Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O que muda com a decisão do STF sobre os gays? (ou "Respondendo a quem não me perguntou nada")

"O que mudou com o reconhecimento oficial do que já existe?",  é uma das frases mais repetidas na internet por tantas pessoas pró e contra a decisão do STF.

A questão não é se eu sinto ou não tesão por outro homem, porque o STF não pode legislar tendo como base o meu gosto sexual, pois isso deve ser esfera particular e não pública. O STF não pode, não deve, alías, legislar! Quem legisla é o Congresso, deputados e senadores. Se fulano ou Ciclano já tiveram tesão por alguém do mesmo sexo, e daí? O que é que tem o STF com isso?

Segundo a Bíblia, estamos todos nós encerrados sob a lei, quebramos e necessitamos ser resgatados, mas resgatados não pelo amor de um ser humano, seja do meu mesmo sexo ou diferente, resgatados pelo amor de Deus. Os militantes pró-militância gay se parecem muito com aqueles que frequentavam o coliseu de Roma, que diziam: "a gente tá sozinho aqui morrendo de tédio... vamos matar um cristãozinho?"

Há quem pergunte se a Lei aprovada agora obriga você a ser gay? Respondo: não. Não?! Então, qual é o motivo de tanto alvoroço por parte dos cristãos contrários ao PL 122 (sim, porque há cristãos a favor!)? O motivo é o amor. Porque o amor me constrange a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo da mesma maneira que amo a mim mesmo. Por isso amo o gay, sinto sincera homoafetividade por eles. Daí, não posso calar. Jesus disse: Em verdade vos digo que, no Dia do Juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade. Assim, Jesus afirma que houve pecados terríveis em Sodoma e que haverá um Juízo sobre ela, o Dia do Juízo, mas que, naquele Dia, haverá Juízo ainda pior sobre aqueles que não ouvirem o alerta de Jesus. 


A função da lei, qualquer lei, é reger o contrato social! Imagina se eu vou deixar o outro sodomizar minhas filhas ou estuprar minha mulher. Evidente que tem que ter uma lei para fazer justiça e punir quem pratica o mal e todo tipo de mal, até mesmo o mal que abrange a área sexual. Creio que não pode haver leis baseadas em identidade de gênero, mas deve haver leis que punam criminosos e protejam os cidadãos de bem. São leis exatamente que recaem sobre os abusos e crimes da vida sexual: atentado violento ao pudor, estupro, assédio sexual, assédio moral, pedofilia, etc. Se não tivéssemos leis contra os sodomitas, tarados, pervertidos, contra aqueles que não conseguem dominar seus órgãos sexuais dentro dos limites da liberdade do outro, pode ter certeza de que os cidadãos de bem estariam em maus lençóis (literalmente)!

Há também a hipocrisia de dizer que é hipocrisia a fato de dizerem que "vai ser horrível para as crianças que gays agora poderão adotar". Por que os heteros não adotaram todas as crianças abandonadas, antes? Vou te dizer: porque somos mesquinhamente egoístas! Mas os gays não são mesquinhos e nem egoístas, evidente. Os gays estão sendo apresentados pela mídia como os sacerdotes da Nova Era: são santos, puros e, tenho certeza, vão sair pelo mundo adotando todas as crianças abandonadas por aí... As crianças continuarem sem um lar, abandonadas, nunca foi um problema para os pró-militância gay que, agora, as usam como justificativa para se ter mais casais no mercado dispostos a adotarem essas crianças. Bem, a verdade é que os mesmos motivos que levam um casal hetero a não adotar serão os motivos também dessas duplas gays não as adotarem. Contudo é bom saber que os gays não abandonam suas crianças em latas de lixo. Não, gays não abandonam crianças em latas de lixo (eu acho), mas muitos sodomizam essas crianças, o que eu acho que é muito pior.

"Você acha que os gays vão influenciar, com o exemplo, os filhos adotados a serem gays? Ora, então, por que o exemplo dos héteros não surtiu o mesmo efeito?" Mais uma vez, ou você não leu a Bíblia ou não leu Freud (ou os dois). Mas, da maneira como você construiu a frase, você acabou confessando que um filho homossexual é fruto de um mau exemplo ou de uma falha na criação que teve dos seus pais heteros. Muito bem! Você é igual a todos nós: no fundo, no fundo, você também sabe a verdade! 

"Ah, isso é contra a sua fé? Ora, a fé é sua". Não, minha fé nunca foi minha. Eu a recebi como presente de Deus. A fé que eu tenho é um presente de Deus, mas você certamente não sabe disso. Outra: a fé é individual, mas não é individualista. A fé que eu tenho já vem, pelo menos, desde Abraão, o pai da fé; e é uma fé que já produziu uma linda núvem de testemunhas na história. Mas, calma, ninguém vai obrigar você a obedecer a minha fé, assim como ninguém vai ser gay por causa de uma lei: você não pode ser tão infantil assim ao ponto de acreditar nessas coisas. Como eu disse, minha fé é para poucos, é presente, em outras palavras, é privilégio, é honra imerecida tê-la ganho. Mas, um dia, eu também fui heterofóbico e cristofóbico, mas a fé muda essas coisas, chama-se regeneração! Oro para que um dia, quem sabe, os pró-militância gay, e tantos quantos mais Deus quiser presentear, recebam desta mesma fé. E é porque acredito nisso que continuo pregando o Evangelho, porque a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Cristo. Por isso não me calo!

"Isso é contra a Lei de Deus? Ora, os ministros do Supremo não são Aiatolás e nem Papas. Eles julgam apenas o que é Constitucional. E eles já julgaram". Não, querido, eles não julgaram, eles legislaram. Mas isso você também não entende, não é?

