Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

domingo, 25 de dezembro de 2011

A história de “Car palo, o audaz”

"Car palo, o audaz"
Era uma manhã de um mês de abril. E nossa amiga nos disse: “Fábio, você acredita que sempre sonhamos em entrar, mas as portas sempre fechadas e, veja, acabaram de ligar, eles estão pedindo professor de português... mas nós não temos ninguém no gatilho para enviar"...

Saí de lá com essa pulga atrás da orelha. Ninguém para enviar?! E eu? E nós? Era preciso falar com a Lu. Seria preciso tentar, jogar tudo para o alto e seguir acreditando nos sonhos que Deus derramava sobre nossas vidas. “Ir aonde ninguém mais queria ir” - sempre dissemos isso um ao outro. 

Desde o início do nosso namoro na Faculdade Católica de Brasília, horário do intervalo, em frente à lanchonete, tracei os meus sonhos para aquela linda e também empolgada menina de olhos verdes: “Lu, vai ser assim, primeiro a gente vai para uma cidadezinha do interior, pequenininha, dessas que ninguém quer ir, alguma cidade em que possamos ajudar aqueles que trabalham com povos indígenas. Ficamos lá por alguns anos e depois vamos para a África, quem sabe um país muçulmano, portas fechadas. Mas isto só quando meus cabelos estiverem bem brancos, porque eu sei que os árabes respeitam mais os de cabelo branco... E depois? Depois, quem sabe com uns 70 anos, continuaremos sempre além, enquanto Deus nos der folego de vida para vivermos para a glória dEle"! E naquela nossa juventude sonhadora, ríamos um do outro e sentíamos nossos corações em chamas: “Lu, eu desperdicei a minha adolescência trabalhando para o diabo, mas agora eu quero investir o meu tempo para falar de Jesus”.

De repente, todos aqueles sonhos da faculdade pareciam se iniciar. Precisávamos, contudo, fazer tudo bem planejado para não parecer apenas devaneios sem fundamento, até porque só nós sabíamos da trajetória que nos havia trazido até aquele ponto. Então, sem ninguém saber, fomos conhecer a cidade em que moramos hoje. Nosso coração quase parado no peito, tudo finalmente começando e a sensação inequívoca de que estávamos no centro da vontade de Deus. Nem imaginávamos, porém, que nos planos de Deus havia mais, havia algo ALEM! Na cidadezinha, houve o inesperado convite: “Por que só ajudar aqui na cidade? Por que vocês não entram e não conhecem o povo?”. Era julho de 2006!

De volta à Brasília, já sabíamos qual o povo e, então, começamos a nos preparar ao desconhecido. Começamos o contato com eles, com a aldeia, com a liderança para aquela que seria a nossa 1ª entrada na aldeia (janeiro de 2007). “Lu, você sabe o que vai acontecer se formos? Você sabe o que vai acontecer se tudo daqui para frente der certo? Vamos ter que deixar para trás nossas famílias, a estabilidade dos nossos empregos públicos e teremos uma forte oposição por levarmos nossas filhas (na época com 4 e 2 anos) para o meio da mata”! Por isso tudo, precisávamos assentar nossos sonhos sobre terreno sólido, antes de compartilharmos com a Igreja e a família tudo o que estava acontecendo. Portanto, mais uma vez, seguimos sem dizer nada para ninguém, apenas a um seleto grupo de intercessores.

Dentro do carro, iríamos mais uma vez de Brasília rumo ao fim do mundo. Uma família urbaníssima de classe média, que sempre fora criada na cidade e nunca se aventurara para além do seguro e do preciso, estávamos nos preparando a uma viagem que até hoje nunca mais terminou. Dentro do nosso Gol prata 2003, lembrei de “Manuel, o audaz”, o jipe amarelo que levava a turma de músicos mineiros do Clube da Esquina para tudo que era lado. Enfim, batizamos o nosso Gol de “Car palo” numa alusão ao povo com o qual estávamos começando a trabalhar e conhecer: “Car palo, o audaz”.

Por que estou escrevendo sobre isso? Porque “Car palo” estava bem velhinho, motor cansado e barulhento e tinta da lataria toda descascada depois de todos estes anos de estrada e sonhos. Ontem, nós o entregamos como parte do valor do novo carro que compramos com a ajuda preciosa dos meus sogros... “Car palo, o audaz” foi testemunha de um tempo em que acreditamos que valia a pena crer nas promessas de Deus sobre nossas vidas a despeito das dificuldades e dos obstáculos que viessem pela frente.

Então, escrevo para dizer que nossos sonhos se renovaram todos e que ainda estamos na estrada para “viajar/ e no ar livre/ corpo livre/ aprender ou mais, tentar”! Acreditando sempre no Deus que derrama sonhos e visões sobre nossos corações para a glória dEle. E como ainda cremos nAquele que começou esta boa obra e que haverá de concluí-la (sim, porque só Deus poderá dizer quando o nosso tempo aqui terminará!), batizamos o nosso novo carro de “Car palo II, ainda mais audaz”! E como diz a lindíssima música abaixo: "Vamos aprender ou mais, tentar"!

Obrigado a todos que estiveram conosco em oração, amizade e carinho e ainda estarão pelos anos que Deus  nos der nesta estrada em que estamos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Um convite à transcendência: o Natal segundo o Apocalipse (série Natal)

Em palavras bem simples, transcender é subir um degrau e ver além do que a maioria tem visto ou, ainda, "ver com os olhos de Deus". É extenso o testemunho da intervenção divina que insiste em nos fazer ver o que Ele vê, ver com os olhos de Deus o mundo a nossa volta. A mensagem é de Natal, assim, gostaria de convidar você à transcender, ver o Natal com os olhos de Deus... LEIA MAIS, CLIQUE AQUI: "O Natal segundo o APocalipse"!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Conta as muitas bençãos, uma a uma, dize-as de uma vez! - um post aos meus sogros

Meus sogros sempre nos visitando na cidade em que trabalhamos

“Se da vida as vagas procelosas são,
Se com desalento julgas tudo vão
Conta as muitas bênçãos, dize-as duma vez,
Hás de ver surpreso quanto Deus já fez”.


