estão naquela foto, há muito se foram. E quase todos irmãos da minha mãe também. Tia Doli, Tia Dóris, Tia Cecília e Tio Roseny, todos já foram e causaram as dores de suas mortes a minha mãe. Foram falecimentos doídos, não apenas pela morte em si, mas, principalmente, por causa do câncer que arrastou pelo menos três dos meus tios.

“Fábio, eu sou a última testemunha da minha infância! Se teu tio Roni morrer, morre com ele as minhas lembranças da infância. Eu não tenho mais com quem conversar sobre aquele passado em Vitória no Espírito Santo”, disse-me minha mãe. Essas palavras dela abriram uma outra realidade para mim: a vida da minha mãe está se apagando e ela tem toda consciência disso. Senti como que se fosse uma espécie de amnésia existencial, porque eram nessas conversas que uns relembravam os outros de detalhes esquecidos. Contudo, agora, havia um apagamento se formando, uma lacuna, um pano negro sobre um tempo cuja única testemunha seria ela. Isto é uma espécie de solidão com a qual eu ainda não havia me deparado.

Há ainda uma última irmã, tia Regina, mas ela é uma verdadeira temporã, nascida fora de época, tardia, quando a família da minha mãe já morava no Rio de Janeiro. A diferença de idade das duas talvez seja de uns vinte anos, mais ou menos.

Enquanto escrevo este texto, minha mãe está se preparando para ir a São Paulo. Meu tio Roni também está sendo arrastado pelo câncer. Não preciso dizer como isso afeta minha mãe. Ela segue para ver partir a última pessoa que viveu com ela sua infância. Com a partida do meu tio, ela não vai mais ter com quem relembrar seus tempos de menina, as brincadeiras, a escola, as vivências com os pais dela, a casa em Vitória... Morre a conivência, morre a confidência, morre esse conluio, esta cumplicidade dos olhos que testemunharam as mesmas histórias. Com a partida do meu tio, morre o fato, o objeto, as provas e a infância da minha mãe torna-se, agora, uma arqueologia mais difícil de ser realizada.

Um dia, eu morrerei e comigo o meu testemunho pessoal e ocular daquilo que vi e vivi. Quando eu me for, vão-se comigo as provas daquilo que apenas eu sei. Acredito que é por isso que eu escrevo: eu escrevo para que esse meu testemunho resista a ela, à morte, este monstro que nos devora a existência e as lembranças daqui na terra. Escrevo, porque quero que minhas filhas herdem as minhas memórias, o legado de uma tradição que deixo a elas.

Tio Roni está marcado por três fortes cenas na minha mente. A primeira cena é ele chegando em nosso apartamento em Brasília e trazendo para nós as camisetas do “Quem sabe, sabe”, antigo programa televisivo no qual ele trabalhava. A segunda cena é a minha festa de aniversário em que entreguei para ele o primeiro pedaço de bolo, pequenino gesto de honra de minha infância, mas que nos marcou pelo resto de nossas vidas (tio Roni sempre lembrava disso quando nos encontrávamos). Há uma terceira cena, inesquecível para mim, eu no quarto de um hospital em São Paulo, recém-operado das amídalas, tio Roni entra e me dá de presente uma pequenina lanterna. Era uma caixinha vermelha com uma lampadazinha, mas que iluminou aquelas noites nas quais sequer eu podia falar por causa da cirurgia.

Bem, agora, eu estou compartilhando contigo essas minhas lembranças. Então, elas já não são apenas as minhas lembranças e, de uma forma muito estranha, eu trouxe você para ver comigo essas cenas. Já não sou só eu que sei... Acho que escrevo também, porque não quero saber sozinho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eu, desprezível?! - Um post para minhas filhas


Nós, seres do sexo masculino, somos malvados. Somos todos muito malvados.  Contudo, o  mais surpreendente, é que, ainda assim, Deus nos dá filhos! Claro que, na maioria das vezes e por quase todo tempo, não sabemos como nos portar, como segurá-los, o que dizer, o que fazer com essas crianças que nos obrigam a olhar para elas, desafiando-nos diariamente a sair da nossa zona de conforto e olhar noutra direção que não seja apenas o nosso próprio umbigo. É sobre isso que trata o filme infantil - infantil mesmo - que, num dia desses, assistimos, todos juntos, aqui em casa: "Meu malvado favorito" ("Despicable me", que seria traduzido assim: eu, desprezível).


O personagem “Gru” foi criado pela mãe autoritária e indiferente a ele (não há a figura paterna). “Gru” persegue, desde criança, seu sonho, mas sempre procurando a aprovação materna. Todavia, todo esse seu esforço se revela inútil, pois ela despreza os sonhos do filho. Logo, com uma criação dessas, como poderia "Gru" se sair bem como pai? E ainda por cima, pai de três meninas de uma vez?! Ele não aprecia histórias infantis, não gosta de contá-las, não sabe segurar na mão de crianças e, muito menos, dar beijo de boa-noite e - evidentemente - nem dizer “eu te amo”. Enfim, o nosso herói é realmente um adulto desprezível!

Ser pai é um aprendizado. Ser pai é sempre um dia depois do outro. E a grande descoberta de “Gru” é que a beleza do amor está em você decidir amar a quem, com toda liberdade, decidiu amar você também. “Gru” decidiu amar aquelas três menininhas que viraram sua vida de cabeça para baixo, principalmente invertendo valores estranhos que existiam na vida dele. Elas aparecem assim, repentinamente, sem aviso prévio e vendendo biscoitos à porta da casa dele. A mais nova das meninas tem um nome sugestivo: Agnes (anjo). Assim, eu poderia também dizer que é em uma dessas visitas imprevisíveis de Deus em nossas vidas que, de modo bem parecido, tudo pode mudar. Eu creio!


É possível, sob outra perspectiva, que nós, homens, ainda que tendo um “Gru” morando dentro de nós (e que passa o tempo todo sonhando em roubar a lua só para suprir nossas demandas mais infantis), venhamos a descobrir, finalmente, que o maior sonho a ser realizado é o de decidir amar nossos filhos, assim como um dia Deus nos amou primeiro. No caso do filme, amar assim como as meninas o amaram primeiro: apesar daquela careca, do nariz esquisito e da aparência um tanto quanto grotesca (“Gru” é um diminutivo em inglês da palavra "gruesome", que quer dizer "repugnante"). No meio do filme, uma das meninas diz para a outra que “Gru” dá medo nela, mas, diante dessas palavras, a pequena Agnes, depois de um momento de reflexão, devolve: “Igual o Papai-Noel”! Talvez porque sejamos todos isso mesmo: um misto de coisa alguma com alguma coisa maravilhosa demais para se compreender; seres totalmente depravados, mas, ainda assim, com  a maravilhosa imagem de Deus plantada em nós.


Filme é sempre algo muito pessoal, uns gostam outros não. Mas “Meu malvado favorito” falou de uma maneira muito especial para mim, por causa dos temas que aborda: adoção, baixa auto-estima, julgamento, descobertas, conquistas, paternidade. Sou pai de duas lindas princesas e tenho descoberto que, apesar do “Gru” que ainda mora aqui dentro de mim, elas me veem de uma maneira toda especial. E, por isso mesmo, elas me fazem querer, cada vez mais, ser um pai melhor para elas. Dica? Um filme para se ver com toda a família, sem esquecer da pipoca e do refri, claro.
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