Ah, uma última coisa: acho graça quando um hetero escreve um texto em defesa da causa da militância gay, porque, pode perceber, ele faz de tudo para deixar bem claro que não gosta da fruta. Num texto tão pequeno, foram três afirmações contundentes para que ninguém ousasse ter qualquer suspeita sobre a orientação sexual do autor. Não precisa se preocupar tanto, pois para defender a militância gay não precisa ser gay, assim como para defender a verdade não precisa ser religioso.  

terça-feira, 29 de novembro de 2011

CRÍTICAS AO ESTATUTO DA DIVERSIDADE SEXUAL (III) - DIREITO À LIVRE ORIENTAÇÃO SEXUAL


Art. 5º - A livre orientação sexual e a identidade de gênero constituem direitos
fundamentais.
§ 1º - É indevida a ingerência estatal, familiar ou social para coibir alguém
de viver a plenitude de suas relações afetivas e sexuais.
§ 2º - Cada um tem o direito de conduzir sua vida privada, não sendo
admitidas pressões para que revele, renuncie ou modifique a orientação
sexual ou a identidade de gênero.
Art. 6º - Ninguém pode sofrer discriminação em razão da orientação sexual
própria, de qualquer membro de sua família ou comunidade.
Art. 7º - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo proibida
qualquer prática que obrigue o indivíduo a renunciar ou negar sua identidade
sexual.
Art. 8º - É proibida a incitação ao ódio ou condutas que preguem a segregação
em razão da orientação sexual ou identidade de gênero.


  1. Sobre "a livre orientação" - Depois de alguns séculos de civilização ocidental, desde quando a orientação sexual e a identidade de gênero se constituíram em direitos fundamentais? E como deixamos que o Estado intervisse na vida particular baseado em critérios sexuais?  
     
  2. Sobre a "ingerência": Uma porta extremamente perigosa (além de se colocar a sociedade civil contra si mesma) é haver uma lei  onde se prega que é indevida (então, não se deve) a ingerência familiar ou social para coibir alguém quanto à vida sexual. Em outras palavras, papai e mamãe não tem nada haver com a orientação sexual do filho e não devem emitir opinião, porque, do contrário, eles serão enquadrados como homofóbicos e criminalizados. O que estará dentro do verbo "coibir"? E porque, mais uma vez, se criminaliza um discurso e o seu oposto não? Veja, no post Daniel na cova dos leões vimos uma letra em que alguém está coibindo outro à prática do homossexualismo. Na letra, o tempo todo, alguém está confuso e com medo, enquanto o outro o coloca numa cova diante de um leão pronto a devorá-lo. Então coibir alguém para a prática do homossexualismo pode, mas não pode coibir para o abandono dessa mesma prática? A lei impede a discussão, reflexão, orientação, conselho, diálogo, debate, enfim, como podemos deixar tão passivamente que uns temas possam ser debatidos e outros não? É o estado escolhendo pelo cidadão o que ele pode ou não pensar e se expressar?
     
  3. Cada um tem o direito de conduzir sua vida privada, não sendo admitidas pressões para que revele”... Pelo menos um ponto no Estatuto se opõe ao movimento gay que faz a maior pressão para que todo mundo saia do armário. Vai ficar todo mundo enquadrado ou será que esse parágrafo só vai valer para criminalizar a heterossexualidade? E o "Daniel" da música acima? Ninguém vai defendê-lo dessa pressão?

  4. O que seria interpretado como “pressões” para que se modifique a orientação sexual? Bem, já sabemos que papai e mamãe não podem falar nada, mas soma-se aqui o pastor, a igreja, o evangelista, etc.

  5. Ninguém pode sofrer discriminação”. Mas o que vai ser considerado discriminação? As tais “pressões”?

  6. É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo proibida qualquer prática que obrigue o indivíduo a renunciar ou negar sua identidade sexual”. Interessante e auto-contraditório. PRESTE ATENÇÃO: a liberdade de consciência e de crença é assegurada para que não haja discussão sobre a orientação sexual escolhida, mas a mesma liberdade de consciência e de crença não assegura o direito de se debater o mesmo assunto, ainda que não discutir o assunto esteja violando a liberdade de consciência e de crença do que pensa diferente. Ou o direito é para todos ou não é para ninguém.

  7. Mas o que será considerado “incitação ao ódio”? Se nem papai e mamãe estão livres para dar suas opiniões? Nem papai e mamãe estão livres para repassarem seus valores e costumes, sua moral e religião? O Estatuto é o direito para um grupo fazer o que bem entender e calar a boca de qualquer opinião contrária. Só isso. 
     
  8. Mas o Estatuto vai dizer mais adiante o que será considerado “discriminação”.

    Você percebeu quantos pontos de interrogação foram levantados na análise hoje? Como que poderemos aceitar um conjunto de leis que se abre terrivelmente a tantos questionamentos e interpretações, sabendo que a própria lei estará punindo quem a questione exatamente nos seus pontos contraditórios e irreais? É um Estatuto propositadamente preparado para ficarmos à mercê da cabeça do juiz. 

    Mas uma última coisa precisa ser dita aqui: por que este Estatuto revela tantas falhas e contradições? Vou explicar: PORQUE NÃO SE PODE CRIAR LEIS BASEADAS EM CRITÉRIOS SEXUAIS OU AFETIVOS (SENTIMENTOS). A lei não pode ser justificada porque o João AMA o Pedro. Explicando melhor: a lei que rege o casamento entre um homem e uma mulher depende se os dois se amam? Não! Um homem e uma mulher podem casar e o sentimento entre o casal não é questionado (na nossa cultura, é esperado mas não é pré-requisito). Por que trago esse pensamento?

    Para mostrar que o Estatuto não quer garantir o direito ao casamento de duas pessoas de mesmo sexo. A partir do momento que a lei toma por base o "amor" e a "felicidade", ela quer garantir o direito à aceitação da homossexualidade, criminalizando o pensamento que se oponha a isso! 

    São duas teses totalmente diferentes. O que está em questão não é se eu aceito ou não o casamento homossexual (isto está contido no discurso da lei, mas não é o ponto central da lei), o que de fato a lei quer alcançar é a criminalização do direito de discordar da homossexualidade e das outras propostas de diversidade sexual. 

    Ora, quando perdermos o direito democrático de pensarmos diferente e de podermos nos reunir à pessoas que pensam como nós, o que você espera que irá acontecer? 

    Leia também:

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

DANIEL NA COVA DOS LEÕES - UM ÍCONE DO ROCK GAY NACIONAL - Cantares de todos nós (XIII)


Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.

 
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.

 
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.