Decididamente, quando olho para trás, desde a minha conversão (e mesmo antes, muito antes, desde o ventre da minha mãe), enfim, quando medito na vida abençoada que Deus me deu, sempre recordo-me do hino acima. Não que eu não tenha problemas ou nunca fique triste, pois, por vezes, "da vida as vagas procelosas são"! Então, longe de mim a máscara de super-crente ou a nefasta teologia da prosperidade. O que eu quero dizer é que reconheço as bençãos de Deus sobre a minha vida e posso dizer que, indubitavelmente, elas são inúmeras e sempre me vejo surpreso com o quanto Deus já fez.

Hoje, ao fim de 2011, quero rememorar bençãos específicas e especiais que Deus me deu através dos meus sogros. Sim, verdade, meu sogro e minha sogra são uma benção na minha vida e tenho certeza de que você irá concordar comigo quando chegar o fim deste texto. Acho que tudo começou com uma pergunta, uma pergunta que no dia 29 de maio de 1998 fiz ao meu sogro: “Seu Beno, o senhor me dá a mão da sua filha em casamento?”. Foi uma surpresa geral, porque era a festa do meu aniversário e ninguém estava preparado para aquele noivado. Sobre essa época, já postei aqui: "Mas como é que tudo começou mesmo?".

A partir daí, creio que o meu sogro nunca ficou satisfeito em ter "apenas" me entregue o maior e melhor presente que ele poderia dar a alguém: sua filha Lucila. Minha esposa foi muito bem educada pelos pais dela: mulher virtuosa, cristã, séria, amiga, cúmplice, parceira e uma líder que sempre esteve presente em minha vida nos momentos em que mais precisei. Depois de tão maravilhoso presente, o que mais poderia querer do seu Beno e da D. Maria Célia? Mas, como já disse, acho que eles nunca ficaram satisfeitos em "apenas" terem já me dado o melhor, e me parece que sempre estiveram atentos à caminhada minha e da Lu, apoiando-nos em momentos muito especiais. Assim, numa tarde como qualquer dessas tardes quentes de Brasília, meu sogro me telefonou: “Fábio, o irmão da Lu está comprando um apartamento para ele, vocês querem ir comigo ver?”. Enquanto estávamos vendo o apartamento, nova pergunta: “Fábio, por que vocês não compram um apartamento?”. Eu ri: “Seu Beno, acabamos de casar e estamos já morando numa casa que o senhor cedeu para nós. Somos professores, então... Enfim, não temos a menor condição de comprar um apartamento”!

Veja, quase que nem falei da benção de morarmos, após casarmos (e por quase dez anos), numa linda casa cedida por eles. Portanto, já estávamos na benção, mas daí a comprar um apartamento?! Foi quando ele me disse: “Vamos fazer o seguinte, nós entramos com “tanto” e vocês com outro tanto. Assim, eu acho que dá”! Eu sei que você deve estar se perguntando quanto foi o "tanto" que eles nos ofereceram, mas eu não posso falar, afinal essas coisas não se diz assim tão publicamente. Contudo, posso dar uma dimensão da benção: o dinheiro que eles nos deram deu para pagar as chaves, as intermediárias (que são a grande dificuldade quando se quer comprar um apartamento) e tudo o mais que você pense. Durante uns cinco anos, nós pagamos apenas as mensalidades do apartamento. Benção pura!

Entretanto, a razão de estar escrevendo este texto é para falar de uma outra benção que acabamos de receber por meio do meu sogro e da minha sogra. Vocês lembram do post “A culpa é do pai”? Então, eles ficaram preocupados e, mais uma vez, se reuniram em prol de nos ajudar com aquele nosso carrinho já tão problemático: vendemos aquele carro (que, segundo os compradores, já precisava refazer o motor) e meus sogros nos emprestaram o restante do dinheiro para comprarmos um carro novo, carro zero! Empréstimo que devolveremos a eles, mas apenas com juros reajustados pela inflação anual, nada parecido com aqueles terríveis e tenebrosos financiamentos em que se pagam dois ou três para se levar apenas um carro! (Talvez, neste momento, você deva estar pensando se minha esposa não teria algum irmão ou irmã sobrando... pode desistir, já estão todos casados rsrsrs)!

Enfim, este post é apenas para agradecer a Deus pelas bençãos recebidas das mãos dEle, bençãos em que Ele usou os pais da minha linda Lu para nos abençoar. Aqui se confirmam mais uma vez os versos do hino que citei logo no início. Fico surpreso quando conto as bençãos e vejo quantas são! Poderia eu imaginar que a Lu seria apenas UM dos tantos presentes que Deus derramaria na minha vida através dos meus sogros? Mas, o que posso dizer? Deus é bom para comigo e sempre foi, seja nos momentos difíceis, seja nos momentos de bonança! E benção de Deus nunca vem sozinha, vem logo de carrada. Por isso, como o próprio hino citado diz, eu sei que o melhor mesmo ainda está por vir:

Quando vires outros com seu ouro e bens,
Lembra que tesouros prometidos tens
Nunca os bens da terra poderão comprar,
A mansão celeste em que tu vais morar.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Críticas ao Estatuto da Diversidade Sexual (VI) - DIREITO E DEVER À FILIAÇÃO, À GUARDA E À ADOÇÃO (1ª parte)

Nesta parte do Estatuto, é abordado o tema da adoção gay e também encontram-se os seguintes artigos: 

Art. 27 - Quando da separação, a guarda será exercida de forma compartilhada, independente da existência de vínculo biológico do genitor com o filho.

