Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

DANIEL NA COVA DOS LEÕES - UM ÍCONE DO ROCK GAY NACIONAL - Cantares de todos nós (XIII)


Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.

 
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.

 
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.

O autor nos sugere pelo uso da palavra amargo, que aquela experiência homossexual específica não foi prazerosa num primeiro momento (e ele vai tratar de "resolver" isso no restante da letra). Mas, veja, há uma mudança nos versos seguintes muito semelhante à experiência com cigarro (ou à maconha, tanto que muitos pensaram que se tratasse disso a letra da música). Entretanto, o amargo daquela primeira experiência logo se torna doce e o cheiro do outro - forte e lento - sorrateiramente se fixa nos braços do autor da letra - ou do narrador.  De qualquer maneira, as características do vício e da paixão estão presentes no turbilhão de sensações que se expressam: "forte, cego e tenso", portanto o vício está estabelecido e, insaciável, pede mais do mesmo.


Qual segredo que há entre eles? E quem ousará desafiar a intimidade dos dois? O narrador está totalmente entregue à paixão e já, inconsequentemente, não tem mais medo de errar, pois a insegurança não é mais um sentimento que o atormenta. E a identificação entre os dois nessa relação sem ontem ou amanhã, na qual apenas o momento e o instante definem e regem a liberdade entre os dois amantes, pauta para nós o ritmo do ambiente criado pela música. Entretanto, dos dois personagens apenas um está livre do medo e da insegurança. O narrador revela a nós que o outro tem medo de ter medo de ter medo de se entregar com tamanha liberdade e audácia como ele mesmo faz. A convicção e a segurança expressas pelo narrador geram no outro essa perplexidade diante de tamanha força na entrega a algo tão proibido. Aqui, neste ponto, temos o verso mais revelador da relação homossexual descrita na música: "Teu corpo é meu espelho...".  E ainda que haja de um lado insegurança, medo e confusão, do narrador em 1ª pessoa há a certeza exata de se estar no controle da situação para usufruir o máximo possível de tudo o que pode ser oferecido pelo outro.


Então, porque fugir dessa atração? Por que ter medo? Por que tanta confusão? Negar o próprio desejo homossexual é ir contra a natureza (...tão certo quanto o erro de ser barco/A motor e insistir em usar os remos). Em outras palavras, se ambos foram feitos exatamente para esse fim, porque tentar insistir em viver de outra maneira? (daí, o desafio ao instinto dissonante - quem está distoando são os outros e não os dois!). A conclusão final é a de que não se entregar aos desejos homossexuais de ambos é o mesmo que morrer afogado na frente do salva-vidas, enfim, uma imensa tolice! O que temos, então, é uma letra de sedução, persuasão e convencimento homossexual. 


Naquele disco, "Legião Urbana Dois", fomos presenteados com inúmeras músicas de um Renato Russo no auge da criatividade como letrista - um disco que ainda guardava reminiscências do "Aborto Elétrico", grupo anterior que se pautava pela forte pegada punk. Contudo, o disco superava ao mesmo tempo toda essa formação original, trazendo um Renato Russo fortemente influenciado pelos simbolistas como Baudelaire, Rimbaud e Mallarmé. Pérolas preciosas para o rock nacional estão ali naquele emblemático LP que marcou toda uma geração: "Índios", "Andrea Dorea", "Acrilic on Canvas" são apenas algumas dessas músicas.


Quanto à "Daniel na cova dos leões", ela aparece assinada pelo Renato Russo e pelo Renato Rocha, que sairia da banda logo após a conclusão desse disco. A música apontava para uma proposital ambiguidade sobre o que de fato estaria sendo dito na letra da música, mas, anos depois, o próprio Renato Russo confirmou que a música tratava da homossexualidade. Naquela efervescente década de 80 em que Brasília despontava como a Capital do Rock, é claro que Renato Russo estava muito mais antenado com o movimento gay do que nossa juventude poderia supor. Tanto que a homossexualidade da letra passou desapercebida por muitos de nós. Mas, muito antes daquela década de 80, o movimento gay mundial já transformara Jesus, Davi, Jonatas, João e tantos outros personagens bíblicos em ícones eróticos da causa gayzista. Tudo isso sendo difundido pela cultura da mídia e da música, além das artes em todas as suas expressões.  


O que mostra que a cultura artística - em quaisquer de suas expressões - nunca deve ser interpretada inocentemente e sem o crivo da Bíblia. Valores, ideias, costumes, moral, re-engenharia social e formatação das mentes têm sido feito com sucesso há anos, abrindo caminho para a silenciosa revolução que já atua e que levará o nosso mundo à hegemonia de uma Nova Era pagã.

Leia também: Jesus em casamento Gay

14 comentários:

Anselmo disse...