O autor nos sugere pelo uso da palavra amargo, que aquela experiência homossexual específica não foi prazerosa num primeiro momento (e ele vai tratar de "resolver" isso no restante da letra). Mas, veja, há uma mudança nos versos seguintes muito semelhante à experiência com cigarro (ou à maconha, tanto que muitos pensaram que se tratasse disso a letra da música). Entretanto, o amargo daquela primeira experiência logo se torna doce e o cheiro do outro - forte e lento - sorrateiramente se fixa nos braços do autor da letra - ou do narrador.  De qualquer maneira, as características do vício e da paixão estão presentes no turbilhão de sensações que se expressam: "forte, cego e tenso", portanto o vício está estabelecido e, insaciável, pede mais do mesmo.


Qual segredo que há entre eles? E quem ousará desafiar a intimidade dos dois? O narrador está totalmente entregue à paixão e já, inconsequentemente, não tem mais medo de errar, pois a insegurança não é mais um sentimento que o atormenta. E a identificação entre os dois nessa relação sem ontem ou amanhã, na qual apenas o momento e o instante definem e regem a liberdade entre os dois amantes, pauta para nós o ritmo do ambiente criado pela música. Entretanto, dos dois personagens apenas um está livre do medo e da insegurança. O narrador revela a nós que o outro tem medo de ter medo de ter medo de se entregar com tamanha liberdade e audácia como ele mesmo faz. A convicção e a segurança expressas pelo narrador geram no outro essa perplexidade diante de tamanha força na entrega a algo tão proibido. Aqui, neste ponto, temos o verso mais revelador da relação homossexual descrita na música: "Teu corpo é meu espelho...".  E ainda que haja de um lado insegurança, medo e confusão, do narrador em 1ª pessoa há a certeza exata de se estar no controle da situação para usufruir o máximo possível de tudo o que pode ser oferecido pelo outro.


Então, porque fugir dessa atração? Por que ter medo? Por que tanta confusão? Negar o próprio desejo homossexual é ir contra a natureza (...tão certo quanto o erro de ser barco/A motor e insistir em usar os remos). Em outras palavras, se ambos foram feitos exatamente para esse fim, porque tentar insistir em viver de outra maneira? (daí, o desafio ao instinto dissonante - quem está distoando são os outros e não os dois!). A conclusão final é a de que não se entregar aos desejos homossexuais de ambos é o mesmo que morrer afogado na frente do salva-vidas, enfim, uma imensa tolice! O que temos, então, é uma letra de sedução, persuasão e convencimento homossexual. 


Naquele disco, "Legião Urbana Dois", fomos presenteados com inúmeras músicas de um Renato Russo no auge da criatividade como letrista - um disco que ainda guardava reminiscências do "Aborto Elétrico", grupo anterior que se pautava pela forte pegada punk. Contudo, o disco superava ao mesmo tempo toda essa formação original, trazendo um Renato Russo fortemente influenciado pelos simbolistas como Baudelaire, Rimbaud e Mallarmé. Pérolas preciosas para o rock nacional estão ali naquele emblemático LP que marcou toda uma geração: "Índios", "Andrea Dorea", "Acrilic on Canvas" são apenas algumas dessas músicas.


Quanto à "Daniel na cova dos leões", ela aparece assinada pelo Renato Russo e pelo Renato Rocha, que sairia da banda logo após a conclusão desse disco. A música apontava para uma proposital ambiguidade sobre o que de fato estaria sendo dito na letra da música, mas, anos depois, o próprio Renato Russo confirmou que a música tratava da homossexualidade. Naquela efervescente década de 80 em que Brasília despontava como a Capital do Rock, é claro que Renato Russo estava muito mais antenado com o movimento gay do que nossa juventude poderia supor. Tanto que a homossexualidade da letra passou desapercebida por muitos de nós. Mas, muito antes daquela década de 80, o movimento gay mundial já transformara Jesus, Davi, Jonatas, João e tantos outros personagens bíblicos em ícones eróticos da causa gayzista. Tudo isso sendo difundido pela cultura da mídia e da música, além das artes em todas as suas expressões.  


O que mostra que a cultura artística - em quaisquer de suas expressões - nunca deve ser interpretada inocentemente e sem o crivo da Bíblia. Valores, ideias, costumes, moral, re-engenharia social e formatação das mentes têm sido feito com sucesso há anos, abrindo caminho para a silenciosa revolução que já atua e que levará o nosso mundo à hegemonia de uma Nova Era pagã.

Leia também: Jesus em casamento Gay

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Por que, eventualmente, acredito no Papa Bento XVI?


Penúltimo artigo desta nossa série em que estamos comemorando o aniversário de 1 ano do nosso blog pró-família, publicando artigos escritos por nós e que foram muito importantes na nossa formação, porque foram textos escritos na ebulição de ideias que nos apaixonam. 

Abraços sempre afetuosos. Casal 20.

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Quantas vezes entrávamos na capela dos orionitas para nos curvar diante da presença do sagrado naquele lugar? Mas não naquela manhã de outubro. Estávamos ali há quase 10 horas e, à medida que se arrastavam os minutos, estes iam diluindo o sagrado que eu julgava haver ali. Por fim, alguém trouxe o rádio que usávamos em nossas devocionais e o colocou ali para tocar "a mais bonita das noites" de Chitãozinho e Xororó, sucesso nacional daquela época.

Chegou a minha vez de subir com os padres... LEIA MAIS! É SÓ CLICAR AQUI: Blog da Rô!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CRÍTICAS AO ESTATUTO DA DIVERSIDADE SEXUAL (II) - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS


II - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 4º - Constituem princípios fundamentais para a interpretação e aplicação
deste Estatuto:
I – dignidade da pessoa humana;
II – igualdade e respeito à diferença;
III – direito à livre orientação sexual;
IV – reconhecimento da personalidade de acordo com a identidade de
gênero;
V – direito à convivência comunitária e familiar;
VI – liberdade de constituição de família e de vínculos parentais;
VII – respeito à intimidade, à privacidade e à autodeterminação;
VIII – direito fundamental à felicidade.
§ 1º - Além das normas constitucionais que consagram princípios,
garantias e direitos fundamentais, este Estatuto adota como diretriz
político-jurídica a inclusão das vítimas de desigualdade de gênero e o
respeito à diversidade sexual.
§ 2º - Os princípios, direitos e garantias especificados neste Estatuto não
excluem outros decorrentes das normas constitucionais e legais vigentes
no país e oriundos dos tratados e convenções internacionais dos quais o
Brasil seja signatário.
§ 3º - Para fins de aplicação deste Estatuto, devem ser ainda observados
os Princípios de Yogyakarta, aprovados em 9 de novembro de 2006, na
Indonésia.
  1. Sobre a "dignidade da pessoa humana": Já vimos que o Estatuto não está levando em conta a dignidade da pessoa humana. Não há dignidade quando eu não posso me posicionar contra uma ideia (e veja, a “diversidade sexual” é uma ideia, o próprio Estatuto vai afirmar isso mais adiante), porque sou ameaçado de parar na cadeia por me expressar contrário a essa ideia.