Art. 28 - A guarda unilateral somente será deferida quando comprovada ser
esta a mais favorável ao desenvolvimento do filho, sendo assegurada a quem
revelar maior vínculo de afinidade e afetividade.
 
Art. 31 - O filho não pode ser discriminado pela família ao revelar sua
orientação sexual ou identidade de gênero.
  
Art. 32 - Nos registros de nascimento e em todos os demais documentos
identificatórios, tais como carteira de identidade, título de eleitor, passaporte,
carteira de habilitação, não haverá menção às expressões “pai” e “mãe”, que
devem ser substituídas por “filiação”.

O tema da adoção gay será tratado nas próximas terças-feiras numa série de artigos que estarei publicando para que possamos ter uma abordagem mais extensa e profunda do tema. Inicio com o artigo abaixo. Leia-o atentamente: 

Por que ficamos surpresos com a promoção de “direitos à pedofilia”?

Todos os principais argumentos comumente usados para normalizar a homossexualidade estão sendo usados para normalizar a pedofilia e a pederastia.
Os artigos acadêmicos em revistas eruditas estão apresentando a pedofilia de um modo solidário há anos e, conforme observou Matthew Cullinan Hoffman, a Associação Americana de Psicologia (AAP) divulgou um relatório em 1998 “afirmando que o ‘potencial negativo’ de sexo adulto com crianças estava sendo ‘exagerado’ e que ‘a vasta maioria dos homens e mulheres não relatou nenhum efeito sexual negativo de suas experiências de abuso sexual na infância’. O relatório chegou a afirmar que grandes números das vítimas relataram que suas experiências eram ‘positivas’, e sugeriram que a frase ‘abuso sexual de crianças’ fosse substituída por ‘sexo entre adultos e crianças’”. Outros inventaram o mais repugnante dos termos: “intimidade intergeracional”.
O relatório da AAP foi tão perturbante que atraiu uma repreensão oficial do Congresso, mas a promoção pró-pedofilia (ou, pró-pederastia) continua. Aliás, alguns líderes psiquiátricos, como o Dr. Richard Green, que colaborou de forma fundamental para remover a homossexualidade da lista de desordens mentais da AAP em 1973, têm estado lutando para remover também a pedofilia.
Considere, por exemplo, esta declaração do falecido professor da Universidade de Johns Hopkins, John Money: “A pedofilia e a efebofilia [referindo-se à atração sexual que um adulto sente por um adolescente] não são questão de escolha voluntária, pois são como ser canhoto ou sofrer de daltonismo. Não se conhece nenhum método de tratamento com que [a pedofilia e a efebofilia] possam ser com eficácia e permanentemente alteradas, suprimidas ou substituídas. Castigos são inúteis. Não há nenhuma hipótese satisfatória, evolucionária ou de outro tipo, quanto aos motivos por que existem no sistema geral de coisas da natureza. Precisamos simplesmente aceitar o fato de que elas existem, e então, com esclarecimento de excelente qualidade, formular uma política do que fazer acerca delas”.
Agora, vote e releia o parágrafo, substituindo a palavra “homossexualidade” por “pedofilia” e “efebofilia”. Não é interessante?
Para ajudar a desnudar mais a realidade disso, vamos imaginar um homem homossexual argumentando com um homem heterossexual:
1) Minha homossexualidade não é uma preferência sexual, mas uma orientação sexual, exatamente na mesma medida que sua heterossexualidade não é uma preferência sexual, mas uma orientação sexual.
2) Minha homossexualidade é tão normal quanto sua heterossexualidade.
3) Já que minha conduta é geneticamente determinada e não uma escolha, é intolerante e abominável sugerir que é errada. E chamar minha conduta sexual de ilegal ou imoral, ou recusar legitimar relacionamentos de mesmo sexo, é ser um moralista fanático da pior espécie.
4) Fico profundamente ofendido com suas tentativas de identificar áreas da minha criação e ambiente como causas alegadas para a minha homossexualidade.
5) Categoricamente rejeito o mito de que alguém pode mudar sua própria orientação sexual. De modo particular, tais declarações só aumentam a angústia e sofrimento de gays e lésbicas, e tentativas de nos mudar muitas vezes levam a consequências catastróficas, inclusive depressão e suicídio.
Agora, vamos mudar este exemplo e colocar um pederasta para argumentar seu caso com um homossexual, substituindo as palavras de acordo com essa situação (assim, “A pederastia não é uma preferência sexual, mas uma orientação sexual, exatamente na medida que sua homossexualidade não é uma preferência sexual, mas uma orientação sexual”).
De fato, todos os principais argumentos comumente usados para normalizar a homossexualidade estão sendo usados para normalizar a pedofilia e a pederastia, conforme documentei com muito detalhe (e sofrimento) em A Queer Thing Happened to America (Ocorreu uma Coisa Gays contra os Estados Unidos), onde também deixei claro que eu não estava igualando a homossexualidade com a pedofilia, mas em vez disso comparando os argumentos usados para normalizar ambos.
Eis os oito principais argumentos, todos dos quais (em forma modificada) são comumente usados no apoio à homossexualidade:
1) A pedofilia é inata e imutável.
2) A pederastia é abundantemente confirmada em muitas diferentes culturas em toda a história.
3) A afirmação de que os relacionamentos sexuais entre adultos e crianças podem causar danos é muito exagerada e muitas vezes completamente inexata.
4) O sexo consensual entre adultos e crianças pode realmente ser benéfico para a criança.
5) A pederastia não deveria ser classificada como desordem mental, já que não causa angústia para o pederasta ter esses desejos e já que o pederasta pode viver normalmente como um cidadão que contribui para a sociedade.
6) Muitas dos mais famosos homossexuais do passado eram realmente pedófilos.
7) As pessoas são contra a intimidade intergeracional por causa de padrões sociais antiquados e fobias sexuais puritanas.
8) Tem a ver somente com amor, igualdade e liberação.
Mas nenhum desses argumentos deveria nos surpreender. Afinal, a era da crescente anarquia sexual em que vivemos é fruto da revolução sexual da década de 1960, e as sementes da anarquia sexual já foram semeadas por Alfred Kinsey no final da década de 1940, conforme a Prof.ª Judith Reisman tem incansavelmente documentado. E foi Kinsey, afinal de contas, que contou com a pesquisa de pedófilos para documentar as reações sexuais de bebês e crianças.
Com certeza, tudo isso é totalmente horrível. Mas não deveria certamente ser surpresa. Aliás, devemos esperar isso e mais.
Tradução: Julio Severo
LEIA TAMBÉM:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL, A TIRANIA INTERIOR - Cantares alheios (XVII)

