Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Winter (Rolling Stones) - Cantares de todos nós (XIV)



"Cantares de todos nós" é uma página neste blog em que apresento palavras de outras pessoas, textos, poesias e canções alheias, mas, ao contrário da página "Cantares alheios", em que posto conteúdo semelhante mas sem tecer qualquer comentário, "Cantares de todos nós" é um espaço para entrelaçar meus pensamentos aos de outros, questionando, confirmando ou, simplesmente, identificando-me como o faço abaixo.

"Inverno" é uma música em feitio de oração que conheci no fim de uma das mais difíceis fases da minha vida. Sim, passei por um longo inverno, mas quem nunca passou? Tempo de perplexidade, desconfiança e mágoas pelas atitudes de pessoas das quais esperava carinho, compreensão e amizade. Foi uma fase em que descobri que não posso medir as pessoas com a mesma régua com a qual me meço, porque eu não posso esperar das pessoas o mesmo que esperaria de mim se estivesse no lugar delas. O outro não sou eu! Sofri muito até aprender essa verdade tão óbvia. O outro não orou a mesma oração que orei, o outro não se debruçou sobre a Bíblia como eu me debrucei; não leu os livros que li, não amou e nem odiou com o mesmo vigor que eu já fiz; o outro não chorou ou sorriu e nem teve as perdas e os ganhos que tive na vida: ele não tem estes olhos que estão no meu rosto e nem o coração que bate em seu peito é o meu... O outro apenas teve suas próprias vivências em maior ou menor escala e intensidade, mas não na mesma medida que eu as vivi. E hoje eu entendo que o outro pode nem estar vendo o mesmo céu que eu, ainda que esteja olhando na mesma direção. 

Como diz a música abaixo, nos invernos, o amor é sempre queimado... O coração é machucado pelo gelo que queima e destrói o que acumulamos tão preciosamente. Contudo, o inverno sempre passa e a esperança é que a primavera dure por um pouco mais de tempo. O que eu aprendi com o inverno? Aprendi a dura lição de que devo me proteger, porque só eu sei o que sofri, só eu sei quantas lágrimas derramei e só eu sei como minha saúde foi debilitada naquele longo e tenebroso inverno... Só eu sei como minha família é um bem precioso para mim e que devo, portanto, proteger-me para que minha esposa e minhas filhas possam estar protegidas também. Até porque, o que eu quero dizer para você, Lu, é que "sim, eu quero guardar você"! 

É preciso, então, que se tome mais cuidado ao chamar alguém de amigo ou irmão... No meu inverno, não havia ninguém ao meu lado. Eu e minha esposa nos surpreendemos com o silêncio daqueles que deveriam ser responsáveis por nós, aqueles que, um dia, comprometeram-se conosco. Constatei que, muitos dos que nos cercavam, tinham-nos tão somente como “amigos funcionais”: pessoas que estavam conosco porque precisavam de nós, porque havia algo a ganhar conosco, enquanto tínhamos alguma função para elas (eu sei, isso é assustador...). Mas o coração é sempre uma casa que corre o risco de ser violada de novo se, ao perdoar, não se proteger contra novos salteadores. O perdão deve trazer o amadurecimento, assim como as tribulações encorpam a fé.  É preciso estar atento ao outro, pois, embora EU tenha despertado dessa hibernação invernal, o outro permanece do mesmo jeito que era quando me causou tanto mal. Assim, posso dizer que aprendi a lidar com o outro, pois hoje sei do ele é capaz, da inconsciência e dos arroubos impensados de sua falta de ética e anseios pessoais. O inverno ensinou-me a arte do Krav Maga! Atenta, minha alma se lança de volta ao tráfego intenso da vida, mas, agora, fui forjado na direção defensiva...

Sei também que haverá outros invernos, e aprendi que não adianta debater-me contra a estação que se impõe naturalmente. Deus não “permitiu” aquele inverno sobre minha vida, Ele o PLANEJOU! Por isso, é preciso viver o inverno com paciência e resignação, porque descobri também que, quando finalmente chegou ao fim, o inverno fez-me mais sábio e prudente. Estou maior agora do que quando fui esmagado pela negligência, egoísmo e vaidade alheias. E hoje dou muito mais valor ao sol que beija minha pele!

