Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O brasileiro de Adoniran Barbosa - Cantares de todos nós (XII)



Adoniran, homem tão simples como “os simples” que ele traduzia nas canções, resignava- se diante da “otoridade”, levava fé que “trabalhando duro” dava para comprar uma casinha no periférico bairro de Ermelino e então ter filhos, “dois meus/um de criação” - Isto É independente.

Agüenta a Mão, João

Composição: Adoniran Barbosa / Hervé Clodovil

Não reclama
Contra o temporal
Que derrubou teu barracão
Não reclama
Guenta a mão joão
Com o cibide
Aconteceu coisa pior
Não reclama
Pois a chuva
Só levou a tua cama
Não reclama
Guenta a mão joão
Que amanhã tu levanta
Um barracão muito melhor
C'o cibide coitado
Não te contei?
Tinha muita coisa
A mais no barracão
A enchurrada levou seus
Tamanco e o lampião
E um par de meia que era
De muita estimação
O cibide tá que tá dando
Dó na gente
Anda por aí
Com uma mão atrás
E outra na frente

Esse maravilhoso samba de Adoniran Barbosa - verdadeira crônica paulista - precisa ser ouvido à luz de um tempo em que a influência paternalista do Estado não era tão carregada como tem sido nas últimas décadas.

A letra revela essa solidariedade do povo brasileiro que toma nas suas próprias mãos a resolução dos seus problemas e não se deixa enganar e nem se esconder atrás do discurso de autovitimização. O brasileiro da música de Adoniram consegue ver benção em meio à adversidade, porque sempre haverá alguém mais sofrido do que ele, que precisa da ajuda dele também. 

O brasileiro de Adoniram tem esperança e acredita que amanhã ele será capaz de construir até mesmo um barracão ainda muito melhor - deliciosa expressão da persevrança da alma do brasileiro (daquele tempo?). 

Mas não é só isso: crê em Deus, no futuro, na amizade, ainda que saiba que a chuva, o toró está vindo com vontade (tudo narrado pelo humor quase amargo desse cronista de origem italiana). 

Não apenas a São Paulo é um outro mundo hoje - embora os problemas da cidade ainda continuem os mesmos narrados na música de Adoniran - como as gerações que se seguiram de lá para cá viram mudanças até mesmo na maneira de enfrentar e suportar as mazelas da vida. 

Grande Adoniran Barbosa!

Um pouco mais: Adoniran Barbosa por Antonio Candido (clique aqui).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A mui piedosa esquerda cristã? - Blog Casal 20 comemorando 1 ano de aniversário!

Queremos iniciar as comemorações do aniversário do nosso blog, publicando alguns artigos escritos por nós e que foram muito importantes na nossa formação, porque foram textos escritos na ebulição de ideias que nos apaixonam. Abraços sempre afetuosos. Casal 20.

__________________

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A prece atendida - Cantares sobre Cantares (III)

[O Cântico dos Cânticos] é uma ária de beleza sufocante, primitiva, um desenho de labaredas... é a cartografia de um grande amor desencontrado, da solidão que os amores muito grandes proporcionam... Só muito tarde se leu a noite e o desejo, o corpo nomeado, perseguido, suplicado, o jardim entreaberto, a prece atendida (José Tolentino Mendonça).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O escândalo do Cântico dos Cânticos - Cantares sobre Cantares (II)

A Bíblia, como se sabe, é o livro mais amplamente traduzido no mundo. Segundo dados publicados pela Encyclopedia universalis, da França, enquanto em 1911 eram conhecidas traduções completas da Bíblia para apenas 71 línguas, elas alcançavam, ao iniciar-se o terceiro quartel do século, 1631 línguas. Desde então, numerosas traduções para línguas minoritárias e dialetos têm sido acrescidas a essa relação. Tais dados brutos dão simplesmente uma indicação da quantidade de línguas para as quais a Bíblia foi traduzida, mas não oferecem a mais parcimoniosa ideia do número real de traduções, levando-se em conta não apenas a quantidade de vezes em que a Bíblia foi traduzida para cada língua particular, mas o número inverificável de traduções de livros individuais. Isso é especialmente relevante no caso do Cântico dos Cânticos, um livro que, mais do que qualquer outro da Bíblia, tentou poetas, tradutores e comentadores de toda índole, desafiados, e não ofende dizer, pelo escândalo de sua presença entre os livros sagrados (G. H. Cavalcanti).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Tu és única, meu amor" - Cantares de Salomão (XII)