A dependência emocional é o medo da liberdade e se caracteriza por comportamentos submissos, falta de confiança, dificuldade em tomar decisões, inabilidade para expressar desacordo e por um temor extremo ao abandono, à solidão e à separação.
 
É uma tirania encarregada de construir nossa prisão interior mediante alianças com o medo, a passividade, a negação da realidade e os sentimentos de culpa. Faz parte do carácter e se nutre de circunstâncias desafortunadas na infância de cada um. A dependência emocional se manifesta no comportamento afetivo, sexual, profissional, social e econômico.
 
O noivado, a lua de mel, os "casais perfeitos" ou as famílias sem problemas são idealizações que não se sustentam por muito tempo. A discussão franca pode gerar dor, raiva e dúvidas, porém é a única maneira de se chegar ao fundo das diferenças. Calar ou conciliar por comodidade é um grande erro, pois impede a solução dos problemas. A realidade nos demonstra que as famílias mais enfermas são aparentemente impecáveis, onde ninguém levanta a voz, não se discute e não há diferenças importantes. Nessas famílias, onde tudo aparenta harmonia e doçura, se cozinham em segredo, grandes rancores e profundas frustrações.
 
Na vida profissional, quando o empresário intui a necessidade de empreender grandes mudanças para superar dificuldades em seu negócio, porém espera que forças externas executem as ditas mudanças, a falência ronda seu caminho. A crença dos dependentes inclui: "para que incomodar-me, questionar a honestidade do meu braço direito na empresa ou criticar a empregada de confiança, ou exigir uma mudança ao meu cônjuge, ou falar claro ao meu filho, ou armar uma discussão, se isto pode causar desiquilíbrio???”
 
Homens e mulheres baseiam suas eleições de par no socialmente aceitável, porém levam grandes sustos quando descobrem a mediocridade por trás da fachada. As piores escolhas ocorrem quando estão baseadas, primordialmente, no atrativo físico ou no poder econômico das pessoas. Em ambos os casos, cedo ou tarde, se não existe mais do que isso, as relações terminam convertendo-se em algo insuportável.
 
Através do medo da liberdade se perpetua a dependência emocional e as pessoas confirmam, assim, sua condição de prisioneiras. E quando essas circunstâncias geram angústia e/ou depressão, é provável que para aliviar tais sintomas se requeira tratamento médico, porém é necessário saber que a diminuição desses sintomas é só o começo de um processo mais profundo.
 
Um dos primeiros passos no processo da independência é combater a fascinação pela comodidade. "Eu quero ser livre, porém não quero renunciar à minha comodidade". E isso, obviamente, é impossível, pois a liberdade só se conquista através do empenho cotidiano.
 
Conquista tua liberdade, ama de verdade os demais como são, não como você os imagina. Valoriza-te, evita frustrantes dependências, não te anules e não deixes que ninguém se anule ao teu lado. Recorda que somente quem é livre cria relações serenas nas quais se vive o verdadeiro amor: "unir-se sem igualar."

TRADUÇÃO DO TEXTO "La tirania interior", Carlos E. Climent.
RITA MARIA BRUDNIEWSKI GRANATO
PSICÓLOGA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Natal segundo Jean Paul Sartre (série Natal)

FIM DE TARDE


“A Virgem está pálida e contempla o menino. O que dizer daquela expressão de perplexidade que foi vista uma única vez num semblante humano? Porque o Cristo é o seu filho, a carne da sua carne, e o fruto do seu ventre. Ela o carregou por nove meses, vai lhe oferecer o seio e o seu leite se tornará o sangue de Deus.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"O Cântico é sacrossanto" - Cantares sobre Cantares (X)

O rabino Aquiva, condenado à morte por Adriano, afirmava: "Jamais homem algum em Israel contestou ser o Cântico um livro sagrado. O curso inteiro da história da humanidade não poderia rivalizar o dia em que o Cântico foi dado a Israel. As Escrituras são santas, mas o Cântico é sacrossanto". Na mesma linha, diz que, quando Adão pecou, Deus subiu ao primeiro céu, afastando-se da terra dos homens. Quando Caim pecou, subiu ao segundo. Com a geração de Enoc, subiu ao terceiro, com o dilúvio ao quarto, com a geração de Babel ao quinto, com a escravidão do Egito ao sexto e ao sétimo céu, o último e mais distante da terra. Porém Deus voltou à terra no dia em foi dado a Israel o Cântico dos Cânticos (G. H. Cavalcanti).