  2. Sobre a "igualdade e respeito à diferença": Não há igualdade e respeito à diferença quando os diferentes são criminalizados. O que apenas demonstra que o Estatuto, na verdade, não é sobre a “diversidade sexual”, mas é sobre um conjunto de ideias que quer tomar de assalto pela força da lei para se proteger contra UMA ideia contrária para que essa ideia contrária seja punida criminalmente.

  3. Sobre o "reconhecimento de personalidade": Há a necessidade de reconhecimento forçado por lei porque não é óbvio. Não se constata, não se vê, não se nasce com um sexo travesti ou com um sexo intersexual, mas se constrói ou se é construído com o passar dos anos e, por isso mesmo, é preciso avisar: “Olha, apesar do que você está vendo, eu não sou isso não”! Mas como se constrói a identidade de gênero, que anseia por uma personalidade que seja reconhecida? Há alguma mutação genética? Há algum processo evolutivo em que se altera a espécie humana ou alguma adaptação de uma sexualidade X em outra Y? Não, simplesmente não acontece nada (no máximo intervenções cirúrgicas e tratamentos hormonais para tais mudanças artificiais). Enfim, é só DISCURSO! Você vê um homem, mas o que o define (querem que assim acreditemos) é o que ele DIZ de si mesmo. Ora, como montar uma lei em cima de critérios sexuais, como o Estado pode intervir criminalizando um discurso sexual e protegendo outro?!  
     
  4. Sobre a "convivência comunitária e familiar": Esta só é possível com o direito de se questionar com liberdade o outro, assim como os grupos LGBT estão hoje questionando o que é “família”. Então, mais uma vez, é dado a um grupo o direito de se expressar, enquanto ao outro é apenas concedido o direito de permanecer calado, porque tudo o que se disser será usado para colocá-lo na cadeia.

  5. Sobre a "liberdade de constituição de família": A adoção que será legalizada não é tão somente a realizada por casais homossexuais, mas também por essa diversidade sexual que o Estatuto apresenta: bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros e intersexuais, é a estes que será garantida a adoção sem que ninguém possa se expressar contrariamente?!!! Será que é preciso, por exemplo, descrever a cena de um casal transgênero educando uma criança para que se perceba o perigo e a confusão a que ela está sendo "legalmente" submetida, enquanto, candidamente, repetimos o jargão hipócrita e irresponsável de que é melhor elas serem adotadas por casais travestis do que permanecerem em creches e orfanatos?!

  6. Sobre o "direito à intimidade, à privacidade e a autodeterminação": este direito precisa ser um direito de todos e só será se puder ser questionado. Por quê? Porque não há direitos absolutos! Há situações de intimidade e privacidade, que colocam menores em sérios riscos de vida e atentam contra a inocência de crianças que não podem se defender sozinhas. É preciso que haja mecanismos legais que protejam crianças de abuso sexual e moral quando esses ocorrem dentro dos lares. Assim, não podemos permitir que uma lei seja usada como blindagem que impeça o socorro a essas crianças. Imagine, por exemplo, um lar em que uma criança do sexo feminino de seis ou oito anos de idade é forçada pelos pais a adotar uma identidade sexual oposta àquela que nasceu ou um lar em que ela é abusada sexualmente, o Estatuto amarra as mãos dos que devem ter a liberdade de defender a infância. 
     
  7. Sobre “o direito fundamental à felicidade”: Como as experiências diversas de indivíduos diversos na busca de felicidades diversas e subjetivas podem ser transformadas em lei?! Como se mede a felicidade? Como conseguir todas as coisas que seriam necessárias (material e espiritualmente) para que um individuo pudesse alcançar o que ele pensa que trara felicidade para ele? Todos queremos ser felizes, mas ninguém sabe ao certo como ser! A busca da felicidade imposta por lei está na raiz da fragmentação da sociedade. Cada pessoa, cada grupo terá o direito fundamental à felicidade garantido? Ou, na verdade, está sendo definido UMA felicidade que será imposta a todos? O próprio Estatuto, por exemplo, é uma imposição de uma felicidade buscada por determinado grupo sobre outros grupos que discordam que a felicidade possa ser realizada ou satisfeita pela aceitação forçada das crenças e práticas do movimento gay. E aí?  
     
  8. Quando o Estatuto evoca os Princípios de Yogyakarta, aí a coisa complica e o Estatuto se revela ainda mais contraditório, porque os princípios 19, 20 e 21 de Yogyakarta falam exatamente sobre o que eu defendo aqui, mas que está sendo violado pelo próprio Estatuto: o Direito à Liberdade de Opinião e Expressão, o Direito à Liberdade de Reunião e Associação Pacíficas e o Direito à Liberdade de Pensamento, Consciência e Religião.

  9. Enfim, na prática, o Estatuto gera uma clima de incerteza social e cria um ambiente de instabilidade, colocando grupos sociais uns contra os outros, discriminando e castrando o direito do indivíduo se expressar conforme seu pensamento, consciência e religião. Mas tudo isso agravado pelo poder legal do Estado, que criminaliza as ideias de um grupo em favor de outro. É o direito promovendo a desordem social, levando todos a uma colisão de minorias! 
Leia também:

CRÍTICAS AO ESTATUTO DA DIVERSIDADE SEXUAL (I) - Disposições gerais

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Hannah Arendt (ou "Porque talvez eu também esteja mudando")


"Sob condições de tirania é muito mais fácil agir do que pensar"
A saraivada de críticas foi inevitável. A filosofa foi acusada de ter pouco apreço pelos judeus. Respondendo a um dos seus acusadores, ela escreveu uma carta, publicada em diferentes jornais europeus, na qual comentava – sem mencionar o nome do interlocutor – uma conversa mantida com um alto dirigente de Israel durante o julgamento de Eichmann.