Qual o lírio entre as sarças,
assim é a minha amada entre as virgens!
(2:2; tradução pessoal)


A glória do amor é a restauração da amada, que se vê emergir do seu próprio passado de auto-crítica, desprezo, humilhação, falta de valorização pessoal. Mas quem a recupera? Quem a resgata? Quem desce às profundezas das misérias humanas e rompe com as camadas do machismo, colocando-a como a pérola preciosa e de inigualável valor? O noivo, o seu amado.

Vimos os efeitos que o amor de um homem é capaz de realizar numa mulher. A própria noiva nos confessou isso no verso anterior. Agora, nestes versos, é ele quem se dirige a ela. E o que ele diz é o ponto máximo da celebração do verdadeiro amor: “Diante de ti, todas as outras são como espinhos”!

Ele declara a singularidade, a distinção, a excelência da amada diante de quaisquer outras mulheres. Entretanto, é imprescindível aqui nos perguntarmos se tal amor é possível no mundo caído em que nos encontramos? É possível a um homem amar uma mulher ao ponto de que ela seja a única?

O tema sempre foi desejado entre todos os povos. Um amor sublime! O amor que supera a todas as investidas do mundo, da carne e do diabo e não sucumbe. Penélope, esposa de Ulisses, tecendo o seu manto durante o dia, o desmanchava durante a noite, aguardando a volta do seu marido. O pai de Penélope, sem saber se o genro estava vivo ou morto e querendo casar a filha, obrigara que ela aceitasse a visita de pretendentes. Contudo, querendo permanecer fiel ao marido, que já se ausentava de casa por longos anos, usava desse artifício para ganhar tempo durante a corte de seus pretendentes. Assim, ela conseguia adiar o possível matrimônio. Penélope ainda usou de um segundo artifício: sabendo quão duro era o arco de Ulisses, disse que se casaria apenas com aquele que o conseguisse dobrar. E a narrativa da Odisseia nos presenteia com a volta do herói, que disfarçado de mendigo, finalmente se apresenta diante da fiel e apaixonada companheira e realiza a façanha de dobrar o próprio arco.

O príncipe Filipe, que enfrenta todas as tormentas, as dificuldades criadas por Malévola, ele atravessa, como nas antigas lendas de Eros e Psique, os desafios simbólicos dos antigos arquétipos e nos presenteia com a imagem do jovem guerreiro que luta pela sua Bela Adormecida. Estes temas são eternos e, presentes universalmente, confirmam o anseio humano pela vitória do Amor sobre a miséria da vida ou, nas palavras de Agostinho, a universalidade desse tema revela a nossa saudade de um amor que um dia conhecemos e para o qual desejamos voltar...

Todavia, somos totalmente depravados e distantes de exercer pela mulher escolhida um amor que a coloque na condição de singular dentre todas as demais. Mas a proposta cristã é a de resgate desse amor sublime através da ação do amor de Deus no coração do homem cristão! Assim, o marido, o noivo, o namorado são desafiados a entregar suas vidas a Deus para que, regenerados e amados pelo Espírito Santo, eles possam ter o Espírito de ousadia para atingir o alvo excelso de Deus para o homem no casamento, a saber: “Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Ef 5: 25). O amor de Deus na vida do homem cristão revelará a esse mesmo homem que, para Jesus, a Igreja é a menina dos seus olhos, pérola preciosa, única amada por quem Jesus entregou a própria vida por amor!

O homem cristão, desde a infância, precisa ser criado para tratar a sua namorada, a sua noiva e a mulher com quem irá passar toda a sua vida da mesma maneira que Cristo trata a Igreja: este é o modelo para o homem cristão no namoro, no noivado e no matrimônio – nada menos do que isso!