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Críticas ao Estatuto da Diversidade Sexual (V) - DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR


PORQUE EU QUERO LIBERDADE PARA PROCLAMAR ESTA VERDADE!
Art. 13 - Todas as pessoas têm direito à constituição da família e são livres
para escolher o modelo de entidade familiar que lhes aprouver, independente
de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Art. 14 - A união homoafetiva deve ser respeitada em sua dignidade e merece
a especial proteção do Estado como entidade familiar.
Art. 15 - A união homoafetiva faz jus a todos os direitos assegurados à união
heteroafetiva no âmbito do Direito das Famílias e das Sucessões, entre eles:
I – direito ao casamento;
II – direito à constituição de união estável e sua conversão em
casamento;
III – direito à escolha do regime de bens;
IV – direito ao divórcio;
V – direito à filiação, à adoção e ao uso das práticas de reprodução
assistida;
VI – direito à proteção contra a violência doméstica ou familiar;
VII – direito à herança, ao direito real de habitação e ao direito à
concorrência sucessória.
Art. 16 - São garantidos aos companheiros da união homoafetiva todos os
demais direitos assegurados à união heteroafetiva, como os de natureza
previdenciária, fiscal e tributária.
Art. 17 - O companheiro estrangeiro tem direito à concessão de visto de
permanência no Brasil, em razão de casamento ou constituição de união
estável com brasileiro, uma vez preenchidos os requisitos legais.
Art. 18 - A lei do País em que a família homoafetiva tiver domicílio determina as
regras do Direito das Famílias.
Art. 19 - Serão reconhecidos no Brasil os casamentos, uniões civis e estáveis
realizados em países estrangeiros, desde que cumpridas as formalidades
exigidas pela lei do País onde foi celebrado o ato ou constituído o fato.

  1. Sobre o “modelo familiar que lhes aprouver”: a presente proposta da OAB tem como objetivo abarcar todo o espectro sexual possível, assim, obviamente, não estamos mais falando sobre a família como o laço entre um homem e uma mulher, macho e fêmea. O modelo familiar prestes a ser legalizado será entre um travesti e um intersexual; será entre um homossexual e um bissexual, etc. E o que está contido dentro do meu ETC? As portas abertas quais serão? Veja você mesmo: Pedofilia e homossexualismo.

  2. Veja que cabe a você ler a série de artigos que indiquei no link acima. A responsabilidade de não ver a extensão da "diversidade sexual" é inteiramente sua. As informações, as fontes, a VERDADE estão sendo ditas aqui, mas a omissão é sua em não se apofundar no assunto. A informação é a melhor arma, por isso indicarei outra postagem importantíssima do nosso blog: "O DEUS DO SEXO" (Editora Cultura Cristã)– você não pode seguir adiante, responsavelmente, discutindo este assunto sem antes ler este livro.

  3. Sobre a "união homoafetiva" e a proteção do Estado: Assim como homofobia é um termo usado inapropriadamente, ocorre o mesmo com a palavra homoafetividade. Homoafetividade é uma distorção da realidade, ou melhor, uma interpretação que leva o cidadão a enxergar as coisas como elas não são. Homafetivo eu sou. Nutro afeto por pessoas do mesmo sexo: pai, irmãos, tio, amigos. Então, mais uma vez, usa-se a palavra para mascarar a realidade sexual da relação e sublimá-la ao campo da sentimento, do amor, da afetividade. E, pergunto eu, desde quando é função do Estado proteger afetividade, sentimento?

  4. "Sobre a especial proteção do Estado": Especial proteção?! Será que estamos falando de pessoas desprovidas de capacidade física ou mental? Será que estamos falando de menores de idade ou de tutelados? Por que você deve aceitar a ESPECIAL PROTEÇÃO do Estado sobre uma união enquanto se desconstrói os valores da família tradicional às custas dos impostos pagos por cristãos?

Enfim, prentende-se garantir os ganhos de direito de um grupo às custas da perda de direitos de outros grupos e isso receberá do Estado uma ESPECIAL ATENÇÃO! O que parece justo aos olhos de muitos, que são a garantia do Direito das Famílias e das Sucessões, virá ao custo de uma imposição ao silêncio, pela mordaça de uma lei que pretende dar uma ESPECIAL PROTEÇÃO a um grupo em detrimento da história, dos valores, das raízes e da tradição de uma cultura que ergueu a civilização ocidental e que, agora, perde o direito de ser ouvida. Mas toda essa discussão não poderá contar com a exposição e defesa sinceras de suas ideias, enquanto VOCÊ não ler o que deve ser lido para fundamentar seus pensamentos não num pragmatismo vil e muito menos num achismo subjetivo e emocional, mas refletindo sobre toda a extensão do alcance do que se está sendo proposto. Além dos artigos aqui já deixados e do livro, quero deixar mais duas obras imprescindíveis para quem quer entrar nesse diálogo seja a favor ou contra o movimento gayzista: A operação do Erro (Joe Dallas - Editora Cultura Cristã) e O Movimento Homossexual (Julio Severo). Clique na lista de artigos e leia. Clique sobre os títulos dos livros, adquira-os, leia, informe-se e sinta-se livre para proclamar o bem onde quer que este esteja e denunciar o mal de onde quer que ele venha. 

Leia também: 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A maioria das doenças que as pessoas têm são poemas presos - Cantares alheios (XVI)

 
A maioria das doenças que as pessoas têm
São poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras calcificadas,
Poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado.
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima
Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema
Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.
Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de espírito santo.
Eu venho do Espírito Santo
Eu sou do Espírito Santo
Trago a Vitória do Espírito Santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.