Esse é o risco que corre nossa inexperiente e inadvertida juventude.O excesso de informação e conteúdo da era dos bytes tem produzido uma geração incapaz de pensar de maneira crítica.
Certa vez tentaram me ridicularizar aqui na blogosfera por defender que cristãos deveriam ser mais críticos em relação ao que ouvem e permitem que seus filhos levem para dentro de suas casas.A sub-cultura da teologia alternativa e relacional tem criado uma geração de "livres". Esses pensam viver de forma imune aos ataques do diabo. Entre Maria Betânia,Gal Gosta e Guns Roses, outros assemelhados faziam parte da discoteca preferida de meu pretenso algoz.
Infelizmente, ainda existem mesmo entre nós evangélicos, aqueles que não conseguem enxergar os passos a muito orquestrados do movimento homossexual no mundo e aqui no Brasil.
Paz!

Casal 20 disse...

Pastor Anselmo, é mesmo muita ingenuidade ou má-fé das pessoas acharem que as "artes" são inocentes, quando quem as produz são seres humanos totalmente depravados. A Bíblia precisa ser a nossa única regra de fé e pratica, ou, nas palavras de Paulo: julgai!

Realmente, há uma legião de cristãos que abriram mão da leitura crítica e abrem as portas da sua casa e nem percebem que estão divulgando ideias abomináveis a Deus para si mesmos e para seus filhos!

Abraços sempre muito afetuosos.

Fábio.

Mariani Lima disse...

Fabio, devo confessar duas coisas: uma que adoro essa música, é uma de minhas favoritas do legião urbana e segundo que desconhecia que se tratava da narrativa dessa experiência homossexual.
Bem, eu acredito muito nas intenções das pessoas em todas as suas atitudes. Eu continuarei cantando essa música,pois quando a estiver cantando focarei na beleza do uso das palavras e melodia e ela me levará a bons momentos da minha adolescência...que devo dizer foi ontem rs.... Posso estar equivocada, mas imagino que há pessoas que cantem lindos hinos com o coração cheio de peçonha e outros que cantam músicas seculares sem que haja nisso nenhum mal. Sou da teoria, que o mal não está nas coisas em si, mas em nossa intenção, mas aceito opiniões contrárias tb. rs...
A intenção de Renato Russo ao escrever essa música, já está diante do reis dos reis!

Adorei seu texto, adorei saber disso e adorei lembrar dessa linda música

Um abração pra essa linda família!
Fiquem com Deus!

Casal 20 disse...

Mariani, cresci ouvindo Legião Urbana e concordo com a liberdade das pessoas em ouvirem o que quiserem. Mas a informação é sempre a melhor maneira de levar as pessoas à reflexão daquilo que elas até então desconheciam.

Veja que faço toda uma análise crítica-literária da música do Renato. Não nego a beleza artística e o trabalho de 1ª linha na área do jogo literário que ele tão bem faz. Também escuto Legião, embora, exercendo a liberdade cristã que tenho, separo alhos de bugalhos.

Concordo, também, com a intenção do coração, mas seria muito triste ver pessoas na ignorância, repetindo discursos alheios sem refletir sobre o que estão cantando. Daí, o post. Lançar luz na escuridão de muitos que falam sem pensar naquilo que estão repetindo.

Também não canto uma imensa gama de músicas cristãs, das quais discordo frontalmente. Canto também outras tantas que não são cristãs e sei que não ofendem a minha espiritualidade. Enfim, é o meu exercício de liberdade com responsabilidade e consciência que exerço.

Nas palavras paulinas: "Posso todas as coisas, mas sei que nem tudo me convém"!

Mariani, abraços sempre afetuosos, minha querida.

Fábio.

Anderson Andujar disse...

Também passei toda a minha juventude curtindo e "idolatrando" Legião Urbana. Conhecia todas as letras e possuia quase todos os discos. Mas aí, encontrei Jesus (ou melhor, Ele me encontrou) e assim como o homem que encontrou uma pérola de grande valor, esqueci tudo o mais que até então me era importante e deixei o Senhor preencher as lacunas de minha vida. Bom todo esse discurso é pra dizer que depois que conheci Jesus não sinto mais falta alguma de ouvir Legião.

*Também não curto e tão pouco estimulo a interpretação de muitos "hinos" evangélicos.

Valiosíssimo o seu alerta Fábio.

Agradeço pelo carinho família Ribas. Desculpe a demora em responder seu comentário lá no meu blog, pois estou em época de provas e muuiitoooo trabalho na faculdade. Já, já volto a ativa com tudo. Abraços, em Cristo...

Casal 20 disse...

Anderson, querido, estamos juntos. Senti sua falta. Concordo contigo. Fico com os apóstolos: "Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido" (At 4.19).

Sigamos salgando.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Lucy Araujo "Fruto do Espírito" disse...