O interlocutor era Golda Meir, então ministra das Relações Exteriores, que era contra a separação entre Estado e religião em Israel. Meir disse: “Você irá compreender que, como socialista, eu, naturalmente, não acredito em Deus; acredito no povo judeu.” Arendt comentou:

"Considerei isso uma afirmação chocante e, por isso, não repliquei na época. Mas poderia ter respondido: a grandeza desse povo foi outrora o fato de acreditar em Deus, e acreditava Nele de tal maneira que sua confiança e amor por Ele era muito maior que seu medo. E agora esse povo acredita apenas em si mesmo? Que bem pode resultar disso? Ora, nesse sentido eu não amo os judeus, nem acredito neles; meramente pertenço a eles por uma questão de fato, além da controvérsia e da argumentação”.

“Uma questão de fato”, meramente: a ruptura de Arendt com o sionismo representou um gesto filosófico decisivo. Para ser leal aos direitos humanos, denunciando as sementes totalitárias espalhadas por todas as sociedades, ela não seria leal a nenhuma corrente doutrinária particular. 


terça-feira, 22 de novembro de 2011

CRÍTICAS AO ESTATUTO DA DIVERSIDADE SEXUAL (I) - Disposições gerais



Queridos leitores, nosso blog pró-família estará pelas próximas semanas (todas terças e quintas) apresentando nossa leitura pessoal e leiga, mas crítica e livre (enquanto ainda podemos) sobre o que entendemos ser o anteprojeto da OAB e todas essas iniciativas afins: um período de totaliatrismo de uma minoria sobre os demais grupos da nossa sociedade brasileira.  

I - DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º - O presente Estatuto da Diversidade Sexual visa a promover a inclusão
de todos, combater a discriminação e a intolerância por orientação sexual ou
identidade de gênero e criminalizar a homofobia, de modo a garantir a
efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos individuais,
coletivos e difusos.

Art. 2º - É reconhecida igual dignidade jurídica a heterossexuais,
homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros,
intersexuais, individualmente, em comunhão e nas relações sociais,
respeitadas as diferentes formas de conduzirem suas vidas, de acordo com sua
orientação sexual ou identidade de gênero.

Art. 3º - É dever do Estado e da sociedade garantir a todos o pleno exercício da
cidadania, a igualdade de oportunidades e o direito à participação na
comunidade, especialmente nas atividades políticas, econômicas,
empresariais, educacionais, culturais e esportivas.

  1. Sobre a "inclusão de todos": Promover a inclusão de todos é o que esperamos que seja garantido verdadeiramente. Inclusão de todos deve visar ter na mesma teia social, convivendo sem violência, os opostos. Assim, é preciso garantir o direito à liberdade de pensamento e de expressão de ideias diferentes das minhas na áreas da esfera social democrática do indivíduo (não na esfera do Estado!), até porque o que pode parecer preconceito para um grupo não o é para um outro e todos precisam ter a liberdade de defender suas ideias (ainda que eu não concorde com elas). O Estado deve intervir apenas para garantir a segurança dos que querem debater suas ideias e não para selecionar quais ideias são válidas e quais devem ser descartadas. O que o Estatuto pretende, ao contrário, é fazer calar uma parcela da sociedade em detrimento de outra, assim elenca-se o que é possível e aceitável por força de lei e se impõe ao indivíduo o silêncio forçado e a pena criminal por pensar diferente.

  2. Sobre a "Diversidade Sexual e a identidade de gênero": Liberdade de pensar diferente e poder se associar a grupos em torno de ideias afins é dar ao indivíduo o direito de livre pensamento e expressão. Torna-se impossível a construção de uma sociedade democrática em que haja leis proibindo e criminalizando ideias, até porque o próprio Estatuto deixará claro mais adiante que a “Diversidade Sexual” é uma construção social e não uma realidade objetiva e verificável. Ora, se é uma construção social, se é uma ideia ou um conjunto de ideias construídas por um grupo de pessoas, elas são passíveis de crítica e refutação. A heterossexualidade é um fato da natureza, porque há dois sexos com funções diferentes e complementares entre si, nasce-se assim (caso não haja anomalias físicas ou criadas por causa do ambiente em que se vive como, por exemplo, violência sexual, abuso sexual, etc). A diversidade sexual propalada no texto do Estatuto, ao contrário, é algo que não se sabe com certeza e, por isso mesmo, segundo o próprio Estatuto afirmará mais adiante, é uma identidade a ser descoberta, porque ela não está baseada na natureza fisiológica do corpo, mas na decisão do indivíduo quanto à orientação sexual que dará a sua própria vida quando puder assim decidir.

  3. Sobre "a criminalização da homofobia": Discordar de quem se orienta sexualmente de forma diferente é homofobia, prega o Estatuto. Ora, homofobia é doença. Portanto, por força de lei, os discordantes não podem achar espaço na democracia para discutirem suas ideias pelo fato de que são considerados doentes pelo Estado! E, pior, como doentes que seriam nem sequer terão direito a tratamento médico e psiquiátrico, porque são criminosos! Qual o crime desses que estão sendo tachados de doentes pela lei? O crime de pensar diferente. Isto não é democracia. Isto é um Estatuto discriminatório e preconceituoso criado pelo Estado, que quer criar leis em cima de critérios sexuais. Mas o Estado não pode distinguir classes diferentes de cidadãos, porque todos pagam impostos. Não há “todos” no Estatuto: há direitos garantidos de um grupo que está sendo posto acima do questionamento e da crítica, um grupo cujas práticas e ideias não poderão ser questionadas, enfim, uma minoria que estará acima do bem e do mal.