 
(Viviane Mosé; título original: Receita para arrancar poemas presos)


Assista Antônio Abujanra recitando parte do poema acima.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Natal segundo o Casal 20


"Pai, me dá isso? Pai, me dá aquilo"... Todo ano é a mesma rotina: consumismo, o "bom velhinho", a ceia de Natal, presentes... A pressão é enorme. Somos assolados por pedidos chorosos de barbies, patins, roupas, acessórios de beleza infantil e demais brinquedos. A tv hipnotiza as crianças com a insistência demente de que se tem que ganhar aquilo ou isso. Bons pais, famílias felizes, crianças satisfeitas - já conhecemos bem a estratégia de manipulação que, anualmente, tenta trazer para dentro das nossas casas as regras de felicidade do mercado. LEIA MAIS, CLIQUE AQUI: "O Natal segundo o Casal 20"

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A culpa é do pai (Crônica de uma viagem insólita)


Já estávamos há 200 quilômetros da nossa cidade de origem, quando o inusitado aconteceu. “Pai, o senhor quer um chiclete?”, perguntou Ana Lissa. Prontamente, respondi que sim. “Mãe, então me dá dinheiro”, disse Ana para a Lu. Lu se aproximou do carro, espiou pela janela e disse assustada: “Meu Deus!!!”. Todos olhamos para ela perplexos: “O que foi?”. Ela levantou um olhar de descrença, abriu a porta, mexeu debaixo do banco do carro, olhou atrás... “O que foi, Lu?”, perguntei sem saber o que a estaria exasperando. Ela olhou nos meus olhos com olhos bem arregalados e confessou a tragédia: “A bolsa! A minha bolsa! Esqueci a minha bolsa!”.

Na bolsa da Lu, além do óbvio como maquiagem, espelho e uma nécessaire, havia também o cartão de crédito, dinheiro, nossos documentos de identidade, CPF, etc. A descoberta da ausência se deu porque Aninha quis mascar chiclete. Mas é claro que minha esposa não sofre de alguma deficiência que a impossibilite de lembrar de coisas tão essenciais. A culpa não foi da mãe. A culpa foi do pai. Vou contar. Três horas antes da descoberta da ausência da bolsa, fomos pegar nossas filhas que tinham ido dormir na casa de uma amiguinha. Estava tudo combinado, então bem cedo passaríamos para pegá-las e tomaríamos o rumo de Brasília. Assim, hoje de manhã, parei o carro na frente da casa onde estavam minhas filhas. 

- Amor, fecha o carro.
- Para quê, Lu. A gente vai rapidinho. Não vou fechar não.
- Então, eu vou pegar a bolsa para que ela não fique aí.
- Menina, a gente vai rapidinho, ninguém vai passar aqui e roubar o carro há uma hora dessa da manhã.

Mesmo assim, a Lu voltou no carro e pegou a bolsa. O resto da história já dá para imaginar: as mãos cheias de malas e sacolas e outras bugigangas infantis. E a bolsa? Coloca em cima da mesa, depois pega. Assim, por causa de mim, três horas depois, estávamos nós retornando à casa da amiguinha das meninas para pegar a bolsa da Lu. Mas você acha que a nossa viagem se encerrou só por causa disso?! Uma bolsa esquecida? Nada. Vínhamos animados e cheios de planos. Pegaríamos a bolsa e retornaríamos felicíssimos ao rumo de Brasília. Enquanto enchíamos nossas conversas com esses sonhos de viagem e quase chegando na casa onde se encontrava a bolsa: PUM!!! Um terrível barulho se fez. Segurei firme o volante, enquanto tentava entender o que estava acontecendo. O pneu da frente, que ficava do lado esquerdo, acabava de estourar. Como? Só Deus sabe. Paramos e trocamos o pneu. Mas a borracha do pneu (o pneu estava irreconhecível) havia voado na direção do meu retrovisor lateral e, creiam, o retrovisor foi arrancado do carro. Agora, estávamos sem bolsa, sem pneu e sem retrovisor.

A bolsa foi pega logo que entramos na cidade, o estepe deu lugar a um pneu novo (o que nos obrigou a comprar outro novo “por causa do alinhamento do carro”, convenceu-nos o vendedor de pneus), agora, o retrovisor só foi possível depois do almoço, uma vez que a hora avançara e minha cidade fecha o comércio de meio-dia até 13:30. É a siesta.

Estava tarde para tomarmos o rumo de Brasília? Sim, deixamos para o dia seguinte nossa saída. Mas, infelizmente, houve uma nota trágica no desenrolar dessa nossa história. Quando chegamos aqui em casa, minhas filhas vieram em minha direção com as mãos na cabeça e os olhos cheios de lágrima e indignação: “Pai! Pai! Ela morreu! A Tica morreu!”. Neste momento, juro que não acreditei em mais esse item dessa lista tão cheia de ocorrências inesperadas. “Pai! Ela está sem a cabeça! Só o corpo dela está lá. Ela está sem a cabeça!”, diziam minhas filhinhas com os olhos cheios de lágrimas.

Gisele e seus coelhinhos
Tica era um dos setes coelhinhos nascidos recentemente aqui no terreno da nossa casa. O gato a matou nesta noite. “Pai, você disse que a Tica era rapidinha e que o gato não ia alcançá-la!”, disse-me Gisele, cortando meu coração. Mais uma vez, a culpa foi do pai. Sim, acho que me deixei levar pela minha ingenuidade urbana – nunca imaginei que o gato iria conseguir alcançar aqueles coelhinhos tão serelepes e agitados. Depois disso, a minha primeira providência foi arranjar um jeito de salvar os demais coelhinhos do gato tirano. 

Estamos todos bem agora, descansados e curtindo a ideia de amanhã vermos o vovô e as vovós (se Deus quiser!). Entretanto, devo confessar que não me sai da cabeça a incrível ideia de que nossa viagem fracassou hoje não por causa da bolsa, do pneu ou do retrovisor, mas porque tínhamos que voltar para salvar a vida dos outros pequeninos lindos seis coelhinhos das minhas filhas.