Então que o homem cristão possa ser esse homem verdadeiro - o macho alfa - pleno de sua masculinidade, que vemos ser tão reverenciado pela mulher do Livro de Cânticos. E que o nosso amor pela mulher que Deus nos confiou possa declarar a ela pelo poder do Espírito Santo: tu és para mim a única entre as mulheres, meu amor!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A conquista da masculinidade (segundo Maria Paula)

Resolvi trazer este texto anti-feminista, porque causou-me certa perplexidade à minha memória púbere seu conteúdo vindo das mãos da Maria Paula. 

Maria Paula Fidalgo, filha de Brasília, divorciada do músico João Sulicy com quem teve dois filhos, lançou recentemente o seu livro "Liberdade crônica". Ela não precisa nem de apresentação, porque, durante quase duas décadas, a musa da piada (como é chamada) invadiu as casas de todo o Brasil com sua malícia, sua caricatura de "loira burra", com suas piadas recheadas de atrevimento e pornografia. Ela era a "oitava Casseta" do programa televisivo Casseta e Planeta. 

Mas qual o nosso estranhamento? Nestes tempos em que lemos tantos textos de mulheres cristãs feministas e independentes, eis que me deparo com mais uma "pedra" clamando uma verdade que muitas mulheres (sem falar nos homens) dentro da igreja torcem o nariz (pricipalmente na nossa cultura homo-onipresente e andrógina): o papel exclusivo do homem no plano da família! 

Queremos deixar este texto como reflexão de que, por mais que venhamos a produzir "discursos", a prática, a vida como ela é, se impõe e, no fundo no fundo, toda mulher AINDA sabe o que espera de um homem e sabe também o que é um homem de verdade: um Homem com H maiúsculo. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Porque Jesus prometeu coisa melhor... - Cantares sobre Cantares (I)

Quando eu morrer...

Eu não vou querer fita ou rosa
Amarela gravada com nome de ninguém 
Não vou querer enterro na lapinha, 
Nem ao menos padre pra dizer amém. 
Abro mão da almofadinha e do paletó, 
Além da batucada de bambas ao meu redor.
Quando eu morrer, não quero choro, não quero vela, 
Não quero adorno, eu não quero ela, eu não quero é ver... 
E pode ser que seje em breve, mas também, 
Pode ser que isso leve mais de cem, vai saber... 

Quando eu morrer quero sossego, 
Eu quero o eterno inteiro na presença de Deus... 
Quero ouvir o cântico dos cânticos
Eu quero tudo aquilo que se prometeu... 

Pois, quando eu morrer, 
Eu não vou poder me fingir de morto 
Pra ver o que se passa 
Não quero ver quem vai beber: 
O meu café, minha cachaça. 
Viro a cara pra essa vida como ela é... 
E para as novas paqueras da minha mulher... 

Quando eu morrer, eu não quero ver a hora, 
Nem saber do dia, nem lembrar de aurora, 
Nem comer maria
Adeus ao prazer... 
E pode ser que seje em breve, 
Mas também pode ser que isso leve mais de cem, vai saber... 

Quando eu morrer quero sossego, 
Quero o eterno inteiro na presença de Deus... 
Quero ouvir o cântico dos cânticos. 
Quero tudo aquilo que se prometeu... 

E Jesus prometeu coisa melhor... 

Canta: Maurício Baia


Muito já foi escrito sobre este pequenino e tão grandioso livro. Assim, gostaríamos de compartilhar um pouco daquilo que tantos estudiosos, eruditos, poetas, teólogos, cristãos, judeus, muçulmanos, músicos, santos e pecadores disseram sobre Cantares ou produziram à luz de Cantares. Serão pequenas frases, músicas, poemas, comentários, enfim, revelaremos aqui a extensa influência deste pequenino livro na cultura humana em diversas áreas como na teologia, na espirtualidade, na música, na pintura, escultura, etc. 