  4. Sobre "a Identidade de gênero": A falácia aqui é de se querer criar uma lei ou um conjunto de leis que dignificam uma prática sexual enquanto criminaliza-se a heterossexualidade. Não há dignidade jurídica, quando o indivíduo não pode expressar suas ideias e se associar em torno delas. A tese da orientação sexual ou identidade sexual é tão fraca que é impossível se determinar isso quando uma criança nasce. O próprio Estatuto vai confirmar essa irracionalidade. Por outro lado, a heterossexualidade é algo constatado logo ainda na barriga da mãe. Ou algum juíz vai aceitar que pais deem o nome de João para um bebe do sexo feminino? Ou será que é possível aceitar que, mesmo sendo do sexo masculino, os pais registrem a criança com o nome de Maria? Ainda que o bom senso aponte para o óbvio, será crime se posicionar contra tudo isso. Porque o Estado exerce preconceito e discriminação, fragmentando a sociedade civil, enquanto não dá o direito ao cidadão de exercê-los pacifica e racionalmente.

  5. Sobre "a igualdade de oportunidades": Não há igualdade de oportunidades quando eu não tenho a oportunidade de me expressar.

  6. Sobreo direito à participar na comunidade”: será uma porta aberta para destruir diretamente a Igreja e seu direito à associação livre em torno das ideias que ela acredita. Veja, se um casal de homossexuais entrar numa Igreja e começar a se abraçar e se bolinar na frente de todos (o que até mesmo a um casal heterossexual não se permite), e se pedirmos “por favor, aqui não é o lugar para isso”, a lei será usada para acusar de intolerância e criminalizar o irmãozinho preconceituoso e a Igreja homofóbica. 
     
  7. Verdadeiras consequências do Estatuto: A sociedade que se pretende criar com essa Lei é uma sociedade medrosa, acuada, silenciada e que será castrada nas suas iniciativas de questionar o que ocorre a sua volta. É o já nefasto politicamente correto chegando às vias de fato do totalitarismo. Enfim, todos poderão se associar em torno das ideias em que acreditam menos todos os que não acreditam nas ideias do movimento gay!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O sumo-sacerdote - Cantares da Felicidade (XIII)


Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes e fazes chegar a ti, 
para que habite em teus átrios; 
nós seremos satisfeitos da bondade da tua casa 
e do teu santo templo.
Sl 65:4 (Salmo de Davi; Fiel) 


Rei Davi, posso mesmo te ver nesse êxtase sagrado pelo dia mais importante do calendário do teu povo: o Dia da Expiação. Teus olhos maravilhados pela beleza do Senhor, que o impele apaixonadamente, então, a construir a Casa de Deus, um Templo que Lhe fosse digno. Mas não podes, Davi. Tuas mãos sujas de sangue, tua ferocidade, tua beligerância, tua responsabilidade nisso tudo que foi a definição das fronteiras de Israel e também os planos da Soberania Divina lhe tiraram esse projeto das suas mãos. 

Toda cena abaixo, portanto, será sempre vista por ti ocorrendo na Tenda do Tabernáculo armada na cidade de Jerusalém. Vejo-te, Davi, do alto de sua glória real a acompanhar na sua imaginação o desenrolar dos detalhes que te encantam e inspiram...

Sabes que no dia de hoje, neste mês de outubro, toda a nação se reunirá e que o sumo-sacerdote se lavará e se vestirá com suas vestes de linho para a grande Festa; o sumo-sacerdote fará um sacrifício por si mesmo, imolando um touro como oferta pelos próprios pecados; então, ele entrará no Santo dos Santos e aspergirá a arca com sangue; ali, no Santo dos Santos, o sumo-sacerdote entrará descalço, cabeça baixa e voz alguma humana haverá - para Ti, o silêncio é um louvor; depois, ele lançará a sorte sobre dois bodes para que um desses animais, simbolicamente, “carregue os pecados do povo para o deserto, para fora do arraial” e o outro seja oferecido como oferta pelo pecado; novamente, o sumo-sacerdote asperge sobre a arca sangue; o ritual seguirá para fora da Tenda da Congregação com o sumo-sacerdote aspergindo sangue na parte de fora da Tenda; aspergirá o sangue sobre o altar principal e, enfim, ali o sumo-sacerdote confessará os pecados do povo e irá colocar a mão sobre a cabeça do bode que será enviado ao deserto; após a saída do bode ao deserto, o sumo-sacerdote trocará suas roupas de linho por roupas regulares e se lavará; encerrando o grande Dia da Expiação com holocaustos por si e pelo povo.

“Verdadeiramente felizes são os sumo-sacerdotes”, pensas consigo mesmo, não é Davi? “Felizes são esses homens escolhidos por Deus para entrar no Santo dos Santos”! "São homens eleitos pelo próprio Deus para entrar na presença dEle, diante da Arca da Aliança!"... “Ao menos, cabe a nós – ao Rei e ao povo – os benefícios da bondade que transborda da Casa de Deus e do Tabernáculo: o perdão e a misericórdia de Deus sobre todos nós!”... 

Davi, lembra-te, foi-lhe feita a promessa de uma posteridade, um descendente que sentará eternamente sobre o trono da realeza e ele conquistará essa felicidade, que agora é um privilégio concedido apenas aos sumo-sacerdotes (e, mesmo assim, correndo o risco de suas vidas serem exterminadas na presença de Deus se eles estiverem impuros!), que é a bem-aventurança de, por um único dia no ano, ter livre-acesso ao Santo dos Santos. Porém, Deus erguerá um Rei sumo-sacerdote perfeito, Davi, que, de uma vez por todas, conquistará para todo o povo de Deus a maior de todas as felicidades: desfrutar da comunhão com Deus no Lugar Santíssimo por todos os dias, para sempre e por toda eternidade!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

E o que é que eu tenho com isso?!


Neste mês, todas as sextas-feiras no blog da Rô, estamos comemorando o aniversário de 1 ano do nosso blog pró-família, publicando uma série de artigos escritos por nós e que foram muito importantes na nossa formação, porque foram textos escritos na ebulição de ideias que nos apaixonam. Abraços sempre afetuosos. Casal 20.
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Eu não creio que o romanismo necessite ser reformado...

Leia mais, é só clicar aqui em cima!


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Giordano Bruno - Cantares sobre Cantares (IX)

"Sentei-me sob a sombra do que eu desejava... O melhor que o homem pode conquistar neste mundo é, em qualquer caso, a experiência suprema da sombra..." (Giordano Bruno, padre panteísta, queimado vivo pela Inquisição, em sua interpretação alegórica e mística de Cantares 2:3).



