Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam (Ct 8: 6-7; Fiel).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Tu és única, meu amor" - Cantares de Salomão (XII)



Qual o lírio entre as sarças,
assim é a minha amada entre as virgens!
(2:2; tradução pessoal)


A glória do amor é a restauração da amada, que se vê emergir do seu próprio passado de auto-crítica, desprezo, humilhação, falta de valorização pessoal. Mas quem a recupera? Quem a resgata? Quem desce às profundezas das misérias humanas e rompe com as camadas do machismo, colocando-a como a pérola preciosa e de inigualável valor? O noivo, o seu amado.

Vimos os efeitos que o amor de um homem é capaz de realizar numa mulher. A própria noiva nos confessou isso no verso anterior. Agora, nestes versos, é ele quem se dirige a ela. E o que ele diz é o ponto máximo da celebração do verdadeiro amor: “Diante de ti, todas as outras são como espinhos”!

Ele declara a singularidade, a distinção, a excelência da amada diante de quaisquer outras mulheres. Entretanto, é imprescindível aqui nos perguntarmos se tal amor é possível no mundo caído em que nos encontramos? É possível a um homem amar uma mulher ao ponto de que ela seja a única?

O tema sempre foi desejado entre todos os povos. Um amor sublime! O amor que supera a todas as investidas do mundo, da carne e do diabo e não sucumbe. Penélope, esposa de Ulisses, tecendo o seu manto durante o dia, o desmanchava durante a noite, aguardando a volta do seu marido. O pai de Penélope, sem saber se o genro estava vivo ou morto e querendo casar a filha, obrigara que ela aceitasse a visita de pretendentes. Contudo, querendo permanecer fiel ao marido, que já se ausentava de casa por longos anos, usava desse artifício para ganhar tempo durante a corte de seus pretendentes. Assim, ela conseguia adiar o possível matrimônio. Penélope ainda usou de um segundo artifício: sabendo quão duro era o arco de Ulisses, disse que se casaria apenas com aquele que o conseguisse dobrar. E a narrativa da Odisseia nos presenteia com a volta do herói, que disfarçado de mendigo, finalmente se apresenta diante da fiel e apaixonada companheira e realiza a façanha de dobrar o próprio arco.

O príncipe Filipe, que enfrenta todas as tormentas, as dificuldades criadas por Malévola, ele atravessa, como nas antigas lendas de Eros e Psique, os desafios simbólicos dos antigos arquétipos e nos presenteia com a imagem do jovem guerreiro que luta pela sua Bela Adormecida. Estes temas são eternos e, presentes universalmente, confirmam o anseio humano pela vitória do Amor sobre a miséria da vida ou, nas palavras de Agostinho, a universalidade desse tema revela a nossa saudade de um amor que um dia conhecemos e para o qual desejamos voltar...

Todavia, somos totalmente depravados e distantes de exercer pela mulher escolhida um amor que a coloque na condição de singular dentre todas as demais. Mas a proposta cristã é a de resgate desse amor sublime através da ação do amor de Deus no coração do homem cristão! Assim, o marido, o noivo, o namorado são desafiados a entregar suas vidas a Deus para que, regenerados e amados pelo Espírito Santo, eles possam ter o Espírito de ousadia para atingir o alvo excelso de Deus para o homem no casamento, a saber: “Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Ef 5: 25). O amor de Deus na vida do homem cristão revelará a esse mesmo homem que, para Jesus, a Igreja é a menina dos seus olhos, pérola preciosa, única amada por quem Jesus entregou a própria vida por amor!

O homem cristão, desde a infância, precisa ser criado para tratar a sua namorada, a sua noiva e a mulher com quem irá passar toda a sua vida da mesma maneira que Cristo trata a Igreja: este é o modelo para o homem cristão no namoro, no noivado e no matrimônio – nada menos do que isso!

Então que o homem cristão possa ser esse homem verdadeiro - o macho alfa - pleno de sua masculinidade, que vemos ser tão reverenciado pela mulher do Livro de Cânticos. E que o nosso amor pela mulher que Deus nos confiou possa declarar a ela pelo poder do Espírito Santo: tu és para mim a única entre as mulheres, meu amor!

6 comentários:

Anderson Andujar disse...

Belíssimo texto, parabéns. Que Deus nos ajude a ser esse homem que Ele planejou.
Abraços, em Cristo...

Mariani Lima disse...

Que beleza! Que ideal!
Lindo texto. Assim seja.
Abraços!

Jaqueline Beatriz disse...

Lu,
Que texto MARAVILHOSO, me emocionei!
Isso é tudo, isso sim vale a pena!
Adorei!
Beijinhos

Mara de Oliveira disse...

Amo vocês D+!!! Que post maravilhoso... Deus os abençoe meus lindos!

Casal 20 disse...

Queridos, é com muito carinho que este blog foi feito para abençoar a vida de todos nós.

Obrigado pelos comentários.

Rilvan Stutz disse...

Olá MEU Casal 20!
Cheguei aqui, parabéns da mesma forma pelo exelente blog. Que o Senhor da Glória esteja sempre no comando deste e com todos. Amém.
Diác. Rilvan Stutz
Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro.
www.reierei.blogspot.com

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