CRÍTICAS AO ESTATUTO DA DIVERSIDADE SEXUAL (IV) - DIREITO À IGUALDADE E À NÃO-DISCRIMINAÇÃO

Conforme o blog da senadora Marta Suplicy (PT/SP), o projeto de lei 122/2006, mais conhecido como “Lei da Homofobia”, poderá ser votado na Comissão de Direitos Humanos do Senado nesta quinta-feira (8/12/2011), a partir das 9h - CLIQUE AQUI!
Art. 9º - Ninguém pode ser discriminado e nem ter direitos negados por sua
orientação sexual ou identidade de gênero no âmbito público, social, familiar,
econômico ou cultural.
Art. 10 - Entende-se por discriminação todo e qualquer ato que:
I – estabeleça distinção, exclusão, restrição ou preferência que tenha por
objetivo anular ou limitar direitos e prerrogativas garantidas aos demais
cidadãos;
II – impeça o reconhecimento ou o exercício, em igualdade de condições, de
direitos humanos e liberdades fundamentais no âmbito social ou familiar;
III – configure ação violenta, constrangedora, intimidativa ou vexatória.
Art. 11 - É considerado discriminatório, em decorrência da orientação sexual ou
identidade de gênero:
I – proibir o ingresso ou a permanência em estabelecimento público, ou
estabelecimento privado aberto ao público;
II – prestar atendimento seletivo ou diferenciado não previsto em lei;
III – preterir, onerar ou impedir hospedagem em hotéis, motéis, pensões ou
similares;
IV – dificultar ou impedir a locação, compra, arrendamento ou empréstimo de
bens móveis ou imóveis;
V – proibir expressões de afetividade em locais públicos, sendo as mesmas
manifestações permitidas aos demais cidadãos.
Art. 12 - O cometimento de qualquer desses atos ou de outras práticas
discriminatórias configura crime de homofobia, na forma desta lei, além de
importar responsabilidade por danos materiais e morais.
  1. Mas o que é discriminação? O Estatuto, finalmente, vai revelar.

  2. no âmbito público, social, familiar, econômico ou cultural” - O que está inserido aí dentro? A resposta mostrará as áreas de ingerência do Estado. O Estado criminalizará atos considerados discriminatórios até mesmo dentro da família - mas o perigo, a cilada, a armadilha é o que e quem determinará o que será um "ato discriminatório". Assim, a esfera particular, que é a família, virará pública. Porque bastará haver uma sombra considerada como discriminatória para que o Estado com seu poder de lei invada o lar. Perceba que não são crimes de violência doméstica o que permitirá a quebra da inviolabilidade do lar, mas a suposição de alguma discriminação. Enfim, o Estatuto possibilita que seja dada uma desculpa (“todo e qualquer ato”, diz o texto) para a ação coercitiva do Estado.
     
  3. anular ou limitar direitos e prerrogativas garantidas aos demais cidadãos” - Onde? A lei já disse que a defesa será nos âmbitos público, social, familiar, econômico ou cultural – evidentemente, uma pregação religiosa dentro de um templo ou um estudo dirigido por uma célula dentro da casa de alguém e até mesmo uma manifestação pública sofrerão a criminalização. Há alguma dúvida disso? Será que VOCÊ já se deu conta da extensão do poder de ação dessa lei?

  4. impeça o reconhecimento ou o exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais no âmbito social ou familiar” - a partir daqui, penso que um grupo religioso enquadra-se no âmbito social, assim, um travesti que queira ser ordenado pastor ou padre, poderá alegar que estão impedindo o reconhecimento de seus direitos? E o casamento dentro de uma igreja? A objeção da igreja será vista como falta de reconhecimento de seus direitos? Mas não é só a igreja que está sendo alvo do Estatuto, sofrerão também clubes, empresas, comércio, enfim, estarão sempre sob a coerção de que podem estar praticando crime de discriminação, ainda que esteja demitindo um mau funcionário ou um empregado incompetente! Haverá quem diga que será diferente com os "templos" ou, como carinhosamente concedeu a senadora Marta Suplicy: dentro do templo vai poder falar sobre o que quiser. Dentro do templo pode, fora não! 
     
  5. configure ação violenta, constrangedora, intimidativa ou vexatória.” - mas não são apenas igrejas, empresas, comércios e clubes que estarão sob o poder coercitivo da lei apresentada pelo Estatuto, aqui, até o humor, a comédia, o teatro, o cinema e as artes em geral viverão sob o signo do medo, que já paira sobre as nossas cabeças devido à infeliz presença do politicamente correto. Não sei se está evidente a todos os leitores a percepção de que é o pensamento que está sob a mira da criminalização. Veja, ao se produzir um texto de humor para a TV, o escritor terá que refrear, repensar, rever o conteúdo do que escreveu, por causa de uma minoria que o criminalizará caso entenda que algo a constranja ou intimide. Um homossexual que se sinta ofendido, vexamado ou intimidado irá fazer valer seus direitos. Isto já ocorreu no Brasil (clique aqui) com os políticos e será assegurado ao movimento gayzista com as propostas do estatuto. Outros que já recorreram ao pensamento são os ateus que acusaram Datena de preconceito religioso, porque Datena disse que os crimes bárbaros eram praticados por quem não tem Deus no coração... Ninguém poderá mais se manifestar, sabendo que está sob a sombra da criminalização por parte de minorias "constrangidas, intimidadas e que julguem estar sofrendo algum tipo de vexame"!

  6. Então, agora, o artigo 11 confirma as minhas suspeitas. Realmente, todos serão criminalizados, porque “proibir o ingresso ou a permanência em estabelecimento público, ou estabelecimento privado aberto ao público” garantirá que qualquer ato que seja compreendido como discriminatório seja levado ao Tribunal. Cabe a pergunta para suscitar sua reflexão: um restaurante particular é um espaço público? Uma Igreja é uma área particular aberta ao público. 