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A MULHER DOS MEUS SONHOS - Cantares alheios (XIV)

"Cabeça de mulher lendo" - Picasso
De: Eduardo Bisotto
Publicado por Eduardo Bisotto em seu blog.


Como estou solteiro e a tal da privacidade foi pro espaço desde o dia em que eu entrei no mIRC pela primeira vez, resolvi escrever um texto sobre a mulher dos meus sonhos, aquela que irá acabar com minha vida boêmia, desregrada e levemente alcoólatra. Escrevo este texto motivado ainda pela patética polêmica em torno do comercial da Gisele Bündchen, que na rebarba acaba gerando a inevitável discussão sobre a "mulher ideal" (coisa que Gisele parece ter encarnado no subconsciente coletivo ultimamente).

Então, comecemos do começo. A mulher dos meus sonhos será certamente uma loira, ruiva ou morena. Ela terá entre 20 e 50 e tantos anos. Caso tenha 20, terá de ter a maturidade da de 50 e tantos. E caso tenha 50 e tantos, terá de ter o amor pela vida, a curiosidade permanente e a busca incansável pelos sonhos que costumam caracterizar as de 20.

A mulher dos meus sonhos talvez esteja no peso ideal. Ou não. Mas em qualquer dos dois casos ela terá de ter celulite, estrias e algumas rugas. Porque são celulites, estrias e rugas que servem pra me informar que estou lidando com uma mulher de verdade, que gosta e vive a vida e não com uma boneca inflável.

A mulher dos meus sonhos talvez seja uma apaixonada por política. Ou talvez odeie qualquer menção ao assunto. Mas certamente será apaixonada (e quando eu digo apaixonada, é apaixonada mesmo!) por algum assunto que lhe absorva todas as atenções enquanto ela não estiver prestando atenção em mim.

A mulher dos meus sonhos terá tido problemas e problemas graves antes de me conhecer. Podem ser problemas financeiros, afetivos, profissionais, de qualquer ordem. Mas têm de ser problemas cabeludos, daqueles que levam a gente a ficar noites e mais noites sem dormir. São estes problemas que acabam sendo o tempero da vida, dando gosto à nossa passagem por este planetinha.

A mulher dos meus sonhos morará em Caçador, em São Paulo, em Porto Alegre, em Buenos Aires, em Paris, em Nova York ou em Chicago. Mas adorará o lugar em que vive na mesma proporção em que não gosta muito particularmente de lugar nenhum. Terá um quê de Tolstoi, sabendo que desde o dia em que logrou conhecer bem a própria aldeia já consegue vislumbrar o mundo inteiro.

No humor, a mulher da minha vida será simpática e divertida. Antipática e rabujenta. Querida e sarcástica. Estará muito feliz e acessível na TPM e terá surtos de introspecção quando não estiver nem próxima do triste período. Viverá de euforias à depressões em minutos. Mas não se deixará tomar demais nem por umas e muito menos pelas outras.

Enfim, a mulher dos meus sonhos será uma mulher de verdade. Não tem a menor chance, ainda que chance eu tivesse, de Gisele Bündchen ou Sandy serem mulheres da minha vida. Mulheres com uma beleza perfeita demais e uma vida idem, me entendiam. Porque me lembram de maneira irritantemente constante as bonecas infláveis.

Quererei demais ou será impossível encontrar minha receita de perfeição?

Edu Bisotto é colunista do Jornal Informe. O Diário do Contestado.
FONTE: Li, Gostei e Copei lá do blog Veneno Veludo!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O homem doce - Cantares sobre Cantares (VIII)

O homem doce, o homem doce,
Adoça-me sempre.
Meu senhor, o homem doce dos deuses,
o favorito de meu ventre.
Cuja mão é doce, cujo pé é doce,
Adoça-me sempre.
Cujos membros são mel doce.
Adoça-me sempre.
Que adoça meu umbigo,
o favorito de meu ventre. 

(poema sumério)

Leia também:

À sombra da macieira - Cantares de Salomão (XIII)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

À sombra da macieira - Cantares de Salomão (XIII)

Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos;
desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar
(2: 3; Fiel).


Durante milênios, Cantares resistiu à oposição por causa da interpretação alegórica que lhe era dada e que fez com que essa obra se mantivesse no cânon graças ao poder do Espírito Santo, seu autor. Foram raros os que ousaram desafiar a alegoria dada ao texto e enfrentar o óbvio: a celebração do amor erótico entre um homem e uma mulher. Todas essas aventuras da interpretação histórica do Cântico dos Cânticos temos compartilhado na página “Cantares sobre Cantares”.

“Cantares de Salomão” ou “Cântico dos Cânticos” é um dueto entre o amado e a amada. Um livro feminino no qual somos guiados o tempo todo pela Sulamita e pelos desejos que nela são despertados pelo seu amado. Cristaliza-se na obra a imagem da mulher que não se vê cerceada, censurada e nem castrada ao expressar o próprio desejo que deflagra o filete de suor que agora lhe escorre pelo corpo ávido dos carinhos do homem amado. 

E ela agora volta à cena desse palco e devolve a ele o elogio feito a ela: a singularidade! O amor singulariza. Dentre tantos homens, tantos jovens, o amado é por ela comparado à macieira: distinto, único e seu odor a domina e o identifica entre tantos... A função dos cheiros no livro é perene e recorrente. O corpo, a carne, a pele exalam os perfumes da sedução e desperta o noivo e a noiva para o desejo sexual.

Há a corte e há o tempo exigido pela corte. Os dois se identificam e se percebem pelo cheiro, pelo perfume, pelos odores que exalam: o amor elege!

Assim como o lírio se encontrava entre as sarças, a macieira se destaca em meio a um terreno inóspito e impróprio. O paralelismo entre os dois versos trocados pelos noivos revelam a mensagem central do livro: o amor vencerá todas as dificuldades, todos os obstáculos... O amor é mais forte do que a morte!

Ela o compara à macieira e a maçã – o fruto doce ao paladar da Sulamita – era tida no Oriente não apenas como alimento desejado, mas também remédio e poderoso afrodisíaco. Assim, ainda que, mais uma vez, haja dúvidas em relação à identificação da palavra hebraica tapuah com a maçã, permanece sustentada a interpretação histórica – como retórica poética – da maçã como fruta simbólica do amor.