Esperamos que se renove sua leitura sagrada e profana deste livro que será sempre um convite a ser lido a dois - este é o desejo do nosso blog a todos os casais que têm nos acompanhado, e também amigos e irmãos. Então, mais uma página aí em cima em nosso blog se abre, uma nova viagem desta nossa casa que tem como motriz literária essa pérola do Espírito Santo chamada Cântico dos Cânticos ou Cantares de Salomão. A nossa proposta é ousada, sempre soubemos disso, e é o que você constatará na frase abaixo, que inaugura esta nossa viagem ao lado da ótima música de Maurício Baia: 

"Em proporção a suas dimensões, nenhum livro da Bíblia recebeu tanta atenção e, certamente, nenhum foi objeto de tantas interpretações divergentes impostas a cada uma das suas palavras. Um exame abrangente da história de sua interpretação requereria o trabalho da vida inteira de uma equipe de estudiosos" (Marvin Pope).

Abraços sempre afetuosos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O jogo dos batos (ou "Poema quase lusitano") - Cantares para ela mesma (XI)

Para L.R.

Cuidava das contas de vidro num vaso de barro,
pedras que usarei para este nosso jogo de bato.
Indeciso se seria teu desejo somente fogo baço:
- Alma tua talhada ao som de um bruno fado!

Pousado em ti, lanço as tais contas de vidro
sobre a rua-tez de tuas costas nuas e fixo.
Fito as tais pedras em teu corpo alvejado:
- Alma tua crivada de meu infindo afago!

O jogo segue sobre tuas costas nuas e te sigo
a liturgia do rito que nos leva ao nosso início.
Eis que agora distingo, meu amor, teu laço:
- Alma tua trançada à minha no ontem lato! 

Esse jogo em ti, que é a mim que me faço,    
de antemão te digo a pedra que de ti retiro.
Bato protegido na estranca da tez que miro:
- Alma tua vencida pelo meu amor de facto!

F.R.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

INDÍGENAS SOFREM COM PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA




Acusação de "Cárcere Privado"

Por favor, orem pela situação de famílias indígenas atendidas pela ATINI, que estão sofrendo pressões de todo tipo para se afastarem dos missionários. A ATINI é uma ONG fundada por missionários, que atende famílias indígenas que decidiram sair de suas tribos para preservar a vida de crianças que corriam risco de infanticído ou de forte discriminação e suas aldeias de origem.

Algumas destas famílias atendidas pela ONG estão sob forte ameaça de serem forçadas a voltar para suas tribos de origem. Algumas mães entram em desespero, pois afirmam que se voltarem, sabem que suas crianças vão acabar morrendo, sem tratamento médico e num ambiente de rejeição devido às suas necessidades especiais.

Uma das mães inclusive diz que se for forçada a voltar, sua tristeza vai ser tão grande que ela vai tomar veneno. Ela sabe que a tribo não aceita a deficiência de sua filha e quer ter o direito de continuar na cidade para que ela continue recebendo acompamento médico. Essas famílias se mudaram para lá voluntariamente, amam a chácara da ATINI, que chamam de "Casa das Nações". São livres para voltar para a aldeia no momento que desejarem, mas elas afirmam que não se sentem seguras para voltar, e temem pela vida de seus filhos.

Mesmo assim, algumas pessoas ligadas a setores que não aceitam o trabalho da ATINI, por ter sido formada por missionários evangélicos, estão acusando a ONG de manter famílias indígenas em "cárcere privado", e estão se articulando na justiça para "libertá-las" desta suposta prisão.

LEIA MAIS DESTE POST NO BLOG DA RÔ E SAIBA COMO AJUDAR, CLICANDO AQUI!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Feliz Dia das Crianças - Muito obrigado a todos que sempre têm orado pelo bem das nossas filhas!

Este vídeo é uma maneira de agradecer a Deus por tantos irmãos e irmãs, famílias que sequer conhecemos, mas que, por todos estes anos, têm orado e intercedido a Deus por nossas filhas: Ana e Gi (AUMENTE O SOM). 

MUITO OBRIGADO!!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A glória do Amor - Cantares de Salomão (XI)

Rosa negra
Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
2:1

A voz é dela. É a Sulamita que, mais uma vez, revela-nos o que o amor tem causado a ela. Mas o que o amor do amado faz à mulher? Qual o poder de se sentir amada?


