Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Basílica (wasf*) - Cantares para ela mesma (XII)

Fotos de Notre-Dame Basilica (Basilique Notre-Dame), Montreal
Essa foto de Notre-Dame Basilica (Basilique Notre-Dame) é cortesia do TripAdvisor 


Para L. R.


És toda bela, tua arquitetura!

Basílica oblonga, o obelisco!

Observo o projeto criativo

de bela paleocristã cultura!



Teus pés são a base,

que se ergue fincada

na Ágora que invade

nossa praça, esta casa!



Ágoras colunadas gregas – tuas pernas!

Sei das pedras de mármore que albergas:

Construída foste, meu amor, pelo Artista.



Há um claustro encravado em teu meio:

Triângulo quadrilátero de teus corredores,

jardim de odores doces para mim cultivado!



As tuas passagens são dois nártex

que me levam e de onde me retiro

de teu claustro: colunas e atríolo!



Sigo teu percurso, rumo à nave.

Peregrino, rompo toda a arcada,

enquanto a tudo toco e admiro!



Guardas dois capitéis em teu corpo:

teus seios, duas elaboradas colunas

com as quais completas teu adorno!



Aqui, neste ponto, há o mosaico

de tua sacra sofreguidão, teu colo

com seus capitéis-compósito e arco!



Vejo-me, enfim, em teu presbitério...

Zonzo ainda da graça de toda obra,

atônito, ouço as vozes do teu coro!



Aquieto-me e debruço-me à pausa:

Abre-se, desde um lado até o outro,

imponente, o símbolo do cruzeiro!



Posso, daqui, deslumbrar toda arte:

à frente, o altar - teus dentes alvos;

e o púlpito – a carne desta tua boca!



Ao alto, o céu de toda a igreja!

Lá está ela, a abóboda de berço:

com seu arco de volta perfeita!



És linda, meu amor, minha eleita:

O transepto – as maçãs do rosto!

As capelas radiantes – teus olhos!



Deixo-me em ti à oração da alba...

Em tua Basílica, meu corpo deito:

O retábulo em pedra - tua alma!


F. R.

* Wasf - é uma palavra árabe que significa "descrição". Designa um gênero literário de origem árabe pelo qual se descreve poeticamente o corpo humano, geralmente uma descrição sistemática do corpo da amada. Na literatura hebraica os wasfs do Cântico (Cantares de Salomão) são o único exemplo encontrado.

5 comentários:

Cacá - José Cláudio disse...

Nun curso de história da arte eu tive disciplinas de iconologia e iconografia e , apesar do pouco tempo que duraram, foram à semelhança desta descrição. Porém aqui o poema deu uma elevada à enésima potência à graça e beleza da obra, do monumento.

Abraços, Fábio e Lu e muito obrigado pelo carinho e solidariedade nesses dias de meu penar.
Paz e bem.

Casal 20 disse...

Oi, Cacá, saudades!

Que lindo saber que mergulhaste no poema e caminhaste na arquitetura da metáfora. Obrigado pelo elogio, mas é que a musa do poema é um monumento (rsrsrs).

Também amo os estudos da iconografia e iconologia. Mergulhar na arte medieval é um prazer para poucos e que bom poder compartilhar contigo.

Estamos sempre juntos de ti.

Tua amizade é preciosa para nós.

Abraços sempre afetuosos.

Casal 20 disse...

Amor, linnnnndo poema!!
Sei que não mereço.
Amo-te,
Sua Lu

Amana disse...

nossa... achei inspirador! rsrs...

obrigada pela visita, sempre!
:)

Alessandra Santos. disse...

Hum... Apaixonante! Amo vir aqui. É muita cultura! Abraço.

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