Agora, a noiva se apropria da metáfora da sombra. Metáfora riquíssima e que, biblicamente, nos aparece quase sempre associada à ideia de proteção militar ou divina, mas também de relação sexual. Ela canta, então, para o amado com toda força poética que a tem caracterizado desde o início de suas ousadas palavras: “Eu desejo entregar-me sexualmente a você”! Ela confessa: “Eu desejo abrigar-me à sombra protetora de teu corpo”. Ela o deseja! Ou numa outra tradução do verso: “Sob a sua sombra me sentei e tive desejo” (Medina Rodrigues). “Com seu doce fruto na boca” traduz a Bíblia Católica (Edição Pastoral).

Além do contexto apresentado pelos versos e também por causa da pequenina palavra "doce" - mtk -, que pode significar "qualquer atividade agradável, principalmente para o prazer erótico", muitos intérpretes modernos viram na passagem a alusão ao sexo oral por parte da Sulamita que, mais à frente, por sua vez, convidará o seu amado a também comer dos frutos saborosos do seu jardim: "Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes!" (4:16; Fiel). Paralelamente, contudo, não podemos negligenciar o apelo à proteção que ela anseia do homem: um homem que se distingua dos demais no carinho, na atenção e na proteção dados a ela! Ela precisa e tem prazer na figura protetora do seu homem e não se importa em demonstrar isso com todas as palavras possíveis. Ela se assenta à sombra da macieira e se entrega ao abrigo do seu amado.

Mas já haveria, então, o noivo e a noiva saído do ambiente das intenções e desejos expressos de um pelo outro para, finalmente, terem concretizado os versos de suas paixões? Iremos encontrar a resposta a essa pergunta mais adiante no próprio livro. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Teologia Negra?! (ou "Onde nascem os discursos equivocados")

Neste mês, todas as sextas-feiras no blog da Rô, estamos comemorando o aniversário de 1 ano do nosso blog pró-família, publicando uma série de artigos escritos por nós e que foram muito importantes na nossa formação, porque foram textos escritos na ebulição de ideias que nos apaixonam. Abraços sempre afetuosos. Casal 20.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O que é isso?! - Cantares sobre Cantares (VII)


O que-é-isso que está acontecendo [no Cântico dos Cânticos] é inescrutável... Um desafio à compreensão (Carey Ellen Walsh).

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Minha filha já brincando com as palavras!



Poesia Bela Flor

Bela flor produz as pétalas:
Branquinhas, amarelinhas e vermelhinhas!

O sol brilha no jardim e as flores crescem para mim.

A primavera chega, as flores nascem e nós regamos.

Da minha infância, não irei esquecer
das tão belas flores da minha vida!

Autora: Ana Lissa
02/11/11


Mamãe querida,
tu és uma flor para minha vida, 
que me deixa feliz 
e, num triz da vida, me ama.


Sempre me deixa contente 
e traz paz ao meu mundo 
e eu fico muito sorridente.


Traz paz à minha família.
No amor, mamãe, tu és a mais bela flor
que está no meu jardim!

Autora: Ana Lissa (8 anos)
Para: Mamãe (esta foi escrita pela minha filha no Dia das Mães deste ano)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

João Calvino e a disputa em Genebra - Cantares sobre Cantares (VI)

Jaime Landmann cita o caso do teólogo francês Sebastian Chatillon (Castellio) para quem o poema teria sido escrito, sim, por Salomão, mas seria um poema lascivo, e não sagrado, que o rei teria composto para descrever "suas vergonhosas relações sexuais". Marvin Pope relata o caso dizendo que a posição de Castellio sobre o Cântico teria conduzido à ruptura a colaboração entre ele e Calvino na implantação da Reforma na Suiça, fazendo Genebra muito pequena para os dois. Por ocasião da partida de Castellio, Calvino publicou uma declaração na qual esclarecia que "nossa principal disputa dizia respeito ao Cântico dos Cânticos" (G. H. Cavalcanti).

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Basílica (wasf*) - Cantares para ela mesma (XII)

Fotos de Notre-Dame Basilica (Basilique Notre-Dame), Montreal
Essa foto de Notre-Dame Basilica (Basilique Notre-Dame) é cortesia do TripAdvisor 


Para L. R.


És toda bela, tua arquitetura!

Basílica oblonga, o obelisco!

Observo o projeto criativo

de bela paleocristã cultura!



Teus pés são a base,

que se ergue fincada

na Ágora que invade

nossa praça, esta casa!



Ágoras colunadas gregas – tuas pernas!

Sei das pedras de mármore que albergas:

Construída foste, meu amor, pelo Artista.



Há um claustro encravado em teu meio:

Triângulo quadrilátero de teus corredores,

jardim de odores doces para mim cultivado!



As tuas passagens são dois nártex

que me levam e de onde me retiro

de teu claustro: colunas e atríolo!



Sigo teu percurso, rumo à nave.

Peregrino, rompo toda a arcada,

enquanto a tudo toco e admiro!



Guardas dois capitéis em teu corpo:

teus seios, duas elaboradas colunas

com as quais completas teu adorno!



Aqui, neste ponto, há o mosaico

de tua sacra sofreguidão, teu colo

com seus capitéis-compósito e arco!



Vejo-me, enfim, em teu presbitério...

Zonzo ainda da graça de toda obra,

atônito, ouço as vozes do teu coro!



Aquieto-me e debruço-me à pausa:

Abre-se, desde um lado até o outro,

imponente, o símbolo do cruzeiro!



Posso, daqui, deslumbrar toda arte:

à frente, o altar - teus dentes alvos;

e o púlpito – a carne desta tua boca!



Ao alto, o céu de toda a igreja!

Lá está ela, a abóboda de berço:

com seu arco de volta perfeita!



És linda, meu amor, minha eleita:

O transepto – as maçãs do rosto!

As capelas radiantes – teus olhos!



Deixo-me em ti à oração da alba...

Em tua Basílica, meu corpo deito:

O retábulo em pedra - tua alma!


F. R.

* Wasf - é uma palavra árabe que significa "descrição". Designa um gênero literário de origem árabe pelo qual se descreve poeticamente o corpo humano, geralmente uma descrição sistemática do corpo da amada. Na literatura hebraica os wasfs do Cântico (Cantares de Salomão) são o único exemplo encontrado.
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