O que ela nos diz é que é impossível passar desapercebida pelo amor. A Sulamita é invadida, tomada, dominada, subjugada pelo amor! E para tentar comunicar ao seu amado esse poder que ela tem sentido em si mesma, o poder transformador desse amor, ela se vale de duas imagens: a metáfora construída em torno de duas flores.


Açucena
Há uma histórica controvérsia de quais, precisamente, seriam essas flores. E um pequeno passeio pelas diversas traduções bíblicas desses versos já é suficiente para nos revelar a indecisão quanto à natureza exata de tais flores: rosa, rosa negra, narciso, crócus? E para o lírio? Para o lírio, há outras traduções possíveis: narciso, anêmona escarlate, o lótus-vermelho, a açucena?


Fugirei aos enganos da exegese linguística e me prenderei ao contexto bíblico em que essas palavras aparecem e o significado atribuído a elas pelos profetas Isaías e Oséias. E, assim, retiraremos desses profetas o conteúdo da metáfora apresentada pela mulher amada do Cântico dos Cânticos.


Anêmona de coroa
Havatzélet, que foi traduzida pela Vulgata simplesmente como “flor” (“flor da planície” ao invés de “rosa de Sarom”), aparece como símbolo da restauração da Glória em Sião. Shoshanáh também é símbolo na Bíblia da promessa de que, um dia, Deus restaurará o resplendor de Sião! Veja:

O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa (havatzélet). Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e Sarom; eles verão a glória do SENHOR, o esplendor do nosso Deus (Isaías 35: 1-2; Fiel).

Eu serei para Israel como o orvalho. Ele florescerá como o lírio (shoshanáh) e lançará as suas raízes como o Líbano (Oséias 14:5; Fiel).

Crócus
Precisamos aqui lembrar dos sentimentos da Sulamita que vimos no capítulo 1. Sentimentos de insegurança, desvalor, falta de amor próprio, preconceito, enfim, sentimentos contra os quais ela já vinha se posicionando. Contudo, vemos que uma mulher que se sente verdadeiramente amada, encontra no amor o caminho possível para a construção de sua imagem e auto-estima. 
 

O amor do noivo, este desejo do amado por ela, tem transformado essa mulher! Agora, ela se levanta no palco desse teatro, desse drama do amor e do desejo cantado para nós, para responder às declarações amorosas dele: “o seu amor é promessa de glórias por vir”! - brada a noiva. O amor que ele revela, a admiração por ela, o desejo que o amado expressa por ela é um poder que a resgata daquele passado de sofrimento e desprezo e que a eleva e a leva a se comparar às promessas de glória de restauração da excelente Sião!


Lótus vermelho
Assim, independente de quais flores específicas sejam as flores desses versos, o fato é que, biblicamente, essas flores escolhidas para compor o buquê da noiva são símbolo da glória que Deus promete trazer de volta para Jerusalém. Ao se comparar a essas mesmas flores, ela responde às declarações do seu amado. O amor dele a faz se sentir exaltada e satisfeita de si mesma! O amor que nasce entre ele e ela é o início de uma vida de glória, exultação e restauração das ruínas que ainda poderiam existir no coração dela. 

Narciso
 

Esta é a mulher que canta no Cântico dos Cânticos – único livro da Bíblia em que somos guiados pela voz feminina. Uma mulher que se abre feito a flor que ela mesma canta. Um livro feminino encravado pelo Espírito Santo em meio a uma biblioteca masculina e patriarcal. E Deus escolheu a mulher para nos falar sobre o poder do amor, da sedução e do erotismo entre um homem e uma mulher. O livro do Cântico dos Cânticos nos falará do amor erótico como nehum outro livro bíblico o fará - nem mesmo os textos do Novo Testamento. 


