Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL, A TIRANIA INTERIOR - Cantares alheios (XVII)

A dependência emocional é o medo da liberdade e se caracteriza por comportamentos submissos, falta de confiança, dificuldade em tomar decisões, inabilidade para expressar desacordo e por um temor extremo ao abandono, à solidão e à separação.
 
É uma tirania encarregada de construir nossa prisão interior mediante alianças com o medo, a passividade, a negação da realidade e os sentimentos de culpa. Faz parte do carácter e se nutre de circunstâncias desafortunadas na infância de cada um. A dependência emocional se manifesta no comportamento afetivo, sexual, profissional, social e econômico.
 
O noivado, a lua de mel, os "casais perfeitos" ou as famílias sem problemas são idealizações que não se sustentam por muito tempo. A discussão franca pode gerar dor, raiva e dúvidas, porém é a única maneira de se chegar ao fundo das diferenças. Calar ou conciliar por comodidade é um grande erro, pois impede a solução dos problemas. A realidade nos demonstra que as famílias mais enfermas são aparentemente impecáveis, onde ninguém levanta a voz, não se discute e não há diferenças importantes. Nessas famílias, onde tudo aparenta harmonia e doçura, se cozinham em segredo, grandes rancores e profundas frustrações.
 
Na vida profissional, quando o empresário intui a necessidade de empreender grandes mudanças para superar dificuldades em seu negócio, porém espera que forças externas executem as ditas mudanças, a falência ronda seu caminho. A crença dos dependentes inclui: "para que incomodar-me, questionar a honestidade do meu braço direito na empresa ou criticar a empregada de confiança, ou exigir uma mudança ao meu cônjuge, ou falar claro ao meu filho, ou armar uma discussão, se isto pode causar desiquilíbrio???”
 
Homens e mulheres baseiam suas eleições de par no socialmente aceitável, porém levam grandes sustos quando descobrem a mediocridade por trás da fachada. As piores escolhas ocorrem quando estão baseadas, primordialmente, no atrativo físico ou no poder econômico das pessoas. Em ambos os casos, cedo ou tarde, se não existe mais do que isso, as relações terminam convertendo-se em algo insuportável.
 
Através do medo da liberdade se perpetua a dependência emocional e as pessoas confirmam, assim, sua condição de prisioneiras. E quando essas circunstâncias geram angústia e/ou depressão, é provável que para aliviar tais sintomas se requeira tratamento médico, porém é necessário saber que a diminuição desses sintomas é só o começo de um processo mais profundo.
 
Um dos primeiros passos no processo da independência é combater a fascinação pela comodidade. "Eu quero ser livre, porém não quero renunciar à minha comodidade". E isso, obviamente, é impossível, pois a liberdade só se conquista através do empenho cotidiano.
 
Conquista tua liberdade, ama de verdade os demais como são, não como você os imagina. Valoriza-te, evita frustrantes dependências, não te anules e não deixes que ninguém se anule ao teu lado. Recorda que somente quem é livre cria relações serenas nas quais se vive o verdadeiro amor: "unir-se sem igualar."

TRADUÇÃO DO TEXTO "La tirania interior", Carlos E. Climent.
RITA MARIA BRUDNIEWSKI GRANATO
PSICÓLOGA

2 comentários:

Mariani Lima disse...

Fabio,
Boa escolha do texto. Sempre achamos que relação feliz é relação sem conflitos, mas isso não é verdade. O conflito faz parte, pois um casal é composto de pessoas que apesar de serem uma, são duas rs... e ser um não é deixar de ter personalidade, de ter identidade.

Acredito que muitas pessoas acabam se anulando em nome do amor, e aí quem é que vai gostar de alguém que se anula, não tem gosto, hobby, vontade?
Cuidamos da manutenção da relação cuidando da gente individualmente.
Um abraço grande para o casal 20!
Fiquem com Deus.

Casal 20 disse...

Mariani, concordo inteiramente: liberdade individual! Detesto aquela conversa mole de "metade da laranja" ou "alma gêmea". Deus nos fez seres completos para dependermos dEle somente. Se nós entendessemos isso, pararíamos de buscar no outro aquilo que o outro jamais poderá nos dar. O texto é verdadeiramente muito sábio.

Enfim, "unir-se sem igualar"!

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

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