Depois de todo aquele inverno, aguardo muito mais ansiosamente pelo Céu! Espero muito mais avidamente pela volta do meu Senhor, porque eu sei que a promessa é que quando aquele Dia chegar, já não haverá noite, nem precisaremos mais da luz da candeia, nem da luz do sol, porque o próprio Senhor Deus brilhará sobre mim e nunca mais seremos queimados pelos invernos novamente. Amém!



Inverno

E com certeza foi um inverno frio, frio
E o vento não está soprando do sul
Tem sido com certeza um inverno frio, frio
E muito, muito amor foi todo queimado

Com certeza foi um inverno duro e difícil
Meus pés se arrastando pelo chão
E tenho esperança que vai ser um verão longo e quente
E muito, muito amor estará aceso e brilhante

E eu gostaria de estar na Califórnia
Quando as luzes em todas as árvores de Natal se acenderem
Mas tenho acendido meu sino, livro e vela
E as peças de restauração se perderam todas

Com certeza foi um inverno frio, frio, Senhor
Meus pés se arrastando pelo chão
E os campos têm estado arados e sem semear
E a primavera vai seguir um caminho mais comprido

Sim, e eu gostaria de estar Stone Canyon
Quando as luzes em todas as árvores de Natal se acenderem
Mas tenho acendido meu sino, livro e vela
E as peças de restauração se perderam todas
Tudo certo, bem, bem, bem

Às vezes penso em você, baby, oh bem
Oh, às vezes eu choro por você, sim Senhor
Bem, bem, bem, bem, bem

Sim e eu vou colocar meu casaco em torno de você, mulher,
Sim e eu vou colocar meu casaco em torno de você, mulher,
Oh Senhor, eu estou falando

Sim, eu vou colocar meu casaco em volta
Bem, bem, bem,
Querida, às vezes eu quero proteger você, mulher
Querida, às vezes eu quero envolver meu casaco em torno de você
Às vezes eu quero acender uma vela para você
Às vezes eu quero envolver meu casaco em torno de você, sim Senhor
Às vezes eu quero acender uma vela para você
Sim eu quero guardar você, wa wa wa
Às vezes eu quero envolver meu casaco em torno de você 
Senhor, eu estou chorando
Às vezes parece que ...

3 comentários:

Cris Campos disse...

Caramba Fábio! Adorei tuas palavras, tão reflexivas e verdadeiras. Mais que isso, me vi em todas elas. Que bom que as tribulações que viveu encoparam tua fé, pois meu amigo, as minhas têm dilacerado minha fé e me distanciado cada vez mais dela! Desculpe minha franqueza mas estou literalmente de mal com Deus. Como a única certeza absoluta que tenho é que sem ele nada sou, então você consegue imaginar o verme que tenho me sentido. Enfim, já não acredito que meu inverno vai passar, agora, apenas espero que ele me desfaça por completo! Que amarga né? Sou assim, não sei disfarçar.. Perdão! Gr. Abrç. e te desejo uma primavera (mais que merecida) eterna meu amigo!

Casal 20 disse...

Amiga Cris, há invernos que precisam ser aproveitados até que a última calota de gelo derreta e liberte a nova criatura que foi forjada em nós pelo ES. Não desperdice o inverno em que você se encontra: Deus o planejou! E mesmo que você saia ferida para sempre, é melhor brigar com Deus (lembra de Jacó?) e mancar a vida toda do que passarmos pela vida numa eterna primavera alienante sem termos um verdadeiro conhecimento de Deus. Abraços sempre afetuosos de quem está orando por você. Fábio.

Cris Campos disse...

Fábio,
Obrigada mesmo por tuas palavras de ânimo, mas Deus sabe que não sou "Paulo" aliás estou bem longe de qualquer semelhança com ele, embora seja isso que a Palavra nos ensina, cansei desse inverno de uma figa, desculpe a expressão. Jacó tinha fé, já não sei se tenho. Obrigada por orar por mim. Se conseguisse, faria o mesmo por ti.

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