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O que uma mulher espera... (Blog Mulheres Virtuosas) - Cantares alheios (XII)

Um Homem: Não um menino. Não um moleque, que ainda acha que o mundo é um brinquedo e a vida é um jogo de video-game. Que ainda acha que o lance é "curtir" e que só sabe falar de trivialidades, piadas, bobagens e sempre foge de um papo mais sério. Que pode até ter aprendido como ganhar dinheiro, mas ainda não entendeu nada sobre relacionamentos e sobre construir algo, colaborar com o mundo e viver para algo além de si mesmo. Também não um velho, que aprendeu a ser pessimista e acha que somente papos cinzas são válidos e despreza todo riso e humor. Não, absolutamente não. Um Homem - que saiba o tempo certo de rir e de refletir, de falar e de calar, de pular e de aquietar, de chorar e de gargalhar. Um Homem - não na idade, não na estatura, mas na mente e no coração, aquele estágio de amadurecimento que permite olhar o mundo com seriedade e leveza, sabendo-se onde quer chegar.

Um Exemplo: Um referencial. Alguém para se admirar. Eis um sentimento vital a se ter: admiração. Aquela apreciação sincera e profunda por cada gesto, postura, resposta e solução encontrada, pelo caráter, pelos sonhos e desejos mais pessoais. Um sentimento muito além da paixão, da empolgação, da euforia, da atração... um sentimento para permanecer. Aquele que nos fará seguí-lo onde quer que ele vá. Aquele que nos fará apoiar cada passo de sua liderança e nos regozijarmos em sermos sua auxiliadora.

Um Protetor: Um responsável. Alguém para nos dar a segurança que precisamos, que irá assumir a liderança, a responsabilidade por "guiar o bando", sustentá-lo, suprí-lo, cuidá-lo. Aquele nos braços de quem poderemos descansar e confiar, pois ele tem a energia e a força necessárias para labutar dia e noite pelo bem-estar da casa, sem fugir dos compromissos que precisam ser atendidos, sem perder para a preguiça ou o ócio. Alguém de braços fortes, não em músculos, mas em disposição para plantar, semear e colher.

Um Amigo: Um companheiro. Um parceiro de caminhada. Alguém para segurar nossas mãos e ir conosco pela estrada, por mais íngreme que ela possa ser. Alguém para nos ouvir e conversar conosco, sonhar conosco, rir e chorar conosco. Alguém para dar o ombro, para se preocupar, para compartilhar vidas. Alguém com quem possamos ser nós mesmas, sem medo. Muito, muito mais do que uma grande paixão, uma mulher precisa de um grande amigo - seu melhor amigo. Pois sentimentos mudam, o corpo perde o vigor, o ritmo da vida diminue e, no final, o que restará e manterá um grande homem e uma grande mulher juntos será o amor que os fez melhores amigos - até o fim.


Este é um post para os rapazes, numa geração de meninos que nunca crescem, para que vocês possam entender que é necessário muito mais do que músculos e órgão sexual para ser um homem de verdade, e que o que uma mulher de verdade espera é um verdadeiro Homem. Para que vocês possam sonhar em ser estes homens e se empenhar para sê-lo. Que o prazer pelo video-game ou pelas piadas com os amigos possam, paulatinamente, ir evoluindo para uma maturidade que se preocupa com o outro, quer contribuir com o mundo e com o Reino de Deus, proteger uma esposa e criar filhos com valores que valem à pena - sem perder a capacidade de rir e de brincar. Que vocês possam encontrar esse equilíbrio e ser esses homens valorosos que esse mundo tanto precisa. Que a graça do Pai os encha destes sonhos e os capacite a vivê-los.

Meninas, sem dúvida estas não são todas as características que esperamos encontrar num verdadeiro homem, aquele a quem entregaremos nossas vidas um dia. Portanto, que vocês também possam estar contribuindo para enriquecer ainda mais essa pequena lista e ajudar nossos irmãos em Cristo a alcançar um bom padrão de hombridade. Conto com vocês!

Fica essa bela música de Eric e Leslie Ludy: "Poet and a Prince", para completar estas palavras...

Com esperanças de que nossa geração possa viver essa mudança de padrões e construir famílias mais fortes e belas, em Deus...

Fonte: Blog Mulheres Virtuosas (Postado por Aline Ramos)
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