É irmão, infelizmente muitos de nossos jovens idolatravam a Legião Urbana, pois houve uma época que eles gravaram a música que citava o capítulo 13 de I coríntios e isso chamou a atenção de muitos em nosso meio que se deixaram enganar, alguns acharam até que o Renato Russo havia se convertido.
Como sempre o diabo e seus "seguidores" não pode negar a sua natureza, no máximo consegue camuflá-la por algunm tempo, até que sejam desmascarados pela Luz do Evangelho de Cristo.

Em Cristo,

***Lucy***

Pri disse...

Olá meus amigos,bom dia!
Achei bem oportuno este post,pois tendo em visto que estamos em uma época em que muitas pessoas se auto intitulão cantores(a)gospel tenho visto muitas musicas sem nexo e sem sentido e é claro que existe também muitos cantores e bandas(não gospel) que cantam musicas voltada para um determinado grupo e por falta de avaliação passa batido assim como foi bem dito por vocês com relação a letra desta musica.
Também concordo que temos mesmo que avaliar aquilo que ouvimos para não sairmos a repetir asneiras.
Post nota 10!!!
Lembranças da Pri

Pr Anselmo Melo disse...

Seguindo a linha de raciocínio do meu amigo Pr Anderson:"E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a". Mateus 13:46
Muitos desejam a pérola de grande valor,alguns dentre muitos aliás pensam que a mesma é adquirida sem que se abra mão de nada.Afinal, "o que vale é minha intenção", "o que conta é o meu coração". Não precisei jogar forma nenhum disco de Renato Russo ou da Legião,esse segundo nome aliás me soa muito mal.Não precisei porque simplesmente nunca tive sequer um.Mas precisei sim, "vender" muitas coisas de que meu coração gostava,e,algumas que estavam na verdade enraizadas profundamente nele.
Não existe nova vida sem que se abra mão da velha, isso é tão claro nas escrituras,mas, como anteriormente já disse,essa geração prefere agradar os desejos de seu coração.
Paz meu irmão.

Casal 20 disse...

Pastor Anselmo, bem pensado: "Legião" rsrsrs já é de se pensar. Bem, como sou professor, sempre trabalho com meus alunos adolescentes da escola músicas que eles gostam, mas faço aulas como a de cima, levando-os à reflexão do que está por trás daquilo que a cultura vende como inocente revolução. Obrigado, Pastor, pelos preciosos comentários.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Casal 20 disse...

Lucy, também fui atraído na minha juventude por essa mesma draga cultural, principalmente porque cresci em Brasília e frequentei todos esses shows e vi de perto tudo isso.

Creio, Lucy, que a melhor arma da Igreja é a informação. E a informação deve ser democrática e gratuita, só assim nossos jovens poderão exercer verdadeiramente o seu poder de escolha conscientemente sem serem enganados por um mundo que jaz no maligno.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Casal 20 disse...

Pri, é sempre muito bom te ver por aqui! Só a informação gratuita e democrática dará condições reais das pessoas cristãs escolherem, de fato, em acordo com a fé que professam.

Sigamos salgando!

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

“Não existe nova vida sem que se abra mão da velha” é verdade, nós que “nascemos de novo” vivemos nos despojando do velho homem; mesmo assim, essa “velha vida” está sempre, mesmo contra a nossa vontade, nos assombrando.

Eu comecei a gostar, verdadeiramente, de rock ouvindo, basicamente, numa ordem cronológica, três bandas, Deep Purple, Black Sabath e Led Zepelin; mas, fiquei muito fascinado, pela identificação, com o som do B. Sabath, durante muitos anos, ouvir algumas músicas dessa banda mexia muito comigo mas, um dia, ouvi as declarações do Ozzi Osborne, líder da banda, sobre quem era (começou com uma desconfiança, depois teve a certeza) que lhe dava inspiração, Lúcifer.

É um sentimento, no mínimo muito estranho, passar a saber que uma coisa da qual gostamos demais, tenha influência satânica. Você escuta o som, dispara um sentimento gostoso no coração, em seguida vem um sentimento ruim, ao lembrar do fator satânico, se misturando ao outro sentimento; é necessário tempo para equacionarmos essa nova condição.

Tem um outro fator, muito mais terrível, que tem uma relação com esse assunto, que é pegar uma música e dar uma interpretação diferente da que o próprio autor confirma; que a música ser sobre satanismo e que foi feita por canalização demoníaca, mas o indivíduo santifica o profano. Dou esse exemplo para compreenderem melhor:

Bem que esse blog poderia se chamar “Casal Sábio e Seus Amigos Sábios” rsrsrsrs!

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Vamos tentar de novo? o exemplo é esse:

http://ministroslabaredasdefogo.blogspot.com/2009/10/hermes-fernandes-do-genizah-e-musica-do.html

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