  7. Veja que a lei termina aberta. Não são apenas esses casos que estão descritos no texto que serão considerados discriminatórios, mas “outras práticas”, enfim, tudo o que se quiser entender como sendo discriminatório.
O artigo 11, mas também todo o texto analisado hoje, levanta uma importante questão para se discutir amplamente na sociedade brasileira: ou viveremos sob o signo do medo de sermos criminalizados como “homofóbicos” ou permitimos o direito à discriminação e ao preconceito, fazendo o Estado recuar para resguardar o cidadão na sua segurança em discussões abertas e democráticas. É hora de discutirmos isso! 

Ou assumimos de vez esse Estado Paternalista e interventor da vida privada e aceitaremos sua tutela e sua interpretação da realidade, que só fará criar leis anti-discriminação discriminatórias ou damos mais liberdade ao cidadão para discutir até mesmo ideias com as quais não concordamos, mas, pelo menos, respiraremos aliviados por não termos ninguém decidindo por nós o que é certo ou errado com poder de coerção sobre os que pensam diferente.

Falo da mesma liberdade que é dada ao cidadão que entrega o seu dízimo em determinada Igreja acusada publicamente de charlatanismo: a liberdade que o cidadão precisa ter para pecar, para errar, para equivocar-se sem que o Estado cale a expressão de seus pensamentos. 

Vi, nesta semana, uma reportagem na TV sobre uma lei na Argentina que obriga o dono de restaurante a retirar o saleiro de sobre a mesa, porque a presença do mesmo incita o cliente a colocar mais sal na comida. "É uma questão de saúde pública", dizem. E sempre apresentam as estatísticas: hipertensão. Esta situação é um exemplo do tipo de sociedade que estamos construindo - o Estado é o deus que te proíbe de pecar, levando cada um de nós à salvação planejada por ele. Ele elege o que é pecado. Ele estabelece a lei. Ele pune. Ele salva! 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Amor de mãe (Danuza Leão) - Cantares alheios (XV)

Foto tirada por Nana Moraes

Qual o maior amor do mundo? O de mãe, é claro. E é verdade. Só que as mães têm uma maneira muito peculiar de amar; acham que para as filhas serem felizes só precisam de duas coisas: proteção e segurança – econômica, claro. Elas conhecem a vida, já passaram por boas e péssimas e sabem que o amor e uma cabana são coisas de romance – nada a ver com a realidade. O pior é que os homens mais interessantes, aqueles que despertam paixões, são, na maioria, pobres. E evidentemente não trabalham, porque têm mais o que fazer. Como trabalhar se têm que ir à praia, fazer ginástica, saber como vão os campeonatos de futebol para poder à noite estar de cabeça fresca dizendo que passaram o dia pensando no momento em que iriam encontrá- la? Como perceber que ela emagreceu, que o vestido é novo se trabalharam o dia inteiro? Sinceramente: um homem sério, que passa a vida cuidando de cálculos, taxas de juros, vai notar que ela fez três mechas no cabelo? Mas é disso que mulher gosta, e é por esses que elas costumam se apaixonar.

As mães vão ser contra, sempre, por amor, é claro. E, quando aparecer um bom rapaz, de boa família, trabalhador, é a favor dele que vão ficar, por amor, é claro. Esse faz tudo direito: é gentil e lembra todas as datas. Já o outro faz com que a filha às vezes se desespere, mas basta um “vem cá meu bem” para ela esquecer tudo que ele aprontou, enquanto o outro dá a impressão de que nunca vai fazê-la sofrer. É disso que mãe gosta, com toda razão. Não adianta tentar explicar que não sente um pingo de emoção quando o vê e que preferiria morrer virgem, se virgem fosse, a dormir na mesma cama com ele. Que mãe que entende isso? Não dá para contar a uma mãe extremosa que, quando o outro chega e passa a mão na cintura dela, dá aquele aperto e diz, baixinho, “gostosa”, ela se arrepia toda. Que ela prefere esse momento a qualquer iate, a qualquer viagem, com direito a comer trufas brancas na Toscana como se fosse farofa. Ah, nenhuma mãe entende isso – porque as mães se esqueceram de quando eram jovens. Não que não tenham memória – têm, sim. Mas se lembram de que, quando preferiram o amor à tal da segurança, um dia o amor acabou; e quando preferiram a segurança ao amor se lembraram com saudades do outro, aquele. Elas só se esquecem de que experiência não se transmite e de que qualquer casamento com qualquer homem pode dar certo ou errado.

Mãe quer, entre outras coisas, um pouco de tranquilidade. Se a filha escolhe um bonitão irresponsável, sabe que vai sobrar para ela, que está cansada de passar noites em claro imaginando onde está a filha. Mãe ama os filhos, mas prefere vê-los ligados a pessoas sérias, com quem possam dividir a responsabilidade, e dormir as noites em paz. As filhas não sabem que mãe, além de amar, também precisa de um pouco de sossego.

Mas, quando essas filhas crescerem e tiverem os próprios filhos, vão pensar e agir exatamente da mesma maneira. Então, e só então, vão entender.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Missões e mentiras


"Faz o que for justo. O resto virá por si só" (Goethe)
Neste último artigo, agradeço a Rô a oportunidade de trazer para o Blog Mulheres Sábias estes textos escritos há mais ou menos 3 anos atrás e que, embora sejam textos de refutação, haviam sido publicados pela própria Revista Ultimato Online. 

Contudo, aqui, tive a oportunidade de reler, reescrever, revisar e atualizar alguns pontos desses artigos. Agradeço a todos os que comentaram, acrescendo os artigos de novas ideias e perspectivas. Os comentários também foram oportunidades de esclarecer melhor as teses contidas nos textos. No mais, fica a dica do ótimo filme cujas imagens ilustraram toda a série apresentada no Blog da Rô. Faço um breve comentário também sobre a história por trás da história do filme. lá embaixo no comentário.

Abraços sempre muito afetuosos. Casal 20.
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LEIA MAIS, clique aqui: MISSÕES E MENTIRAS
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